| Crédito: Wynitow Butenas |
Peças pequenas, baterias de botão e ímãs estão
entre os itens que exigem atenção; especialista do Hospital Pequeno Príncipe
orienta famílias na hora de comprar os presentes
Com a proximidade do Dia das Crianças, brinquedos ganham espaço nas listas de compras das famílias. Na hora de escolher o presente, porém, não basta considerar aquilo que vai despertar o interesse dos pequenos. Observar a faixa etária indicada, o tamanho e a resistência das peças e a presença de baterias e ímãs também é fundamental para prevenir acidentes.
A atenção deve ser ainda maior nos primeiros anos de vida, período em que é comum a criança explorar o ambiente levando objetos à boca. Moedas, partes de brinquedos, baterias e bijuterias estão entre os objetos que podem ser ingeridos acidentalmente.
“A
escolha não deve considerar apenas a diversão ou o interesse da criança, mas
também a segurança. Antes de comprar, é importante verificar a faixa etária
indicada, procurar o selo de segurança do Inmetro e observar se existem peças
pequenas, baterias de botão, ímãs ou partes que possam se soltar”, orienta o
gastroenterologista pediátrico Mário Vieira, do Hospital Pequeno Príncipe.
Faixa etária também é questão de segurança
A indicação de idade presente na embalagem não está relacionada somente à capacidade da criança de compreender ou brincar com determinado produto. Ela também considera características que podem representar riscos em cada etapa do desenvolvimento.
“A faixa etária deve ser encarada como uma medida de segurança e não apenas como uma recomendação. Ela considera o desenvolvimento da criança e, principalmente, riscos como peças pequenas que podem ser engolidas ou aspiradas, cordões, ímãs e baterias”, explica Vieira.
Por isso, mesmo que uma criança consiga utilizar um brinquedo destinado a uma idade superior à sua, isso não significa que o produto seja seguro para ela. Para os menores de 3 anos, o cuidado com componentes pequenos deve ser redobrado.
Além
dos brinquedos, objetos comuns da casa também podem representar perigo. Moedas,
tampas, bolinhas, joias e bijuterias, parafusos, pequenas ferramentas e
componentes de aparelhos eletrônicos devem permanecer fora do alcance das
crianças pequenas.
Baterias de botão exigem atendimento imediato
Pequenas e presentes em diversos produtos eletrônicos e brinquedos, as baterias de botão merecem atenção especial. Quando ingeridas e alojadas no esôfago, especialmente as de lítio, podem provocar lesões graves em pouco tempo.
“Quando uma bateria fica presa no esôfago, pode produzir uma reação elétrica e química que causa uma queimadura profunda da parede do órgão. Lesões graves podem ocorrer em menos de duas horas, mesmo que a criança inicialmente pareça bem. Por isso, a suspeita de ingestão de uma bateria de botão é uma emergência”, alerta o especialista.
Nesse
caso, a orientação é procurar imediatamente um serviço de saúde, sem aguardar o
surgimento de sintomas. Se a ingestão tiver ocorrido há menos de 12 horas, a
criança tiver mais de 1 ano e conseguir engolir normalmente, o médico ensina
que pode ser oferecido mel durante o deslocamento ao atendimento: 10ml, ou duas
colheres de chá, a cada dez minutos, por até seis doses. A medida pode ajudar a
retardar a lesão, mas não substitui nem deve atrasar a ida ao hospital.
Atenção também aos ímãs
Os pequenos ímãs presentes em brinquedos e outros objetos domésticos representam outro risco importante. A ingestão de dois ou mais pode fazer com que eles se atraiam mesmo estando em diferentes segmentos do intestino.
“Os
ímãs podem comprimir o tecido entre eles e provocar necrose, perfuração e até
uma infecção abdominal grave. O problema é que a criança pode inicialmente não
apresentar sintomas importantes”, informa Vieira. Por isso, diante da suspeita
de ingestão de ímãs, é necessário procurar avaliação médica rapidamente.
Quando buscar atendimento?
Dificuldade para respirar ou engolir, salivação excessiva, engasgos persistentes, tosse, dor no peito ou no abdômen, vômitos repetidos, sangue no vômito ou nas fezes, recusa alimentar e mudanças repentinas no comportamento são sinais de alerta.
No caso de suspeita de ingestão de bateria de botão ou de múltiplos ímãs, entretanto, a recomendação é procurar atendimento imediatamente, mesmo que a criança esteja aparentemente bem.
Para
o especialista, uma regra simples pode ajudar as famílias tanto na compra
quanto na organização dos brinquedos em casa: “Se uma peça pequena cabe na boca
de uma criança pequena, ela não deve estar ao alcance dela. Alguns segundos de
atenção na hora da compra podem evitar um acidente grave”, ressalta Mário
Vieira.
Seis cuidados na hora de escolher o presente
- Confira a faixa etária: ela
também leva em consideração os riscos associados ao brinquedo.
- Procure o selo do Inmetro:
verifique se o produto atende aos requisitos de segurança.
- Observe as peças pequenas: principalmente
quando o presente for destinado a crianças menores de 3 anos.
- Cheque o compartimento de baterias: ele
deve impedir que a criança tenha acesso fácil às baterias, especialmente
às de botão.
- Tenha atenção aos ímãs:
peças magnéticas pequenas não devem ficar acessíveis a crianças pequenas.
- Avalie a resistência do brinquedo:
observe se há componentes que possam desprender-se durante a brincadeira.
Mais
do que escolher um brinquedo adequado no momento da compra, a prevenção
continua em casa. É importante verificar periodicamente as condições dos
brinquedos, descartar aqueles que estiverem quebrados ou com peças soltas e
evitar que brinquedos destinados às crianças maiores fiquem ao alcance dos
irmãos menores.
Nenhum comentário:
Postar um comentário