Eflúvio telógeno costuma provocar perda difusa e pode melhorar após a correção do fator desencadeante, enquanto a alopecia androgenética causa afinamento progressivo; especialista explica como diferenciar os quadros.
Encontrar muitos fios no banho, na
escova, no travesseiro ou nas roupas costuma despertar o medo de calvície. A
queda intensa, entretanto, pode estar relacionada ao eflúvio telógeno, uma
alteração no ciclo capilar que se diferencia da alopecia androgenética tanto
pelas causas quanto pela evolução e pelo tratamento.
No eflúvio telógeno, uma quantidade
maior de fios entra precocemente na fase de repouso e queda. A perda costuma
acontecer de maneira difusa, com diminuição do volume em diferentes áreas do
couro cabeludo. Como o folículo geralmente permanece preservado, existe
possibilidade de recuperação quando o fator desencadeante é identificado e
controlado.
Já a alopecia androgenética,
popularmente chamada de calvície, é uma condição progressiva relacionada à
predisposição genética e à sensibilidade dos folículos aos hormônios
andrógenos. “Na calvície, os fios passam por um processo de miniaturização e
nascem cada vez mais finos, curtos e frágeis. No eflúvio, o que chama a atenção
é o aumento mais súbito da quantidade de cabelos que caem”, explica a
tricologista Jordânia Nunes.
Infecções, febre, cirurgias,
internações, pós-parto, alterações hormonais ou da tireoide, dietas
restritivas, deficiências nutricionais, determinados medicamentos e perda
rápida de peso estão entre os possíveis gatilhos do eflúvio. A queda pode
aparecer somente dois ou três meses depois do acontecimento, o que dificulta a
associação feita pelo paciente.
Os dois quadros também podem coexistir.
Um eflúvio pode reduzir rapidamente o volume e tornar mais evidente uma
alopecia androgenética que já estava em evolução. Por isso, contar os fios
perdidos ou observar fotografias na internet não é suficiente para estabelecer
o diagnóstico.
“A avaliação considera quando a queda
começou, doenças recentes, alimentação, emagrecimento, medicamentos e histórico
familiar. A tricoscopia permite observar a densidade, o calibre dos fios e
possíveis sinais de miniaturização. Dependendo do caso, exames laboratoriais
também podem ser necessários”, afirma Jordânia.
Shampoos, tônicos, suplementos e outros
produtos capilares não devem ser utilizados como soluções universais. No acompanhamento
realizado pela especialista, a seleção de cosméticos e terapias complementares
considera o diagnóstico, as características do couro cabeludo e as necessidades
individuais. Quando existem deficiências ou doenças associadas, elas também
precisam ser conduzidas por profissionais habilitados.
“Antes de tentar simplesmente
interromper a queda, precisamos entender o que fez aquele cabelo cair. Procurar
ajuda diante de perda intensa ou persistente, falhas localizadas, afinamento,
coceira, dor, descamação ou inflamação aumenta as possibilidades de escolher
uma conduta adequada e preservar os fios”, conclui Jordânia.
Fonte: Jordânia Nunes — tricologista há seis anos,
formada em Estética e Cosmetologia, pós-graduada em Tricologia e formada em
Biomedicina.
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