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sábado, 1 de agosto de 2026

Inverno é a melhor época para tratar manchas? Conheça cinco benefícios do Peeling de Hollywood

Magnific
Entenda como a técnica estimula a renovação celular, melhora a textura e devolve o viço da pele

 

Quem convive com marcas de acne ou outras manchas na pele sabe que investir em cremes e manter uma rotina de skincare nem sempre é suficiente para conquistar um tom mais uniforme. Em meio à correria do dia a dia, muitas pessoas também buscam alternativas que não exijam afastamento do trabalho ou dos compromissos. Por isso, os procedimentos estéticos não invasivos têm ganhado destaque por aliarem praticidade, menor tempo de recuperação e benefícios como o refinamento da textura e a uniformização do tom. Esse movimento acompanha a expansão do setor. De acordo com a Mordor Intelligence (2026), o mercado global de tecnologias estéticas não invasivas foi estimado em US$ 44,65 bilhões em 2026 e deve alcançar US$ 67,29 bilhões até 2031, com crescimento anual de 8,55%. 


Segundo Tálona Nayla de Marco, coordenadora técnica da LypeDepyl, rede especializada em depilação a laser e despigmentação de tatuagens e sobrancelhas, a exposição ao sol exerce influência direta no surgimento e no escurecimento de manchas, tornando o inverno um período mais favorável para investir em tratamentos de renovação. “A radiação ultravioleta estimula a produção de melanina, pigmento responsável pela cor da pele. Quando essa produção ocorre em excesso, podem surgir novas manchas ou haver o escurecimento das já existentes. Nos meses mais frios, a menor incidência de radiação solar e o menor tempo de exposição ajudam a minimizar esse risco, favorecendo uma recuperação mais segura”, explica.

 

Entre os tratamentos mais procurados durante a estação está o Peeling de Hollywood. A seguir, a especialista apresenta cinco benefícios da técnica para quem deseja suavizar manchas e conquistar uma aparência mais uniforme.

 

1.   Uniformiza o tom da pele


Promove a renovação da camada superficial da pele, contribuindo para suavizar manchas leves, marcas de acne e deixar o tom mais uniforme. "A renovação celular favorece mais luminosidade e viço, principalmente quando o protocolo é associado aos cuidados indicados para cada paciente", ressalta.

 

2.          Estimula a renovação celular


A combinação entre a máscara de carbono e o laser estimula o processo natural de renovação celular, favorecendo a substituição das células antigas por novas e proporcionando uma pele mais viçosa e revitalizada. "Esse processo contribui para um tecido cutâneo mais saudável e também favorece a absorção dos ativos aplicados após a sessão, potencializando os cuidados realizados em casa", afirma.

 

3.          Melhora a textura


A técnica ajuda a reduzir asperezas, minimizar a aparência dos poros e suavizar pequenas irregularidades, proporcionando uma textura mais uniforme. "Ao estimular a renovação da pele, o procedimento deixa a região mais macia ao toque e com aspecto mais saudável", destaca a especialista.

 

4.          Estimula a produção de colágeno


A ação do laser aquece as camadas da pele e estimula a produção natural de colágeno, proteína responsável pela firmeza e sustentação. "Esse estímulo contribui para uma pele mais firme, com melhor elasticidade e aspecto rejuvenescido ao longo do tratamento", explica.

 

5.          Potencializa a absorção dos dermocosméticos


Após o tratamento, a pele tende a responder melhor aos produtos indicados pelo profissional, favorecendo a absorção de hidratantes, antioxidantes e outros dermocosméticos. "Isso potencializa os benefícios da rotina de skincare, contribuindo para uma aparência mais saudável, luminosa e bem cuidada", reforça.

 

A profissional ainda ressalta que alcançar bons resultados depende não apenas da técnica, mas também da escolha de uma clínica de confiança e da continuidade dos cuidados diários. "Antes de iniciar, é fundamental procurar um local que siga todas as normas de segurança e conte com profissionais capacitados para realizar uma avaliação individualizada. Depois do procedimento, manter uma rotina de limpeza, hidratação e uso diário de protetor solar contribui para prolongar os benefícios, reduzir o risco de novas manchas e preservar a saúde da pele", conclui.



Frio, vento e banhos quentes: 6 cuidados para evitar que a pele sofra durante o inverno


 

Com a chegada dos dias mais frios e secos, é comum trocar roupas leves por casacos, aumentar a temperatura do chuveiro e passar mais tempo em ambientes fechados. O que muita gente não percebe é que esses hábitos também impactam diretamente a saúde da pele. A combinação entre frio, baixa umidade do ar e banhos muito quentes compromete a barreira natural de proteção da pele, favorecendo o ressecamento, a descamação, a coceira e até pequenas fissuras, principalmente no rosto, lábios, mãos e pés. Segundo a American Academy of Dermatology (AAD), esse cenário dificulta a retenção natural de água pela pele e aumenta a necessidade de hidratação durante o inverno. 

Para o biomédico Killian Cristoff, diretor técnico da Royal Face, os cuidados nesta época do ano vão muito além da estética. "A pele funciona como uma barreira de proteção do organismo. Quando ela perde água em excesso, essa defesa fica comprometida, favorecendo irritações, sensibilidade e desconforto. Pequenas mudanças na rotina fazem muita diferença para manter a pele saudável durante o inverno." 

O especialista reuniu algumas orientações para enfrentar a estação sem abrir mão da saúde da pele. 

  1. Reforce a hidratação da pele (mais robusta) - No inverno, não basta apenas usar um hidratante qualquer. É importante optar por produtos que ajudem a reconstruir a barreira de proteção da pele, como aqueles com ceramidas, pantenol, glicerina ou ácido hialurônico. Esses ativos reduzem a perda de água e deixam a pele mais resistente às agressões do clima. Para quem já apresenta ressecamento intenso ou percebe a pele sem luminosidade mesmo mantendo a hidratação em casa, procedimentos como skinbooster, que promove hidratação profunda com ácido hialurônico de baixa reticulação sem dar volume, podem ser indicados por um profissional para complementar os cuidados.
     
  2. O banho pode estar sabotando sua pele - nada melhor do que um banho quente nos dias frios, mas esse hábito remove parte da camada lipídica responsável por proteger a pele naturalmente. O ideal é manter o banho morno e breve. Uma técnica de otimização recomendável é a aplicação do hidratante nos primeiros três minutos após sair do chuveiro, com a pele ainda levemente úmida. Isso maximiza a retenção hídrica e a permeação dos ativos.
     
  3. Os lábios merecem uma rotina própria - Os lábios não possuem glândulas sebáceas e, por isso, ficam muito mais vulneráveis às baixas temperaturas. Além do frio, fatores como vento, baixa ingestão de água e o hábito de umedecer a boca com saliva agravam ainda mais o ressecamento. Quando a saliva evapora, ela leva junto parte da umidade dos lábios. É um alívio momentâneo que acaba piorando o problema poucas horas depois. A recomendação é manter um hidratante labial sempre por perto, reaplicando sempre que sentir necessidade e escolhendo fórmulas com manteiga de karité, vitamina e ou ácido hialurônico. Para pessoas que apresentam fissuras frequentes ou perda de volume associada ao envelhecimento, existem protocolos de revitalização labial focados na hidratação e melhora da qualidade da pele, sem alterar o formato natural dos lábios. Para quem busca volume, uma boa opção é o preenchimento labial, que pode ser realizado com ácido hialurônico que justamente também hidrata ao atrair moléculas de água para os lábios.
     
  4. Aproveite o inverno para tratar manchas e estimular colágeno - como há menor exposição ao sol, o inverno costuma ser a época mais indicada para alguns tratamentos que promovem renovação da pele, como peelings químicos, microagulhamento e protocolos para melasma. Isso reduz o risco de manchas e favorece a recuperação. Ele ressalta, no entanto, que qualquer procedimento deve ser precedido por avaliação individual e nunca dispensa os cuidados diários com limpeza, hidratação e proteção solar.
     
  5. Continue usando protetor solar - existe um mito perigoso de que o protetor solar é um item de verão. A radiação ultravioleta, mesmo em dias nublados, continua sendo o principal fator de fotoenvelhecimento e carcinogênese. O uso do filtro solar deve ser mantido rigorosamente durante todo o ano, inclusive na região labial, para garantir a proteção contra manchas e a degradação das fibras de sustentação.
     
  6. O corpo também sofre - braços, pernas, joelhos, cotovelos e pés costumam ser as regiões mais esquecidas durante o inverno e, justamente por isso, acabam apresentando rachaduras e aspecto esbranquiçado. Além da hidratação diária, vale investir em esfoliação suave uma vez por semana para remover células mortas e facilitar a absorção dos hidratantes. Quando há flacidez ou perda de firmeza, o especialista explica que existem tecnologias capazes de estimular colágeno, como radiofrequência e ultrassom microfocado, mas reforça que esses tratamentos são complementares e indicados de acordo com cada caso.

 

Royal Face


Skin Flooding: tendência das redes sociais promete pele mais hidratada, mas será que funciona para todo mundo?

imagem: Google
Especialista explica como funciona a técnica que viralizou, quais são seus benefícios e os cuidados necessários antes de adotá-la na rotina de skincare

 

Quem acompanha conteúdos de beleza no TikTok ou no Instagram provavelmente já se deparou com o Skin Flooding. A tendência, cujo nome significa "inundação", propõe uma rotina de cuidados em camadas, aplicada sobre a pele ainda úmida, com a proposta de potencializar a hidratação e deixá-la mais viçosa. O método costuma combinar uma limpeza suave, seguida de um tônico, séruns com ativos umectantes e um creme para selar a umidade, sendo especialmente indicada para peles secas ou sensibilizadas.

Impulsionadas pelas redes sociais, tendências de skincare têm cruzado fronteiras em questão de dias. Técnicas desenvolvidas em países como Coreia do Sul, Estados Unidos e Japão rapidamente chegam ao Brasil, onde passam por adaptações para atender às características do clima, dos hábitos de consumo e dos diferentes tipos de pele. Esse intercâmbio de informações ampliou o acesso a novas rotinas de cuidados, mas também reforçou a necessidade de adaptar essas tendências às características de cada pele, em vez de reproduzi-las exatamente como aparecem nas redes sociais.

Segundo Luzia Costa, CEO da Sóbrancelhas, esse movimento reflete o interesse pelo autocuidado. “As redes sociais aproximam as pessoas de novas técnicas e tornam o skincare mais acessível. Isso é muito positivo, porque incentiva o cuidado com a pele. Ao mesmo tempo, é importante lembrar que cada pele possui necessidades específicas. Uma rotina que funciona para uma pessoa pode não trazer os mesmos resultados para outra, principalmente quando há sensibilidade, oleosidade excessiva ou alguma condição dermatológica.

Na prática, o Skin Flooding é uma rotina simples, mas que depende da ordem correta de aplicação dos produtos. O primeiro passo é realizar uma limpeza suave para remover impurezas sem comprometer a barreira natural da pele. Em seguida, com o rosto ainda levemente úmido, aplica-se um tônico hidratante e, na sequência, um sérum rico em ativos umectantes, como ácido hialurônico e pantenol. O ritual termina com um creme hidratante, responsável por ajudar a selar toda a hidratação na pele. Durante o dia, a aplicação do protetor solar completa a rotina.

A proposta da técnica é aumentar a retenção de água, reduzindo a sensação de ressecamento e proporcionando uma aparência mais viçosa, macia e luminosa. Quando aplicada corretamente, ela também pode fortalecer a barreira cutânea, melhorar a textura da pele e minimizar o desconforto causado por fatores como o clima frio, o uso frequente de ar-condicionado ou rotinas com ativos mais sensibilizantes.

Para Luzia Costa, o Skin Flooding pode ser um excelente aliado, especialmente para quem sofre com pele seca ou sensibilizada, desde que os produtos sejam escolhidos de acordo com as necessidades individuais. Ativos como ácido hialurônico, pantenol, niacinamida e ceramidas costumam oferecer bons resultados na técnica por favorecerem a hidratação e o fortalecimento da barreira cutânea. Para quem deseja potencializar esses cuidados, a especialista destaca o Booster Facial da Sóbrancelhas como um complemento à rotina de skincare. O produto promove hidratação profunda e melhora o viço da pele, mas deve ser indicado de acordo com as características de cada pessoa.

Embora o Skin Flooding tenha conquistado espaço entre os apaixonados por skincare, é importante refoçar que tendências não substituem uma rotina personalizada. Adaptar os cuidados ao tipo de pele e buscar orientação profissional continuam sendo os caminhos mais seguros para conquistar uma pele saudável, hidratada e bonita em qualquer época do ano.

 

Sóbrancelhas


Acne é falta de higiene? Os principais mitos que ainda atrapalham o tratamento da pele

Apesar dos avanços na dermatologia e da grande quantidade de informações disponíveis, crenças equivocadas sobre a acne ainda fazem muitas pessoas adotarem hábitos que podem agravar o problema e dificultar o tratamento

 

A acne é uma das condições de pele mais comuns no mundo e, ainda assim, continua cercada por mitos que atravessam gerações. Um dos mais persistentes é a ideia de que ela está relacionada à falta de higiene. Essa crença, além de incorreta, leva muitas pessoas a adotarem rotinas excessivas de limpeza, que acabam comprometendo a barreira natural da pele e agravando a inflamação.

A acne não surge porque a pele está "suja". Ela é resultado de uma combinação de fatores, como predisposição genética, alterações hormonais, produção excessiva de oleosidade, obstrução dos poros e proliferação de bactérias naturalmente presentes na pele. A limpeza diária é importante, mas não elimina essas causas nem substitui um tratamento adequado.

Outro equívoco frequente é acreditar que lavar o rosto várias vezes ao dia ajuda a controlar a acne. Na prática, o excesso de limpeza pode causar o efeito contrário. Quando a pele perde sua proteção natural, tende a produzir ainda mais oleosidade como mecanismo de defesa, criando um ambiente favorável ao aparecimento de novas lesões.

Também é comum recorrer a receitas caseiras ou produtos indicados por influenciadores sem considerar as características individuais da pele. Misturas com limão, bicarbonato, pasta de dente ou álcool continuam circulando nas redes sociais, apesar de poderem causar irritações, queimaduras e manchas, especialmente quando utilizadas sem orientação.

Outro mito bastante difundido é o de que apenas adolescentes desenvolvem acne. Embora seja mais frequente durante a puberdade, ela também afeta milhões de adultos, principalmente mulheres. Alterações hormonais, estresse, uso de determinados medicamentos e até fatores ambientais podem contribuir para o surgimento da acne em diferentes fases da vida.

A alimentação também costuma ser alvo de muitas dúvidas. Não existe um único alimento responsável pelo aparecimento da acne. No entanto, estudos apontam que dietas ricas em alimentos ultraprocessados e de alto índice glicêmico podem influenciar o quadro em algumas pessoas. Ainda assim, a resposta varia de organismo para organismo, reforçando a importância de uma avaliação individual.

Há ainda quem acredite que o sol seja um aliado no tratamento. Inicialmente, a exposição solar pode até proporcionar uma sensação de melhora, pois resseca temporariamente a pele. Porém, esse efeito costuma ser passageiro. Com o tempo, a radiação favorece o espessamento da pele, aumenta a obstrução dos poros e pode intensificar tanto a acne quanto as manchas deixadas pelas lesões.

Outro erro recorrente é espremer espinhas na tentativa de acelerar a cicatrização. Além de aumentar o processo inflamatório, esse hábito eleva o risco de infecções, manchas persistentes e cicatrizes permanentes, que muitas vezes exigem tratamentos mais complexos posteriormente.

Mais do que combater espinhas, cuidar da pele significa compreender suas necessidades. Uma rotina equilibrada, composta por limpeza adequada, hidratação, proteção solar diária e produtos formulados para cada tipo de pele tende a oferecer resultados muito mais consistentes do que soluções rápidas encontradas na internet.

Em um cenário em que informações circulam em alta velocidade, diferenciar fatos de mitos é um passo importante para promover uma relação mais saudável com a própria pele. A acne não deve ser motivo de culpa, vergonha ou estigma. Trata-se de uma condição multifatorial que pode ser controlada com informação de qualidade, orientação adequada e cuidados consistentes.




Lucas Penteado - Fundador da Piny, marca brasileira de skincare que combina tecnologia e dermocosméticos para oferecer rotinas de cuidado mais simples, eficientes e direcionadas.


É preciso cortar ou raspar o cabelo para fazer lifting facial?

Gerado por IA
Preparação adequada ajuda a proteger a linha capilar, as incisões e o couro cabeludo durante a cicatrização

 

Um dos medos mais comuns entre quem cogita um lifting facial é imaginar sair do centro cirúrgico com partes do cabelo raspadas. A boa notícia é que, na maioria dos casos, isso não acontece, mas a preparação capilar antes da cirurgia tem importância para a segurança do procedimento e para o resultado final.

Como os cortes podem avançar por regiões próximas ao couro cabeludo e contornar estruturas laterais da face, a higiene adequada nos dias que antecedem o procedimento reduz resíduos perto da área operada. Esse planejamento também previne irritações, tração excessiva sobre os fios e complicações durante a recuperação.

“Não é preciso raspar os fios antes do procedimento. Quando uma remoção se torna necessária para facilitar o acesso, essa etapa é realizada pela equipe médica, com técnica adequada e apenas no local indicado. O paciente não deve usar lâmina nas têmporas, na nuca ou ao redor das orelhas”, explica o cirurgião plástico David Di Sessa, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

Na consulta pré-operatória, entram na conversa detalhes que muitos pacientes nem imaginam ser relevantes, como queda de cabelo, dermatite, psoríase, foliculite, feridas, coceira e sensibilidade no couro cabeludo. Histórico de transplante capilar, uso de próteses, mega hair, tranças firmes, perucas e até o uso de minoxidil também precisam ser informados ao cirurgião.

“Esses dados orientam a posição das incisões e ajudam a preservar a linha capilar, as costeletas e a densidade dos fios na região operada. Cada detalhe precisa ser considerado antes da cirurgia, porque o planejamento varia de acordo com a anatomia, o tipo de cabelo e o histórico de cada paciente”, explica Di Sessa.

Química no cabelo, por sua vez, entra na lista de restrições. “Tintura, descoloração, progressiva, relaxamento e outros processos químicos não devem ser realizados perto da data da operação. Esses produtos podem provocar ardência, descamação ou pequenas lesões, justamente em regiões próximas aos cortes. O intervalo seguro depende da técnica escolhida, das condições da pele e do exame individual”, orienta o cirurgião.

Na véspera ou na manhã do procedimento, conforme orientação da equipe, os fios devem ser lavados com xampu suave e permanecer completamente secos. Condicionador aplicado na raiz, máscaras, óleos, leave-in, gel, pomada, spray fixador e xampu a seco ficam fora da rotina. Presilhas, tiaras, acessórios metálicos e elásticos apertados também precisam ser retirados antes da internação.

No protocolo adotado pelo cirurgião, a higienização pós-operatória começa antes mesmo de a paciente deixar o centro cirúrgico. Ao término do lifting facial, ainda na sala de cirurgia, a equipe realiza a lavagem dos cabelos para retirar resíduos e manter os fios limpos, sem que a paciente precise manipular a região operada.

“Eu prefiro entregar a paciente com o cabelo limpo já na saída da cirurgia. No dia seguinte ou após 48 horas, conforme cada caso, uma terapeuta capilar vinculada à fisioterapia vai até a residência para realizar uma nova lavagem, com movimentos controlados e atenção às incisões, aos pontos e aos curativos”, detalha o médico.

Esse acompanhamento domiciliar reduz a necessidade de deslocamento nas primeiras horas de recuperação e permite que a higiene seja feita por uma profissional preparada para lidar com as limitações do pós-operatório. Durante a lavagem, são evitados movimentos bruscos, água muito quente, pressão direta sobre os cortes e tração nas áreas próximas às orelhas e ao couro cabeludo.

Fontes de calor também merecem atenção nesse período. “A sensibilidade do couro cabeludo e das áreas laterais da cabeça pode ficar reduzida temporariamente. Secador quente, chapinha, babyliss e escova térmica aumentam o risco de queimadura sem percepção imediata. A retomada deve ocorrer de forma gradual, com temperatura baixa e autorização médica”, explica David Di Sessa.

De acordo com o médico, uma das perguntas mais frequentes no pós-operatório envolve o momento adequado para retornar ao salão de beleza. Lavatórios tradicionais podem forçar o pescoço, pressionar a nuca e causar atrito na região operada, enquanto massagens e escovas firmes aumentam a tensão sobre os tecidos em cicatrização.

“Coloração, descoloração e alisamento só devem voltar à rotina depois do fechamento completo dos cortes, da retirada das suturas e do aval do cirurgião. Mesmo quando o paciente já se sente bem, a pele continua em recuperação, por isso a liberação precisa considerar a evolução das incisões e a sensibilidade da região”, esclarece.

Alguns sintomas exigem contato imediato com a equipe médica, como aumento repentino do inchaço, dor intensa, sangramento persistente, secreção, mau cheiro, febre, abertura da pele ou escurecimento do tecido. A queda localizada de cabelo perto das incisões pode ocorrer e costuma ser temporária, mas merece avaliação quando aparece acompanhada de inflamação.

“O cuidado individualizado com o couro cabeludo faz parte da recuperação do lifting facial. Quando a higiene é realizada no momento correto, por profissionais treinados e sem pressão sobre as áreas operadas, conseguimos proteger as incisões, oferecer mais conforto ao paciente e favorecer uma cicatrização mais segura e previsível”, conclui Di Sessa.

 


David Di Sessa - CRM-SP 112566 - RQE 32162 -médico cirurgião plástico, graduado pela Faculdade de Medicina de Marília (FAMEMA), com residência em Cirurgia Plástica em Campinas e estágio de aperfeiçoamento na Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro, sob orientação do professor Ivo Pitanguy. Com mais de 15 anos de experiência e mais de 5 mil procedimentos realizados, atua com foco em resultados naturais e na melhora da qualidade de vida dos pacientes, realizando cirurgias plásticas faciais, corporais e das mamas. É membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), da American Society of Plastic Surgeons (ASPS), da Associação Paulista de Medicina (APM) e da Associação Médica Brasileira (AMB).
Instagram: @daviddisessa


Exemplo paterno! Pais transformam o autocuidado em um legado de saúde e autoestima no mês de agosto; entenda

 

A biomédica esteta e especialista em pele preta Jéssica Magalhães reúne orientações para homens de diferentes idades e destaca os cuidados essenciais para prevenir foliculite, manchas, o envelhecimento precoce, e como o ‘exemplo paterno’ influencia as próximas gerações. 


Pais sempre foram vistos como aqueles que ensinam, protegem e cuidam da família. Agora, um novo comportamento ganha espaço: o de homens que também aprenderam a cuidar de si. Com a chegada do Dia dos Pais, o autocuidado deixa de ser associado apenas à estética e passa a representar um compromisso com a saúde, a autoestima e ao exemplo que será deixado para os filhos.

Entre pais negros, essa mudança tem um significado ainda mais importante. Além de romper estigmas sobre a masculinidade, o cuidado com a pele, os cabelos e a barba responde às necessidades específicas da pele preta, suscetível a condições como foliculite, hiperpigmentação e manchas intensas.

Segundo a biomédica esteta e especialista em pele preta há mais de uma década, Jéssica Magalhães, investir em autocuidado é investir em qualidade de vida. Para a profissional, uma rotina masculina eficaz começa por cuidados simples, higienizar a pele com produtos adequados, hidratação para preservar a barreira cutânea e o uso de protetor solar diariamente.  

Durante muito tempo, homens foram incentivados a ignorar sinais do próprio corpo e a procurar ajuda apenas quando o problema era agravado. Esse comportamento, no entanto, vem mudando. Atenta a esse cenário, Jéssica observa a procura masculina por atendimentos dermatológicos, impulsionada não apenas pela preocupação com a aparência, mas pelo entendimento de que cuidar da pele também é prevenir doenças, desconfortos e impactos na autoestima.

"No consultório, percebemos que muitos homens chegam porque querem resolver uma queixa específica, mas acabam entendendo que uma rotina de cuidados vai muito além da estética. Ela melhora a saúde da pele, aumenta a confiança e mostra que o autocuidado faz parte da qualidade de vida", explica. 

Para homens negros, essa atenção é ainda mais necessária. A maior quantidade de melanina protege parcialmente contra os danos da radiação solar, mas também torna a pele mais propensa à hiperpigmentação após inflamações. Isso significa que espinhas, cortes provocados pelo barbear e episódios de foliculite podem deixar manchas persistentes quando não recebem o tratamento adequado.

A foliculite da barba, inclusive, está entre as principais queixas desse público. O formato naturalmente curvado dos pelos favorece que eles encravem após o barbear, provocando inflamação, dor e marcas na pele. "A própria estrutura dos fios propicia a foliculite, além do processo de reação que a pele negra possui. Importante manter a área bem higienizada antes do barbear, evitar reutilizar a lâmina muitas vezes e em repetidos movimentos e, quando possível, optar pela depilação a laser para eliminar a causa do problema. Apesar do processo inflamatório ainda é necessário hidratar a região e podemos utilizar de esfoliantes antes do barbear", afirma a especialista.

No caso dos homens que utilizam barba, Jéssica destaca a importância de evitar o uso de lâminas desgastadas e o hábito de raspar os pelos contra o sentido de crescimento, práticas que podem aumentar a ocorrência de pelos encravados e foliculite. A especialista também reforça que alterações como manchas persistentes, inflamações e mudanças na textura da pele merecem atenção profissional.

Com mais de dez anos de experiência na área, Jéssica reforça que a limpeza diária da pele, o uso de hidratantes adequados, a aplicação de protetor solar todos os dias e técnicas corretas durante o barbear são indispensáveis na rotina – além de alguns tratamentos dermatológicos para o controle de manchas, a exemplo do peeling. 

Para Jéssica, o impacto desse movimento ultrapassa os benefícios individuais. "Os filhos aprendem muito mais pelo exemplo do que pelo discurso. Quando um pai demonstra que cuidar da própria saúde faz parte da rotina, ele ajuda a construir uma geração que entende o autocuidado como um hábito natural, e não como um sinal de vaidade. Esse talvez seja um dos maiores legados que ele pode deixar", conclui.


Sem energia? Sol Viana ensina banho de ervas para renovar as forças e afastar o desânimo


Há dias em que o cansaço parece ir além do físico. A falta de motivação, a procrastinação constante e a sensação de que nada flui fazem muitas pessoas buscarem formas de renovar as energias e recuperar o ânimo. Para a oraculista e espiritualista Sol Viana, um dos recursos mais tradicionais e acessíveis para esse momento é o banho energético preparado com ervas e especiarias. 

 

Segundo ela, ingredientes simples, encontrados facilmente em mercados e feiras, podem ser utilizados em um ritual de fortalecimento energético quando preparados com intenção e consciência. 

 

"O banho de ervas é um momento de conexão com você mesmo. Enquanto prepara a infusão, coloque sua intenção naquilo que deseja transformar. É esse direcionamento, aliado à força simbólica das ervas, que potencializa o ritual", explica. 

 

A receita indicada por Sol leva sete folhas de louro, sete paus de canela, um ramo de alecrim e uma colher de açúcar. O preparo é simples: basta ferver a água, desligar o fogo, acrescentar os ingredientes e tampar o recipiente, deixando descansar como uma infusão. 

 

Durante esse período, Sol orienta que a pessoa mentalize vitalidade, força, prosperidade e abertura de caminhos, direcionando pensamentos positivos para o banho. 

 

"Imagine essa água recebendo tudo aquilo que você precisa neste momento: energia, coragem, disposição e determinação para colocar seus projetos em prática. A intenção faz parte do ritual e fortalece esse processo de renovação", afirma. 

 

Depois de frio, o líquido deve ser coado. Após o banho de higiene, o preparo pode ser derramado lentamente sobre o corpo, permitindo que a pessoa permaneça por alguns instantes em silêncio, absorvendo aquele momento de autocuidado e conexão espiritual. 

 

De acordo com Sol Viana, esse é um banho especialmente indicado para quem se sente desanimado, sem iniciativa ou enfrentando períodos de bloqueios e estagnação. 

 

"Na tradição espiritual, esse banho é utilizado para fortalecer a energia pessoal, estimular a disposição e favorecer a abertura de caminhos. Muitas pessoas relatam que, após o ritual, sentem mais leveza, motivação e confiança para seguir em frente e conquistar seus objetivos." 

 

Para a espiritualista, o mais importante é compreender que o banho energético não substitui os cuidados com a saúde física ou emocional, mas pode ser um importante aliado para quem deseja cultivar equilíbrio, fortalecer a espiritualidade e iniciar um novo ciclo com mais ânimo e boas energias. 

 

Instagram: https://www.instagram.com/solvianaoficial/

 

"Pode ler só na segunda": a frase que está acabando com o descanso de milhares de trabalhadores

As mensagens enviadas por gestores fora do expediente mantêm o cérebro em estado de alerta, aumentam a ansiedade e impedem a recuperação mental, mesmo quando não há expectativa de resposta imediata 

 

"Pode responder só na segunda."- À primeira vista, a frase parece um gesto de consideração. Mas, para o cérebro, ela pode representar exatamente o oposto.

Cada vez mais comum em grupos de trabalho, e-mails e aplicativos de mensagens, o hábito de gestores enviarem demandas durante noites, finais de semana ou férias, acompanhadas da observação de que "não é preciso responder agora", tem despertado a atenção de especialistas em saúde mental. O motivo é simples: o problema não é quando a mensagem será respondida, mas o fato de ela já ter chegado. 

Segundo o psiquiatra Dr. Daniel Sócrates, especializado em saúde mental no ambiente corporativo, basta uma notificação de trabalho para que o cérebro comece a antecipar cenários, interrompendo o processo natural de descanso. 

"Quando a pessoa vê uma mensagem do chefe, mesmo sem abri-la, o cérebro imediatamente interpreta que pode existir uma demanda importante. Essa antecipação já é suficiente para ativar circuitos relacionados ao estresse e à vigilância. O organismo deixa de estar em repouso porque passa a monitorar uma possível ameaça ou obrigação", explica.

 

O cérebro não sabe que é "só para segunda"

Imagine a situação: sábado à tarde, almoço em família, uma viagem ou um momento de lazer. O celular vibra. Na tela aparece o nome do gestor acompanhado da mensagem: "Pode responder só na segunda. Estou mandando apenas para não esquecer."

Mesmo que o colaborador escolha não abrir a conversa, dificilmente conseguirá ignorá-la completamente.

"Descanso não significa apenas estar longe do computador. Significa também estar livre da expectativa de trabalho. Quando essa expectativa aparece, mesmo sem uma tarefa concreta, o cérebro permanece parcialmente conectado ao ambiente profissional", afirma o médico.

Essa ativação contínua dificulta o relaxamento, prejudica a qualidade do sono, aumenta a ansiedade e reduz a capacidade de recuperação física e emocional entre uma jornada e outra.

 

O descanso também faz parte da produtividade

Diversos estudos em neurociência mostram que períodos de recuperação são fundamentais para consolidar memória, restaurar a atenção, regular emoções e reduzir os níveis de estresse.

Quando esse descanso é interrompido repetidamente por estímulos relacionados ao trabalho, o cérebro permanece em estado de hiperalerta, o que pode favorecer fadiga mental, irritabilidade, dificuldade de concentração e, em casos prolongados, contribuir para quadros de esgotamento profissional.

"O cérebro precisa de momentos em que ele realmente acredita que nada relacionado ao trabalho vai acontecer. Esse período de segurança psicológica é essencial para que a recuperação ocorra de forma completa", explica Daniel Sócrates. 

Segundo ele, pequenas mudanças de comportamento podem produzir grande impacto na saúde mental das equipes. "A frase talvez precise ser reformulada. Em vez de 'pode responder só na segunda', a melhor pergunta é: 'essa mensagem precisava mesmo ser enviada antes de segunda?'. Respeitar o descanso não é permitir que a pessoa ignore uma mensagem. É preservar o cérebro dela da necessidade de conviver com essa preocupação durante todo o fim de semana."

 


Dr. Daniel Sócrates - Médico psiquiatra, doutor pela UNIFESP, com mais de duas décadas de atuação clínica. Dedica-se ao cuidado de profissionais que enfrentam altos níveis de exigência e responsabilidade, com abordagem focada em performance sustentável, saúde mental e qualidade de vida.
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Saúde Mental: um olhar além da mente

Magnific

O sinal de alerta está aceso, a saúde de seres humanos tem gritado por socorro! Será que estamos sabendo ouvir? Segundo dados de Relatórios do Observatório de Atenção Primária (Nações Unidas e Unicef), somente no Brasil cerca de 26% da população adulta relata sofrer de ansiedade; quase 13% possuem diagnóstico de depressão; somando-se a outros transtornos, no ano passado nosso país registrou mais 500 mil afastamentos do trabalho formal, um aumento de 134% em relação aos anos anteriores. Vale notar que não se trata de um problema entre os adultos, pois 1 em cada 7 crianças e adolescentes no país entre 10 e 19 anos convivem com alguma condição psicológica.

O cenário é preocupante e, justamente por isso, exige de nós novas formas de olhar sobre o tema, se realmente estamos comprometidos com soluções. Cultivamos uma sociedade esvaziada de valores éticos básicos, endossando a competição e classificando desde muito cedo vencedores e perdedores. O ponto é que esta lógica fracassou, e inclusive os aclamados vencedores, estão abarrotando os consultórios em busca de ajuda. O tratamento comum tem sido paliativo, pois nenhum remédio cura dor emocional e isso não é novidade, tratar sintoma não é cura, é anestesia.

O que nomeamos como problema de Saúde Mental é o reflexo de um adoecimento muito maior, há séculos seguimos a cartilha do materialismo, exaltando quem é capaz de esconder seus sentimentos, ridicularizando e infantilizando as dores da alma. A Era da Lógica sequestrou nossa essência em nome da produtividade, do sucesso material, dos egos envaidecidos e uma hora a conta iria chegar.

Se pais emocionalmente fragilizados podem contribuir para o adoecimento dos filhos, o que esperar de uma sociedade que enfrenta a mesma realidade? Estamos em meio ao colapso do paradigma da racionalidade, a mente não suporta mais, o tecido humano não tem sido mais capaz de sustentar esta trama. Cabe então a nós mudar o olhar, ir além da mente, recolher todos os fragmentos que nos compõem para tornarmos a ser um.

Não é por acaso que diante à supervalorização da lógica, da mente e da razão, surge desafios nos termos da Saúde Mental. Transcender esta experiência não nega o valor de nenhuma conquista real, apenas amplia o tema da saúde para o tamanho do ser humano integral que nós somos: do corpo ao espírito, olhando a vida em sua inteireza, ampliando ao invés de estreitar. Logo, a solução não está numa pílula mágica ou no próximo diagnóstico, mas na compreensão e reconhecimento no emaranhado que nos colocou neste lugar e como cada história registrou a ameaça sofrida.

Temos uma grande oportunidade em nossas mãos de reescrevermos nossa própria história e encerrar séculos de dores. Detrás de cada transtorno existe uma história. Não será fácil, mas, sem sombra de dúvidas, é a tarefa que enquanto coletivo necessitamos realizar. Estamos sendo praticamente forçados a expandir o nosso olhar à luz da consciência. Será que seremos capazes de enxergar?

 


Kempes Macedo - terapeuta, Mestre em Educação no campo dos Direitos Humanos e Políticas Públicas e autor da obra A Ilusão, O Surto e a Verdade.


O peso do diploma sem mercado: a ansiedade paralisante da geração que se formou e não consegue começar a vida

Especialista analisa a crise emocional dos jovens de 20 e poucos anos que enfrentam o choque entre a expectativa da faculdade e a realidade do desemprego, gerando um sentimento precoce de fracasso e invalidação profissional.

 

Concluir a faculdade costuma representar, para muitos jovens, o início de uma nova etapa: conquistar o primeiro emprego na área de formação, construir independência financeira e começar a colocar em prática os planos feitos ao longo da graduação. Na realidade, porém, muitos recém-formados encontram um cenário diferente do esperado, marcado pela dificuldade de conseguir uma oportunidade e pela sensação de que, apesar do diploma, a vida profissional não consegue começar.

A distância entre expectativa e realidade pode provocar impactos emocionais importantes. Ao enviar currículos sem receber respostas, participar de processos seletivos que não avançam ou aceitar trabalhos fora da área de formação, jovens de 20 e poucos anos podem começar a questionar a própria capacidade e interpretar uma dificuldade do mercado como uma falha pessoal.

Segundo a psicóloga e especialista em ansiedade Eliane Alves, esse processo pode favorecer o surgimento de sentimentos como frustração, insegurança, ansiedade e até uma sensação precoce de fracasso. "Existe uma expectativa de que, depois da faculdade, a pessoa finalmente vai conseguir construir sua carreira. Quando isso não acontece, é comum que ela pense que não é boa o suficiente ou que fez escolhas erradas. O problema é que uma dificuldade profissional passa a ser interpretada como uma invalidação de quem ela é", explica.

A pressão também pode ser intensificada pela comparação com outras pessoas da mesma idade. Enquanto alguns conseguem uma oportunidade rapidamente, outros ainda estão procurando emprego ou enfrentando dificuldades para se inserir no mercado. Nas redes sociais, essa diferença pode parecer ainda maior, já que são compartilhados resultados e conquistas, mas raramente os períodos de incerteza que existem por trás dessas trajetórias.

"É muito difícil não se comparar quando parece que todo mundo está avançando. O jovem olha para os colegas que conseguiram emprego, estão ganhando dinheiro ou construindo uma carreira e sente que ficou para trás. Essa comparação constante aumenta a ansiedade e pode fazer com que ele deixe de enxergar o próprio processo", afirma Eliane.

Outro impacto está na dificuldade de planejar o futuro. Sem estabilidade profissional ou financeira, muitos jovens adiam projetos pessoais, como morar sozinhos, viajar ou construir uma família, criando a sensação de que a vida está em pausa. A frustração acumulada pode levar ao isolamento, à perda de motivação e à dificuldade de tomar decisões sobre os próximos passos.

Para a especialista, é importante compreender que a entrada no mercado de trabalho não acontece no mesmo ritmo para todos e que o primeiro emprego não precisa definir toda a trajetória profissional. "O início da carreira é um período de construção e descoberta. Não conseguir uma oportunidade imediatamente não significa que o jovem fracassou ou que seu diploma perdeu valor. É preciso separar o momento profissional da identidade e da autoestima", destaca.

A psicoterapia pode ser uma aliada para lidar com a ansiedade e com as cobranças dessa fase, ajudando o jovem a reconhecer expectativas irreais, trabalhar a comparação e desenvolver recursos emocionais para enfrentar as incertezas. "O diploma representa uma conquista, mas não determina sozinho o caminho profissional. O mais importante é não transformar uma fase de dificuldade em uma sentença sobre o próprio futuro", conclui a psicóloga.

 

 Fonte: Eliane Alves | Psicóloga – especialista em ansiedade.

 

Você mudou para agradar? Especialista aponta 5 sinais de que sua identidade pode estar ficando para trás

Neurocientista explica como o medo da rejeição, as redes sociais e a necessidade constante de aprovação podem levar à perda da própria identidade  

 

Você fala diferente dependendo de quem está por perto? Evita expor sua opinião para não criar conflitos? Ou sente que, em determinados ambientes, precisa interpretar uma versão de si mesmo para ser aceito? Esses comportamentos podem parecer naturais, mas, quando se tornam constantes, podem indicar algo mais profundo: a perda gradual da própria identidade.

Segundo o neurocientista, psicanalista clínico e sexólogo Betto Alves, adaptar-se aos diferentes contextos faz parte da convivência humana. O problema surge quando essa adaptação deixa de ser uma escolha e passa a ser uma necessidade para conquistar aprovação.

"O ser humano precisa pertencer. Desde cedo aprendemos que ser aceito aumenta nossas chances de conexão e segurança. O risco é quando começamos a moldar nossa personalidade apenas para atender às expectativas dos outros. Aos poucos, deixamos de saber quem realmente somos", explica.

Esse conceito foi amplamente estudado pelo psiquiatra suíço Carl Gustav Jung, que chamou de persona a "máscara social" que usamos para desempenhar diferentes papéis ao longo da vida. Para Betto, essa máscara é saudável quando ajuda na convivência, mas se torna um problema quando passa a substituir a identidade.

"As personas não são o problema. Todos nós exercemos diferentes papéis: profissional, pai, mãe, filho, amigo. A questão é quando a pessoa acredita que precisa viver permanentemente dentro desse personagem para continuar sendo amada, valorizada ou respeitada", aponta.

A pressão para corresponder às expectativas ganhou ainda mais força com as redes sociais. Perfis cuidadosamente construídos, padrões de sucesso e estilos de vida idealizados criam uma sensação constante de comparação e alimentam o medo de ficar de fora, fenômeno conhecido como FOMO (Fear of Missing Out).

"Quando passamos tempo demais olhando para a vida dos outros, corremos o risco de começar a copiar não apenas comportamentos, mas também desejos, opiniões e até sonhos que talvez nunca tenham sido nossos", levanta Betto.

No ambiente corporativo, esse movimento também aparece com frequência. Profissionais sentem que precisam demonstrar produtividade constante, esconder inseguranças e manter uma postura impecável para serem reconhecidos.

"Existe uma crença de que demonstrar vulnerabilidade é sinal de fraqueza. Assim, muitas pessoas vestem uma armadura emocional para parecerem sempre fortes, competentes e inabaláveis. O problema é que, quanto mais tempo usamos essa armadura, mais difícil fica lembrar quem existe por baixo dela", afirma.


5 sinais de que você pode estar perdendo sua identidade

1. Você muda de opinião dependendo de quem está por perto

Se você costuma concordar com tudo apenas para evitar conflitos ou conquistar aprovação, vale a pena refletir. Adaptar a forma de comunicar é diferente de abrir mão dos próprios valores. "A adaptação é saudável. O problema começa quando você deixa de expressar quem é apenas por medo da rejeição", explica Betto.

2. Sua autoestima depende da aprovação dos outros

Curtidas, elogios, reconhecimento profissional ou validação do parceiro passam a determinar seu bem-estar. "Quando a validação vem sempre de fora, a pessoa perde a referência interna sobre seu próprio valor", aponta o especialista.

3. Você já não sabe mais do que realmente gosta

Após anos tentando agradar familiares, parceiros ou colegas de trabalho, algumas pessoas têm dificuldade para responder perguntas simples: qual é meu hobby? O que eu realmente gosto de fazer? Quais sonhos ainda são meus?

"É muito comum atender pessoas que, após o fim de um relacionamento ou uma grande mudança profissional, percebem que viveram durante anos em função das expectativas do outro."

4. Você nunca demonstra fragilidade

No trabalho, nas redes sociais e até dentro de casa, existe uma necessidade constante de parecer forte, bem-sucedido e emocionalmente estável. "Quem acredita que precisa ser perfeito o tempo todo acaba vivendo um personagem. E personagens não conseguem estabelecer conexões verdadeiras."

5. Mesmo conquistando objetivos, você sente um vazio constante

Esse costuma ser um dos sinais mais importantes. A pessoa alcança metas, recebe reconhecimento e faz tudo o que acreditava que deveria fazer, mas continua com a sensação de que algo está faltando. "Quando a vida inteira é construída para atender expectativas externas, até as conquistas podem parecer vazias, porque pertencem ao personagem, não à pessoa."

Para Betto Alves, recuperar a própria identidade não significa abandonar responsabilidades ou deixar de se adaptar aos diferentes ambientes. Significa voltar a reconhecer os próprios valores, limites e desejos antes que eles sejam completamente substituídos pelas expectativas externas.

"O maior risco não é interpretar diferentes papéis ao longo da vida. O maior risco é esquecer quem você é quando o palco esvazia, as telas se desligam e não há mais ninguém para impressionar", finaliza.

 

Betto Alves - neurocientista, psicanalista clínico e sexólogo. Mestre em Administração, com pesquisa sobre Inteligência Emocional, atua há mais de 20 anos com comportamento humano, liderança e desenvolvimento de pessoas. É professor universitário na PUC Paraná e na ESPM, além de ministrar palestras, cursos e mentorias para empresas e cooperativas em todo o Brasil.


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