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sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Recebeu um diagnóstico de TDAH ou autismo na vida adulta?


Entenda os termos que podem aparecer no laudo

Funções executivas, comorbidades, alteraçes sensoriais e níveis de suporte estão entre as expressões que podem gerar dúvidas depois de uma avaliação. Neurologista explica por que compreender o laudo também faz parte do cuidado. 

 

O diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) ou Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) na vida adulta tem ganhado cada vez mais espaço nos consultórios. Para algumas pessoas, a investigação acontece depois de anos convivendo com dificuldades de atenção, organização, interação social, questões sensoriais ou comportamentos que nunca haviam sido compreendidos dentro de um contexto clínico.

Quando finalmente chega o diagnóstico, porém, uma nova dúvida pode surgir: o que significam todos aqueles termos presentes no laudo? Expressões como funções executivas, comorbidades, apresentação desatenta, hiperatividade e impulsividade, hiper ou hiporreatividade sensorial e níveis de suporte fazem parte do vocabulário utilizado na avaliação clínica, mas nem sempre são familiares para quem recebe o documento.

Segundo o neurologista Dr. Matheus Trilico, referência no atendimento de adultos com TEA e TDAH, compreender esses conceitos ajuda o paciente a entender não apenas o diagnóstico, mas também características individuais identificadas durante a avaliação.

“As funções executivas, por exemplo, estão relacionadas a habilidades que utilizamos diariamente para organizar o comportamento, planejar, iniciar e concluir tarefas, controlar impulsos, adaptar estratégias e manter informações importantes enquanto realizamos determinada atividade. Alterações nessas funções podem estar presentes no TDAH, mas precisam ser analisadas dentro de todo o contexto clínico”, explica o neurologista.

Outro termo frequente é comorbidade, utilizado quando duas ou mais condições estão presentes na mesma pessoa. Uma pessoa com autismo, por exemplo, também pode apresentar TDAH, transtornos de ansiedade, depressão ou outras condições que precisam ser identificadas e acompanhadas adequadamente.

No caso do TDAH, o laudo também pode mencionar diferentes apresentações clínicas. Atualmente, o transtorno pode ser descrito como predominantemente desatento, predominantemente hiperativo-impulsivo ou combinado. Isso não significa necessariamente que uma pessoa permanecerá com exatamente a mesma manifestação durante toda a vida. A predominância dos sintomas pode se modificar com o tempo.

Já no autismo, questões relacionadas ao processamento sensorial também podem aparecer na avaliação. Algumas pessoas apresentam uma resposta mais intensa a determinados sons, luzes, texturas, cheiros ou temperaturas, enquanto outras demonstram uma resposta reduzida a esses estímulos. Essas características são chamadas de hiper ou hiporreatividade sensorial.

Outra expressão que merece atenção são os níveis de suporte no TEA. A classificação em níveis 1, 2 ou 3 está relacionada à necessidade de apoio apresentada pela pessoa em determinadas áreas e contextos.

“É importante não transformar o nível de suporte em um rótulo definitivo sobre aquela pessoa. Necessidades podem variar conforme o ambiente, as demandas, a fase da vida e as condições associadas. O diagnóstico precisa olhar para o indivíduo, e não apenas para uma classificação”, ressalta Dr. Matheus.

O neurologista também chama a atenção para os chamados instrumentos padronizados, como questionários, escalas e protocolos utilizados durante uma investigação. Eles são importantes para organizar e complementar a coleta de informações, mas não devem ser interpretados isoladamente como responsáveis por confirmar um diagnóstico.

A avaliação de TDAH e autismo envolve história clínica, desenvolvimento, sintomas, prejuízos funcionais, contexto familiar, escolar, profissional e social, além da investigação de outras condições que possam explicar ou acompanhar determinadas manifestações.

Por isso, mais do que receber um documento com uma sequência de termos técnicos, o paciente deve ter a oportunidade de compreender o que aquele resultado representa em sua própria história.

“Um bom diagnóstico não termina quando entregamos o laudo. Ele precisa fazer sentido para a pessoa, ajudar a compreender suas dificuldades e potencialidades e, principalmente, orientar quais serão os próximos passos do acompanhamento”, finaliza o neurologista.


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