Pesquisar no Blog

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Desempenho dos estudantes no Enade e Enamed reflete a gestão acadêmica


O pesquisador e especialista em avaliação acadêmica e gestão da educação superior, Alexandre Nicolini, afirmou hoje em São Paulo que “embora os resultados obtidos pelos estudantes em avaliações como o Enade, o Enamed e a Prova Nacional Docente (PND) costumem provocar uma corrida das IES em busca de explicações para notas abaixo do esperado, o foco da análise nem sempre está no lugar certo”. Para Nicolini, “esses indicadores avaliam muito mais do que o desempenho individual dos estudantes: eles refletem a qualidade da formação construída ao longo de todo o curso a partir do modelo de gestão adotado por muitas instituições”. 

Segundo Nicolini, quando um curso apresenta resultados insatisfatórios, a primeira pergunta não deveria ser o que aconteceu com os alunos, mas como a instituição conduziu o processo de formação. “O desempenho do estudante é consequência de um conjunto de decisões acadêmicas tomadas durante toda a graduação", afirma Nicolini. 

O pesquisador afirma que um dos erros mais comuns é acreditar que um bom curso resulta apenas da soma de bons professores e de disciplinas bem planejadas. "Um curso não é um conjunto de componentes curriculares independentes. Ele precisa funcionar como um sistema. Se cada disciplina define seus próprios objetivos, métodos e formas de avaliação sem articulação com as demais, ninguém consegue garantir que as competências previstas para o egresso estejam sendo desenvolvidas de forma consistente", explica. 

Na avaliação de Alexandre Nicolini, um dos principais fatores que compromete os resultados é o modelo de gestão adotado por muitas instituições: “A coordenação de curso frequentemente concentra esforços em atividades administrativas e operacionais, deixando em segundo plano aquilo que realmente impacta a aprendizagem. Gestão acadêmica não é controlar calendário, preencher relatórios ou organizar reuniões. É coordenar decisões, acompanhar evidências, promover integração entre docentes, monitorar o desenvolvimento das competências e agir rapidamente quando os indicadores mostram que a formação não está produzindo os resultados esperados", ressalta. 

O especialista também chama a atenção para a necessidade de transformar o Projeto Pedagógico do Curso (PPC) em um instrumento vivo de gestão. "Muitas instituições elaboram excelentes PPCs, mas eles acabam permanecendo como documentos formais. O projeto pedagógico precisa orientar o planejamento das disciplinas, as metodologias utilizadas em sala de aula, as avaliações e todas as experiências de aprendizagem. Quando existe distância entre o que está escrito e o que realmente acontece, essa diferença aparece nos resultados do Enade e das demais avaliações nacionais." 

Para Nicolini, melhorar os indicadores exige uma mudança de cultura dentro das instituições de ensino superior. “Os cursos que apresentam melhores resultados normalmente têm governança acadêmica, definição clara de responsabilidades, acompanhamento contínuo dos indicadores e integração entre todos os envolvidos no processo formativo. Não se trata de preparar o estudante apenas para uma prova. Trata-se de garantir uma formação consistente, alinhada ao perfil profissional que a sociedade espera", afirma. 

O especialista defende que os resultados do Enade, do Enamed e da PND devem ser utilizados como instrumentos estratégicos para revisão da gestão dos cursos, permitindo identificar fragilidades e promover melhorias contínuas. "Essas avaliações oferecem um diagnóstico valioso. Quando interpretadas corretamente, deixam de ser apenas indicadores de desempenho e passam a orientar decisões capazes de elevar a qualidade da formação e, consequentemente, os resultados dos estudantes", conclui.

 

Alexandre Nicolini - especialista em avaliação, explica o que as notas nesses dois exames revelam sobre as IES: “O problema não está apenas no aluno”.


O pleito em contrato de obra se decide na prova da medição, não na tese

A maioria das disputas em contratos de obra industrial não é sobre o direito aplicável. É sobre o que foi executado. Quem tem o registro contemporâneo tem a posição. 

O contrato de empreitada em obra industrial tem uma particularidade: o objeto muda durante a execução. Escopo se altera, surge serviço extraordinário, condição de campo obriga a refazer. Cada alteração deveria gerar registro contemporâneo, seja o boletim de medição, a ordem de serviço ou a comunicação formal. Na prática, esse registro é feito em planilha e por e-mail, dias depois do fato, quando é feito. Quando o pleito chega, contratante e contratada disputam memória, não documento. 

O efeito jurídico é conhecido. Sem registro contemporâneo, o pleito de reequilíbrio ou de serviço extraordinário perde força probatória, ainda que o direito material assista à parte. Quem documentou a execução no momento em que ela ocorreu chega à negociação, ou ao juízo arbitral, discutindo fato provado. 

Por isso a gestão de contratos de obra deveria interessar ao jurídico antes do litígio. A rastreabilidade da medição, com registro contemporâneo vinculado ao escopo contratado e trilha de aprovação, é instrumento de gestão de risco contratual, não apenas rotina de campo. Há base regulatória para tratá-la assim: a Resolução 1.094 do CONFEA disciplina o Diário de Obra e a assinatura eletrônica confere validade jurídica ao registro digital. 

Os números de operação sustentam o argumento jurídico. Numa das maiores produtoras de aço do país que digitalizou RDO e medição, o histórico passou a conter alterações, aprovações e prazos de envio rastreáveis de ponta a ponta, com mais de 80% de redução no tempo dessas etapas. O ganho operacional é evidente. O ganho jurídico é que a empresa deixou de depender de memória para sustentar uma medição. 

Para o jurídico corporativo, a recomendação é tratar a exigência de rastreabilidade da medição como cláusula e rotina auditável, não como detalhe de canteiro. Em contrato de obra industrial, o registro contemporâneo da execução é o que decide se um pleito se resolve por consenso ou se arrasta por anos.

 

Rafael Gontijo - CEO da Oppem, indtech de gestão de contratos de terceirizados em obras e operações industriais.


O silêncio nas reuniões está te custando dinheir

Magnific

Você já saiu de uma reunião com a sensação de que tudo correu bem, todo mundo concordou, ninguém trouxe problema, o plano seguiu em frente, só para descobrir, semanas depois, que aquele silêncio escondia exatamente o problema que ninguém quis apontar?

Nem toda fala tem valor, e nem todo silêncio é fraqueza. Há momentos em que ficar quieto é a decisão mais inteligente. O que separa um silêncio produtivo de um silêncio caro não é o volume de vozes na sala, é a razão por trás de cada pessoa que optou por não falar.

Existe um tipo específico de silêncio que deveria preocupar qualquer liderança: aquele que nasce do medo, não da ponderação. É a diferença entre não falar porque a ideia realmente não acrescenta, e engolir uma discordância porque expô-la parece arriscado demais.

A pesquisadora Amy Edmondson, professora de Harvard, passou anos estudando exatamente esse padrão. Em um dos estudos da sua trajetória, com equipes de enfermagem, ela esperava encontrar uma correlação simples: equipes de melhor desempenho deveriam registrar menos erros de medicação. O resultado foi o oposto. As equipes de melhor desempenho relatavam mais erros, não porque erravam mais, mas porque se sentiam seguras o suficiente para admitir e reportar o que dava errado. Nas equipes de pior desempenho, o silêncio sobre os erros não significava menos falhas, significava apenas menos gente disposta a assumir o risco de falar.

Esse conceito, que Edmondson chama de segurança psicológica, explica muito do que acontece dentro de uma sala de reunião. Quando alguém segura uma objeção, uma dúvida ou uma ideia diferente por medo de parecer despreparado, arrogante ou fora do lugar, a empresa não fica livre do problema. Ela só perde a chance de resolvê-lo a tempo.

O custo disso raramente aparece na hora. Aparece depois, quando a decisão que ninguém questionou dá errado, quando o projeto que todo mundo sabia frágil desmorona e precisa ser reconstruído sob pressão e com o dobro do orçamento, ou quando a pessoa que parou de contribuir porque nunca foi ouvida simplesmente pede demissão.

Hierarquia tem papel direto nisso. Quanto maior a distância entre quem fala e quem decide, maior a tendência ao silêncio. Não porque falta o que dizer, mas porque calcular o risco de discordar do chefe, ou do chefe do chefe, é mais fácil do que calcular o risco de deixar uma falha passar batido.

Uma prática que uso em reuniões estratégicas, e que recomendo a qualquer liderança, é simples, mas incômoda no começo: perguntar diretamente "quem aqui discorda de alguma parte disso, e por quê?", em vez de perguntar "alguém tem alguma dúvida?". A segunda pergunta convida ao silêncio, porque é fácil responder que não. A primeira exige uma resposta ativa e sinaliza, na prática, que discordar é bem-vindo, não apenas tolerado.

A pergunta que toda liderança deveria se fazer depois de uma reunião tranquila não é "deu tudo certo?". É "o que ninguém disse porque tinha medo de dizer?". Essa segunda pergunta é o que separa uma equipe alinhada de uma equipe que só aprendeu a ficar quieta, e é ela que decide se o silêncio da próxima reunião vai custar alguns minutos, ou uma decisão inteira. 

 

Bruno Rosa - engenheiro eletricista e Managing Director da Domperf High Performance, empresa de treinamento de alto desempenho profissional e consultoria empresarial. Há mais de uma década dedica-se ao estudo da neurociência e comportamento, desenvolvendo metodologias práticas aplicadas ao ambiente corporativo. domperf.com.br


C-Level: quanto custa uma contratação errada desses executivos?


Quanto custa contratar o executivo errado para uma posição de C-Level? A resposta mais comum de muitas pessoas acaba envolvendo questões financeiras: dos salários, ao bônus, benefícios e indenizações, por exemplo. Mas, esses são apenas os impactos mais visíveis de uma decisão equivocada. O verdadeiro custo de uma contratação errada na alta liderança pode aparecer em lugares muito mais difíceis de mensurar: na reputação da empresa, na confiança do mercado, no engajamento das equipes e nas decisões estratégicas que deixam de ser tomadas — o que exige um olhar bem mais atento a esse tema. 

Um dos pontos mais importantes a ser esclarecido nesse sentido, é que, nem sempre, este insucesso é decorrente do processo seletivo em si. Muitas vezes, o problema está nas próprias circunstâncias que envolvem a chegada daquele executivo à organização. Esse cenário é bastante comum em empresas familiares, por exemplo, quando a contratação de um líder externo não acontece, necessariamente, por uma decisão genuína de profissionalização, mas pela necessidade de sobrevivência e crescimento do negócio.  

O fundador pode reconhecer que precisa de alguém com competências que não possui para garantir a continuidade das operações, mas, ao mesmo tempo, ter dificuldades para abrir mão do controle ou aceitar mudanças na forma de conduzir a empresa. Nesse contexto, mesmo um executivo altamente qualificado pode encontrar barreiras que tornam sua atuação inviável — e o que parecia ser um erro de contratação pode, na verdade, ser consequência de um desalinhamento muito mais profundo entre as expectativas da organização e o espaço que ela está efetivamente disposta a conceder àquela liderança. 

Na falta de uma compreensão clara do porquê um processo de recrutamento está sendo aberto, a empresa pode ser a primeira a sofrer com um dos custos mais graves: o impacto sobre sua própria imagem e reputação. Quando uma organização anuncia a chegada de um novo CEO como parte de um movimento de profissionalização e, poucos meses depois, decide desligá-lo, por exemplo, transmite ao mercado sinais de instabilidade e falta de clareza sobre os rumos do negócio.  

O mesmo acontece internamente: profissionais que acreditaram na mudança proposta ou que não concordam com a decisão de substituir aquela liderança podem perder a confiança na organização e, em alguns casos, optar por deixar a empresa. A sucessão de gestores, quando conduzida sem transparência e sem uma estratégia clara, também pode ampliar esses riscos, especialmente quando a forma como as transições são realizadas gera insegurança entre os times e demais stakeholders. 

O conceito de “contratação errada”, apesar de bastante relativo, também merece destaque. Afinal, como avaliar se uma escolha foi, de fato, equivocada? Em algumas organizações, um CEO pode permanecer durante anos à frente do negócio sem, necessariamente, possuir as competências necessárias para conduzir a empresa ao próximo estágio de crescimento. Ainda assim, sua permanência é mantida por diferentes razões, seja pela confiança construída ao longo do tempo, pelo histórico de resultados ou pela relação com os acionistas.  

Financeiramente, esse custo acaba sendo consequência de todas essas decisões mal calibradas. Isso, sem falar que uma liderança inadequada pode prolongar perdas de produtividade, atrasar decisões estratégicas e exigir uma nova transição antes mesmo de que os resultados esperados apareçam.  

Todos os pontos destacados ressaltam um grande problema: a falta de clareza do que está impactando essas movimentações. Se a empresa não compreende por que um executivo está sendo desligado, o que espera mudar com sua saída e quais características, competências e habilidades serão realmente necessárias para o próximo ciclo, como poderá saber quem contratar? Ao invés de seguirem uma tendência natural de procurar culpados, é essencial ter uma visão mais crítica sobre as próprias decisões, assim como os prós e contras envolvidos em cada escolha. 

Evitar esses custos, portanto, depende de cuidados anteriores ao início de um processo de recrutamento: tendo clareza do que a empresa espera do novo executivo, quais comportamentos e resultados são inegociáveis, o que está disposta a tolerar e, principalmente, qual é a razão concreta para promover uma troca ou realizar uma nova contratação. A partir desse entendimento, é preciso bancar a decisão e oferecer ao profissional as condições necessárias para cumprir o papel para o qual foi escolhido - e, se o cenário mudar ou os limites previamente estabelecidos forem ultrapassados, a decisão deve ser repensada. 

No geral, a organização precisa conhecer seus próprios limites e expectativas antes de tomar uma decisão de alta liderança, evitando que a falta desse entendimento interno transforme uma escolha estratégica em uma consequência grave para o negócio, para as pessoas e para sua própria reputação. 

 


Fernando Poziomczyk - sócio da Wide Executive Search, boutique de recrutamento executivo focado em posições de alta e média gestão.

Wide
https://wide.works/


domingo, 9 de agosto de 2026

Cães parecem manipular os tutores, mas comportamento tem explicação científica, explica veterinária

Quem convive com um cachorro provavelmente já passou pela cena: basta um olhar pidão, uma inclinação da cabeça ou uma patinha estendida para que seja quase impossível resistir. Embora muita gente diga que os pets sabem exatamente como “manipular” seus donos, a ciência mostra que esse comportamento tem outra explicação.

Segundo a médica-veterinária Anna Emily, da Plamev, os cães desenvolveram uma extraordinária capacidade de observar o comportamento humano e aprender com as reações dos tutores.

“Muitas vezes usamos a palavra ‘manipulação’ de forma carinhosa, mas o que realmente acontece é que os cães são extremamente observadores. Eles aprendem, ao longo da convivência, quais comportamentos despertam nossa atenção e quais geram o resultado que desejam, como carinho, brincadeiras ou um petisco”, explica.

De acordo com a especialista, esse processo está relacionado à aprendizagem associativa e à cognição social, capacidades que permitem aos cães identificar padrões e adaptar seu comportamento conforme as respostas que recebem.

“Eles percebem o que funciona e passam a repetir essas atitudes. Isso não significa que estejam manipulando as pessoas de forma consciente, como entendemos esse conceito entre os seres humanos. Trata-se, principalmente, de um processo natural de aprendizagem e adaptação ao ambiente em que vivem.”

A veterinária destaca que a convivência diária fortalece ainda mais essa habilidade. Quanto maior o vínculo entre tutor e animal, maior a capacidade de ambos de compreender os sinais um do outro.

“É justamente essa troca que torna a relação tão especial. Eles aprendem a nos entender, e nós aprendemos a interpretar cada gesto, cada olhar e cada comportamento. Essa conexão vai muito além das palavras e é construída diariamente por meio da convivência e da confiança.”

Para Anna Emily, entender esse mecanismo ajuda os tutores a educar seus animais de forma mais consciente, reforçando comportamentos positivos e fortalecendo uma relação baseada no respeito, no bem-estar e na comunicação entre humanos e cães.


Vai viajar com seu cachorro? Veja 6 cuidados que fazem toda a diferença para o bem-estar do pet

Especialista em comportamento animal explica como preparar o pet para viajar e alerta para erros que podem comprometer o bem-estar do animal durante as férias

 

Os animais de estimação estão cada vez mais presentes na rotina das famílias brasileiras, inclusive nos momentos de lazer. Dados do Ministério do Turismo mostram que as buscas por hotéis pet friendly cresceram 238%, enquanto as pesquisas sobre transporte de cães em aviões aumentaram 170%. Além disso, um levantamento da Hoteis.com revelou que 82% dos brasileiros pretendem viajar com seus pets.

O cenário reflete uma mudança de comportamento dos tutores, que passaram a incluir os animais em programas antes reservados apenas à família. No entanto, segundo Dan Batista, especialista em comportamento animal e sócio-fundadora da Comportpet, uma viagem bem-sucedida depende mais do que escolher um destino que aceita cães.

"Muitas pessoas organizam toda a logística da viagem, mas esquecem de avaliar como o animal vai lidar com aquela experiência. Para o cão, uma viagem representa uma sequência de mudanças: novos ambientes, cheiros desconhecidos, deslocamentos longos e alterações na rotina. Quando não há preparo, aquilo que deveria ser um momento agradável pode gerar medo, ansiedade e desconforto", explica. Com a movimentação das férias de julho, a especialista reuniu orientações para quem pretende viajar acompanhado do pet.


1. Nem todo cão gosta de viajar e tudo bem

Antes de incluir o animal no roteiro, é importante analisar seu perfil comportamental e suas condições físicas. Existe uma ideia de que o pet sempre ficará feliz por estar junto da família, mas isso nem sempre acontece.

“Alguns cães se adaptam muito bem a novos ambientes, enquanto outros apresentam insegurança diante de mudanças. Filhotes muito novos, cães idosos, animais reativos ou que sofrem com enjoos frequentes merecem uma atenção especial. Em alguns casos, permanecer em um ambiente familiar ou em um hotel especializado pode ser uma escolha mais confortável para o próprio animal. A decisão deve levar em conta o bem-estar do cão e não apenas a vontade dos tutores de levá-lo", comenta.


2. A preparação começa muito antes de arrumar as malas

Um dos erros mais comuns é acreditar que o pet se adaptará naturalmente à viagem no dia da partida.

"O ideal é apresentar gradualmente os elementos que farão parte da experiência. Se o animal nunca entra em uma caixa de transporte ou raramente anda de carro, por exemplo, ele pode interpretar aquela situação como algo ameaçador. Pequenas exposições positivas ajudam a construir familiaridade e confiança", explica.

A especialista também recomenda manter próximos objetos que façam parte da rotina do animal. "Brinquedos, mantas, caminhas e itens que carregam o cheiro da casa funcionam como referências de segurança. São elementos que ajudam o cão a entender que, mesmo em um lugar diferente, parte da sua rotina continua presente", afirma.


3. O tutor é a principal referência emocional do pet durante a viagem

Mudanças de ambiente costumam gerar um volume muito grande de estímulos para os cães Para Dan, a manutenção de hábitos conhecidos também contribui para uma adaptação mais tranquila. "Quando o animal se vê cercado por sons, pessoas e cheiros desconhecidos, ele procura referências que transmitam segurança. E a principal delas é o tutor. Por isso, manter uma postura tranquila e previsível faz toda a diferença para que o cão se sinta confiante. Sempre que possível, vale preservar horários de alimentação, passeios e descanso. A previsibilidade ajuda o animal a entender que, apesar das novidades, ele continua em um ambiente seguro", comenta Cleber.


4. Segurança no transporte não é apenas uma questão de regra, mas de proteção

Viajar com o cão solto dentro do carro ainda é uma prática comum, mas apresenta riscos importantes. A especialista recomenda o uso de equipamentos apropriados, como caixas de transporte, cadeirinhas e cintos de segurança desenvolvidos especificamente para pets.

"Em uma frenagem brusca, o animal pode sofrer lesões graves ou até provocar acidentes. O transporte adequado reduz esses riscos e oferece mais estabilidade física e emocional durante o trajeto. Outro ponto importante é criar experiências positivas relacionadas ao deslocamento. Quando o carro é associado apenas a situações desagradáveis, como consultas veterinárias, é natural que o animal demonstre resistência ou ansiedade", recomenda.


5. O comportamento sempre dá sinais quando algo não está bem

Nem sempre o estresse se manifesta de forma evidente. Ao identificar esses comportamentos, o ideal é diminuir os estímulos e permitir que o animal recupere o equilíbrio.

"Muitas vezes os tutores esperam sinais extremos para perceber que o animal está desconfortável, mas os cães costumam se comunicar muito antes disso. Bocejos repetitivos, respiração acelerada, inquietação, lambedura excessiva do focinho, postura encolhida ou busca constante por proteção são alguns sinais que merecem atenção. O comportamento é a principal forma de comunicação dos cães. Quando aprendemos a observar esses sinais, conseguimos agir antes que o desconforto evolua para uma situação mais intensa", explica a especialista.


6. A adaptação continua mesmo após a chegada ao destino

"Muitos tutores querem apresentar imediatamente todos os espaços e atividades ao pet, mas é importante respeitar o tempo de adaptação. Primeiro ele precisa observar, explorar e entender aquele ambiente. Chegar ao local da viagem não significa que o cão já esteja confortável com o novo ambiente", analisa.


Criar um espaço de referência ajuda nesse processo.

Para Dan, o segredo de uma viagem tranquila está no equilíbrio entre diversão e respeito às necessidades emocionais do animal. No fim das contas, viajar com um animal não significa apenas levá-lo junto, mas garantir que ele esteja emocionalmente preparado para viver aquela experiência. 

"Quando o tutor entende que a experiência precisa ser confortável também para o pet, tudo muda. O cão se sente mais seguro, aproveita melhor os momentos ao lado da família e cria associações positivas com a viagem. Ter um local definido para a caminha, os brinquedos, a água e a alimentação facilita a adaptação. O cão passa a reconhecer aquele espaço como um ponto seguro dentro de um cenário desconhecido", conclui Dan Batista.


Escorpiões dentro de casa: saiba o que favorece o aparecimento e como prevenir acidentes

Professor de Biologia do CEUB explica por que o escorpião-amarelo se adaptou às cidades, quais locais servem de abrigo e como tornar as residências menos atrativas

 

Encontrar um escorpião dentro de casa é motivo de preocupação, sobretudo diante do aumento dos acidentes registrados em diferentes regiões do país. Mas a presença desses animais nas residências não ocorre por acaso. Segundo o professor de Biologia do Centro Universitário de Brasília (CEUB), Fabrício Escarlate, o avanço da urbanização criou condições favoráveis à sobrevivência e à proliferação de algumas espécies, especialmente o escorpião-amarelo. O especialista explica onde esses animais costumam se esconder e orienta como reduzir os riscos. 

“O escorpião-amarelo se beneficia das alterações feitas no ambiente. Quando desmatamos uma área e construímos casas, acabamos criando condições favoráveis para que ele encontre abrigo, alimento e se prolifere”, explica. De acordo com o biólogo, embora o Brasil tenha diferentes espécies de escorpião, o escorpião-amarelo é o que melhor se adaptou aos ambientes urbanos. “Em áreas rurais, é comum encontrar outras espécies, que normalmente oferecem baixo risco. Quanto maior a presença de construções e mudanças, maior tende a ser a ocorrência do escorpião-amarelo”, afirma.

 

Onde os escorpiões se escondem?

Escuros, silenciosos e protegidos, locais como frestas, rachaduras, buracos nas paredes, espaços entre tijolos, pilhas de madeira, telhas e materiais de construção são esconderijos ideais. “Esses ambientes oferecem proteção contra predadores e mantêm um microclima favorável à sobrevivência do animal”, explica Escarlate. 

Esses répteis também podem ser encontrados em caixas de gordura, fossas, redes de esgoto e galerias subterrâneas. Além de abrigo, esses locais oferecem alimento em abundância, principalmente baratas. “O ambiente urbano reúne tudo de que o escorpião precisa para sobreviver: esconderijos e alimento. Onde há muitas baratas, aumentam as chances de o animal permanecer e se proliferar”, alerta o professor do CEUB.

 

O que atrai os escorpiões para dentro de casa?

Materiais de construção, entulho, frestas nas paredes e grande quantidade de baratas criam um ambiente ideal para o escorpião-amarelo. "O problema não é apenas o abrigo. O ambiente urbano reúne tudo o que esse animal precisa para sobreviver: esconderijos e alimento em abundância", explica o biólogo.
 

Como reduzir o risco de acidentes?

Apesar de não existir uma solução única para eliminar os escorpiões, algumas medidas podem diminuir as chances de encontrá-los. Entre as principais recomendações estão:

  • Manter quintais e áreas externas limpos e sem entulho;
  • Evitar o acúmulo de tijolos, telhas, madeiras e restos de obra;
  • Vedar frestas, rachaduras e buracos em paredes e pisos;
  • Manter caixas de gordura, fossas e redes de esgoto limpas;
  • Controlar a infestação de baratas.

"A organização dos materiais de construção não impede completamente a presença dos escorpiões, mas facilita a visualização do animal e reduz os esconderijos disponíveis", orienta o especialista.

 

O que fazer ao encontrar um escorpião?

Caso encontre um escorpião dentro de casa, a orientação do biólogo do CEUB é evitar manuseá-lo ou tentar capturá-lo sem proteção adequada. O ideal é acionar o serviço de controle de zoonoses ou o órgão responsável do município para que o animal seja removido com segurança. "O mais importante é investir na prevenção. Ambientes limpos, organizados e com menos oferta de alimento tornam a residência muito menos atrativa para os escorpiões", conclui Fabrício Escarlate.

 

Centro Universitário de Brasília - CEUB

 

Você sabe todos os cuidados que deve ter com o medicamento do seu pet?

Da prescrição ao armazenamento, especialista explica os principais cuidados com a rotina de medicação e alerta para a importância de adquirir produtos de origem certificada 


Assegurar a saúde, o bem-estar e a longevidade dos animais de companhia vai muito além de escolher a melhor ração ou manter a rotina de passeios. O cuidado com a administração, o armazenamento e a compra de medicamentos veterinários é um pilar crítico que exige atenção rigorosa dos responsáveis. Da receita médica até a hora de oferecer o comprimido ou aplicar a vacina, cada etapa do processo influencia diretamente o sucesso do tratamento e a segurança do pet. 

Para orientar as famílias nesta jornada de cuidados contínuos, a MSD Saúde Animal reuniu as principais diretrizes de manejo e acende um alerta fundamental sobre a importância de obter produtos de procedência confiável para a segurança clínica dos animais.
 

Dicas práticas para não errar na rotina de medicação

O ponto de partida para qualquer cuidado eficiente com a saúde animal começa sempre na prescrição do médico-veterinário. Nenhum tratamento deve ser iniciado por conta própria ou com base em indicações de internet. Além de seguir a receita à risca, o responsável pelo pet precisa ficar atento a pequenos detalhes do dia a dia que fazem toda a diferença, como:

  • Atenção aos horários: Se o medicamento foi recomendado para o período da manhã, é fundamental que o responsável respeite esse intervalo biológico.
  • Associação com alimentos: Fique atento se o remédio deve ser dado em jejum ou junto com a ração/petisco para viabilizar a absorção correta e evitar desconfortos gástricos.
  • O "truque" do pet: Especialmente no caso de medicamentos orais (comprimidos e cápsulas), certifique-se de que o cachorro ou gato realmente engoliu o produto. É muito comum que eles disfarcem, escondam a pílula na boca e a cuspam depois.
  • Vacinação é com o médico-veterinário: Vacinas e biológicos nunca devem ser aplicados pelo próprio responsável. Eles exigem a estabilidade térmica da chamada "cadeia de frio" (mantidos constantemente entre 2°C e 8°C) e devem ser obrigatoriamente administrados por um médico-veterinário capacitado.

Para Marcio Barboza, médico-veterinário e coordenador técnico da MSD Saúde Animal, o rigor no armazenamento e aplicação é inegociável: "Atenção especial deve ser dada às vacinas, pois qualquer oscilação de temperatura fora do padrão recomendado compromete gravemente a eficácia do imunizante, deixando o animal vulnerável a doenças graves", alerta.


Os riscos clínicos e a integridade do tratamento

A negligência ou desvios no manejo de medicamentos, que vão desde a conservação inadequada no ambiente doméstico até o uso de substâncias incorretas ou sem indicação profissional, trazem ameaças severas e muitas vezes irreversíveis aos pets. O erro crasso na dosagem ou o uso de substâncias inadequadas pode provocar quadros agudos de intoxicação medicamentosa, resultando em lesões graves em órgãos vitais, como hepatotoxicidade (destruição de células do fígado) e nefrite química aguda (comprometimento dos rins). Além disso, produtos tópicos de baixa qualidade ou aplicados incorretamente na pele podem gerar queimaduras químicas severas, dermatites de contato e queda localizada de pelos.

Outro perigo invisível é a quebra da integridade terapêutica. Quando um tratamento falha por falta de eficácia da substância decorrente de armazenamento ou administração incorreta, a patologia de base não é controlada adequadamente. No caso de antiparasitários e vermífugos, por exemplo, o pet perde a proteção preventiva e fica totalmente exposto a vetores de infecções letais, como a erliquiose (doença do carrapato) ou a dirofilarioze (verme do coração), sem que o responsável perceba o avanço da enfermidade a tempo.

De acordo com Marcio Barboza, a conscientização sobre esses perigos é o único caminho para evitar fatalidades: "Muitos quadros clínicos graves chegam aos consultórios não por falta de afeto do responsável, mas por pequenos deslizes na hora de administrar ou guardar o produto. Um local úmido ou uma dose mal administrada anulam o potencial de cura e abrem margem para complicações severas na saúde do animal", complementa o coordenador técnico.


Procedência certificada e canais oficiais de compra

Todo o esforço com os horários, manejo doméstico e armazenamento perde o sentido quando a procedência do produto é comprometida. Falsificações e o mercado ilegal se aproveitam da confiança dos consumidores para comercializar produtos sem garantia de qualidade, segurança ou eficácia.

A escolha por produtos com procedência certificada é essencial para garantir a segurança dos animais, mitigando riscos de toxicidade metabólica devido à presença de componentes químicos adulterados, solventes ou impurezas que sobrecarregam órgãos vitais. Além disso, a aquisição segura garante a presença do princípio ativo correto, mantendo a integridade do tratamento prescrito.

"A escolha por produtos com procedência certificada é o que assegura a eficácia clínica e protege o pet contra os perigos de compostos adulterados que colocam a saúde do animal em risco. O nosso compromisso deve ser sempre com a precisão terapêutica e o bem-estar do paciente", declara Márcio.

Para blindar a rotina do animal e mitigar os riscos de adquirir produtos sem garantia de origem, a recomendação primordial é realizar uma busca ativa e adquirir medicamentos exclusivamente em parceiros especializados, como clínicas veterinárias credenciadas, pet shops de confiança e distribuidores autorizados que contam com o suporte técnico direto dos fabricantes.

Ao realizar a compra, o responsável deve adotar uma postura preventiva: verificar detalhadamente se os lacres e selos de segurança estão intactos, checar a presença da bula oficial em português e a nitidez do número do lote. Diante de qualquer dúvida sobre o aspecto, textura ou cheiro do produto antes do uso, o médico-veterinário deve ser consultado imediatamente para auxiliar na validação.


MSD Saúde Animal
Mais informações, visite nosso site  e conecte-se conosco no LinkedIn, Instagram e Facebook.


Declarações Prospectivas da Merck & Co., Inc., Kenilworth, N.J., EUA
Este comunicado à imprensa da Merck & Co., Inc., Kenilworth, N.J., EUA (“empresa”) inclui “declarações prospectivas” de acordo com o significado das disposições de segurança da U.S. Private Securities Litigation Reform Act (Lei Norte-Americana de Reforma de Litígios de Ações Privadas) de 1995. Essas declarações são baseadas em suposições e expectativas atuais da direção executiva da empresa e estão sujeitas a riscos e incertezas significativos. Se as suposições subjacentes forem incorretas ou houver riscos ou incertezas, os resultados reais podem diferir substancialmente daqueles contidos nas declarações prospectivas. Os riscos e incertezas incluem, mas não estão limitados a, condições gerais da indústria e da concorrência, fatores econômicos gerais, incluindo taxa de juros e flutuações da taxa de câmbio; o impacto da epidemia global do novo coronavírus (COVID-19);impacto da regulamentação da indústria farmacêutica e legislação de saúde nos Estados Unidos e internacionalmente; tendências globais para contenção de custos com a saúde; avanços tecnológicos, novos produtos e patentes obtidas por concorrentes; desafios inerentes ao desenvolvimento de novos produtos, incluindo a obtenção de aprovações regulatórias; capacidade da empresa prever com precisão as condições futuras de mercado; dificuldades ou atrasos de produção; instabilidade financeira das economias internacionais e de risco à soberania; dependência da eficácia das patentes da empresa e outras proteções para produtos inovadores; e exposição a litígio, incluindo litígios de patentes e/ou ações regulatórias. A empresa não assume nenhuma obrigação de atualizar publicamente qualquer declaração prospectiva, seja como resultado de novas informações, eventos futuros ou de qualquer outra forma. Outros fatores que possam fazer com que os resultados difiram substancialmente daqueles descritos nas declarações prospectivas podem ser encontrados no Relatório Anual de 2020 da empresa, no Formulário 10-K e outras submissões da Empresa junto à Securities and Exchange Commission (SEC) (Comissão Norte-Americana de Valores Mobiliários), disponível no site da SEC (www.sec.gov).



Agosto Verde Claro destaca a importância do diagnóstico precoce no combate à leishmaniose visceral

Campanha de conscientização reforça que a prevenção, a vigilância epidemiológica e a identificação precoce dos casos são fundamentais para proteger a saúde animal e humana


O Agosto Verde Claro é dedicado à conscientização sobre a leishmaniose, doença que representa um importante desafio para a saúde pública e para a Medicina Veterinária. A campanha busca ampliar o conhecimento da população sobre formas de prevenção, diagnóstico precoce e controle da enfermidade, destacando que a identificação rápida dos casos é essencial para reduzir a disseminação da doença e orientar o acompanhamento adequado dos pacientes. 

A leishmaniose visceral é uma zoonose transmitida pela picada do mosquito-palha infectado e pode acometer tanto animais quanto seres humanos. Nesse contexto, especialistas reforçam que o diagnóstico laboratorial é uma ferramenta indispensável para compreender a ocorrência da doença, monitorar sua circulação e subsidiar ações de vigilância epidemiológica. 

"O diagnóstico é o ponto de partida para qualquer estratégia de controle da leishmaniose. É por meio dele que conseguimos identificar os casos, compreender a dinâmica da doença e orientar medidas de prevenção e acompanhamento, beneficiando tanto a saúde animal quanto a saúde humana", afirma Camila Eckstein, especialista de Produtos da Bioclin. 

A evolução dos métodos diagnósticos têm contribuído para tornar a investigação mais eficiente. Atualmente, diferentes metodologias, como testes rápidos, ensaios sorológicos e exames moleculares por PCR, podem ser utilizadas conforme a necessidade clínica, auxiliando desde a triagem até a confirmação e o monitoramento dos pacientes. 

Segundo Camila, um dos principais desafios ainda é superar o receio relacionado ao diagnóstico da leishmaniose em cães. "Durante muitos anos, o resultado positivo foi associado à eutanásia, o que levou muitos reposnsáveis pelos animais a evitarem a testagem. Hoje existem protocolos terapêuticos que permitem controlar a doença e proporcionar qualidade de vida aos animais, desde que eles permaneçam sob acompanhamento veterinário e com medidas de proteção contra o vetor", explica.

A especialista também destaca que a vigilância não deve se limitar aos cães. Embora menos frequente, a leishmaniose também pode acometer felinos, tornando importante que essa espécie seja considerada nas estratégias de investigação quando houver indicação clínica. 

Além do trabalho realizado por profissionais e instituições de saúde, campanhas como o Agosto Verde Claro reforçam a importância da informação para ampliar a conscientização da população. A divulgação de conteúdos técnicos e científicos e o incentivo à educação continuada contribuem para fortalecer a prevenção, estimular o diagnóstico precoce e ampliar o conhecimento sobre uma doença que continua exigindo atenção em diversas regiões do país.


No Agosto Caramelo, o alerta: maus-tratos contra animais vão além da agressão

Em Criciúma (SC), ONG Quero Adotar destaca combate ao abandono, negligência e sinais que podem revelar outros ciclos de violência

 

Nem toda violência contra um animal deixa marcas visíveis. A vasilha sem água, a dor que permanece sem tratamento, o confinamento em um espaço insalubre e o abandono também podem configurar maus-tratos. Durante o Agosto Caramelo, campanha de conscientização voltada à proteção de cães e gatos, a ONG Quero Adotar chama atenção para situações que ainda são naturalizadas e reforça que cuidar de um animal é uma responsabilidade que permanece por toda a vida.

A mobilização vem sendo adotada por órgãos públicos e entidades para ampliar o debate sobre prevenção ao abandono, combate aos maus-tratos, adoção responsável e guarda consciente. No mesmo período, o Agosto Lilás chama atenção também para o combate à violência contra a mulher. Os dois temas se aproximam pela chamada Teoria do Elo, que explica a relação entre os maus-tratos aos animais e as agressões contra pessoas vulneráveis, como mulheres, crianças e idosos. A crueldade contra um pet pode não ser um fato isolado, mas um sinal de que existe um agressor violento no ambiente familiar.

Quando pensamos nos animais, em Santa Catarina, os números ajudam a dimensionar essa violência. Dados da Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP/SC) mostram que o Estado registrou 5.630 ocorrências de maus-tratos em 2025. Em 2015, haviam sido 1.312 registros, o que representa crescimento de 329% em dez anos. Já no primeiro mês deste ano, entre os dias 1º e 25 de janeiro, 371 animais foram identificados como vítimas desse tipo de crime em terras catarinenses.

Em Criciúma (SC), a ONG Quero Adotar acompanha de perto e trabalha todos os dias contra o abandono e a negligência. Desde outubro de 2024, a organização atua no resgate, acolhimento, tratamento e encaminhamento de gatos para adoção responsável.

“Quando um animal chega até uma ONG depois de ser abandonado, o resgate é apenas o primeiro passo. Muitas vezes, ele precisa passar por atendimento veterinário, internação e castração, além de reaprender a confiar até estar preparado para uma nova família. Por trás de cada resgate existe uma longa rede de cuidado”, afirma a advogada e coordenadora da ONG Quero Adotar, Laura Coan.

 

Além da agressão

A Lei Federal nº 9.605/1998 estabelece, em seu artigo 32, que praticar abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais é crime, e a caracterização não se limita à violência física direta. Neste cenário, a Resolução nº 1.236/2018, do Conselho Federal de Medicina Veterinária, considera maus-tratos qualquer ação ou omissão que, de maneira intencional ou por negligência, imprudência ou imperícia, provoque dor ou sofrimento desnecessário ao animal.

Laura reforça que abandonar, negar alimentação ou água, manter o animal em ambiente insalubre, confinado de maneira inadequada ou sem proteção contra as condições climáticas, recusar assistência veterinária e utilizar métodos de punição que provoquem sofrimento também estão entre as situações que podem caracterizar maus-tratos.

Quando o crime é cometido contra um cão ou gato, a Lei nº 14.064/2020 prevê pena de dois a cinco anos de reclusão, multa e proibição da guarda. Caso ocorra a morte do animal, a pena pode ser aumentada de um sexto a um terço.

“Quem assume a guarda de um animal também assume deveres que não desaparecem quando surgem dificuldades financeiras, mudanças de endereço, doenças ou problemas de comportamento. É preciso buscar ajuda e alternativas responsáveis. O abandono não pode ser tratado como uma saída para uma situação que se tornou difícil”, destaca Laura.

 

Cinco liberdades

Uma das referências internacionais utilizadas para avaliar a qualidade de vida dos animais são as chamadas “Cinco Liberdades”. Desenvolvido em 1965 e amplamente reconhecido pela Organização Mundial de Saúde Animal, o conceito descreve as condições que devem ser asseguradas aos animais mantidos sob responsabilidade humana.

Pelo conceito, os animais devem estar livres de fome, desnutrição e sede; de medo e angústia; de estresse térmico e desconforto físico; de dor, lesões e doenças; além de terem liberdade para expressar os comportamentos naturais de sua espécie.

 

Quem fica à espera

O Panorama da Adoção no Brasil – ONGs, divulgado em junho de 2026, identificou que a idade, a aparência e as condições de saúde ainda interferem nas chances de cães e gatos encontrarem uma família. Embora reúna informações sobre diferentes animais, os obstáculos apontados também fazem parte da realidade dos felinos acolhidos por organizações.

A idade foi apontada como o principal limitador para a adoção por 86% das instituições participantes. Os animais idosos lideram a fila de espera para 59% das entidades, seguidos pelos adultos, citados por 34%. A pelagem preta ou escura também foi identificada como uma barreira por 69% das organizações ouvidas.

Entre os gatos, um dos principais obstáculos é o preconceito relacionado à FIV e à FeLV, respectivamente o vírus da imunodeficiência felina e o vírus da leucemia felina. Segundo o levantamento, o estigma em torno dessas condições foi apontado como uma barreira à adoção por 75% das organizações pesquisadas. O mesmo percentual relatou maior dificuldade para encontrar famílias para animais com deficiências, limitações físicas ou doenças crônicas.

“Um gato adulto não chega sem história, mas isso não significa que tenha menos afeto para oferecer. Muitas vezes, ele já tem a personalidade mais definida, apresenta um comportamento mais tranquilo e consegue criar vínculos muito profundos. O que falta é alguém disposto a enxergá-lo para além da idade, da aparência ou de uma condição de saúde”, reforça Laura.

 

A atuação da ONG

Desde o início das atividades, em outubro de 2024, o trabalho desenvolvido pela Quero Adotar cresceu junto com as demandas recebidas da comunidade. Segundo balanço da própria organização, mais de mil gatos já foram encaminhados para adoção nesse período. Atualmente, a ONG mantém cerca de 50 animais sob sua responsabilidade, entre acolhidos em gatis, internados em clínicas veterinárias e encaminhados para lares temporários.

“Encaminhar mais de mil gatos para adoção mostra a força da mobilização da comunidade, mas também revela o tamanho da demanda que existe. Enquanto um animal encontra uma família, outros chegam precisando de acolhimento. Por isso, o Agosto Caramelo também precisa ser um momento de falar sobre prevenção, castração e responsabilidade, para que o abandono não continue alimentando esse ciclo”, afirma a coordenadora.

Todos os gatos disponíveis para adoção, incluindo filhotes e adultos, estão reunidos no site adocoes.queroadotar.com. Pelo espaço, os interessados podem conhecer os animais e preencher a candidatura para iniciar o processo de adoção.

 

Como ajudar

A manutenção dos animais acolhidos depende de doações e do trabalho voluntário. As contribuições ajudam a custear alimentação, medicamentos, consultas, exames, procedimentos veterinários, internações, castrações e outras necessidades dos gatos atendidos.

Doações em dinheiro podem ser encaminhadas pelo Pix 65.594.556/0001-07. A ONG também recebe ração, areia, sachês, brinquedos e materiais de uso cotidiano, além de roupas, calçados e acessórios destinados à lojinha beneficente. Mais informações sobre doações, voluntariado e outras formas de apoio podem ser obtidas pelo WhatsApp (48) 99183-2252 ou pelo perfil @quero.adotar nas redes sociais.

 

Como denunciar

Em Santa Catarina, denúncias de maus-tratos podem ser encaminhadas anonimamente pelo Disque-Denúncia 181. Também é possível abrir um boletim de ocorrência ou registrar uma denúncia anônima pela Delegacia Virtual de Proteção Animal da Polícia Civil de Santa Catarina. Em situações de flagrante, emergência ou risco imediato ao animal, a Polícia Militar deve ser acionada pelo 190.

Caso os maus-tratos ao animal estejam acompanhados de violência contra uma mulher, a situação também pode ser comunicada ao Ligue 180, serviço gratuito que funciona 24 horas por dia para prestar orientações e encaminhar denúncias aos órgãos responsáveis. Em situações de emergência, a orientação é acionar o 190.


Posts mais acessados