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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Fevereiro Laranja alerta para sintomas da leucemia e reforça importância do diagnóstico precoce

Campanha chama atenção para sinais da doença, opções de tratamento e a relevância da doação de medula óssea

 

O mês de fevereiro é marcado pela campanha Fevereiro Laranja, dedicada à conscientização sobre a leucemia, um tipo de câncer que afeta a medula óssea e o sangue. O objetivo da mobilização é informar a população sobre os principais sintomas da doença, a importância do diagnóstico precoce, as possibilidades de tratamento e o papel fundamental da doação de medula óssea na salvação de vidas. 

Segundo o hematologista Dr. Fernando Michielin Alves, do Instituto de Oncologia do Paraná (IOP), a campanha tem um papel essencial na educação em saúde. “A leucemia é uma doença que pode evoluir rapidamente em alguns casos. Quanto mais cedo o diagnóstico é feito, maiores são as chances de sucesso no tratamento. O Fevereiro Laranja é uma oportunidade de levar informação de qualidade à população e reforçar a importância da solidariedade por meio da doação de medula óssea”, destaca.

 

Principais tipos de leucemia 

A leucemia é classificada de acordo com o tipo de célula afetada e a velocidade de progressão da doença. Os quatro principais tipos são: 

- Leucemia Linfóide Aguda (LLA), que afeta as células linfóides e se desenvolve rapidamente, sendo mais comum em crianças e em idosos;

- Leucemia Mieloide Aguda (LMA), que acomete o os grupos de células chamadas de células mieloides e também tem evolução rápida. Também mais frequente em adultos e idosos. 

- Leucemia Linfóide Crônica (LLC), mais frequente em adultos, com desenvolvimento lento; 

- Leucemia Mieloide Crônica (LMC), igualmente mais comum em adultos e de progressão gradual.

 

Sintomas que merecem atenção 

A leucemia é caracterizada pela substituição das células saudáveis da medula óssea por células doentes, comprometendo a produção normal de glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas. Esse processo pode provocar uma série de sintomas, entre os mais comuns estão: fadiga intensa, febre persistente ou suores noturnos, palidez, facilidade para hematomas ou sangramentos, perda de apetite e perda de peso sem causa aparente, dor nos ossos ou articulações, inchaço dos linfonodos e infecções frequentes. 

O Dr. Fernando reforça que esses sinais podem estar presentes em outras condições de saúde. “Por isso, o diagnóstico definitivo da leucemia só pode ser feito por meio de exames laboratoriais e avaliação clínica especializada”, explica. 

A investigação da leucemia envolve diferentes etapas, que incluem exame físico, hemograma completo, exames da medula óssea, como a biópsia, além de exames mais específicos, como a citometria de fluxo e testes moleculares, fundamentais para identificar o tipo de leucemia e orientar o tratamento. 

O tratamento da leucemia varia conforme o tipo e o estágio da doença. Entre as principais abordagens estão a quimioterapia, imunoterapia e terapias alvo que podem ser seguidas pelo transplante de medula óssea.

 

Medula óssea e a importância da doação 

A medula óssea é responsável pela produção das células sanguíneas essenciais ao funcionamento do organismo. Em muitos casos de leucemia, o transplante de medula óssea pode ser a melhor opção terapêutica. 

Para que o transplante seja possível, é necessária compatibilidade genética entre doador e receptor, identificada por testes específicos. O doador não precisa ser parente do paciente, pois a compatibilidade pode ser encontrada em bancos de doadores. Além disso, avanços recentes tornaram viável o transplante haplo-idêntico, como de pai para filho, ampliando as chances de encontrar um doador compatível. Estima-se que entre 60% e 80% dos pacientes consigam um doador adequado. 

“O Fevereiro Laranja também é um convite à empatia. Tornar-se doador de medula óssea é um gesto simples que pode representar a única chance de cura para muitos pacientes”, conclui o Dr. Fernando Michielin Alves.

 

Grupo Med4U


IOP
https://iop.com.br

 

 

Fevereiro Laranja: diagnóstico precoce e cadastro de medula aumentam chances de cura da leucemia, alerta Univali

Professora e hematologista destaca que exame de sangue simples é a porta de entrada para identificar mutações celulares e salvar vidas

 

O tempo é o recurso mais escasso na luta contra a leucemia, um câncer que não espera e cuja evolução, em casos agudos, pode ser fulminante. No epicentro da campanha Fevereiro Laranja, a Universidade do Vale do Itajaí (Univali) contribui para o debate público ao esclarecer a doença e reforçar a relevância do diagnóstico precoce e do cadastro de doadores de medula óssea. Com o avanço da medicina, a compatibilidade genética – que atravessa fronteiras geográficas – tornou-se a ponte definitiva entre o diagnóstico crítico e a sobrevivência.

A leucemia atinge os leucócitos, as células de defesa do organismo. Quando essas células sofrem mutações e passam a se proliferar de forma desordenada, a “fábrica do sangue”, localizada na medula óssea, entra em colapso. O resultado é uma cascata de sintomas que, embora inespecíficos, exigem atenção imediata.

“O paciente pode apresentar anemia grave, cansaço excessivo, hematomas espontâneos e infecções recorrentes. Nas leucemias agudas, essa evolução é rápida e progressiva; o indivíduo estava bem há poucas semanas e, de repente, o quadro se agrava severamente”, explica a docente do curso de Medicina da Univali, professora Marina Guedes, que é especialista em hematologia e hemoterapia.

 

A ciência do diagnóstico: do hemograma à biópsia

A barreira entre a dúvida e o tratamento começa com um procedimento de rotina. Um hemograma simples, realizado em prontos atendimentos, é capaz de acender o sinal de alerta ao revelar alterações nas contagens de glóbulos brancos, vermelhos e plaquetas. No entanto, a confirmação do "RG" da doença exige mergulhar na origem.

Para a precisão diagnóstica, os especialistas utilizam o esfregaço de sangue periférico em microscópio e, fundamentalmente, a biópsia da medula óssea. A diferenciação entre os tipos – mieloide, linfoide, aguda ou crônica – dita o ritmo da intervenção. Enquanto as leucemias crônicas permitem um acompanhamento ambulatorial com medicações orais, as agudas são tratadas como emergências médicas, exigindo internação e quimioterapia intensiva.

 

O transplante como horizonte de cura

Para muitos pacientes, especialmente aqueles com doenças de alto risco ou em casos de recidiva (quando o câncer retorna mais resistente), a quimioterapia é apenas a preparação. A cura definitiva reside no transplante de medula óssea, um procedimento que substitui o sistema doente por um saudável.

Diferente das transfusões de sangue comuns, o transplante de medula não exige o mesmo tipo sanguíneo (A, B ou O), mas sim uma compatibilidade genética complexa, medida pelo teste de HLA.

“O transplante de medula óssea é como se você estivesse encontrando um irmão perdido em algum lugar do mundo. Como as famílias brasileiras estão cada vez menores, nem sempre achamos doadores compatíveis entre irmãos. Por isso, o banco de doadores mundial é essencial: a medula pode ser coletada do outro lado do planeta e chegar aqui no mesmo dia para salvar uma vida”, enfatiza a professora Marina.

 

Como ajudar: o gesto que atravessa o relógio

A conscientização do Fevereiro Laranja busca reverter a dificuldade logística e aumentar o número de voluntários cadastrados no Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (REDOME). Atualmente, moradores da região de Itajaí devem buscar os hemocentros do Centro de Hematologia e Hemoterapia de Santa Catarina (Hemosc) em cidades como Blumenau ou Florianópolis para realizar o cadastro, que consiste apenas na coleta de um tubo simples de sangue para análise de DNA.

Essa realidade, contudo, deve mudar ainda em 2026 com a inauguração da unidade do Hemosc em Itajaí. Com as fundações já concluídas no terreno da rua Lauro Müller, a obra recebe um investimento de R$ 5 milhões do Governo do Estado. A estrutura de 900 m² funcionará como uma Central de Distribuição de Hemocomponentes 24 horas e posto de coleta, garantindo agilidade no atendimento aos hospitais da região e facilitando o acesso dos doadores locais ao cadastro de medula e doação de sangue.

“A urgência é real: quanto mais cedo o transplante ocorre, menor é o desgaste do paciente e maior a eficácia do tratamento”, reforça Marina. A Univali, reafirmando seu papel como polo de disseminação de conhecimento e impacto social, reforça que a informação é o primeiro passo para a solidariedade que salva.

 

A história na medula

O transplante de medula óssea revolucionou o tratamento de doenças hematológicas desde os primeiros procedimentos bem-sucedidos na década de 1950. No Brasil, o REDOME foi criado em 1993 e hoje é um dos maiores bancos de doadores do mundo, provando que a rede de solidariedade brasileira é um pilar fundamental da saúde pública e da inovação médica nacional.


 

Carnaval e alta sensibilidade: como mulheres PAS podem curtir a folia sem esgotamento emociona


Frederik

 Médica psiquiatra Dra. Thaíssa Pandolfi explica por que o excesso de estímulos pode ser especialmente desafiador para mulheres altamente sensíveis e como atravessar a festa com equilíbrio 


 O Carnaval é sinônimo de música alta, multidões, luzes intensas e interações constantes. Mas, para muitas mulheres altamente sensíveis (PAS), essa combinação pode representar não apenas diversão, mas também sobrecarga física, emocional e sensorial. 

Segundo a médica Dra. Thaíssa Pandolfi, especialista em saúde mental de mulheres neurodivergentes, a alta sensibilidade não é sinônimo de timidez ou introversão. “Cerca de 30% das pessoas altamente sensíveis são extrovertidas. Elas gostam de estar com outras pessoas, mas processam os estímulos de forma mais profunda e intensa. Isso significa que, mesmo se divertindo, podem sair extremamente esgotadas”, explica. 

De acordo com a psiquiatra, mulheres PAS tendem a absorver ruídos, emoções do ambiente, conflitos e até pequenas mudanças de energia com maior profundidade. Em períodos como o Carnaval, marcados por excesso de sons, luzes e contato social, é comum surgirem sintomas como fadiga social, irritabilidade, ansiedade e necessidade urgente de isolamento após os eventos. 

Para evitar que a folia se transforme em exaustão, Dra. Thaíssa orienta que o primeiro passo é abandonar a culpa. “A mulher altamente sensível não precisa provar resistência social. Respeitar os próprios limites é uma forma de autocuidado, não de fraqueza”, afirma. 

Entre as estratégias recomendadas estão selecionar com critério os eventos que realmente despertam interesse, estabelecer um tempo limite de permanência nas festas e reservar momentos de descanso antes e depois dos compromissos. Pequenos ajustes também fazem diferença, como buscar ambientes menos barulhentos, usar protetores auriculares discretos ou fazer pausas estratégicas em locais mais tranquilos. 

A especialista destaca ainda que a alta sensibilidade traz potenciais valiosos. “Essas mulheres têm uma capacidade rara de perceber nuances, criar conexões profundas e ler o ambiente com sensibilidade. Em vez de se forçar a interações superficiais e excessivas, podem direcionar sua energia para conversas significativas, que são muito mais nutritivas emocionalmente”, pontua. 

Em um momento em que a saúde mental feminina ganha cada vez mais espaço no debate público, compreender a alta sensibilidade ajuda a ampliar o olhar sobre diferentes formas de vivenciar experiências sociais. “O Carnaval pode ser leve e prazeroso, desde que a mulher se escute. Diversão não precisa vir acompanhada de esgotamento”, conclui Dra. Thaíssa Pandolfi.

 

Uso de álcool e drogas pelos pais influencia consumo dos filhos, demonstra pesquisa

Combinar acolhimento e monitoramento na educação dos jovens reduz risco de repetir padrão de consumo, mesmo nas famílias em que os responsáveis também usam essas substâncias, incluindo cigarro, vapes e maconha

 

 “Tal pai, tal filho? Os estilos parentais podem interromper o padrão intergeracional do uso de álcool e outras drogas?” Foi a partir desse questionamento que um grupo de pesquisadores brasileiros analisou dados do comportamento de 4.280 adolescentes e seus responsáveis, chegando a dois importantes resultados.

Sim, as atitudes dos pais continuam sendo um dos fatores mais relevantes na prevenção ao consumo de álcool e drogas entre jovens. Porém, a forma como os responsáveis educam seus filhos pode amenizar significativamente o risco, até mesmo em famílias em que os cuidadores usam essas substâncias, incluindo cigarro, vapes (cuja comercialização é proibida no Brasil) e maconha.

Essa redução do risco é mais significativa quando a relação entre as gerações é marcada por vínculo, presença, diálogo e regras claras de conduta, características do chamado estilo parental “autoritativo”, que combina acolhimento e monitoramento. Ao todo, foram analisados quatro estilos parentais (veja quadro), sendo os outros: autoritário, que também reduziu o risco a drogas, mas com impacto menor para álcool; permissivo e negligente. Os dois últimos não apresentaram efeitos protetores.



Já os perfis de consumo foram separados em abstêmios; os que só bebem e os que usam duas ou mais substâncias. 

O consumo de álcool pelos pais foi associado a uma probabilidade de uso pelos filhos de 24% para bebidas alcoólicas e 6% para duas ou mais drogas. Se os responsáveis consomem várias substâncias, o risco de os jovens usarem vai a 17% e 28%, respectivamente.

Os achados, publicados no site da Addictive Behaviors, estão descritos em artigo da edição de março da revista científica.

“Com esse estudo, reforçamos o fato de que o padrão de uso de álcool e outras drogas pelos pais influencia o dos filhos. Porém, se eles colocarem regras e limites em casa e derem afeto, esses fatores de proteção minimizam muito o risco que eles mesmos trazem quando consomem essas substâncias. Além disso, o maior preditor de abstinência dos jovens é o não uso pelos responsáveis. Quando eles são abstinentes, 89% dos adolescentes também não usam nem álcool nem outras drogas lícitas ou ilícitas. Foi a associação mais forte que encontramos”, afirma a professora Zila Sanchez, do Departamento de Medicina Preventiva da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), autora principal do artigo.

Coordenadora do Núcleo de Pesquisa em Prevenção ao Uso de Álcool e outras Drogas (Previna), da Unifesp, Sanchez publicou dezenas de estudos sobre o tema, entre eles um, em 2017, que demonstrava uma associação gradual entre estilos parentais e consumo de drogas por adolescentes.

À época, os resultados apontavam que jovens cujos pais eram negligentes tinham maior probabilidade de frequentar aulas sob uso de drogas.


Visão ampliada

A pesquisa é parte do projeto “Redução do consumo de álcool entre adolescentes através de uma intervenção multicomponente de base comunitária”, financiado pela FAPESP, que também apoiou o artigo por meio de uma Bolsa de Pós-Doutorado para Luis Eduardo Soares dos Santos.

Desenvolvido em quatro municípios de pequeno porte no Estado de São Paulo – Cordeirópolis, Iracemápolis, Salesópolis e Biritiba-Mirim –, o projeto busca investigar estratégias comunitárias eficazes de prevenção ao uso de álcool por adolescentes, produzindo evidências científicas capazes de orientar políticas públicas e programas de prevenção. Com populações entre 18 mil e 25 mil moradores e diversidade geográfica, as cidades abrigam diferentes contextos para esses jovens.

Os dados foram coletados entre 2023 e 2024 em quatro cidades paulistas.
A idade média dos jovens foi de 14,7 anos, com distribuição quase
 igual entre meninos e meninas
foto: Previna/Unifesp

“O artigo é decorrente dos dados do que chamamos needs assessment, ou seja, quando fazemos o diagnóstico da situação relacionada aos adolescentes do município. Essa é a fase pré-intervenção para entender como são esses jovens e seus pais. Utilizamos instrumentos extremamente consolidados para medir os estilos, mas inovamos ao trabalhar os dados conjuntos com os perfis de consumo dos pais e dos filhos, olhando para os padrões”, explica a professora à Agência FAPESP.

Os dados foram coletados entre 2023 e 2024 nas quatro cidades. A idade média dos jovens foi de 14,7 anos, com distribuição quase igual entre meninos e meninas. O consumo de álcool no último mês (19,9%) e o consumo excessivo episódico (11,4%) foram os comportamentos mais frequentes entre os filhos – entre os pais os porcentuais foram de 56,4% e 20,3%, respectivamente. Não houve análise separada para o fato de o responsável ser o pai ou a mãe.

Os pesquisadores aplicaram a Análise de Classe Latente (LCA, na sigla em inglês) para identificar perfis de uso de substâncias em ambas as gerações e modelaram sua associação por meio de Análise de Transição Latente (LTA).

A LCA é uma técnica estatística que permite identificar subgrupos não observáveis (classes latentes) dentro de uma população a partir de padrões de respostas em variáveis observadas, estimando probabilisticamente cada indivíduo que pertence a essas classes.

Também uma técnica estatística, a LTA identifica grupos “ocultos” (classes latentes) e estima probabilidades de passagem entre eles. Em estudos longitudinais, essa transição representa mudanças ao longo do tempo. Nessa pesquisa, a “transição” é interpretada como uma associação entre gerações, ou seja, a probabilidade de adolescentes pertencerem a determinados perfis de uso de substâncias dependendo do perfil observado em seus pais.

A professora ressalta que na fase de diagnóstico o grupo trabalhou com todos os adolescentes matriculados em escolas dos quatro municípios.


Impactos

Sanchez destaca que, mesmo em famílias com boas práticas educativas, o consumo de bebidas alcoólicas pelos responsáveis seguiu associado ao uso de álcool pelos adolescentes, reforçando a necessidade de cautela com a naturalização desse comportamento dentro de casa. “Quando o consumo é frequente e tratado como algo banal se traduz em maior risco, independentemente do vínculo afetivo existente”, completa.

Em todo o mundo, o álcool é um dos principais fatores de risco responsáveis pelo aumento de doenças crônicas não transmissíveis, como cardiovasculares, cânceres e diabetes. Além de efeitos físicos (possibilidade de lesões hepáticas, comprometimento do sistema cardiovascular e maior vulnerabilidade a infecções), o álcool aumenta as chances de quadros de ansiedade, dificuldades de concentração e transtorno depressivo.

Retardar o início do uso entre jovens é considerada uma das estratégias mais eficazes para diminuir o consumo futuro e os danos posteriores. Estudos epidemiológicos têm demonstrado que intervenções de base comunitária, compostas por ações de prevenção escolar (voltadas ao adolescente), de programa familiar e de estratégias ambientais (para a comunidade), promovem efeitos mais consistentes e de longo prazo.

No Brasil, apesar da proibição da venda de bebidas alcoólicas para menores de 18 anos, mais da metade da população (56%) experimentou pela primeira vez antes dessa idade e um quarto (25,5%) passou a beber regularmente nessa fase, de acordo com o Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad III), realizado pela Unifesp em parceria com o Ministério da Justiça e a Ipsos Public Affairs e divulgado em 2025.

O levantamento mostra que pouco mais de um quarto (27,6%) dos adolescentes de 14 a 17 anos já consumiu álcool em algum momento da vida, o que corresponde a cerca de 3,2 milhões de pessoas. No último ano, o uso foi relatado por 19% – o equivalente a 2,2 milhões de jovens.

Em relação à maconha, o Lenad mostra que cerca de 1 milhão de adolescentes usaram alguma vez na vida, sendo metade no último ano. Na população em geral, quase um em cada cinco brasileiros (18,7%) experimentou pelo menos uma substância psicoativa (nesse caso excluindo álcool e produtos à base de nicotina).

O artigo Does the apple fall far from the tree? When parenting styles disrupt the intergenerational pattern of substance use pode ser lido em: sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0306460325003363#preview-section-abstract.
 

 

Luciana Constantino

Agência FAPESP
https://agencia.fapesp.br/uso-de-alcool-e-drogas-pelos-pais-influencia-consumo-dos-filhos-demonstra-pesquisa/57190

 

Carnaval Além da Folia: A Outra Face do Trabalho Informal no Brasil


Quando o Carnaval chega, o imaginário coletivo brasileiro se enche de cores, música, alegria e debates sobre turismo e movimentação econômica. Mas para além dos blocos, trios elétricos e abadás, existe um universo invisível de trabalhadores e trabalhadoras que não desfrutam da festa, mas dependem para sobreviver. Camarins vazios de reconhecimento formal, jornadas exaustivas sem direitos e remunerações muitas vezes abaixo da merecida, este é o retrato atual da informalidade no mercado de eventos.


A Realidade da Informalidade no Setor de Eventos

A demanda sazonal deve gerar um impacto relevante no mercado de trabalho, com a abertura de 39,2 mil vagas temporárias, número apresenta crescimento em relação a 2025, porém, mesmo com a expansão das admissões no período, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) aponta uma tendência de menor retenção desses trabalhadores. Para 2026, a taxa de efetivação é estimada em 11%, abaixo dos 16% registrados no ano anterior. O movimento indica uma acomodação do setor após o processo de recomposição de vagas eliminadas no auge da crise sanitária, quando os índices de efetivação chegaram a 24% em 2021 e 2022.

Essa realidade reflete um problema estrutural mais amplo: um setor complexo, como o de eventos, que é altamente dependente de trabalho temporário e sazonal, resistente à formalização por meio da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e que, por isso, reproduz relações precárias mesmo em momentos de forte geração de renda.


Informalidade e Carnaval: Número e Condições de Trabalho

O próprio Carnaval evidencia, e até expõe, a precariedade dessas relações laborais. Fiscalizações do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) durante o Carnaval de 2025 em Salvador resgataram mais de 300 vendedores ambulantes em condições análogas à escravidão, submetidos a jornadas extensas, falta de infraestrutura básica, alojamento improvisado e ausência de descanso adequado.

Embora este seja um caso extremo e esteja ligado a trabalho degradante, ele denuncia uma realidade comum no Carnaval: muitos ambulantes e operadores trabalham sem contrato formal, sem acesso a direitos básicos como descanso remunerado, alimentação decente e proteção social, configurações que se enquadram claramente na definição de trabalho informal ou precário.

Esses trabalhadores, mesmo sendo parte integral da cadeia produtiva que movimenta bilhões de reais durante o Carnaval, muitas vezes não têm acesso a benefícios que outros trabalhadores formais recebem, como seguro-desemprego, férias remuneradas, vale-transporte ou FGTS. Essa disparidade adiciona uma camada de injustiça social a uma celebração nacional de enorme significado cultural.


Projeções para 2026 e o Desafio da Formalização

De acordo com estimativa da CNC, o Carnaval deve gerar R$ 14,48 bilhões em receitas em todo o Brasil, representando um aumento de 3,9% na comparação com o mesmo período do ano passado. Apesar da ausência da consolidação de dados para o ano atual, a Abrafesta indica que a informalidade continuará sendo um desafio central. A própria entidade tem articulado propostas regulatórias e políticas públicas para reforçar a necessidade de estrutura que promova formalização e proteção social para os trabalhadores da cadeia de eventos, inclusive em momentos de alta demanda, como o Carnaval.

Esse debate aponta para 2026 um cenário em que, mesmo com a expectativa de crescimento econômico e de consumo no setor de eventos, a precariedade laboral pode persistir se não houver mudanças estruturais profundas nas relações de trabalho.




Ricardo Dias - presidente da Abrafesta


Casos envolvendo passageiros indisciplinados aumentaram 66% em 202

Para Renata Seldin, mentora de carreiras com 25 anos de experiência em gestão, celebrar a data não é suficiente para provocar mudanças verdadeiras no mercado de trabalho 

 

O Dia das Mulheres nas empresas costuma ser mais uma data para romantizar a força feminina do que um momento de reflexão sobre como gerar mudanças reais em prol da igualdade de gênero no mercado de trabalho. As profissionais recebem flores, brindes e chocolates, enquanto continuam a exercer funções que levam à sobrecarga física e emocional. 

Para uma transformação efetiva, é necessário estabelecer metas alcançáveis e claras em busca do bem-estar feminino na rotina empresarial – somente assim o Dia das Mulheres pode se tornar um verdadeiro marco para o reconhecimento dos direitos das profissionais. 

Com esse olhar, a mentora de carreiras com 25 anos de experiência como executiva, doutora em Gestão da Inovação, palestrante sobre igualdade de gênero e autora de “As perdas no caminho”, Renata Seldin, apresenta seis passos para que as empresas proporcionem mudanças efetivas  no dia a dia das mulheres: 

1. Reconhecerque igualdade não é tratar todo mundo igual 

Igualdade de gênero não é esperar que mulheres se adaptem a modelos pensados por e para homens. Quando a empresa confunde igualdade com homogeneização, perpetua a desigualdade e ainda chama isso de meritocracia. 

2. Olhar para os dados negligenciados 

Salários, promoções, avaliações de desempenho, desligamentos, licenças, adoecimentos. Sem dados, não há diagnóstico. Sem diagnóstico, qualquer ação no Dia das Mulheres vira atuação para dizer que algo foi feito. 

3. Pararde romantizar a resiliência feminina 

Mulheres não precisam ser mais fortes. Precisam de estruturas menos violentas. Celebrar quem “aguenta mais” é uma forma elegante de normalizar jornadas abusivas, sobrecarga emocional e silenciamento. 

4. Tratarsaúde mental como tema organizacional

Adoecimento não é falha pessoal. É reflexo da cultura da empresa. Burnout, ansiedade e exaustão entre mulheres têm relação direta com expectativas irreais, dupla jornada, vieses de avaliação e ambientes hostis. Oferecer meditação, aplicativo de ginástica ou psicólogo na empresa sem rever metas e cobranças é cinismo institucional. 

5. Incluirhomens na conversa, mas não no protagonismo 

Igualdade de gênero não é um “tema das mulheres”. É um tema social. Fala de poder, distribuição de oportunidades e decisões organizacionais. Homens precisam ser parte da mudança, especialmente os que ocupam cargos de liderança. 

6. Trocara campanha por compromissos públicos e mensuráveis 

Metas claras. Prazos definidos. Pessoas responsáveis. Transparência. O Dia das Mulheres não deve ser o auge da pauta, mas um lembrete do quanto ainda falta fazer nos outros 364 dias do ano. 

  

Renata Seldin - doutora em Gestão da Inovação, mestre em Engenharia de Produção e tem mais de 24 anos de experiência como executiva em consultoria de gestão. Ministra palestras sobre temas relacionados à igualdade de gênero no ambiente de trabalho, ao planejamento familiar e à superação de perdas. Atualmente, a escritora e influenciadora inspira mais de 30 mil seguidores com reflexões sobre autoestima, luto, resiliência e narrativas femininas. Seu livro As perdas no caminho: Em busca de uma família narra os desafios pessoais com a tentativa de engravidar. Também publicou “Pequenas crônicas sobre grandes coisas do dia a dia” (2024) e “O vazio” (2024). Em 2026, publicará, pela eitora Patuá, um livro autobiográfico sobre os dilemas e as aventuras de se envolver em relacionamentos amorosos no mundo contemporâneo.
Instagram: @renata_seldin


O golpe começa quando queremos acreditar

Marcelo Santoro Almeida - advogado e professor de Direito das Famílias e Sucessões da Faculdade Presbiteriana Mackenzie Rio 


Existe uma cena clássica no cinema em que o espectador só percebe o golpe quando ele já terminou. Em Golpe de Mestre, o encanto não está apenas na fraude em si, mas na habilidade de conduzir todos — personagens e público — a acreditar na história que estava sendo contada. Quando a verdade aparece, o que surpreende não é o truque, mas o quanto parecia natural acreditar nele.

Na vida real, os golpes raramente começam com uma mentira evidente. Eles começam com uma narrativa confortável. Uma explicação simples para um problema complexo, uma solução rápida para um conflito difícil, uma promessa de tranquilidade em momentos de incerteza. O golpe não se impõe; ele se apresenta como alívio. E, quando percebemos, a decisão já foi tomada muito antes da análise racional começar.

Talvez por isso pessoas inteligentes, experientes e prudentes também se tornem vítimas. Não por falta de capacidade, mas porque todos nós, em algum momento, queremos acreditar que determinada situação será resolvida sem desgaste, sem confronto e sem demora. A história faz sentido — e, quando a história faz sentido, deixamos de fazer perguntas.

A pressa costuma ser o ponto de virada. Surge a sensação de que é preciso decidir logo — antes que a oportunidade desapareça, antes que o problema aumente, antes que outras pessoas opinem. A urgência cria um ambiente em que refletir parece atraso. Já vi isso acontecer mais de uma vez: decisões relevantes sendo tomadas não porque eram as melhores, mas porque pareciam as mais rápidas naquele instante.

Na advocacia, especialmente nas questões familiares e patrimoniais, esse movimento é mais comum do que se imagina. Após a perda de um ente querido, durante um divórcio ou em momentos de fragilidade emocional, surgem propostas que prometem simplificar o caminho. Transferências feitas “apenas para facilitar”, assinaturas que encerrariam discussões, acordos aceitos para preservar a paz. Tudo parece razoável quando o objetivo imediato é diminuir a dor ou evitar conflitos.

O problema é que decisões tomadas para pacificar o presente, muitas vezes, criam os conflitos do futuro.

Há um aspecto ainda mais silencioso nesse processo. Muitas escolhas são feitas porque confirmam a imagem que queremos ter de nós mesmos. Queremos acreditar que somos conciliadores, práticos, capazes de resolver situações difíceis com maturidade. Admitir que fomos conduzidos a uma decisão ruim exige reconhecer vulnerabilidade — e isso nem sempre é simples. Por isso, não raro, o erro é percebido cedo, mas reconhecido tarde. 

Talvez a maior ilusão seja imaginar que experiência imuniza alguém contra o erro. A vida mostra o contrário. Quanto mais acostumados estamos a decidir, maior tende a ser a confiança na própria percepção. E a confiança excessiva reduz o espaço da dúvida — justamente o espaço onde nascem as decisões mais seguras.

Vivemos em uma época que celebra a velocidade. Resolver rápido virou sinônimo de eficiência. Mas, quando o assunto envolve família, patrimônio e relações humanas, o tempo continua sendo um aliado essencial. A pausa permite verificar, ouvir, reconsiderar. A pressa, quase sempre, beneficia apenas quem não deseja perguntas.

No fim, os golpes mais eficazes não dependem de grandes mentiras. Eles se apoiam em algo profundamente humano: o desejo de acreditar que existe um caminho fácil, indolor e imediato para situações complexas. 

Talvez a verdadeira prudência não esteja em desconfiar de todos, mas em desconfiar, de vez em quando, daquilo que parece perfeito demais. Porque, assim como no cinema, quando a história é boa demais, o desfecho muitas vezes já começou — apenas ainda não percebemos.


Carnaval 2026: 6 dicas financeiras para curtir as festas em segurança

Confira orientações da Tecban para proteger seus pertences durante a folia

 

De acordo com estimativas da FecomercioSP, o Carnaval deste ano deve movimentar cerca de R$ 18,6 bilhões em todo o Brasil. Esse cenário de alto consumo e grandes aglomerações atrai não apenas foliões, mas também a atenção para a segurança pública e financeira. No meio da multidão, entre fantasias e adereços, o cuidado com pertences como celulares e carteiras deve ser redobrado para evitar que a festa termine em prejuízo. 

Confira seis orientações essenciais para garantir uma folia tranquila:

  1. Use doleiras, munhequeiras e pochetes travadas

Itens como doleiras, pochetes, meias com bolso, munhequeiras e shoulder bags são indispensáveis para proteger pertences. A recomendação é guardar celular, cartões e dinheiro em doleiras por dentro da roupa ou pochetes posicionadas na frente do corpo. Para aumentar a proteção, utilize utensílios para lacrar o zíper, como cadeados, mosquetões ou até cadarços com nós.

  1. Dinheiro físico como aliado

O dinheiro vivo evita a exposição de cartões e celulares em grandes aglomerações. Ter notas trocadas é a forma mais segura de consumir com ambulantes, evitando golpes de troca de cartão ou valores digitados incorretamente na maquininha.

 

“No Banco24Horas tradicional, o volume de saques no Carnaval deve permanecer em linha com o ano anterior, com mais de 9,5 milhões de transações realizadas no período, mostrando que o dinheiro vivo ainda é o aliado fiel do folião para garantir as compras de última hora com segurança”, afirma Rodrigo Maranini, gerente de Produtos e Canais de Distribuição da Tecban.

  1. Garanta o saque com antecedência

Realizar o saque de dinheiro com antecedência é essencial para aproveitar os blocos de Carnaval com tranquilidade, evitando filas e reduzindo riscos. Uma tendência que se consolidou além do caixa eletrônico convencional é o uso do mini Banco24Horas, equipamentos compactos localizados em farmácias, mercados e postos de combustíveis. Além de realizar saques, você também pode fazer recargas de celular, tanto no caixa eletrônico do Banco24Horas quanto no mini Banco24Horas. Realizar saques dentro desses estabelecimentos oferece muito mais privacidade e segurança do que utilizar dispositivos expostos no meio do fluxo do bloco.

  1. Celular blindado e escondido

Caso escolha levar o celular, ative a autenticação em dois fatores, biometria facial e cadastre-se no programa Celular Seguro. Para evitar furtos, use o aparelho apenas em locais seguros e mantenha ele em doleiras ou pochetes viradas para a frente do corpo, travadas com cadeados ou mosquetões.

  1. Limite seus recursos e mantenha-os em segurança

Evite levar todos os seus cartões. Escolha apenas um e, se possível, configure para pedir senha mesmo em pagamentos por aproximação, evitando o uso indevido em caso de perda. Sacar o orçamento do dia com antecedência também ajuda a controlar os gastos e limita suas perdas em caso de incidentes. Utilizar o Banco24Horas para seus saques no Carnaval oferece conveniência, segurança, e também economia. Um dos grandes benefícios é a possibilidade de realizar até quatro saques gratuitos, um fator importante para planejar suas finanças durante o Carnaval. Munhequeiras e meias com bolso são excelentes soluções para guardar dinheiro, cartões e chaves com segurança durante o Carnaval.

  1. Cuidado com falsas comunicações e golpes

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Tecban
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Combate ao assédio avança nas empresas brasileiras, mas liderança e riscos psicossociais ainda são gargalos, aponta pesquisa da Protiviti

 

Panorama 2025 revela aumento na formalização de políticas e treinamentos, mas reflete descrença na ação correta de liderança diante o assunto

 

A 2ª Pesquisa Nacional sobre a Maturidade no Combate ao Assédio no Brasil – Panorama 2026, realizada pela Protiviti, consultoria global especializada em compliance, gestão de riscos, tecnologia e inovação, revela que apesar do tema ter ganhado espaço na agenda corporativa brasileira, o preparo das lideranças e os riscos psicossociais ainda são pouco mapeados entre as preocupações. 

Realizada com 109 profissionais que atuam diretamente com o tema em organizações de diferentes portes, setores e regiões do país, o estudo mostra que 93% das empresas afirmam possuir uma norma formal contra o assédio moral e sexual, um avanço em relação a 2024, quando o percentual era de 86%. Também houve crescimento significativo na existência de políticas formais de apuração de denúncias, que passaram de 79% em 2024 para 91% em 2025. 

Entretanto, os dados demonstram uma maturidade desigual. Apenas 51% das organizações possuem políticas de apuração com capítulos específicos para casos de assédio, mesmo com o aumento de 13 pontos percentuais em relação ao ano anterior. 

Para a Daniela Aggio, Diretora Executiva de Forensics & Integrity da Protiviti, este é um ponto crítico, já que a apuração desse tipo de denúncia exige protocolos próprios e metodologias distintas das utilizadas em investigações de fraude ou outros ilícitos.

“O combate ao assédio deixou de ser apenas uma pauta de compliance ou de recursos humanos. Ele está diretamente ligado à sustentabilidade dos negócios, à reputação das organizações e à construção de ambientes de trabalho saudáveis e produtivos. Os avanços existem, mas ainda há fragilidades, como os riscos psicossociais e o preparo das lideranças no tema, que precisam ser endereçadas pela alta direção, afirma Aggio.


Liderança despreparada para receber denúncias
 

Um dos dados mais sensíveis da pesquisa diz respeito ao papel da liderança. Apenas 26% dos respondentes acreditam que os líderes saberiam com certeza como reagir ao receber diretamente uma denúncia de assédio. A maioria (63%) avalia que saberiam reagir apenas parcialmente, enquanto 11% afirmam que os líderes não saberiam como agir. 

“Na prática, muitos relatos chegam primeiro aos líderes diretos. Quando eles não estão preparados, o risco de revitimização, omissão ou condução inadequada é alto. Preparar a liderança é uma das etapas mais críticas para que o combate ao assédio seja efetivo”, destaca Aggio. 

Outro alerta importante do estudo está relacionado à proteção dos profissionais que atuam diretamente no combate ao assédio dentro das empresas. Apenas 57,8% afirmam contar com apoio da Alta Direção e proteções formais, sem sofrer qualquer tipo de assédio. Por outro lado, 29,4% relatam vulnerabilidades, somando os que se dizem parcialmente protegidos (14,7%) e os que afirmam estar expostos (14,7%). Outros 12,8% preferiram não responder.

 

Riscos psicossociais e saúde mental ainda pouco estruturados 

Mesmo com a entrada em vigor da NR-01, apenas 44% das empresas afirmam já ter mapeado seus riscos psicossociais, enquanto 39% não fizeram esse mapeamento e 17% não sabem informar. Além disso, 68% das organizações ainda não tratam temas como burnout e adoecimento mental de forma adequada. 

Apenas 32% dos respondentes percebem que esses assuntos são tratados de maneira séria e efetiva, enquanto 43% consideram o tratamento superficial e 25% afirmam que o tema sequer é abordado.

 

Alta direção ainda pouco envolvida formalmente

 O estudo também aponta lacunas no patrocínio institucional. Apenas 68,8% das normas contra assédio moral e sexual e 64,2% das normas de apuração foram formalmente aprovadas pela Alta Direção com evidências documentais. Além disso, 16,5% dos respondentes afirmam que nenhuma norma foi formalmente aprovada, o que fragiliza a efetividade das políticas e a consolidação de uma cultura organizacional de respeito. 

Mesmo entre as empresas que possuem normas, os dados mostram que apenas 56% têm aprovação formal da Alta Direção para políticas contra assédio, e apenas 26% para normas de apuração, indicando espaço relevante para maior envolvimento dos executivos e conselhos. 

No campo da capacitação, os resultados mostram evolução: 88% das empresas realizam algum tipo de treinamento sobre assédio, ante 79% em 2024. Destas, 44% promovem treinamentos recorrentes e estruturados para toda a empresa, enquanto 13% fazem ações recorrentes apenas para públicos específicos. Ainda assim, 12% das organizações não realizam qualquer tipo de treinamento, e 43% não possuem um plano estruturado e formal, o que preocupa diante das exigências da NR-01 e da Lei nº 14.457/22. 

Para a Aggio, os resultados mostram que houve avanços importantes, mas que evoluir no combate ao assédio exige mais do que cumprir requisitos legais. “É preciso compromisso genuíno da liderança, investimento contínuo em capacitação, processos bem definidos e mecanismos reais de proteção contra retaliações. As organizações que avançarem nessa agenda não apenas reduzem riscos, mas fortalecem sua reputação, a retenção de talentos e a sustentabilidade dos negócios no longo prazo”, conclui. 

O estudo completo pode ser acessado neste link.

 

Protiviti


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