Para o Dia Nacional da Pessoa Idosa, o psiquiatra Dr. Guido Boabaid May alerta para os riscos da polifarmácia e explica como a farmacogenética pode contribuir para tratamentos mais personalizados
Lembrado em 1º de outubro, o Dia Nacional da Pessoa Idosa
chama a atenção para os cuidados necessários para promover saúde mental e
qualidade de vida durante o envelhecimento. Aposentadoria, perdas, doenças
crônicas, dor e isolamento social podem aumentar a vulnerabilidade a quadros
como depressão e ansiedade. A Organização Mundial da Saúde estima que aproximadamente
15% das pessoas com 70 anos ou mais vivam com algum transtorno mental, sendo
depressão e ansiedade os mais frequentes.
Nesse cenário, outro ponto merece atenção: o uso simultâneo de
diversos medicamentos, realidade frequente entre idosos e que pode afetar a
cognição e o bem-estar. “A principal razão é a multimorbidade: com o avanço da
idade, torna-se mais comum uma mesma pessoa apresentar simultaneamente
hipertensão, diabetes, doenças cardiovasculares, dor crônica, alterações do
sono, doenças osteoarticulares e transtornos psiquiátricos, por exemplo. Cada
condição pode resultar na prescrição de um ou mais medicamentos, muitas vezes
por diferentes especialistas”, explica o psiquiatra Dr. Guido
Boabaid May, CEO e fundador da GnTech.
Segundo o especialista, o problema não está necessariamente na
quantidade de medicamentos, mas na chamada polifarmácia inadequada, quando há
interações, doses inadequadas ou medicamentos que já não são necessários.
“Quanto maior a complexidade do esquema terapêutico, maior pode ser o risco de
interações, efeitos adversos, dificuldade de adesão, quedas, confusão mental e
hospitalizações”, aponta.
Outro risco é a chamada cascata de prescrição, quando um efeito
colateral é interpretado como um novo problema de saúde e leva à inclusão de
outro medicamento. “Ela acontece quando o efeito adverso de um medicamento é
interpretado como uma nova doença e, em vez de revisar o primeiro medicamento,
acrescenta-se outro para tratar aquele sintoma”, explica o psiquiatra.
Em um estudo publicado em 2025 com 13.670 adultos de 65 anos ou
mais, 98,8% apresentavam pelo menos uma variante farmacogenética considerada
acionável por alguma diretriz, e aproximadamente 27,5% chegaram a utilizar pelo
menos um medicamento para o qual aquela informação genética poderia indicar uma
mudança em relação à prescrição convencional. Nesse contexto, a farmacogenética
pode contribuir para uma abordagem mais personalizada.
Para Guido, a ferramenta pode ser especialmente relevante para
pacientes idosos, que apresentam maior vulnerabilidade aos efeitos adversos e
frequentemente utilizam vários medicamentos. “Quando existe uma interação
gene-medicamento respaldada por evidências e diretrizes farmacogenéticas, essa
informação pode ajudar o médico a selecionar um medicamento ou ajustar sua dose
de maneira mais individualizada”, afirma.
O especialista ainda reforça que o objetivo não é simplesmente
retirar medicamentos, mas otimizar o tratamento. “O conceito correto é otimizar
a farmacoterapia: manter aquilo que oferece benefício, ajustar o que precisa
ser ajustado e retirar, de forma segura e supervisionada, aquilo que já não faz
sentido”, avalia. Além da medicação, Guido também alerta para a importância de
não naturalizar alterações emocionais ou cognitivas como consequência do
envelhecimento. “Talvez a mensagem mais importante seja que não devemos
naturalizar sofrimento psíquico nem alterações cognitivas simplesmente porque a
pessoa envelheceu”, conclui.
Guido Boabaid May - Médico psiquiatra há mais de 32 anos, com mais de 115 mil consultas realizadas, mais de 1.200 pacientes em tratamento guiado com teste farmacogenético e pioneiro da farmacogenética no Brasil. Guido também é fundador e CEO da GnTech, empresa de biotecnologia pioneira e líder em farmacogenética no Brasil, com mais de 30 mil testes farmacogenéticos realizados sob sua liderança, a empresa é detentora do maior banco de dados de farmacogenética sobre a população brasileira. Boabaid também atua como médico do Corpo Clínico do Hospital Israelita Albert Einstein e é autor do livro "Onde Foi Parar Minha Alegria?”, publicado em 2025.
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