Acompanhar as mudanças do rosto durante a perda de peso pode ajudar a preservar sustentação, qualidade da pele e naturalidade
Quando se fala em
emagrecimento, é comum pensar primeiro nas mudanças do corpo e nos números da
balança. Mas, enquanto os quilos diminuem, o rosto também passa por
transformações — e esperar que todo o processo termine para só então olhar para
a face pode não ser a melhor estratégia em alguns casos.
Bochechas menos
preenchidas, têmporas mais profundas, sulcos mais evidentes, flacidez e
aparência de cansaço podem surgir à medida que ocorre uma perda importante de
peso.
Segundo Dra. Daiany
Rodrigues Freire, enfermeira estética e biomédica estética, o
ideal é que o paciente não enxergue o tratamento facial apenas como uma
correção a ser feita depois do emagrecimento.
“Quando sabemos
que haverá uma perda significativa de peso, podemos acompanhar esse rosto
durante o processo. Em vez de esperar uma perda muito grande de volume e
sustentação para depois tentar recuperar tudo, podemos trabalhar de maneira
gradual, respeitando as mudanças da face e utilizando recursos que ajudem a
preservar estrutura e qualidade da pele”, explica.
Por que o
rosto muda durante o emagrecimento?
A perda de peso
não acontece apenas na barriga, nos braços ou nas pernas. A face também possui
compartimentos de gordura que contribuem para seu formato e sustentação.
“Quando há uma
redução importante desses compartimentos, algumas regiões podem perder projeção
e suporte. Dependendo da idade, da velocidade do emagrecimento, da quantidade
de peso perdida e da qualidade da pele, essa mudança pode deixar o rosto mais
flácido ou com aspecto mais envelhecido”, afirma Daiany.
O problema pode se
tornar ainda mais perceptível em pessoas que passaram por diversos ciclos de
emagrecimento e ganho de peso.
No chamado efeito
sanfona, o rosto acompanha parte dessas oscilações. E, com o passar dos anos, a
capacidade da pele de se adaptar às mudanças de volume tende a diminuir.
“Uma pessoa mais
jovem geralmente tem uma pele com maior capacidade de retração. Conforme
envelhecemos, temos redução natural de colágeno e mudanças estruturais da face.
Se acrescentamos uma perda expressiva de peso, essas alterações podem ficar
mais evidentes”, explica.
É preciso
esperar emagrecer tudo para começar a preencher?
Para Daiany, não
necessariamente.
A especialista
explica que existe uma diferença importante entre realizar grandes correções
enquanto o peso ainda está oscilando e acompanhar o emagrecimento com um
planejamento estético progressivo.
“Não precisamos
esperar o rosto perder muito volume para começar a cuidar. Em pacientes com
indicação, podemos utilizar pequenas quantidades de ácido hialurônico em pontos
estratégicos de sustentação enquanto o emagrecimento acontece. A proposta não é
encher o rosto, mas acompanhar a transformação e preservar determinadas
estruturas”, afirma.
Esse
acompanhamento também pode envolver procedimentos voltados à qualidade da pele
e ao estímulo de colágeno.
“O emagrecimento é
um processo. O tratamento facial também pode ser. Podemos trabalhar
sustentação, estímulo de colágeno e qualidade da pele gradualmente, avaliando
como o rosto responde a cada etapa da perda de peso”, acrescenta.
Prevenir pode
ser mais interessante do que tentar reconstruir depois
Um dos principais
motivos para começar esse acompanhamento antes do final do emagrecimento é
evitar que o tratamento se torne apenas uma tentativa de corrigir alterações já
muito acentuadas.
“Quando esperamos
acontecer uma perda importante de estrutura para só depois começar a tratar,
podemos precisar associar mais procedimentos para chegar ao resultado desejado.
Quando acompanhamos desde o início, conseguimos pensar de maneira preventiva e
fazer intervenções menores e progressivas”, explica Daiany.
Isso não significa
que toda pessoa que está emagrecendo precise realizar preenchimento facial. A
indicação depende da anatomia, da idade, da quantidade de peso que será
perdida, da velocidade do emagrecimento e das características individuais da
pele.
Também é
importante que os procedimentos sejam constantemente reavaliados.
“Se o peso ainda
está mudando, o rosto também está mudando. Por isso, não faz sentido fazer uma
grande quantidade de preenchimento de uma única vez. O interessante é
acompanhar, tratar pontos estratégicos quando houver indicação e reavaliar
conforme o emagrecimento evolui”, destaca.
O objetivo
não é devolver o rosto de antes
Para a especialista,
o crescimento dos grandes emagrecimentos também exige uma mudança na maneira de
pensar a estética facial.
O objetivo não
deve ser tentar reproduzir exatamente o rosto que a pessoa tinha antes de
perder peso, nem compensar cada redução de gordura com preenchimento.
“Eu não quero
transformar o rosto ou devolver artificialmente todo o volume que ele tinha
antes. Quero que, durante o emagrecimento, essa pessoa continue se reconhecendo
no espelho. Às vezes, pequenos pontos de sustentação, associados a tratamentos
para melhorar a qualidade da pele e estimular colágeno, são suficientes para
atravessar esse processo de maneira muito mais natural”, afirma.
Para Daiany, o
conceito central é o gerenciamento do envelhecimento e das mudanças faciais, e
não a correção tardia.
“Da mesma forma que cuidamos da pele antes de ela apresentar alterações muito intensas, podemos acompanhar a face enquanto o corpo emagrece. Não precisamos esperar perder toda a sustentação para começar a pensar nela. Quando existe indicação, começar durante o processo permite trabalhar aos poucos, acompanhar as mudanças e buscar um resultado mais natural, sem precisar tentar reconstruir o rosto depois”, conclui.
Dra. Daiany Freire - enfermeira e biomédica esteta, especialista em Reestruturação Facial e Estética Regenerativa. Possui pós-graduação em Enfermagem Estética pelo Nepuga e especialização em Estética e Cosmetologia com Ênfase em Raciocínio Clínico pela Univates, além de formação complementar com referências nacionais nas áreas de harmonização facial e estética regenerativa. É criadora da técnica Daimily Lips®, desenvolvida a partir de princípios anatômicos, proporção facial e individualização do preenchimento labial, com foco em resultados naturais e harmônicos. Conselho Regional de Enfermagem (Coren) nº 72548. Conselho Regional de Biomedicina (CRBM nº 64.089. Enfermeira e biomédica com pós-graduação em Enfermagem Estética.
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