Rotina
profissional, uso de telas, direção noturna e hábitos de leitura passaram a
orientar o planejamento da cirurgia do cristalino
Dados atualizados pela Organização Mundial da Saúde
mostram que bilhões de pessoas convivem com algum grau de comprometimento
visual no mundo. A catarata está entre as principais causas de deficiência
visual, enquanto a presbiopia afeta a capacidade de enxergar de perto de uma
parcela expressiva da população. Paralelamente ao tamanho desse problema, a
cirurgia do cristalino evoluiu e passou a contar com diferentes tecnologias de
lentes intraoculares, desenvolvidas para atender necessidades visuais
distintas.
Para Arthur van den Berg, médico
oftalmologista e cirurgião especializado em cirurgia do cristalino e lentes
intraoculares de alta tecnologia, criador do PROTOCOLO VDB®, com mais de 15
anos de atuação e mais de 20 mil cirurgias realizadas, essa evolução mudou uma
das etapas mais importantes do procedimento: a escolha da lente.
“Hoje conseguimos planejar a cirurgia pensando não
apenas na correção visual, mas também no quanto aquela pessoa deseja ter mais
liberdade no dia a dia. Para isso, precisamos entender como ela usa a visão,
quais distâncias são mais importantes em sua rotina e quais características
seus olhos apresentam. Quem passa horas diante do computador pode ter uma
necessidade diferente de quem dirige muito à noite ou trabalha com atividades
que exigem visão de perto”, afirma.
Na cirurgia do cristalino, a lente natural do olho
é substituída por uma lente intraocular. O procedimento é amplamente utilizado
no tratamento da catarata. Além da catarata, a cirurgia também pode ser
considerada em pacientes com cristalino disfuncional, condição em que o
envelhecimento da lente natural do olho passa a comprometer progressivamente a
qualidade visual, mesmo antes do desenvolvimento de uma catarata mais
significativa. A indicação, nesses casos, depende de avaliação médica
individualizada e das características de cada paciente.
As lentes tóricas, por exemplo, são utilizadas para
corrigir determinados graus de astigmatismo. As trifocais buscam oferecer visão
funcional para longe, para distâncias intermediárias e para perto. Já as lentes
de foco estendido, conhecidas pela sigla EDOF, ampliam a faixa de visão nítida,
com desempenho especialmente voltado às distâncias longa e intermediária.
Essa diferença entre as tecnologias é importante
porque cada lente apresenta características próprias. Estudos científicos
mostram que lentes trifocais e de foco estendido podem oferecer vantagens em
determinadas faixas de visão quando comparadas às lentes monofocais, além de
ampliarem as possibilidades de independência dos óculos em pacientes
adequadamente selecionados.
Ao mesmo tempo, cada tecnologia possui
particularidades. Modelos multifocais podem estar associados a fenômenos
visuais como halos e glare, enquanto lentes EDOF nem sempre oferecem o mesmo
desempenho de uma trifocal em distâncias muito curtas. Por isso, a escolha não
deve ser baseada apenas na tecnologia da lente, mas principalmente no perfil do
paciente e nas características individuais de cada olho.
“Ter mais independência dos óculos pode transformar
atividades muito simples da rotina, como olhar o celular, trabalhar no
computador, praticar um esporte ou dirigir. O objetivo é identificar qual
tecnologia oferece a melhor possibilidade de liberdade visual para aquele
paciente. Nem todos precisam da mesma lente, porque as necessidades, os olhos e
as expectativas também não são iguais”, explica van den Berg.
Esse é também um dos princípios do PROTOCOLO VDB®,
que utiliza exames de alta precisão, cálculos biométricos, análise detalhada
das características individuais dos olhos e informações sobre a rotina e os
objetivos visuais do paciente para construir um planejamento cirúrgico
personalizado.
“A tecnologia nos deu mais possibilidades de buscar
uma visão funcional em diferentes distâncias e oferecer muito mais liberdade no
dia a dia. O papel do planejamento é justamente escolher, entre essas opções,
aquela que mais se aproxima da rotina, das características dos olhos e dos
objetivos visuais de cada pessoa”, ressalta.
A discussão ganha ainda mais relevância com o
envelhecimento da população. A maior parte das pessoas com deficiência visual
ou cegueira está nas faixas etárias mais elevadas, e o crescimento e o
envelhecimento populacional tendem a aumentar a ocorrência de problemas relacionados
à visão.
Nesse contexto, a evolução das lentes intraoculares
amplia as alternativas disponíveis, mas também reforça a necessidade de uma
avaliação individual antes da cirurgia.
“Quando existe indicação e as condições dos olhos são favoráveis, podemos planejar a cirurgia com o objetivo de oferecer muito mais liberdade no dia a dia. Essa possibilidade é uma das grandes evoluções da cirurgia do cristalino, porque hoje conseguimos pensar no resultado visual de forma muito mais personalizada”, conclui van den Berg.
Arthur van den Berg - médico oftalmologista e cirurgião, com atuação dedicada à cirurgia do cristalino e ao implante de lentes intraoculares de alta tecnologia. Criador do PROTOCOLO VDB®, possui mais de 15 anos de atuação e já realizou mais de 20 mil cirurgias. Realizou sua formação em Oftalmologia na Santa Casa de São Paulo e aperfeiçoamento em cirurgia do segmento anterior no Storm Eye Institute, da Medical University of South Carolina, nos Estados Unidos. Possui formação em Surgical Leadership pela Harvard Medical School e é doutorando pela Universidade Federal de São Paulo, a Unifesp, onde desenvolve pesquisa relacionada a lentes intraoculares de alta tecnologia. Também atuou durante seis anos como preceptor cirúrgico na Unifesp, participando da formação e do treinamento de novos cirurgiões, e é autor e coautor de artigos científicos publicados em revistas internacionais. À frente do PROTOCOLO VDB®, reúne exames de alta precisão, tecnologia, experiência cirúrgica e análise do estilo de vida de cada paciente para definir uma estratégia individualizada. Sua atuação é dedicada principalmente à cirurgia de catarata e à troca do cristalino disfuncional, correção da presbiopia e do astigmatismo e implante de lentes intraoculares de alta tecnologia, com foco em planejamento personalizado e máxima liberdade dos óculos.
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