Com inauguração no dia 06 de outubro, “Círio de Nazaré. Do sagrado
ao profano: uma extensão do Brasil”, do fotógrafo Fabricio Augusto, é a quinta
mostra do projeto Nova Fotografia 2026
No dia 06 de outubro, às 19h,
o MIS inaugura a quinta exposição do Nova
Fotografia 2026 com a série Círio de Nazaré. Do sagrado
ao profano: uma extensão do Brasil, do fotógrafo Fabricio
Augusto. O ensaio propõe uma imersão fotográfica documental na
vivência coletiva do maior festejo religioso do país, onde a fé, a tradição e a
cultura popular se entrelaçam. O projeto investiga o rito como expressão
simbólica e espaço de construção identitária — a devoção à Nossa Senhora de
Nazaré, que remonta ao século 18 em Belém, transformando-se em palco de
memória, pertencimento e metamorfose social.
Sem se limitar ao registro da fé, o ensaio
amplia o foco para as engrenagens humanas que sustentam o Círio: a manutenção
da festa em coletividade, os gestos de cuidado que circulam pela multidão —
como a água que refresca, hidrata e mantém vivos os corpos em trânsito — e o
papel central dos pagadores de promessa, que performam a devoção com
intensidade física e emocional. Entre o sagrado e o profano, entre a corda que
arrasta multidões e as vielas onde a promessa encontra seu território, o
trabalho revela como a força do rito reside também na solidariedade, na
organização espontânea e nas práticas comunitárias que fazem o Círio acontecer
todos os anos.
Nessa intersecção entre fé, corpo e
resistência, a série convida o espectador a refletir sobre a cultura popular
como extensão viva do Brasil — uma manifestação multifacetada que, ao mesmo
tempo em que celebra a devoção, expõe o país em toda a sua complexidade,
sensibilidade e potência coletiva.
Para Fabrício, ocupar o MIS com essa
exposição amplia uma trajetória de uma década dedicada à fotografia. “Existe
uma distância geográfica entre Ferraz de Vasconcelos e Belém, mas ela não muda
a existência de uma conexão muito forte na maneira como a cultura, a fé e a
vida coletiva atravessam esses territórios. Chegar ao MIS com esse trabalho é
também levar comigo o lugar de onde eu vim e tudo o que ele representa na minha
formação”, afirma.
O projeto nasceu de uma experiência de
intercâmbio cultural que levou Fabricio a Belém do Pará para pesquisar e
fotografar o Círio de Nazaré. Em 2025, o artista foi convidado pelo Mídia Ninja
e pela Casa Amazônia para cobrir o festejo, e a experiência deu origem ao ensaio
que agora chega ao MIS.
A exposição parte da fotografia documental
para observar o Círio para além da representação da fé. O ensaio acompanha os
pagadores de promessas, a multidão que percorre as ruas, os gestos de cuidado,
a distribuição de água, a organização coletiva e as práticas de solidariedade
que surgem durante o percurso.
As vinte fotografias aproximam o visitante
dessas experiências por meio de planos fechados, luz e sombra, texturas e cenas
amplas. Contrapondo sagrado e profano, a exposição alterna imagens associadas à
profissão de fé e à interação dos corpos, criando um contraste visual que
atravessa todo o trabalho. A intenção é aproximar fotografia documental e arte
contemporânea e tensionar a distância entre quem observa e quem participa.
O resultado é um registro do Círio como
catarse coletiva. A devoção a Nossa Senhora de Nazaré é entrelaçada a questões
de memória, pertencimento, identidade e transformação social. O trabalho
observa os corpos em movimento e os vínculos que são formados nas ruas, onde a
fé convive com manifestações culturais e práticas populares.
Sobre
o fotógrafo
Fabricio Augusto é fotógrafo, produtor
multimídia e documentarista, nascido e residente em Ferraz de Vasconcelos, na
periferia da Grande São Paulo. Sua prática pensa cinema e fotografia como
extensões de um mesmo olhar, investigando o corpo, o pertencimento e a cultura
popular brasileira. É estudante de produção multimídia e antropologia, com
extensão universitária em memória e território pela USP. Em 2024, completou dez
anos de carreira com a exposição Trajetos e trajetórias: uma década de fotografia.
Seus trabalhos já circularam pelo Brasil, passando pelo Museu das Favelas, o
MIS Araraquara, o Centro Cultural Octo Marques e o Museu de Arte do Espírito
Santo, e internacionalmente, em Toronto, no Canadá. Em 2026, foi finalista do
Prêmio Transatlântico de Fotografia, consolidando uma trajetória dedicada à
investigação da imagem, dos corpos e dos territórios que compõem a identidade
brasileira.
Sobre
o Nova Fotografia
O projeto anual do MIS seleciona, por meio de
convocatória aberta ao público, novos fotógrafos para uma exposição individual
no museu. A seleção fica a cargo do Núcleo de Programação, com supervisão e coordenação
da curadoria geral do MIS. São selecionadas séries fotográficas inéditas, de
profissionais que se destacam por sua originalidade técnica e estética. Após o
período em exposição, as séries escolhidas passam a integrar o acervo do
MIS.
Serviço | Nova Fotografia 2026 – Exposição “Círio de
Nazaré. Do sagrado ao profano: uma extensão do Brasil”
Abertura: 06 de outubro, às 19h
Período expositivo: de 06 de outubro a 15 de
novembro de 2026
Local: Sala Nova Fotografia
Ingresso: gratuito
Classificação: livre

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