Ronco, insônia, movimentos durante a noite e rotinas incompatíveis
têm levado alguns casais a adotar quartos separados como uma maneira de
preservar o próprio descanso. Conhecida como “divórcio do sono”, a decisão
também desperta dúvidas sobre os efeitos na relação, principalmente se a
distância pode aumentar o desejo, reduzir a intimidade ou criar a necessidade
de reservar noites para voltar a dividir a cama.
Quando a mudança resolve um problema concreto e é decidida em
conjunto, ela não representa necessariamente uma crise. Eva, sexóloga virtual
do Fatal Fans, avalia que o desgaste pode ser maior quando os parceiros
insistem em dormir juntos apenas porque acreditam que essa é uma obrigação de
todo casal. “Dormir na mesma cama não deve ser tratado como uma prova de amor.
Se um ronca, se mexe muito ou tem horários completamente diferentes, os quartos
separados podem evitar que o cansaço vire irritação. O importante é que ninguém
se sinta expulso ou interprete a decisão como rejeição”, afirma.
Como dormir separado pode diminuir os encontros espontâneos que
acontecem antes de o casal adormecer, combinar noites juntos ou reservar
momentos para a intimidade aparece como uma possibilidade. Isso não significa,
segundo Eva, transformar o sexo em compromisso obrigatório. “Muita gente
acredita que marcar o sexo acaba com o desejo, mas a expectativa também pode
fazer parte da excitação. O problema começa quando o horário vira cobrança ou
quando um dos dois sente que não pode mudar de ideia. Planejar um encontro não
elimina a liberdade de dizer que não está com vontade”, explica.
A separação dos quartos se torna mais delicada quando também reduz
as conversas, o carinho e os momentos compartilhados, fazendo com que uma
solução para o sono amplie um afastamento que já existia. “Não há uma
quantidade obrigatória de noites em que o casal precise dormir na mesma cama.
Cada relação pode construir o próprio acordo. O problema não é fechar a porta
para descansar melhor, mas usar essa porta para evitar uma distância que
começou fora do quarto”, conclui.

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