Especialista explica por que a suspensão dos medicamentos exige planejamento e não deve ser tratada como uma decisão isolada
O reganho de peso após a suspensão de
medicamentos para emagrecimento é uma das questões que precisam entrar na conversa
entre médico e paciente desde o início do tratamento. Embora a redução do peso
seja frequentemente encarada como o ponto final do processo, a fase de
manutenção também exige acompanhamento e planejamento.
Para a nutróloga Dra. Ana Luísa Vilela
Barbosa, a retomada do peso não deve ser interpretada de forma simplista,
especialmente porque a obesidade é uma doença crônica e seu tratamento precisa
considerar a possibilidade de acompanhamento contínuo.
"Quando o peso volta após a suspensão
da caneta, a primeira reação costuma ser culpar o paciente. Isso simplifica
demais uma doença crônica", afirma.
Segundo a médica, o planejamento da
manutenção deve começar ainda durante o tratamento. Isso inclui discutir
estratégias alimentares possíveis de seguir, atividade física, acompanhamento
dos riscos associados à obesidade e avaliação individual sobre a continuidade
da medicação.
Não existe uma regra única sobre quando
interromper o uso dos medicamentos: a decisão depende da resposta clínica, das
condições de saúde, dos objetivos do tratamento e da avaliação do médico
responsável.
"Não existe uma data universal para
parar. Existe uma decisão clínica que precisa ser planejada", explica.
A suspensão, portanto, não deve ser encarada como uma etapa automática ou feita por conta própria. Mais do que alcançar um peso específico, o desafio é construir uma estratégia de cuidado que possa ser sustentada ao longo do tempo — com o acompanhamento definindo os próximos passos de forma individualizada.
Dra. Ana Luísa Vilela Barbosa - médica com mais de 20 anos de atuação, formada em Cirurgia Geral pela Beneficência Portuguesa de São Paulo, com formação em Cirurgia Bariátrica pelo Instituto Garrido e Nutrologia pelo Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo. Atua no tratamento da obesidade, alterações hormonais, sarcopenia, pacientes pós-bariátricos e quadros metabólicos e intestinais complexos. Também é responsável por um ambulatório de obesidade no SUS, em Itapevi, e atende presencialmente nos Jardins, em São Paulo, e por telemedicina.
https://www.instagram.com/draanaluisavilela/
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