O processo de imigração para os
Estados Unidos passa por mudanças e exige atenção de quem planeja se mudar para
o país. Recentemente, uma decisão da Justiça americana derrubou a política que
suspendia a emissão de vistos de imigrante para cidadãos de 75 países,
incluindo o Brasil. Mesmo após a decisão, o Departamento de Estado manteve uma
pausa nas entrevistas para vistos de imigrante em diversos países enquanto
prepara funcionários consulares para novas orientações de análise dos pedidos.
Em meio a esse cenário, escolher
uma categoria migratória apenas pelo preço, pelo prazo ou pela experiência de
outra pessoa pode trazer consequências para o processo. Histórico migratório,
documentação, perfil profissional e mudanças ao longo do caminho precisam ser
avaliados individualmente antes de uma decisão.
Para a Dra.
Ingrid Domingues-McConville, advogada de imigração nos Estados Unidos há mais
de 31 anos, existem momentos específicos em que contar com
orientação jurídica pode evitar erros e prejuízos. Confira cinco deles:
1.
Antes de contratar qualquer serviço
Antes mesmo de escolher um visto,
o primeiro passo é saber quem vai analisar e conduzir o caso.
“O momento mais importante é o
primeiro, antes de qualquer coisa: escolher quem vai cuidar do seu caso. E essa
pessoa precisa ser um advogado licenciado nos Estados Unidos. Não é uma empresa
de consultoria. Não é assessoria de imigração. Não é influenciador que conta a
própria experiência nas redes. Só um advogado licenciado pode analisar o seu
caso, dizer para qual visto você se qualifica ou representar você perante o
governo americano”, afirma Ingrid.
2.
Na escolha da categoria migratória
Escolher um caminho porque ele
está em alta ou porque funcionou para alguém conhecido é um dos riscos
apontados pela especialista.
“O erro que origina todos os
outros é deixar quem vende o serviço escolher o seu caminho. Quem vende plano
de negócios enxerga investimento em todo cliente. Quem vende pacote de NIW
enxerga NIW em todo mundo. Ninguém que ganha por volume vai dizer que o seu
perfil ainda não está pronto. A pergunta certa nunca é qual caminho é mais
rápido, e sim qual caminho você consegue provar”, reforça a advogada.
3.
Antes de protocolar o processo
Levantar o histórico migratório e
conferir se as informações atuais são compatíveis com declarações anteriores
está entre os cuidados fundamentais antes do protocolo.
“Levante seu histórico completo
antes de começar. Todos os vistos já solicitados, inclusive os negados, todas
as entradas e saídas dos Estados Unidos, e qualquer problema anterior com
imigração. Confira também se o que você vai declarar agora bate com o que já
declarou no passado. Currículo, pedidos de visto anteriores e declarações de
imposto precisam contar a mesma história”, orienta Ingrid.
4.
Diante de um pedido de evidências ou de uma negativa
Uma exigência adicional ou uma
negativa pode exigir uma nova análise do caso, principalmente quando o processo
foi iniciado sem que o solicitante tivesse provas suficientes para sustentar
aquela categoria.
“Peticionar antes da hora é um
erro. Negativa não é só dinheiro perdido. Ela fica no seu histórico e atrapalha
tudo que vier depois. Por isso, não basta escolher uma categoria e tentar. É
preciso avaliar antes se o perfil realmente consegue atender ao que a lei
exige”, alerta.
5.
Durante o processo e antes da aprovação
Mudanças de emprego, status ou
circunstâncias pessoais também podem interferir no processo. A recomendação é
não tomar decisões irreversíveis antes de ter segurança sobre o resultado.
“Qualquer mudança de status ou de
emprego durante o processo pode exigir atenção. A orientação também é
importante na entrevista consular ou no USCIS e, mais adiante, na fase final de
remoção de condições e cidadania. E não desmonte sua vida no Brasil antes da aprovação.
Não venda imóvel, não feche empresa, não tire filho da escola contando com um
resultado que ainda não chegou”, ressalta a especialista.
Para Ingrid, o planejamento deve
começar pela análise do perfil e não pela escolha de um pacote ou de uma categoria
que esteja em evidência.
“Escolher pela moda, copiar o
caso do colega ou escolher pelo prazo ou pelo preço pode levar a uma decisão
errada. O caminho migratório precisa ser aquele que você consegue provar”,
conclui.
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