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sábado, 20 de junho de 2026

As relações não acabam na discussão, mas sim no silêncio

Especialista em comunicação, Wilson Joel Leal Gasino reúne experiências pessoais, estudos e escuta para mostrar como conversas desafiadoras podem reconstruir vínculos, reduzir conflitos e criar conexões mais profundas 

 

Quantos relacionamentos importantes se perdem no silêncio? A reconciliação que nunca aconteceu, o pedido de desculpas adiado, o afeto engolido, ou a amizade esfriada sem explicação. Em Tá na Hora da Gente Conversar – Caminhos para buscar conexões verdadeiras em um mundo onde é cada vez mais difícil se comunicar, a provocação parte das relações perdidas enquanto continuamos falando, mas deixamos de nos conectar. 

Escrito por Wilson Joel Leal Gasino, consultor em comunicação com mais de 30 anos de atuação, o livro nasce de uma jornada profundamente pessoal. O autor compartilha experiências que o levaram a investigar por que tantos vínculos se quebram quando deveria existir acolhimento: na conversa. A partir dessa busca, ele reúne histórias para transformar vivências reais em aprendizado prático. 

Ao longo da obra, Gasino problematiza temas cada vez mais presentes na sociedade contemporânea como: o abismo provocado pela falta de diálogo, pelo extremismo político, a falta de repertório emocional e o hábito de adiar diálogos importantes até que pequenas mágoas se transformem em grandes rupturas. O escritor também discute como julgamentos, emoções reprimidas e interpretações precipitadas afetam relações familiares, profissionais e afetivas. 

Entre as estratégias propostas para iniciar conversas difíceis estão encontrar o terreno comum antes das divergências, identificar o que realmente existe por trás dos sentimentos e substituir mensagens implícitas por pedidos objetivos. A provocação que atravessa a obra é direta: comunicação não se resume a falar, ela começa quando as pessoas conseguem criar conexão diante do conflito. 

A obra ainda amplia a discussão ao mostrar o impacto direto de trocas esclarecedoras na saúde emocional, na convivência social e até na forma como enxergamos a nós mesmos. Ao evitar atalhos disfuncionais, Gasino mergulha nas zonas de atrito evitadas, mágoas acumuladas, palavras engolidas, conflitos adiados e vínculos desgastados, para mostrar que a reconexão começa justamente onde a maioria prefere recuar. 

Atualmente os algoritmos sugerem conexões e telas ocupam o espaço da presença. Diante desse cenário, Wilson Joel Leal Gasino, em Tá na Hora da Gente Conversar, lança uma pergunta inevitável a ser refletida com precisão: quantas histórias, reconciliações e afetos perdemos porque ninguém teve coragem de iniciar uma conversa genuína? 

Ficha Técnica: 

Título do livro: Tá na Hora da Gente Conversar – Caminhos para buscar conexões verdadeiras em um mundo onde é cada vez mais difícil se comunicar 
Autor: Wilson Joel Leal Gasino 
Editora: Artêra Editorial 
ISBN/ASIN: 978-6525081892 
Páginas: 221 
Preço: 62,44 
Onde comprar: Amazon 

Sobre o autor: Wilson Joel Leal Gasino é escritor, consultor em comunicação e jornalista formado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), com MBA em Gestão de Empresas. Nasceu no Paraná e trabalhou por mais de 25 anos em jornais de vários estados, migrando, em 2014, para a comunicação empresarial. Paralelamente, sempre foi um pesquisador de temas como história das religiões, mitologia, psicologia, comunicação não violenta e antropologia. Em 2006, lançou o livro-reportagem Histórias sobre corrupção e ganância, sobre a CPI do Banestado. Em 2011 publicou o romance O reino místico dos pinheirais, seguido do livro de contos Impermanências, em 2014; e o romance Distrópicos, em 2018. 

Instagram: @wilsongasino | @ta_na_hora_da_gente_conversar

 


Não é só futebol: o fenômeno psicológico que transforma a Copa em uma montanha-russa emocional

Psicóloga da UVA aponta que identificação social e contágio emocional ajudam a explicar por que o torneio mobiliza milhões de brasileiros

 

Durante a Copa do Mundo o país volta a experimentar um fenômeno que se repete a cada quatro anos: pessoas mudam suas rotinas para acompanhar os jogos, emoções se intensificam e o desempenho da Seleção Brasileira passa a influenciar o humor de milhões de torcedores. Embora o futebol seja frequentemente associado à paixão nacional, a intensidade desse envolvimento tem explicações psicológicas que vão além do gosto pelo esporte. 

Segundo a professora de Psicologia da Universidade Veiga de Almeida (UVA), Claudia Souza, a Copa do Mundo cria um ambiente propício para a amplificação das emoções por reunir fatores como identidade social, pertencimento coletivo e ativação dos sistemas cerebrais relacionados à recompensa. 

“Durante a Copa, o processo coletivo de identidade social se fortalece em momentos em que há uma grande identificação entre um grupo. Nesse contexto, a pessoa passa a se perceber como parte de um grupo maior e incorpora o sucesso ou o fracasso desse grupo à sua própria experiência emocional. A vitória da Seleção é sentida quase como uma conquista pessoal, enquanto a derrota pode gerar frustração, tristeza e até sensação de perda", explica. 

A especialista destaca que, durante o torneio, ocorre uma redução temporária das diferenças individuais em favor de uma identidade compartilhada. Esse processo é estudado pela Psicologia Social e ajuda a compreender por que indivíduos de diferentes classes sociais, regiões e perfis ideológicos passam a compartilhar emoções semelhantes diante de um mesmo evento. 

"Quando milhões de pessoas dirigem sua atenção para um objetivo comum, ocorre um fortalecimento da percepção de pertencimento. O indivíduo sente que faz parte de algo maior do que ele próprio, e isso tem um impacto importante sobre o engajamento emocional", afirma. 

Outro aspecto relevante é o chamado contágio emocional, fenômeno pelo qual emoções são transmitidas e compartilhadas entre indivíduos em grupos sociais. Em tempos de redes sociais, esse efeito ganha ainda mais intensidade. 

"As emoções não são vividas apenas individualmente. Elas circulam socialmente. Quando uma pessoa comemora, se angustia ou demonstra expectativa, influencia emocionalmente quem está ao redor. Hoje isso acontece tanto presencialmente quanto digitalmente, o que potencializa a sensação de que o país inteiro está vivendo a mesma experiência ao mesmo tempo", observa. 

Além disso, a competição internacional acrescenta um componente simbólico que diferencia a Copa de outros campeonatos. Para a especialista, quando a disputa envolve seleções nacionais, questões ligadas à identidade coletiva e à representação do país ganham maior relevância psicológica. 

"Não estamos falando apenas de uma equipe esportiva. A Seleção funciona como um símbolo nacional. Por isso, os resultados são frequentemente interpretados como algo que transcende o futebol e toca aspectos relacionados à autoestima coletiva, ao reconhecimento internacional e à forma como o grupo se percebe", conclui.

 

O que as lendas dizem sobre nós?


Lendas costumam ser tratadas como histórias do passado. São associadas a castelos abandonados, criaturas fantásticas e crenças antigas que teriam perdido espaço em uma sociedade guiada pela ciência e pela tecnologia. No entanto, basta observar sua permanência na cultura popular para perceber que elas continuam exercendo fascínio sobre milhões de pessoas.

O motivo talvez seja mais simples do que parece: as lendas nunca falam apenas sobre monstros. Elas falam sobre seres humanos.

Ao longo da história, diferentes sociedades criaram narrativas para explicar o desconhecido, transmitir valores ou dar forma a medos coletivos. Em muitas delas, as criaturas sobrenaturais representam preocupações bastante reais. Vampiros, fantasmas, lobisomens e outras figuras lendárias costumam refletir temas como morte, poder, ambição, isolamento, violência ou medo do que não compreendemos.

Drácula é um exemplo interessante. Mais do que um personagem assustador, ele atravessou gerações porque simboliza inquietações humanas que continuam atuais. Sua história envolve sedução, controle, imortalidade e a dificuldade de lidar com aquilo que desafia nossos limites. O personagem mudou ao longo do tempo, mas os questionamentos que ele desperta permanecem vivos.

Mesmo em um mundo conectado por redes sociais, acesso instantâneo à informação, histórias baseadas em lendas continuam atraindo leitores, espectadores e pesquisadores. Isso acontece porque o interesse por essas narrativas não depende da crença literal em criaturas sobrenaturais, mas da capacidade que elas possuem de abordar questões humanas universais de forma simbólica e acessível.

O mesmo acontece com inúmeras lendas ao redor do mundo. Embora cada cultura tenha seus próprios mitos, muitas delas compartilham uma característica comum: funcionam como espelhos. Ao ouvir essas histórias, as pessoas não observam apenas criaturas fantásticas. Elas observam seus próprios receios, desejos e contradições.

Em uma época marcada por avanços tecnológicos sem precedentes, pode parecer contraditório que narrativas centenárias continuem despertando interesse. Mas talvez seja justamente por isso que elas sobrevivam. As ferramentas mudam, os costumes mudam e as sociedades se transformam. A natureza humana, porém, continua fazendo as mesmas perguntas fundamentais.

As lendas permanecem importantes porque ajudam a refletir sobre quem fomos, quem somos e quem podemos nos tornar. Elas preservam memórias culturais, atravessam gerações e oferecem novas interpretações a cada época. No fim, os monstros que habitam essas histórias raramente falam sobre eles mesmos. Quase sempre falam sobre nós.

 

Deyse O. S. - escritora e autora do livro “Cem anos depois”, que expande o universo de Bram Stoker ao narrar investigações ocorridas 100 anos depois da morte de Drácula


Como dar limites aos filhos sem autoritarismo: 7 sugestões práticas

Especialista explica como estabelecer regras com firmeza e afeto para fortalecer a segurança emocional de crianças e adolescentes.
 

Crises de birra, dificuldade para lidar com frustrações e conflitos constantes dentro de casa têm levado muitos pais a questionar como trabalhar os limites sem cair no autoritarismo. 

Para especialista em educação, a resposta passa por firmeza, presença e coerência.  

A educadora e psicopedagoga Leide Maia, fundadora da MAIA, metodologia educacional inclusiva voltada a escolas e famílias, afirma que o erro mais comum é associar limites à punição. 

“Limite não é castigo. É cuidado. É presença. É o adulto assumindo responsabilidade pelo mundo que apresenta à criança e aos adolescentes.”
 

Segundo ela, a ausência de regras claras pode gerar insegurança emocional e dificuldade para lidar com frustrações, o que impacta a convivência social ao longo do crescimento. 

A seguir, veja orientações práticas para aplicar limites no dia a dia.
 

1. Entenda que dizer “não” faz parte do desenvolvimento

Negar algo não é falta de amor. A frustração ensina que o mundo não gira apenas em torno dos desejos individuais e ajuda a desenvolver tolerância e autocontrole.


2. Estabeleça combinados claros — e sustente-os

As regras precisam ser simples e coerentes. Quando o adulto muda constantemente o que é permitido, transmite insegurança. A previsibilidade fortalece a confiança.


3. Diferencie autoridade de autoritarismo

Autoridade é assumir responsabilidade. Autoritarismo é impor pelo medo. O limite que educa nasce do vínculo, da escuta e da coerência. 


4. Esteja presente no dia-a-dia do seus filhos, inclusive no universo digital

Participar da vida dos filhos, conhecer os ambientes que frequentam, pessoas que se relacionam. Isso inclui, também, saber o que consomem na internet e conversar sobre riscos e responsabilidades. Acompanhamento não é invasão, é orientação.


5. Ensine a lidar com emoções difíceis

Raiva, frustração e tristeza fazem parte do crescimento. O adulto precisa ajudar a nomear esses sentimentos e mostrar formas saudáveis de expressá-los.


6. Não confunda autonomia com abandono

Dar liberdade não significa retirar-se. Crianças e adolescentes precisam de adultos que orientem, acompanhem e sustentem limites.


7. Crianças com deficiência também precisam de limites

Cuidado e proteção não substituem referências claras e apontamentos de forma objetiva. Limites e orientações compatíveis com a idade contribuem para autonomia e segurança emocional — inclusive para crianças e adolescentes  neurodivergentes ou com deficiência.
 

Por que isso importa

Especialistas alertam que a construção de limites está diretamente ligada à formação emocional, ética e moral de crianças e adolescentes. Quando regras são claras e sustentadas com afeto, elas deixam de ser vistas como punição e passam a ser compreendidas como estrutura.  

Educar com firmeza não é endurecer relações. É preparar para o convívio saudável em sociedade.


Mês dos Namorados: aprenda expressões carinhosas em inglês para surpreender quem você ama

Além dos tradicionais “I love you”, apelidos e expressões afetuosas em inglês podem deixar a data ainda mais especial e ajudar a ampliar o vocabulário no idioma


O mês dos Namorados é uma das datas mais aguardadas pelos casais e, para quem deseja sair do óbvio, usar expressões carinhosas em inglês pode ser uma forma criativa de demonstrar afeto. Além de tornar as mensagens mais divertidas e personalizadas, os apelidos românticos também ajudam a praticar o idioma de maneira leve e contextualizada. Segundo Márcia Lima, coordenadora pedagógica do Yázigi, incorporar palavras e expressões em outra língua no dia a dia é uma estratégia eficiente para desenvolver a fluência.

“Quando aprendemos o idioma por meio de situações reais e afetivas, como uma conversa com alguém especial, a memorização acontece de forma mais natural. Os apelidos carinhosos fazem parte da cultura da língua inglesa e são muito utilizados entre casais”, explica. A especialista ainda destaca que muitos dos termos mais populares fazem referência a características positivas, doces ou elementos da natureza. Entre os apelidos mais conhecidos para namoradas estão baby, baby doll, butterfly, cupcake, queen e flower. Já para namorados, algumas opções bastante utilizadas são darling, handsome, prince, charming e loverboy.

Há também expressões que podem ser usadas por qualquer pessoa, independentemente do gênero. Entre elas estão honey, sweetheart, sunshine, angel, cutie pie, love of my life, my other half e precious. TMárcia ressalta que essas palavras aparecem frequentemente em músicas, filmes e séries. “Quem consome conteúdos em inglês certamente já ouviu expressões como honey, baby ou darling. Elas ajudam tanto na comunicação quanto na compreensão da cultura e das formas de demonstrar carinho em diferentes contextos”, afirma.


Dicas para usar as expressões sem errar

Para quem quer aproveitar o Dia dos Namorados para praticar o idioma, a coordenadora pedagógica do Yázigi separou algumas orientações. Prefira apelidos simples e populares, como baby, honey e sweetheart. Observe o contexto, já que algumas expressões são mais comuns entre casais e outras podem ser usadas de forma amigável. Inspire-se em músicas e filmes, que trazem exemplos autênticos do uso dessas palavras. Use com naturalidade, em mensagens, cartões ou durante conversas do dia a dia. Evite traduções literais, pois muitos apelidos carregam significados culturais específicos.

Entre as músicas que ajudam a entender essas expressões estão clássicos como Love of My Life, do Queen; Adore You, de Harry Styles; e Stand By Me, de Ben E. King, que utilizam termos carinhosos amplamente conhecidos pelos falantes da língua inglesa. “Mais do que aprender novas palavras, o importante é usar o idioma para criar conexões. O inglês pode ser uma ferramenta para expressar sentimentos, aproximar pessoas e tornar momentos especiais ainda mais memoráveis”, conclui Márcia Lima.

 

Yázigi 


A epidemia do cansaço: por que tantas mulheres e crianças vivem exaustas?

Especialistas alertam para os impactos físicos, emocionais e comportamentais da rotina acelerada que afeta mães e filhos

 

Sentir-se cansado ao final de um dia intenso é esperado. O que preocupa especialistas é o fato de que, para muitas pessoas, o cansaço deixou de ser uma condição passageira e passou a fazer parte da rotina. Mesmo após uma noite de sono, mulheres relatam exaustão constante, dificuldade de concentração, irritabilidade e sensação de sobrecarga. Ao mesmo tempo, crianças apresentam alterações de comportamento, problemas de sono e dificuldade para lidar com emoções.


O fenômeno tem chamado a atenção de profissionais da saúde, que observam um aumento significativo dos efeitos físicos e emocionais provocados pelo excesso de estímulos, pela hiperconectividade e pelas exigências cada vez maiores da vida moderna.


Para a ginecologista Dra. Camila Bolonhezi, a exaustão feminina muitas vezes vai além do desgaste físico.


"As mulheres costumam acumular múltiplas funções ao longo do dia. Além das demandas profissionais, muitas assumem a maior parte da organização da casa, dos cuidados com os filhos e da gestão da rotina familiar. Essa sobrecarga contínua pode gerar impactos importantes na saúde hormonal e no bem-estar geral", explica.


Segundo a especialista, o estresse crônico pode desencadear alterações menstruais, queda da libido, dificuldades para dormir e até influenciar a fertilidade.


"O organismo não foi feito para permanecer em estado constante de alerta. Quando isso acontece por períodos prolongados, o corpo começa a emitir sinais de que algo não está funcionando adequadamente", afirma.


A psiquiatra Dra. Bianca Bolonhezi destaca que a sociedade passou a normalizar o esgotamento, transformando o excesso de tarefas em um comportamento esperado.


"Vivemos uma cultura que valoriza a produtividade acima de tudo. Muitas pessoas sentem culpa ao descansar e acreditam que precisam estar sempre disponíveis, conectadas e produzindo. Esse padrão contribui diretamente para o aumento dos quadros de ansiedade, estresse e burnout", observa.


De acordo com a médica, o cansaço emocional costuma se manifestar de diferentes formas.


"Nem sempre ele aparece apenas como falta de energia. Muitas vezes surgem irritabilidade, dificuldade de concentração, sensação de sobrecarga, alterações de sono e até sintomas físicos como dores de cabeça e desconfortos gastrointestinais", explica.


O impacto desse cenário também chega às crianças. Para a pediatra Dra. Mariana Bolonhezi, a infância tem sido marcada por agendas cada vez mais preenchidas e pelo excesso de estímulos.


"Hoje muitas crianças passam o dia entre escola, atividades extracurriculares, compromissos e telas. Em alguns casos, há pouco espaço para o descanso, para o brincar livre e para momentos de relaxamento, que são fundamentais para o desenvolvimento saudável", afirma.


A especialista alerta que o cansaço infantil nem sempre é percebido pelos adultos.

"Diferentemente dos adultos, as crianças nem sempre verbalizam que estão exaustas. Elas podem demonstrar isso por meio de irritabilidade, dificuldade de aprendizagem, alterações de comportamento, agitação excessiva ou problemas relacionados ao sono", explica.


As três especialistas concordam que o problema exige um olhar amplo, capaz de considerar não apenas questões físicas, mas também emocionais e sociais. Para elas, a exaustão constante não deve ser encarada como algo normal ou inevitável.


"Descansar não é um luxo, mas uma necessidade biológica. Quando ignoramos os sinais de esgotamento, aumentamos o risco de desenvolver problemas que afetam a saúde física, emocional e a qualidade de vida de toda a família", concluem.


Em um cenário em que o cansaço se tornou quase um símbolo da vida moderna, o alerta dos especialistas é claro: desacelerar, respeitar os limites do corpo e valorizar momentos de descanso são atitudes essenciais para preservar a saúde de adultos e crianças.

 

Monitoramento por smartwatches ajuda na prática de exercícios, mas não substitui acompanhamento profissional

Especialista destaca que a tecnologia ‘wearable’ deve servir como ferramenta de apoio para incentivo à continuidade das atividades físicas e decisões mais seguras sobre a saúde individualizada.

 

Relógios inteligentes, anéis conectados, monitores contínuos de glicose e outros dispositivos vestíveis deixaram de ser tendência para se tornarem parte da rotina de milhões de pessoas. Nunca houve tanta informação disponível sobre sono, frequência cardíaca, gasto calórico, recuperação física e níveis de atividade, no entanto, em meio à explosão dos chamados wearables, especialistas alertam que os dados, por si só, não substituem a interpretação profissional.

 

Para o profissional de Educação Física e especialista em fisiologia do exercício Jauan Anselmo, a tecnologia trouxe avanços importantes para a promoção da saúde, mas também criou um novo desafio: pessoas cada vez mais preocupadas com números e métricas, sem compreender o que elas realmente significam.

 

A tecnologia representa uma evolução extraordinária porque permite acompanhar aspectos que antes só eram avaliados em clínicas ou laboratórios. Porém, os dados não podem ser encarados como sentença. Eles são ferramentas que ajudam a orientar decisões, ajustar protocolos de treino, recuperação e hábitos de vida. O problema começa quando a pessoa passa a acreditar que o relógio conhece mais o próprio corpo do que ela mesma”, explica.

 

Segundo relatórios recentes da International Data Corporation (IDC), o mercado global de dispositivos vestíveis segue em forte crescimento, com mais de 611 milhões de unidades comercializadas em 2025. No Brasil, o segmento está entre os que mais crescem na América Latina, impulsionado principalmente por smartwatches e dispositivos voltados à saúde digital, com vendas (estimadas) de 5,5 a 6 milhões de unidades no ano passado.

 

Monitoramento de frequência cardíaca

 

Entre os diversos indicadores monitorados pelos wearables, um dos que mais ganhou destaque nos últimos anos é a Variabilidade da Frequência Cardíaca (VFC), conhecida internacionalmente como Heart Rate Variability (HRV).

 

A métrica mede as pequenas variações de tempo entre os batimentos cardíacos e é considerada um importante indicador do funcionamento do Sistema Nervoso Autônomo, responsável por regular processos como recuperação física, estresse, fadiga e adaptação ao treinamento.

 

De acordo com o especialista, que está à frente da plataforma virtual Jauan Treinos – com metodologia voltada à ação personalizada –, acompanhar a VFC pode ajudar profissionais e praticantes a entenderem melhor o estado de recuperação do organismo, permitindo ajustes mais precisos nas cargas de treinamento.

 

Quando analisada corretamente, a VFC ajuda a identificar sinais de fadiga acumulada, excesso de treinamento, estresse psicológico e até alterações relacionadas ao sono. Mas ela nunca deve ser interpretada de forma isolada. É necessário observar o contexto, o histórico do indivíduo e outros marcadores para tomar decisões seguras”, ressalta.

 

‘Infoxicação’ de dados passam a gerar ansiedade

 

Se por um lado a tecnologia oferece mais informações, por outro ela também tem contribuído para um fenômeno crescente conhecido como ortossonia, termo utilizado para descrever a obsessão por atingir métricas consideradas perfeitas de sono e recuperação.

 

O conceito foi descrito inicialmente em estudo publicado em 2017 no Journal of Clinical Sleep Medicine, que observou pacientes excessivamente preocupados com dados fornecidos por rastreadores de sono, mesmo quando não apresentavam problemas clínicos relevantes

 

Pesquisas mais recentes na área de saúde digital apontam que usuários frequentes de dispositivos de monitoramento podem desenvolver maior preocupação com indicadores de estresse, recuperação e qualidade do sono, criando ciclos de ansiedade relacionados aos próprios dados coletados. 

 

Atuante há mais de 10 anos no mundo fitness e de bem-estar, Jauan pontua o comportamento tem sido cada vez mais comum e é perceptível entre os alunos, o que serve como um sinal de alerta:

 

Vejo pessoas acordando e a primeira coisa que fazem é consultar a nota do sono. Se o número aparecer abaixo do esperado, elas já acreditam que terão um dia ruim, mesmo se estiverem se sentindo bem. Isso gera uma dependência psicológica da métrica. O dado deve servir para orientar, não para controlar emocionalmente a pessoa

 

Estudos também indicam que dispositivos de monitoramento nem sempre conseguem captar adequadamente estados emocionais complexos, reforçando a necessidade de interpretar as informações com cautela e dentro de um contexto mais amplo. 

 

Apesar dos cuidados necessários, os wearables também têm demonstrado potencial para estimular hábitos saudáveis. Pesquisas conduzidas por instituições brasileiras, a exemplo da Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), apontam que notificações, metas diárias e feedbacks instantâneos podem aumentar a motivação para a prática regular de atividade física, especialmente em indivíduos sedentários.

 

Segundo o profissional, esse estímulo externo pode ser uma excelente porta de entrada para um estilo de vida mais ativo.

 

O relógio avisando para levantar, caminhar ou completar uma meta diária pode funcionar como um gatilho positivo. O desafio é transformar essa motivação externa em motivação interna, fazendo com que a pessoa passe a se exercitar porque entende os benefícios e sente prazer na prática, e não apenas porque um dispositivo mandou”, completa.

 

Papel do profissional continua indispensável

 

Mesmo diante da crescente sofisticação dos dispositivos, Jauan Anselmo reforça que a interpretação dos dados continua sendo tão importante quanto a coleta das informações. Para ele, os wearables devem ser vistos como aliados do processo de cuidado, mas jamais como substitutos da avaliação profissional.

 

Hoje temos acesso a uma quantidade gigantesca de dados e o que realmente faz diferença é saber análisá-los. Um mesmo número pode significar coisas completamente diferentes dependendo da rotina, da idade, do nível de treinamento, da alimentação e até do momento emocional da pessoa. O olhar técnico e individualizado segue sendo insubstituível”, conclui.

 

À medida que os wearables se tornam cada vez mais presentes no cotidiano, especialistas defendem que o futuro da saúde passa pela capacidade de transformá-los em informações úteis, contextualizadas e capazes de promover mudanças sustentáveis no comportamento e na qualidade de vida.



Celular virou fator de risco para a saúde mental? Psiquiatra alerta para os impactos das mensagens fora do expediente

Dados do Ministério da Previdência Social mostram que os afastamentos por transtornos mentais e comportamentais continuam crescendo no Brasil. Em 2025, foram concedidos mais de 500 mil benefícios por incapacidade temporária relacionados à saúde mental, um aumento de mais de 15 % em comparação com 2024

 

A mesma tecnologia que ajuda, também adoece. Na mesma proporção que o celular otimiza e aumenta a produtividade, também pode estar criando um novo risco para a saúde mental dos trabalhadores. 

Para o psiquiatra corporativo Dr. Daniel Sócrates, as mensagens enviadas à noite, grupos de trabalho ativos durante finais de semana, notificações fora do expediente e a sensação constante de que é preciso estar disponível a qualquer momento estão levando muitos profissionais a um estado permanente de alerta e esse comportamento pode gerar consequências importantes para a saúde emocional. 

"O trabalhador não precisa necessariamente estar trabalhando para estar sob estresse. Muitas vezes basta a expectativa de que uma nova demanda pode surgir a qualquer momento. O cérebro permanece em vigilância constante", explica. Esse estado de alerta contínuo dificulta o descanso mental e impede que o organismo complete processos importantes de recuperação emocional. 

"O cérebro precisa de momentos de desconexão para consolidar memórias, regular emoções e restaurar a energia mental. Quando a pessoa permanece monitorando notificações o tempo todo, ela reduz sua capacidade de recuperação", alerta. 

Ele explica que o problema não é apenas o volume de mensagens, mas a percepção de que tudo precisa ser resolvido imediatamente. Isso alimenta ansiedade e aumenta o desgaste emocional."

 

Sinais que o celular pode estar adoecendo 

O especialista destaca que um dos primeiros sinais de que a relação com o celular está se tornando prejudicial é a incapacidade de se desligar mentalmente do trabalho. 

Entre os sinais de alerta estão: 

  • Verificar mensagens corporativas logo ao acordar;
  • Sentir culpa ao não responder imediatamente;
  • Levar o celular para todos os ambientes da casa;
  • Interromper momentos de lazer para acompanhar grupos profissionais;
  • Dificuldade para dormir após interações relacionadas ao trabalho;
  • Sensação de estar sempre devendo alguma resposta. 

"Quando o trabalhador perde a capacidade de diferenciar momentos de trabalho e momentos de recuperação, o risco de adoecimento emocional aumenta significativamente", afirma.

 

Como criar limites saudáveis no uso do celular para trabalhar 

Daniel Sócrates destaca que a solução não está em abandonar a tecnologia, mas em estabelecer fronteiras claras entre vida profissional e pessoal. Entre as recomendações do especialista estão: 

1. Criar horários para consultar mensagens

Evitar acompanhar grupos corporativos continuamente ao longo do dia.

2. Desativar notificações fora do expediente

Nem toda mensagem precisa interromper momentos de descanso.

3. Evitar celular profissional no quarto

O ambiente de sono deve estar associado ao descanso e não ao trabalho.

4. Definir expectativas claras nas equipes

Lideranças precisam comunicar quando uma resposta imediata realmente é necessária.

5. Respeitar períodos de recuperação

Tempo livre não é improdutividade. É parte fundamental da manutenção da saúde mental.

Para o psiquiatra, o futuro das relações de trabalho passa pela capacidade de proteger a atenção e a saúde mental dos profissionais. "O celular é uma ferramenta extraordinária. O problema surge quando ele deixa de ser um instrumento de trabalho e passa a ocupar todos os espaços da vida. Nenhum ser humano foi feito para permanecer disponível 24 horas por dia."

 

Dr. Daniel Sócrates - Médico psiquiatra, doutor pela UNIFESP, com mais de duas décadas de atuação clínica. Dedica-se ao cuidado de profissionais que enfrentam altos níveis de exigência e responsabilidade, com abordagem focada em performance sustentável, saúde mental e qualidade de vida. Link


O que fazer quando o jovem não larga o celular? Confira cinco dicas para reduzir os excessos digitais

Especialista da Fundação Darcy Vargas orienta pais e destaca a importância da disciplina de Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDICs) nos currículos escolares
 

Em meio à hiperconectividade, ao avanço da inteligência artificial e ao consumo acelerado de conteúdos digitais, ensinar crianças e adolescentes sobre como usar a tecnologia passou a ser um desafio para pais e educadores. Nesse cenário, a Fundação Darcy Vargas (FDV), escola gratuita de ensino básico do Rio de Janeiro, tem incluído o letramento digital como parte do desenvolvimento dos estudantes por meio da disciplina eletiva de Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDICs), iniciativa ainda pouco explorada na educação básica. 

Para apoiar os adultos nesse processo com crianças e adolescentes, a professora Sarah Batista Santos, da FDV e que atua há seis anos com educação e uso de tecnologias, reuniu cinco orientações que podem ser incorporadas à rotina familiar:
 

1. Criar momentos fixos sem telas
Estabelecer horários específicos para desconectar, como durante as refeições ou antes de dormir, ajuda a fortalecer vínculos familiares, melhorar o descanso e reduzir o uso automático dos dispositivos.
 

2. Construir regras em conjunto
Mais do que impor limites, o ideal é combinar horários, tempo de tela e tipos de conteúdo junto aos filhos. Quando adolescentes participam dessas decisões, tendem a desenvolver mais responsabilidade sobre os próprios hábitos digitais.
 

3. Incentivar experiências fora do ambiente virtual
Esportes, leitura, atividades artísticas, cozinhar e encontros presenciais ampliam repertório, estimulam criatividade e ajudam a equilibrar o cotidiano.
 

4. Conversar sobre o que é consumido nas redes
Acompanhar conteúdos, questionar fontes e discutir exageros, intenções e possíveis desinformações contribui para o desenvolvimento do pensamento crítico e da autonomia digital.
 

5. Dar o exemplo no uso da tecnologia
Crianças e adolescentes observam os comportamentos dos adultos. Valorizar conversas presenciais, respeitar momentos sem telas e equilibrar o uso do celular tende a gerar hábitos semelhantes nos mais jovens.
 

Segundo Sarah, o maior desafio das famílias atualmente é encontrar equilíbrio entre os ambientes online e offline.

“A tecnologia trouxe benefícios importantes para a rotina dos jovens, especialmente no acesso à informação e na organização das atividades. Mas o excesso de conteúdos prontos e sugestões automáticas também pode reduzir processos criativos e dificultar o desenvolvimento do pensamento crítico. Por isso, é essencial ensinar não apenas o uso das ferramentas, mas também a reflexão sobre aquilo que consumimos”, afirma. 

Na Fundação Darcy Vargas, esse trabalho acontece dentro da disciplina eletiva de TDICs, que tem como objetivo preparar os estudantes para utilizar ferramentas digitais de forma crítica, ética e responsável. 

Ao longo das aulas, os alunos aprendem sobre funcionamento da internet, segurança e privacidade digital, identificação de conteúdos confiáveis e resolução de problemas do dia a dia ligados ao ambiente online. O conteúdo aborda estudos de caso e situações reais para discutir exposição em redes sociais, golpes virtuais, proteção de dados e os impactos dos algoritmos na forma como consumimos informação. 

O diferencial da proposta, segundo a professora, está em ir além do ensino instrumental da tecnologia.

“Os estudantes aprendem não apenas a usar aplicativos ou acessar plataformas, mas a compreender como essas ferramentas influenciam decisões, comportamentos e relações. O objetivo é formar jovens mais autônomos, criativos e conscientes.”
 

Os resultados já aparecem no cotidiano escolar: alunos demonstram mais cuidado com informações compartilhadas na internet, maior capacidade de identificar conteúdos confiáveis e percepção mais crítica sobre os impactos das redes sociais e dos algoritmos.
 

Para Sarah, o aprendizado precisa continuar dentro de casa.

“A participação da família é fundamental para orientar e acompanhar o uso da tecnologia no cotidiano. Mais do que controlar, é importante dialogar, estabelecer limites equilibrados e ajudar crianças e adolescentes a desenvolver responsabilidade e bom senso no ambiente digital.”


O cansaço de pensar: por que você está exausto sem ter feito nada


Você chega ao fim do dia com a sensação de que trabalhou muito, mas quando olha para o que produziu, a conta não fecha. O cansaço é real. A entrega, nem sempre. Esse é um dos paradoxos mais comuns e silenciosos do ambiente corporativo atual.

A primeira reação costuma ser de culpa: "Preciso ser mais disciplinado", "estou perdendo foco", "tenho que me organizar melhor". Mas o problema, muitas vezes, não é falta de vontade. É um fenômeno que a ciência do comportamento humano descreve como ego depletion, ou esgotamento do ego.

O cérebro humano lida mal com o volume e a velocidade de decisões que o ambiente moderno impõe. Em 1998, o psicólogo social Roy Baumeister foi um dos primeiros a demonstrar, cientificamente, que a capacidade de autorregulação (que envolve tomar decisões, manter o foco e resistir a impulsos) funciona como um recurso limitado, quanto mais usada ao longo do dia, mais ela se desgasta.

Esse mecanismo ficou conhecido como ego depletion, ou esgotamento do ego, e deu origem ao que hoje chamamos de ‘fadiga de decisão’. A ideia central permanece observável na prática: a qualidade das decisões declina à medida que o dia avança e o esforço cognitivo se acumula. As decisões do final da tarde tendem a ser piores do que as da manhã, não porque você seja menos inteligente nesse horário, mas porque seu sistema de controle consciente já consumiu grande parte da energia disponível.

Estar ocupado e ser cognitivamente eficiente são coisas diferentes. E aqui mora a armadilha. O ambiente corporativo confunde movimento com progresso. Reuniões que poderiam ser e-mails, notificações constantes, mudanças de contexto a cada dez minutos, tudo isso impõe um custo cognitivo alto, muitas vezes invisível. Quando está exausto você não percebe o ato de pensar porque o corpo não dói. Mas a mente entra em modo de sobrevivência, evita o que é complexo, recorre ao automático e escolhe o mais fácil.

É nesse cenário que a dimensão reativa assume o controle. Na metodologia que desenvolvi ao longo de mais de uma década de trabalho com alta performance, trabalho com três dimensões cognitivas integradas: a reativa, a emocional e a racional. Em condições ideais, as três operam em conjunto. A reativa capta o estímulo, a emocional dá significado, e a racional organiza a melhor resposta. O problema é que a dimensão racional é a mais cara em termos de energia e atenção. Quando o tanque está no limite, ela sai de cena. O que sobra é reação pura: impulsividade, decisões no piloto automático, respostas que você mesmo não reconhece como suas no dia seguinte.

A grande virada começa quando paramos de medir produtividade pelo volume de tarefas e passamos a medir pela qualidade das decisões. Um profissional de alta performance não é aquele que aguenta mais horas na cadeira. É aquele que entende quando seu sistema racional está mais afiado e protege esse tempo com inteligência.

Na prática, isso exige mudanças simples, mas contraintuitivas como, por exemplo, reservar decisões relevantes para o início do dia; criar blocos de trabalho profundo sem interrupções, em vez de estar permanentemente disponível; e aprender a distinguir o que exige raciocínio real do que pode ser resolvido no automático.

A cultura da alta performance criou um mito perigoso, o de que resistir ao cansaço é virtude, de que trabalhar mais é sempre melhor, e também que o profissional que não para é o mais comprometido. A ciência do comportamento humano sugere o contrário. Ignorar limites cognitivos não é dedicação, é desperdício. Um cérebro exausto entrega apenas volume.

O verdadeiro desafio não é trabalhar mais horas. É garantir que, nas horas em que você trabalha, o sistema racional esteja presente e não apenas o reativo respondendo no automático. Porque, no fim, os resultados não são definidos pelo volume do que você faz, mas pela qualidade do que você decide quando realmente importa.

 

Bruno Rosa - engenheiro eletricista e Managing Director da Domperf High Performance, empresa de treinamento de alto desempenho profissional e consultoria empresarial. Há mais de uma década dedica-se ao estudo da neurociência e comportamento, desenvolvendo metodologias práticas aplicadas ao ambiente corporativo. https://domperf.com.br/


Quatro sinais de que o sono virou prioridade para a Geração Z mais do que qualquer outra coisa

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Marcada por hiperconexão, estresse e pressão por performance, nova geração passa a enxergar o sono como parte essencial da saúde mental, da recuperação e da qualidade de vida 


A Geração Z cresceu em um contexto sem precedentes de hiperconectividade, acesso instantâneo à informação e estímulos permanentes. Ao mesmo tempo em que enfrenta níveis elevados de ansiedade, pressão social e sobrecarga mental, essa geração também demonstra uma consciência maior sobre temas como saúde emocional, autocuidado e qualidade de vida, ainda que, na prática, transformar essa consciência em hábitos consistentes continue sendo um desafio. 

Essa contradição ajuda a explicar a volta de um fenômeno que ganhou força na China em 2020 e voltou ao debate global em 2026: a chamada “vingança da hora de dormir”, comportamento em que pessoas com rotinas exaustivas abrem mão de horas de sono para recuperar, à noite, o tempo livre que não tiveram durante o dia. No Brasil, porém, a relação da Geração Z com o descanso revela uma dinâmica particular. Embora a hiperconexão continue impactando a qualidade do sono, os jovens brasileiros têm demonstrado uma valorização crescente do descanso, com sinais de que dormir bem passou a ser visto não como perda de tempo, mas como investimento em saúde e qualidade de vida.

“O que observamos é uma mudança importante de perspectiva, enquanto gerações anteriores frequentemente associavam sucesso à privação do sono e à produtividade constante, a Geração Z começa a compreender o descanso como parte fundamental da performance, da saúde mental e do bem-estar”, afirma Olga Fonseca, diretora de marketing da Flex do Brasil, responsável pela operação da Simmons no Brasil, marca global referência em soluções para o sono. 

Essa transformação ajuda a explicar por que o descanso deixou de ser visto apenas como uma necessidade biológica e passou a ocupar papel central na rotina de uma geração marcada pelo estresse. A seguir, a especialista destaca quatro sinais que mostram essa mudança de mentalidade. Confira:
 

1. Maior consciência e hiperconexão sobre o descanso
 

Apesar do excesso de estímulos digitais ser um dos grandes desafios da atualidade, ele também ampliou o debate sobre saúde mental e recuperação. O uso intenso de dispositivos digitais e a dificuldade de desconexão criam obstáculos para a higiene do sono, mas também impulsionam uma conscientização maior sobre a necessidade de estabelecer limites.“A hiperconexão trouxe um paradoxo interessante. Nunca tivemos tanto acesso à informação sobre saúde e bem-estar e, ao mesmo tempo, nunca estivemos tão expostos a estímulos capazes de comprometer o descanso”, explica a especialista.
 

2. Descanso não é mais visto como improdutividade 

Uma das principais mudanças geracionais está na forma como o sono passou a ser interpretado. Para a Geração Z, descansar não significa produzir menos. “A Geração Z contribui para ampliar a compreensão de que o autocuidado vai muito além da estética ou da atividade física. O sono passa a ser reconhecido como um dos pilares fundamentais da saúde e dormir bem passou a ser visto como uma ferramenta de recuperação, criatividade, aprendizado e equilíbrio emocional”, afirma a diretora.
 

3. Sono passou a ser tratado como saúde e bem-estar 

Outra mudança importante está na forma como os jovens encaram performance. O foco já não está apenas em produzir mais, mas em recuperar melhor. Descanso, alimentação, atividade física e saúde mental deixaram de ser temas isolados e passaram a fazer parte de um mesmo ecossistema de bem-estar, no qual o sono ocupa papel central. “Talvez um dos sinais mais claros dessa mudança esteja na forma como as novas gerações passaram a enxergar o bem-estar como um projeto integrado de vida”, comenta Fonseca.
 

4. O ambiente de descanso se tornou parte da equação 

Com a valorização crescente do bem-estar, o quarto e o ambiente de descanso também ganharam protagonismo. “O consumidor passou a compreender que o sono não é apenas uma consequência do bem-estar, mas um dos seus principais pilares”, explica Olga. Nesse contexto, o colchão deixou de ser percebido apenas como um produto funcional e passou a ser compreendido como uma plataforma de recuperação, capaz de favorecer conforto térmico, alinhamento postural e uma experiência de descanso mais consistente. Para Olga, a principal lição trazida pela Geração Z é clara, “Desempenho e recuperação não são conceitos opostos, mas sim complementares e a A Geração Z ajuda a acelerar essa mudança de mentalidade”, conclui.

 

Simmons


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