Pesquisar no Blog

sábado, 3 de outubro de 2026

Efeito sanfona no rosto: por que esperar terminar de emagrecer para cuidar da face pode não ser a melhor estratégia

 Acompanhar as mudanças do rosto durante a perda de peso pode ajudar a preservar sustentação, qualidade da pele e naturalidade

 

Quando se fala em emagrecimento, é comum pensar primeiro nas mudanças do corpo e nos números da balança. Mas, enquanto os quilos diminuem, o rosto também passa por transformações — e esperar que todo o processo termine para só então olhar para a face pode não ser a melhor estratégia em alguns casos.

Bochechas menos preenchidas, têmporas mais profundas, sulcos mais evidentes, flacidez e aparência de cansaço podem surgir à medida que ocorre uma perda importante de peso. 

Segundo Dra. Daiany Rodrigues Freire, enfermeira estética e biomédica estética, o ideal é que o paciente não enxergue o tratamento facial apenas como uma correção a ser feita depois do emagrecimento.

“Quando sabemos que haverá uma perda significativa de peso, podemos acompanhar esse rosto durante o processo. Em vez de esperar uma perda muito grande de volume e sustentação para depois tentar recuperar tudo, podemos trabalhar de maneira gradual, respeitando as mudanças da face e utilizando recursos que ajudem a preservar estrutura e qualidade da pele”, explica.
 

Por que o rosto muda durante o emagrecimento?

A perda de peso não acontece apenas na barriga, nos braços ou nas pernas. A face também possui compartimentos de gordura que contribuem para seu formato e sustentação.

“Quando há uma redução importante desses compartimentos, algumas regiões podem perder projeção e suporte. Dependendo da idade, da velocidade do emagrecimento, da quantidade de peso perdida e da qualidade da pele, essa mudança pode deixar o rosto mais flácido ou com aspecto mais envelhecido”, afirma Daiany.

O problema pode se tornar ainda mais perceptível em pessoas que passaram por diversos ciclos de emagrecimento e ganho de peso.

No chamado efeito sanfona, o rosto acompanha parte dessas oscilações. E, com o passar dos anos, a capacidade da pele de se adaptar às mudanças de volume tende a diminuir.

“Uma pessoa mais jovem geralmente tem uma pele com maior capacidade de retração. Conforme envelhecemos, temos redução natural de colágeno e mudanças estruturais da face. Se acrescentamos uma perda expressiva de peso, essas alterações podem ficar mais evidentes”, explica.


É preciso esperar emagrecer tudo para começar a preencher?

Para Daiany, não necessariamente.

A especialista explica que existe uma diferença importante entre realizar grandes correções enquanto o peso ainda está oscilando e acompanhar o emagrecimento com um planejamento estético progressivo.

“Não precisamos esperar o rosto perder muito volume para começar a cuidar. Em pacientes com indicação, podemos utilizar pequenas quantidades de ácido hialurônico em pontos estratégicos de sustentação enquanto o emagrecimento acontece. A proposta não é encher o rosto, mas acompanhar a transformação e preservar determinadas estruturas”, afirma.

Esse acompanhamento também pode envolver procedimentos voltados à qualidade da pele e ao estímulo de colágeno.

“O emagrecimento é um processo. O tratamento facial também pode ser. Podemos trabalhar sustentação, estímulo de colágeno e qualidade da pele gradualmente, avaliando como o rosto responde a cada etapa da perda de peso”, acrescenta.


Prevenir pode ser mais interessante do que tentar reconstruir depois

Um dos principais motivos para começar esse acompanhamento antes do final do emagrecimento é evitar que o tratamento se torne apenas uma tentativa de corrigir alterações já muito acentuadas.

“Quando esperamos acontecer uma perda importante de estrutura para só depois começar a tratar, podemos precisar associar mais procedimentos para chegar ao resultado desejado. Quando acompanhamos desde o início, conseguimos pensar de maneira preventiva e fazer intervenções menores e progressivas”, explica Daiany.

Isso não significa que toda pessoa que está emagrecendo precise realizar preenchimento facial. A indicação depende da anatomia, da idade, da quantidade de peso que será perdida, da velocidade do emagrecimento e das características individuais da pele.

Também é importante que os procedimentos sejam constantemente reavaliados.

“Se o peso ainda está mudando, o rosto também está mudando. Por isso, não faz sentido fazer uma grande quantidade de preenchimento de uma única vez. O interessante é acompanhar, tratar pontos estratégicos quando houver indicação e reavaliar conforme o emagrecimento evolui”, destaca.


O objetivo não é devolver o rosto de antes

Para a especialista, o crescimento dos grandes emagrecimentos também exige uma mudança na maneira de pensar a estética facial.

O objetivo não deve ser tentar reproduzir exatamente o rosto que a pessoa tinha antes de perder peso, nem compensar cada redução de gordura com preenchimento.

“Eu não quero transformar o rosto ou devolver artificialmente todo o volume que ele tinha antes. Quero que, durante o emagrecimento, essa pessoa continue se reconhecendo no espelho. Às vezes, pequenos pontos de sustentação, associados a tratamentos para melhorar a qualidade da pele e estimular colágeno, são suficientes para atravessar esse processo de maneira muito mais natural”, afirma.

Para Daiany, o conceito central é o gerenciamento do envelhecimento e das mudanças faciais, e não a correção tardia.

“Da mesma forma que cuidamos da pele antes de ela apresentar alterações muito intensas, podemos acompanhar a face enquanto o corpo emagrece. Não precisamos esperar perder toda a sustentação para começar a pensar nela. Quando existe indicação, começar durante o processo permite trabalhar aos poucos, acompanhar as mudanças e buscar um resultado mais natural, sem precisar tentar reconstruir o rosto depois”, conclui. 



Dra. Daiany Freire - enfermeira e biomédica esteta, especialista em Reestruturação Facial e Estética Regenerativa. Possui pós-graduação em Enfermagem Estética pelo Nepuga e especialização em Estética e Cosmetologia com Ênfase em Raciocínio Clínico pela Univates, além de formação complementar com referências nacionais nas áreas de harmonização facial e estética regenerativa. É criadora da técnica Daimily Lips®, desenvolvida a partir de princípios anatômicos, proporção facial e individualização do preenchimento labial, com foco em resultados naturais e harmônicos. Conselho Regional de Enfermagem (Coren) nº 72548. Conselho Regional de Biomedicina (CRBM nº 64.089. Enfermeira e biomédica com pós-graduação em Enfermagem Estética.
Link

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Posts mais acessados