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segunda-feira, 1 de junho de 2026

Anos ouvindo que era “falta de disciplina”: o impacto psicológico do lipedema sem diagnóstico

Especialista alerta para o desgaste emocional vivido por mulheres que passam anos tratando o problema errado antes de descobrir doença crônica ainda pouco reconhecida no Brasil

 

Mulheres que passam anos ouvindo que precisam apenas emagrecer, ter mais disciplina ou “se esforçar mais” para lidar com dores, inchaços e alterações corporais. Segundo o Dr. Fábio Kamamoto, diretor do Instituto Lipedema Brasil, esse é um dos impactos mais invisíveis — e menos discutidos — do lipedema no Brasil hoje. 

Embora estimativas indiquem que cerca de 10 milhões de brasileiras convivam com a doença, o lipedema ainda é frequentemente confundido com obesidade, retenção de líquido e problemas vasculares, fazendo com que muitas pacientes percorram uma longa trajetória de tratamentos sem resultado antes do diagnóstico correto. 

“O que vemos no consultório não é apenas o impacto físico da doença, mas um desgaste emocional muito profundo. Muitas mulheres chegam acreditando que falharam durante anos, porque fizeram dietas, tratamentos, exercícios e ainda assim não tiveram a resposta esperada”, afirma o médico. 

Na prática clínica, Kamamoto relata que é comum receber pacientes que passaram por inúmeros especialistas, dietas extremamente restritivas, tratamentos vasculares recorrentes e até cirurgias sem melhora significativa dos sintomas. Em alguns casos, o atraso no diagnóstico acaba impactando diretamente a relação dessas mulheres com alimentação, autoestima e imagem corporal. 

“Muitas desenvolveram uma relação de culpa constante com o próprio corpo. Existe uma sensação recorrente de que o problema era falta de esforço ou disciplina, quando na verdade havia uma doença que nunca foi identificada corretamente”, explica.

 

Caso real - A administradora paulistana Leila Alves de Oliveira Lima, de 38 anos, viveu esse processo durante quase uma década. Beneficiada pelo programa social da ONG Movimento Lipedema, organização vinculada ao Instituto Lipedema Brasil, antes de descobrir o lipedema, passou por nutricionistas, endocrinologistas, medicações e chegou a realizar cirurgia bariátrica na tentativa de controlar sintomas que persistiam. “Eu seguia tudo o que me orientavam, mas nada resolvia completamente. Existia uma sensação constante de frustração”, relembra. 

Segundo especialistas, o crescimento das discussões sobre lipedema também tem ampliado debates sobre saúde feminina, cultura da dieta e doenças historicamente subdiagnosticadas em mulheres. Hoje, o Brasil ainda não possui protocolos amplamente consolidados para diagnóstico e tratamento do lipedema no sistema público de saúde, o que contribui para o atraso no reconhecimento da doença e amplia os impactos físicos, emocionais e financeiros dessa jornada.

  

Fontes

Dr. Fábio Kamamoto - cirurgião plástico e diretor do Instituto Lipedema Brasil

Leila Alves de Oliveira Lima - paciente diagnosticada após anos de tratamentos equivocados



Doença ocular ainda é pouco conhecida entre os jovens

Crédito: Isabelle Venceslau Um hábito bastante comum no ceracotone
 está diretamente associado ao agravamento do quadro: coçar os olhos
 oftalmologista Dr. Rodrigo Carvalho com paciente

Ceratocone pode comprometer a visão e costuma ser confundido com simples aumento de grau
 

Criada para conscientizar a população sobre o ceratocone e a importância do diagnóstico precoce, a campanha Junho Violeta vem ganhando espaço nos últimos anos entre entidades médicas e profissionais da oftalmologia. A iniciativa busca ampliar o conhecimento sobre a doença, que ainda é pouco conhecida pela população, apesar de atingir principalmente adolescentes e adultos jovens. O movimento também chama atenção para hábitos que podem agravar o quadro, como coçar os olhos com frequência. 

Alterações constantes no grau dos óculos, visão borrada e dificuldade para enxergar à noite podem ser sinais de ceratocone, doença ocular que afeta a córnea — estrutura transparente localizada na parte da frente do olho. Apesar de relativamente comum, a condição ainda costuma gerar dúvidas e, muitas vezes, demora para ser identificada. 

“O ceratocone é uma doença da córnea em que ela vai ficando mais fina e assumindo um formato irregular, parecido com um cone. Isso provoca distorção da visão e dificuldade para enxergar com qualidade”, explica o oftalmologista Dr. Rodrigo Carvalho. 

Segundo o especialista, um dos desafios é que os sintomas iniciais frequentemente são confundidos apenas com aumento do grau. “Muitos pacientes passam anos trocando os óculos sem imaginar que existe uma doença por trás dessa piora visual”, afirma. 

Entre os principais sinais de alerta estão visão embaçada, sensibilidade à luz, imagens duplicadas, dificuldade para dirigir à noite e mudanças frequentes na prescrição dos óculos. Em alguns casos, mesmo com correção, a visão continua insatisfatória. 


Crianças e adolescentes

O médico destaca que crianças e adolescentes também podem desenvolver a doença — e justamente nessa faixa etária ela tende a evoluir mais rapidamente. “Quanto mais jovem o paciente, maior costuma ser o risco de progressão. Por isso, o diagnóstico precoce faz toda a diferença”, enfatiza. 

Além da predisposição genética, um hábito bastante comum está diretamente associado ao agravamento do quadro: coçar os olhos. “Hoje sabemos que o atrito repetitivo pode enfraquecer ainda mais a córnea e acelerar a evolução do ceratocone, principalmente em pessoas predispostas”, explica Dr. Rodrigo. Casos de rinite, alergias respiratórias e alergia ocular também merecem atenção, já que aumentam a coceira e, consequentemente, o atrito na região dos olhos. 

O diagnóstico é feito por meio de avaliação oftalmológica e exames específicos da córnea. Tecnologias mais modernas permitem identificar alterações precoces, antes mesmo de sintomas mais intensos aparecerem. “Com exames como a tomografia de córnea, conseguimos detectar sinais iniciais e acompanhar a progressão com muito mais precisão”, afirma. 

Atualmente, os tratamentos disponíveis permitem controlar a progressão da doença e preservar a qualidade visual na maioria dos casos. Dependendo do estágio, podem ser indicados óculos, lentes especiais, anéis intracorneanos e o crosslinking — procedimento que fortalece a córnea e ajuda a impedir a evolução do quadro.

“O principal objetivo do crosslinking é estabilizar a doença. Hoje, graças ao diagnóstico precoce e aos tratamentos modernos, conseguimos reduzir bastante a necessidade de transplante de córnea”, destaca o oftalmologista.  


Rodrigo T. de Campos Carvalho (CRM-SP107.838, RQE 37070) - médico formado pela Faculdade de Medicina de Botucatu da Unesp, com residência em Oftalmologia pela Unicamp. Possui título de especialista pelo CNRM/MEC e pela Associação Médica Brasileira/Conselho Brasileiro de Oftalmologia, além de especialização em cirurgia refrativa pela USP. Atua há mais de duas décadas na área, com experiência clínica e cirúrgica, e é proprietário da Alpha Oftalmologia Avançada, em Campinas. Também desenvolve doutorado na área de cirurgia refrativa pela USP.


Alpha Oftalmologia
@dr_rodrigotccarvalho site


Dia Mundial do Leite: mitos e verdades mostram por que alimento milenar segue atual nas rotinas de bem-estar

  

Celebrado em 1º de junho, bebida naturalmente rica em nutrientes conecta tradição, praticidade e as novas buscas por equilíbrio alimentar 

 

Presente na alimentação há milhares de anos, o leite segue atual e cada vez mais conectado às conversas sobre equilíbrio, praticidade e bem-estar. Em um cenário em que consumidores buscam alimentos mais naturais, nutritivos e versáteis, especialistas reforçam que o leite continua relevante justamente por reunir tradição, valor nutricional e facilidade de consumo no dia a dia.

Celebrado em 1º de junho, o Dia Mundial do Leite chama atenção para a importância nutricional e cultural do alimento, presente em diferentes momentos da rotina, do café da manhã aos lanches rápidos e receitas.

“Hoje, as pessoas procuram entender melhor o que consomem e priorizam alimentos simples e nutritivos. O leite já ocupa esse espaço há muito tempo, por ser naturalmente rico em nutrientes e fácil de incorporar à rotina. Além de proteínas de alto valor biológico, o leite é a principal fonte alimentar de cálcio, além de fornecer vitaminas e demais minerais, importantes para diferentes perfis alimentares.”, explica a nutricionista Drª Sueli Longo, mestre pela Universidade Metodista de São Paulo, especialista em Nutrição em Cardiologia e em Nutrição em Esporte e Exercício Físico.

Especialistas também alertam para a circulação de mitos sobre o alimento, reforçando a importância de informações baseadas em evidências para escolhas mais conscientes.


Mitos e verdades sobre o leite

Leite longa vida tem conservantes


MITO.

Apesar de muitas pessoas acreditarem que o leite longa vida precisa de conservantes para durar mais tempo, sua conservação acontece graças ao processo térmico UHT (Ultra High Temperature), em que o alimento é aquecido rapidamente a altas temperaturas e depois é resfriado e embalado de forma asséptica em embalagens cartonadas com 6 camadas de proteção, que protegem o alimento da luz, da umidade e do oxigênio.

“O uso de conservantes em qualquer tipo de leite é proibido por lei no Brasil. O que garante sua durabilidade é a tecnologia do processo produtivo, tornando o alimento seguro, prático e com maior durabilidade, mantendo os nutrientes naturalmente presentes no leite”, explica a Drª Sueli.


O leite é uma fonte importante de proteínas

VERDADE.

O leite possui proteínas de alto valor biológico, além de nutrientes como cálcio, vitaminas e demais minerais, importantes para diferentes fases da vida.

“As proteínas presentes no leite, entre outras inúmeras funções, ajudam na manutenção e construção muscular, além de contribuírem para a sensação de saciedade. Outro ponto importante é a alta densidade nutricional do alimento, já que ele oferece proteínas e diferentes nutrientes essenciais em uma mesma porção. Isso se torna especialmente relevante no contexto atual, inclusive para pessoas em processo de emagrecimento ou em uso de análogos de GLP-1, que muitas vezes não conseguem consumir grandes volumes e precisam priorizar alimentos com baixo valor calórico e ricos em nutrientes”, afirma a especialista.


Adultos não podem consumir leite

MITO.

O consumo de leite não é restrito à infância. Adultos também podem inclui-lo em uma alimentação equilibrada, sempre considerando suas necessidades e tolerâncias individuais.

“Existe um mito de que o leite deixa de fazer sentido depois da infância, mas ele pode integrar um estilo de vida equilibrado e saudável nessa fase da vida, oferecendo nutrientes importantes e compostos bioativos que podem contribuir para a saúde óssea e muscular, além de poder auxiliar no controle de doenças metabólicas, e no controle do peso, como já comentado anteriormente.”, comenta a Dr Sueli Longo.


Leite de caixinha é um alimento ultraprocessado

MITO.

Segundo o Guia Alimentar para a População Brasileira, o leite longa vida é um alimento minimamente processado, fazendo parte do grupo de alimentos que devem ser priorizados na alimentação diária.

“O fato de um alimento passar por processos industriais ou estar pronto para o consumo não significa, automaticamente, que ele seja ultraprocessado. Atualmente, existem alimentos que passam por processos tecnológicos justamente para garantir segurança, qualidade e praticidade, sem perder seu valor nutricional. É o caso do leite, que continua sendo um alimento de origem natural, fonte importante de nutrientes e que pode fazer parte de uma alimentação equilibrada.” explica a nutricionista.


Leite combina apenas com café da manhã

MITO.

Versátil, o alimento pode ser consumido em diferentes horários e integrado a diversas preparações ao longo do dia.

“O leite faz parte do no café da manhã, com o clássico café com leite, mas também nos lanches intermediários e até mesmo nas refeições principais, como ingrediente de vitaminas, mingau, panquecas, tortas, molhos, entre outras receitas. Além disso, pode ser consumido puro, uma tendência que vem sendo observada nos últimos anos. Essa versatilidade do leite ajuda muito na rotina”, destaca.


O leite pode contribuir para refeições práticas e equilibradas

VERDADE.

Por sua praticidade e perfil nutricional, o leite pode ajudar a compor refeições rápidas e equilibradas no cotidiano.

“Hoje vemos consumidores buscando soluções mais simples e nutritivas para o dia a dia. O leite conversa com essa tendência justamente por ser um alimento acessível, versátil e naturalmente nutritivo”, afirma a especialista.


O leite faz parte de hábitos alimentares tradicionais há milhares de anos

VERDADE.

O leite acompanha a alimentação humana há milênios e permanece presente em diferentes culturas e gerações.

“O mais interessante é perceber como um alimento tão tradicional continua atual. O leite atravessa gerações porque consegue unir tradição, nutrição e praticidade de forma muito natural”, conclui a Drª Sueli Longo.

 

Tecnologia e diagnóstico precoce fortalecem a importância do Teste do Pezinho no país


Exame realizado nos primeiros dias de vida permite identificar doenças raras e silenciosas antes do surgimento dos sintomas, aumentando as chances de tratamento e qualidade de vida das crianças

 

O Teste do Pezinho é um dos exames mais importantes realizados nos primeiros dias de vida do bebê. Feito a partir da coleta de gotas de sangue do calcanhar do recém-nascido, o procedimento possibilita a identificação precoce de doenças graves, muitas vezes silenciosas, antes mesmo do aparecimento dos sintomas. A recomendação é que o exame seja realizado entre o terceiro e o quinto dia de vida da criança. 

Realizado de forma rápida, simples e segura, o Teste do Pezinho consiste na coleta de pequenas gotas de sangue do calcanhar do bebê, armazenadas em papel-filtro para análise laboratorial. O exame é capaz de identificar doenças que, na maioria das vezes, não apresentam sintomas logo após o nascimento, mas que podem comprometer o desenvolvimento físico e neurológico da criança se não forem tratadas precocemente. Por isso, especialistas reforçam que o exame deve ser realizado dentro do período recomendado para garantir maior eficácia no rastreamento. 

Além de ser obrigatório e oferecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o Teste do Pezinho representa um importante avanço na prevenção e promoção da saúde infantil no Brasil. Com a ampliação gradual do Programa Nacional de Triagem Neonatal, novas doenças vêm sendo incorporadas ao exame, aumentando as possibilidades de diagnóstico precoce e tratamento adequado. A iniciativa contribui diretamente para a redução da mortalidade infantil e para a melhoria da qualidade de vida de milhares de crianças e famílias em todo o país. 

Entre as condições detectadas estão doenças infecciosas, genéticas, metabólicas e imunológicas que, quando diagnosticadas precocemente, podem ter complicações reduzidas ou até evitadas. 

A Bioclin atua no desenvolvimento de soluções voltadas para a triagem neonatal, oferecendo um portfólio de reagentes e equipamentos para análise de amostras de sangue seco em papel-filtro. Atualmente, a empresa disponibiliza soluções para diagnóstico de doenças como toxoplasmose congênita, hipotireoidismo congênito, imunodeficiência combinada grave (SCID) e atrofia muscular espinhal (AME), além de exames relacionados a HIV, sífilis, hepatites B e C, HTLV, rubéola, citomegalovírus e doença de Chagas. 

Os testes de toxoplasmose congênita e TSH, utilizado para detecção do hipotireoidismo congênito, estão entre os mais demandados atualmente por integrarem o PNTN e já possuírem ampla cobertura em todo o país. Já exames voltados para SCID e AME vêm sendo incorporados gradualmente ao sistema público de saúde conforme a expansão do programa nacional. 

Além dos reagentes, a Bioclin também oferece equipamentos e soluções de automação laboratorial que auxiliam em todas as etapas do processo, desde a coleta até a liberação dos resultados. O objetivo é tornar os diagnósticos mais rápidos, seguros e precisos, reduzindo falhas operacionais e permitindo encaminhamento ágil para confirmação diagnóstica e início do tratamento. 

Segundo a especialista de produto da Bioclin, Iracema Carvalho, o diagnóstico precoce pode mudar completamente o futuro da criança. “O Teste do Pezinho é uma ferramenta essencial de saúde pública, porque permite identificar doenças graves ainda nos primeiros dias de vida, muitas vezes antes de qualquer sintoma aparecer. Quando o diagnóstico acontece precocemente, aumentam significativamente as chances de tratamento adequado, prevenção de sequelas e melhora na qualidade de vida dos recém-nascidos”, afirma. 

A especialista destaca ainda que o avanço tecnológico tem sido fundamental para ampliar o alcance da triagem neonatal no Brasil. “A Bioclin busca desenvolver soluções alinhadas às necessidades do país, contribuindo para análises cada vez mais rápidas, precisas e confiáveis. Isso fortalece o trabalho dos serviços de saúde e ajuda a garantir mais segurança para os bebês e suas famílias”, completa. 

Acompanhando a expansão do Teste do Pezinho no Brasil, a empresa lançou, em 2025, um kit para diagnóstico de SCID e AME por PCR em tempo real. Além disso, trabalha no desenvolvimento de novos testes voltados ao rastreio de doenças lisossomais, previstos para serem lançados ainda em 2026. 

Além da atuação no desenvolvimento tecnológico, a Bioclin também participa de congressos, fóruns técnicos e eventos científicos voltados à triagem neonatal, contribuindo para a disseminação de conhecimento e conscientização sobre a importância do diagnóstico precoce como estratégia fundamental para a saúde pública brasileira.

 

Os aromas para aliviar desconfortos respiratórios no inverno


Nariz congestionado, sensação de peso no peito, irritação na garganta e dificuldade para respirar confortavelmente estão entre as principais queixas nesta época do ano, mas segundo a neurocientista e aromaterapeuta Daiana Petry, alguns óleos essenciais são tradicionalmente utilizados para auxiliar na sensação de respiração mais livre e no alívio do desconforto causado pelos sintomas respiratórios leves.
 

Cedro atlas e olíbano para tosse

O cedro atlas possui aroma amadeirado, acolhedor e reconfortante, tradicionalmente associado ao relaxamento e ao suporte respiratório. Já o olíbano, conhecido há milhares de anos por seu uso em práticas tradicionais, vem despertando interesse científico por compostos relacionados à modulação inflamatória e à promoção da sensação de respiração mais profunda e tranquila.

“A sugestão é utilizar uma gota de cada óleo em aromatizador pessoal, difusor ambiental ou em um pedaço de papel para inalação suave ao longo do dia ou antes de dormir”, ensina Daiana.
 

Limão e tea tree para gripe e resfriado

Rico em limoneno, o óleo essencial de limão vem sendo estudado por suas propriedades anti-inflamatórias e imunomoduladoras, além de proporcionar sensação de frescor e leveza. Já o tea tree está entre os óleos mais investigados pela ciência devido ao seu potencial antimicrobiano observado em pesquisas laboratoriais.

Segundo Daiana, a combinação costuma ser utilizada para promover sensação de ambiente mais fresco, conforto respiratório e bem-estar durante quadros leves de gripes e resfriados. “A recomendação é utilizar uma gota de cada óleo em difusor ambiental, aromatizador pessoal ou em um pedaço de papel para inalação por alguns minutos”, diz.
 

Erva-baleeira para rinite

A planta possui compostos como beta-cariofileno e alfa-humuleno, substâncias estudadas por sua atuação em vias relacionadas aos processos inflamatórios.

Na aromaterapia, o óleo essencial de erva-baleeira costuma ser utilizado em situações de desconforto respiratório associado à rinite, especialmente quando combinado com aromas cítricos.

“Uma sugestão é associar uma gota de óleo essencial de erva-baleeira com uma gota de óleo essencial de limão em aromatizador pessoal, difusor ambiental ou em um pedaço de papel para inalação durante alguns minutos”, ensina a aromaterapeuta.

A especialista avisa que os óleos essenciais podem ser excelentes aliados para promover conforto e qualidade de vida, mas sempre como complemento. “Quando os sintomas são intensos ou persistentes, a avaliação médica é indispensável para garantir o diagnóstico correto e o tratamento adequado”, finaliza Daiana Petry. 



Daiana Petry - Aromaterapeuta, perfumista botânica, naturóloga e especialista em neurociência. Professora dos cursos de formação em aromaterapia, perfumaria botânica e psicoaromaterapia. Autora dos livros: Psicoaromaterapia, Cosméticos sólidos e Maquiagem ecoessencial. 
Fundadora da Harmonie Aromaterapia.
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@daianagpetry




Festas juninas: descuidos com fogueiras e fogos podem causar queimaduras graves nas mãos

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Sociedade Brasileira de Cirurgia da Mão (SBCM) chama atenção para os riscos do manuseio inadequado durante os festejos

 

Com a chegada das festas juninas, fogueiras, fogos de artifício e brincadeiras típicas passam a fazer parte das comemorações em todo o país. Mas, junto com o clima de celebração, aumenta também o número de acidentes envolvendo queimaduras e lesões nas mãos, principalmente durante o manuseio inadequado de fogos ou ao acender fogueiras. 

No ano passado, uma criança de três anos sofreu queimaduras de segundo grau após cair em uma fogueira durante uma atividade em uma escola municipal de Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul. 

Em outro caso, também em 2025, em Cruz das Almas, no Recôncavo da Bahia, uma mulher de 21 anos ficou gravemente ferida após ter o rosto atingido por uma espada junina. 

O presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia da Mão (SBCM), Dr. Roberto Luiz Sobania, lembra que muitas ocorrências acontecem por descuido, excesso de confiança no manuseio e, quando envolvem crianças, por falta de supervisão durante as comemorações. 

"A orientação é que as fogueiras sejam montadas em locais abertos, afastadas de áreas com grande circulação de pessoas, fios elétricos, árvores, veículos ou materiais inflamáveis. Também é importante evitar o uso de líquidos combustíveis para acender o fogo", pontua. “Outro ponto importante é respeitar uma distância segura da fogueira, principalmente durante brincadeiras e apresentações típicas. Muitas queimaduras acontecem por aproximação excessiva, tropeços ou perda de equilíbrio, especialmente entre crianças”, acrescenta o especialista. 

Já os fogos de artifício devem ser manuseados com muito cuidado e nunca próximos ao rosto ou ao corpo. "Também é fundamental manter distância segura após o acionamento, utilizar apenas produtos certificados e jamais tentar reacender fogos que falharam”, explica o médico. 

Quando os acidentes acontecem, os danos podem ser severos. As mãos estão entre as partes do corpo mais atingidas durante explosões e queimaduras provocadas por fogos de artifício. Dependendo da gravidade, as lesões podem comprometer pele, músculos, tendões, nervos e até os ossos. 

“Em alguns casos, o paciente precisa passar por cirurgias reconstrutivas, enxertos e um longo processo de reabilitação. Existem situações em que as sequelas são permanentes, comprometendo movimentos e atividades simples do dia a dia, como escrever, segurar objetos ou trabalhar”, destaca o médico. 

O presidente da SBCM destaca que muitas das lesões atendidas nesse período poderiam ser evitadas com mais conscientização sobre os riscos envolvidos nas brincadeiras juninas. 

"Muitas vezes, por fazerem parte das tradições juninas, fogos de artifício e fogueiras acabam sendo tratados sem a devida percepção de risco, mas estamos falando de situações que podem comprometer definitivamente a mobilidade das mãos e a qualidade de vida das pessoas. Por isso, é fundamental que a diversão venha acompanhada de cuidado e responsabilidade”, conclui.  



SBCM - Sociedade Brasileira de Cirurgia de Mão
www.cirurgiadamao.org.br

 

3 de junho: Dia da Conscientização Contra a Obesidade Mórbida Infantil

Segundo o Atlas Mundial da Obesidade 2026, 38,4% das crianças e adolescentes brasileiros estão acima do peso, quase o dobro da média global (20,7%). O excesso de peso já está associado a problemas graves de saúde, como hipertensão, alterações glicêmicas, triglicerídeos elevados e gordura no fígado. O cirurgião do aparelho digestivo Dr. Rodrigo Barbosa alerta os pais sobre como diferenciar o sobrepeso que representa apenas uma questão estética daquele que já pode estar colocando a saúde da criança em risco.

 

O médico conta que é possível sim ser um gordinho saudável. Esse paciente é aquele que apresenta excesso de peso, mas possui massa muscular melhor e a gordura está localizada em membros específicos como quadril, pernas e braços. Já a obesidade patológica se apresenta basicamente em excesso de gordura visceral centralizada na região do tronco e todos os membros são mais finos.

Para ficar mais fácil entender, Dr. Rodrigo avisa que peso não é direção de tratamento e nem de identificação da obesidade. “A análise médica passa longe daquilo que marca na balança. Através da análise da constituição corporal e da circunferência abdominal é que é possível determinar a obesidade e o grau que ela se encontra, para então direcionar o tratamento”, fala o médico que alerta “quanto maior a presença de gordura visceral, maiores as chances de a obesidade desencadear doenças como o câncer, diabetes, doença arteriais, doenças cardíacas e até depressão”.

A boa notícia é que para ambos os casos há tratamento eficaz. 

O paciente metabólico é tratado de trás para a frente, ou seja, é preciso iniciar identificando os fatores e doenças que levam a esse tipo de obesidade. Já o sobrepeso e a obesidade estética são mais simples de serem ajustados através de bons hábitos alimentares e trocas saudáveis que devem ser adquiridas ainda na primeira infância. “Esses precisam apenas melhorar a aparência e consequentemente acabam ganhando mais saúde, enquanto os obesos patológicos precisam recuperar a saúde – essa é a principal diferença”, finaliza Dr. Rodrigo.

 

Dr Rodrigo Barbosa - cirurgião digestivo sub-especializado em cirurgia bariátrica e coloproctologia do corpo clínico dos hospitais Sírio Libanês e Nove de Julho. CEO do Instituto Medicina em Foco


CRCSP apoia as campanhas Junho Vermelho e Junho Laranja e convoca a classe contábil a abraçar a causa

Entidade adere às iniciativas de conscientização sobre doação de sangue e medula óssea e sobre a importância do diagnóstico precoce de anemia e leucemia

 

O Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São Paulo (CRCSP) manifesta seu apoio, neste mês, às campanhas Junho Vermelho e Junho Laranja. O Junho Vermelho mobiliza a sociedade em prol da doação de sangue, enquanto o Junho Laranja volta as atenções para a conscientização sobre anemia e leucemia, doenças que dependem diretamente do engajamento de doadores de sangue e de medula óssea. A adesão reforça o compromisso do CRCSP com causas sociais e convoca a classe contábil a transformar solidariedade em ação. 

Segundo dados do Ministério da Saúde, em 2024 foram coletadas 3.310.025 bolsas de sangue no Brasil, representando 1,6% da população realizando doações no período. No estado de São Paulo, foram 789.939 bolsas no mesmo ano, crescimento de 9,5% em relação a 2023. Os números evidenciam avanços, mas a demanda dos hospitais públicos e privados segue elevada, especialmente no inverno, quando os estoques dos hemocentros costumam cair. 

Embora o índice de coleta esteja dentro dos parâmetros estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o Ministério da Saúde mantém campanhas anuais para ampliar o número de doadores e manter os estoques em níveis seguros. Uma única doação pode salvar até quatro vidas, já que o sangue coletado é separado em diferentes componentes: concentrado de hemácias, plasma e plaquetas, cada um com finalidade terapêutica específica. 

O Junho Laranja traz ainda uma pauta urgente: o combate à leucemia. De acordo com a Estimativa 2026 do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o Brasil deve registrar 12.220 novos casos da doença neste ano, número 21% superior ao projetado uma década atrás. A leucemia é uma doença maligna dos glóbulos brancos, com origem na medula óssea, e figura entre os tipos de câncer mais comuns no mundo. Em muitos casos, a doação de medula óssea é o único recurso de tratamento disponível, já que permite a substituição de células doentes por células saudáveis. 

O cadastro como doador de medula óssea é feito com o preenchimento de dados pessoais e a análise laboratorial de uma amostra de sangue, cujas características genéticas são incluídas no Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome) e cruzadas com os dados dos pacientes que aguardam transplante. O procedimento é simples e pode ser realizado em hemocentros de todo o país. 

Diante desse cenário, o CRCSP, autarquia responsável por registrar, fiscalizar e orientar os profissionais da contabilidade no estado de São Paulo, reforça a importância de cada profissional como agente de transformação social. A entidade acredita que a força de uma classe com mais de 152 mil registrados pode mobilizar famílias, empresas e comunidades em torno de causas que salvam vidas.

 

Sua dor no ombro pode ser um sinal de diabetes?

Pessoas com diabetes têm maior risco de desenvolver capsulite adesiva, conhecida como “ombro congelado”; Sociedade Brasileira de Cirurgia do Ombro e Cotovelo explica condição

 

Conviver com diabetes exige atenção constante à saúde, e nem todos sabem que a doença também pode afetar diretamente os movimentos do corpo. Pessoas com essa condição têm de duas a cinco vezes mais chances de desenvolver a capsulite adesiva, conhecida como síndrome do ombro congelado, que provoca dor, rigidez e dificuldade para realizar tarefas simples do dia a dia, como levantar o braço ou vestir uma camiseta.

A questão ganha destaque neste mês, marcado pelo Dia Nacional do Diabetes (26 de junho), data voltada à conscientização sobre os impactos e complicações associados à doença. A relação entre a diabetes e a síndrome do ombro congelado está ligada às alterações provocadas pelo excesso de glicose no organismo, que pode comprometer estruturas como tendões, ligamentos e a cápsula da articulação do ombro. “Com o passar do tempo, esse processo favorece o enrijecimento da região, causando dor e limitação progressiva dos movimentos”, explica o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia do Ombro e Cotovelo, Dr. Eduardo Malavolta.

Os sintomas da capsulite adesiva costumam surgir de forma gradual e podem piorar com o passar do tempo. Além da dor intensa, principalmente durante a noite, muitos pacientes apresentam dificuldade para realizar movimentos simples, como alcançar objetos em prateleiras, prender o sutiã, pentear o cabelo ou até dirigir. Em alguns casos, a limitação do ombro pode comprometer a rotina e afetar a qualidade de vida.

O diagnóstico precoce é essencial para evitar a progressão da doença e reduzir as limitações nos movimentos do ombro. O tratamento pode incluir fisioterapia, uso de medicamentos para controle da dor e inflamação e, em alguns casos, infiltrações ou procedimentos cirúrgicos. “Quanto mais cedo o paciente procurar avaliação médica, maiores são as chances de controlar os sintomas e recuperar os movimentos do ombro sem grandes prejuízos para a rotina. Ignorar a dor pode fazer com que a rigidez evolua e o tratamento se torne mais demorado”, alerta o ortopedista.

A conscientização sobre a relação entre a diabetes e o ombro congelado é fundamental para ampliar o diagnóstico precoce e evitar impactos na qualidade de vida dos pacientes. “A recomendação é procurar avaliação médica ao perceber dores persistentes, rigidez ou dificuldade de movimentação no ombro, principalmente em pessoas com histórico de diabetes”, conclui o presidente da SBCOC.

 

Sociedade Brasileira de Cirurgia do Ombro e Cotovelo -SBCOC

 

Pílula revolucionária dobra tempo de sobrevida no câncer de pâncreas, aponta estudo

Resultados do ensaio clínico RASolute 302, apresentados no maior congresso de oncologia do mundo, são descritos como divisor de águas no tratamento da doença


Um comprimido tomado uma vez ao dia pode dobrar o tempo de vida de pacientes com câncer de pâncreas avançado. É o que mostram os resultados do estudo clínico de fase 3 RASolute 302, apresentados neste domingo (31) durante o congresso anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO), em Chicago, e publicados simultaneamente no New England Journal of Medicine. Os dados foram recebidos com entusiasmo pela comunidade médica internacional e com expectativa crescente no Brasil. 

O medicamento em questão é o daraxonrasib, desenvolvido pela empresa americana Revolution Medicines. Trata-se de um inibidor oral seletivo da proteína RAS, classificado como RAS(ON) multi-seletivo, testado em pacientes com adenocarcinoma ductal pancreático metastático previamente tratado. 

“Esses resultados representam uma virada real na oncologia pancreática. Pela primeira vez temos um medicamento que ataca diretamente o mecanismo molecular que impulsiona esse tumor e os números são impressionantes”, afirma o oncologista Mauro Donadio, especialista em tumores do aparelho digestivo da Oncoclínicas.
 

Por que o câncer de pâncreas é tão difícil de tratar 

O câncer de pâncreas é considerado um dos tumores mais letais da oncologia. A taxa de sobrevida em cinco anos para pacientes com doença metastática é de apenas 3%, e cerca de 80% dos pacientes recebem o diagnóstico já em estágio avançado ou metastático. 

Por décadas, cientistas trabalharam para encontrar soluções para uma forma de câncer frequentemente diagnosticada tardiamente — mais da metade dos pacientes só recebem o diagnóstico após a doença já ter se espalhado. 

A escassez de opções terapêuticas eficazes torna qualquer avanço nessa área especialmente significativo. O principal investigador do estudo, Dr. Brian Wolpin, do Dana-Farber Cancer Institute, em Boston, reconheceu que a quimioterapia padrão na segunda linha de tratamento simplesmente não funciona tão bem quanto se desejaria.
 

O mecanismo: atacando o coração do tumor 

O daraxonrasib age sobre uma proteína chamada RAS - mais especificamente sobre sua variante KRAS, que funciona como um acelerador do crescimento tumoral. Os genes RAS podem fazer com que as células cancerígenas continuem recebendo sinais para crescer e se dividir, mesmo quando não deveriam, levando ao crescimento e à disseminação do câncer. Mais de 90% dos pacientes com a forma mais comum de câncer de pâncreas apresentam uma mutação no gene KRAS. 

O daraxonrasib é um novo tipo de inibidor RAS denominado RAS(ON) multi-seletivo. Ele é capaz de desligar a proteína KRAS para interromper o crescimento do câncer, independentemente de haver ou não uma variante específica do gene. 

Para Donadio, isso representa um salto qualitativo em relação ao que existia até agora. “O KRAS sempre foi considerado um alvo praticamente intratável. A chegada de um medicamento oral que bloqueia essa via de sinalização, com resultados dessa magnitude, muda completamente o horizonte de tratamento para esses pacientes.”
 

Os resultados do estudo 

O ensaio RASolute 302 acompanhou 500 pacientes com câncer de pâncreas metastático que já haviam realizado ao menos uma linha de quimioterapia. Os participantes que tomaram o medicamento viveram em média 13,2 meses, comparados a 6,6 a 6,7 meses dos pacientes que receberam quimioterapia. 

O daraxonrasib reduziu o risco geral de morte em 60% em comparação com os pacientes tratados com quimioterapia convencional. 

O tratamento também deteve ou reverteu a progressão tumoral em quase um terço dos pacientes, contra apenas 10% no grupo de quimioterapia. A taxa de resposta objetiva — ou seja, a proporção de pacientes cujo tumor encolheu ou desapareceu — foi de 33,2% com daraxonrasib versus 11,8% com quimioterapia. 

Donadio, que acompanhou a apresentação do estudo na plenária do congresso, explica os resultados do RASolute 302 são inequívocos. “De forma prática, o estudo avaliou pacientes com câncer de pâncreas que já haviam progredido após a primeira linha de tratamento paliativo. Esses pacientes foram randomizados para receber daraxonrasib, um comprimido de 300mg por dia, ou quimioterapia padrão. Aqueles que receberam a medicação oral dobrou a sobrevida livre de progressão - de 3,5 para 7 meses - e dobrou a sobrevida global - de 6 para 13 meses -, com redução do risco de morte e de progressão em torno de 60% e taxa de resposta três vezes maior, subindo de 11% para 33%. Isso o torna o novo padrão de tratamento de segunda linha para o câncer de pâncreas metastático”. 

Além da sobrevida, os pesquisadores avaliaram a qualidade de vida dos participantes. O tempo até a deterioração, medido com base em dor e qualidade de vida relatada pelos próprios pacientes, foi significativamente maior com daraxonrasib do que com quimioterapia. 

“Sobreviver mais tempo é fundamental, mas sobreviver com qualidade de vida é o que transforma o tratamento de verdade. Ver esses dois desfechos melhorando simultaneamente é o que torna esse estudo tão relevante clinicamente”, destaca o oncologista da Oncoclínicas.
 

Segurança e efeitos adversos 

O principal efeito adverso observado foi o rash cutâneo, presente em 86,3% dos pacientes que usaram o medicamento após o início do tratamento — mas que, segundo os pesquisadores, é em grande parte manejável com antibióticos e corticosteroides tópicos.

Os eventos adversos relacionados ao tratamento que levaram à descontinuação ocorreram em apenas 1,2% dos pacientes no grupo do daraxonrasib, contra 11,2% no grupo de quimioterapia, um indicador importante de tolerabilidade, sobretudo para pacientes já fragilizados por uma doença grave. 

“O perfil de segurança é administrável e, comparado à toxicidade da quimioterapia, representa um ganho real para o paciente. Descontinuação de apenas 1,2% é um dado que fala por si”, avalia Donadio.
 

Reação da comunidade médica e perspectivas para o Brasil 

As reações ao estudo no congresso foram de entusiasmo, considerado um verdadeiro “gol” para o tratamento do câncer de pâncreas. Os especialistas que acompanharam a plenária afirmam que os resultados estabelecem o daraxonrasib como o novo padrão de cuidado para pacientes com tumor metastático previamente tratado. 

Segundo Donadio, o próximo passo é acompanhar a trajetória regulatória do medicamento e sua eventual chegada ao Brasil. A Revolution Medicines já está testando o daraxonrasib em estágios mais precoces da doença e em combinação com outros tratamentos, na esperança de ampliar ainda mais o benefício de sobrevida. 

Em maio, a FDA concedeu acesso expandido ao medicamento e planeja uma revisão acelerada do processo de aprovação. “O Brasil precisa estar atento a esse desenvolvimento. Nossos pacientes merecem ter acesso às inovações que estão mudando o prognóstico dessa doença. O trabalho agora é acompanhar de perto o processo regulatório e garantir que, quando aprovado, esse medicamento chegue também ao sistema de saúde brasileiro”, conclui Mauro Donadio. 

O estudo RASolute 302 foi financiado pela Revolution Medicines. Os resultados foram apresentados neste domingo (31/05) no congresso anual da ASCO e publicados simultaneamente no New England Journal of Medicine.

 

Oncoclínicas&Co

 

Junho Vermelho: Hemepar reforça pedido de doação de sangue dos tipos O+ e O-

A rede estadual de hemoterapia é responsável pelo abastecimento de mais de 380 hospitais paranaenses 


Junho é o mês de conscientização para a doação de sangue e, aproveitando o período, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), por meio do Centro de Hematologia e Hemoterapia do Paraná (Hemepar), reforça o chamado para doações de sangue dos tipos O positivo (O+) e O negativo (O-), diante da redução dos estoques em diferentes regiões do Estado. A rede estadual de hemoterapia é responsável pelo abastecimento de mais de 380 hospitais paranaenses por meio das 23 unidades da Hemorrede distribuídas no Paraná. 

O sangue O- possui papel fundamental em atendimentos de emergência, já que pode ser utilizado em pacientes de qualquer grupo sanguíneo quando não há tempo suficiente para exames de compatibilidade. Já o tipo O+, presente na maior parte da população, é um dos mais requisitados pelos hospitais devido à alta demanda transfusional. 

“O sistema de saúde depende da solidariedade da população para manter os estoques abastecidos. A doação é um ato voluntário que ajuda diretamente pacientes que necessitam de transfusões constantes, em cirurgias, tratamentos e situações de urgência em todo o Paraná. O Junho Vermelho chega, justamente, para ampliar essa conscientização na população, de que a doação de sangue é o passo fundamental para que possamos salvar vidas”, destacou o secretário de Estado da Saúde, César Neves. 

A doação vem crescendo ano após ano no Paraná. Em 2023, foram registradas 187.128 bolsas coletadas. O número passou para 203.925 em 2024 e atingiu 214.377 em 2025, representando aumento próximo de 15% no período. Em 2026, até o momento, já foram contabilizadas 86.130 bolsas, volume 3% superior ao registrado no mesmo intervalo do ano passado.

As bolsas coletadas têm papel essencial na manutenção dos atendimentos hospitalares, especialmente em procedimentos cirúrgicos de média e alta complexidade. Em muitas cirurgias, como transplantes, procedimentos cardíacos, ortopédicos, neurológicos e atendimentos a vítimas de traumas graves. 

Além disso, os hemocomponentes são utilizados para garantir segurança clínica durante o pós-operatório, auxiliando pacientes que apresentam anemia, alterações de coagulação ou necessidade de recuperação mais intensa. O estoque regular dos hemocentros também é indispensável para evitar o adiamento de cirurgias eletivas e assegurar resposta rápida em situações de urgência e emergência. 

Atualmente, a Hemorrede Paranaense atende 96,6% dos leitos do Sistema Único de Saúde (SUS) no Estado, fornecendo sangue e hemocomponentes para tratamentos oncológicos, transplantes, atendimentos de urgência e outras terapias que dependem diretamente das transfusões. 

Cada coleta reúne aproximadamente entre 450 ml e 470 ml de sangue. Após o processamento, o material pode ser separado em hemocomponentes como hemácias, plasma, plaquetas e crioprecipitado, permitindo que uma única doação beneficie até quatro pessoas.

QUEM PODE DOAR – Estão aptas para doar sangue pessoas entre 16 e 69 anos completos. No caso de menores de idade, é necessária autorização e acompanhamento do responsável legal. Os homens podem realizar até quatro doações anuais, com intervalo mínimo de dois meses. Já as mulheres podem doar até três vezes ao ano, respeitando o intervalo de três meses entre as coletas. 

O voluntário deve pesar mais de 50 quilos, estar alimentado, hidratado e descansado no momento da doação, além de evitar alimentos gordurosos nas horas anteriores. Também é obrigatória a apresentação de documento oficial com foto.
 

DIA DO DOADOR – O Dia Mundial do Doador de Sangue é celebrado em 14 de junho e tem como objetivo reconhecer a importância dos voluntários que ajudam a salvar vidas por meio da doação regular.

 

Cérebro está desaprendendo. Neurocientista alerta para impactos modernos na saúde mental

Consumo acelerado de informação pode afetar memória, concentração, pensamento crítico e capacidade cognitiva ao longo do tempo. Como se proteger.
 

Vídeos de poucos segundos, excesso de estímulos digitais, respostas prontas fornecidas por inteligência artificial e cada vez menos tempo dedicado à leitura profunda. O comportamento moderno está mudando rapidamente a forma como o cérebro humano consome informação — e especialistas começam a levantar um alerta importante: estamos treinando o cérebro para pensar menos?

Segundo o neurocirurgião, neurocientista e professor livre-docente da USP Dr. Fernando Gomes, o cérebro funciona como um sistema de adaptação contínua. Quanto mais determinados circuitos são utilizados, mais fortalecidos eles ficam. O problema é que o padrão atual de hiperestimulação e consumo acelerado de conteúdo pode favorecer justamente o enfraquecimento de habilidades cognitivas importantes.

“O cérebro humano é extremamente plástico. Ele se adapta ao tipo de estímulo que recebe diariamente. Quando uma pessoa passa horas consumindo conteúdos rápidos, fragmentados e superficiais, o cérebro começa a reduzir tolerância para atividades que exigem atenção prolongada, raciocínio profundo e reflexão”, explica.

A preocupação cresce em um momento em que plataformas digitais disputam atenção por meio de vídeos curtos, rolagem infinita e estímulos constantes, enquanto ferramentas de inteligência artificial começam a assumir funções antes realizadas pelo próprio pensamento humano, como escrita, pesquisa, síntese e organização de ideias.

Para o especialista, a questão não é demonizar tecnologia ou inteligência artificial, mas entender como o cérebro responde ao excesso de terceirização cognitiva.

“Quando usamos tecnologia para potencializar aprendizado, produtividade e criatividade, ela pode ser extremamente positiva. O risco aparece quando começamos a substituir processos mentais importantes em vez de estimulá-los. O cérebro precisa ser desafiado para continuar eficiente”, afirma Dr. Fernando Gomes.


Leitura profunda está diminuindo

Entre os hábitos mais impactados pela transformação digital está a leitura prolongada. Segundo o neurocientista, ler exige um trabalho cerebral complexo envolvendo linguagem, memória, interpretação, imaginação, associação de ideias e capacidade de abstração.

“O cérebro da leitura é diferente do cérebro do consumo rápido de estímulos. A leitura profunda exige concentração sustentada, construção de imagens mentais, interpretação e pensamento crítico. Quando reduzimos muito esse hábito, determinadas redes neurais podem ser menos estimuladas”, explica.

Além disso, o excesso de alternância entre aplicativos, notificações e conteúdos rápidos fragmenta continuamente a atenção.

Na prática, o cérebro passa a funcionar em estado constante de busca por novidade.

“O sistema de recompensa cerebral responde muito ao imediatismo digital. Vídeos curtos oferecem estímulos rápidos, mudança constante de informação e sensação frequente de novidade. Isso pode diminuir a tolerância cerebral para atividades mais lentas e cognitivamente exigentes”, alerta.


Concentração e memória podem ser afetadas

Outro ponto de preocupação envolve a capacidade de foco prolongado.

Segundo Dr. Fernando Gomes, o cérebro hiperestimulado tende a apresentar mais dificuldade para sustentar atenção em tarefas longas, estudos, reuniões, leituras extensas ou atividades que exigem aprofundamento intelectual.

Além disso, a dependência crescente de ferramentas digitais também pode impactar processos relacionados à memória.

“O cérebro sempre utilizou ferramentas externas de apoio, como livros, agendas e computadores. Mas hoje existe uma terceirização muito intensa de funções cognitivas básicas. Muitas pessoas já não memorizam informações, não elaboram raciocínios completos e nem exercitam interpretação antes de buscar respostas prontas”, explica.


A inteligência artificial pode mudar a forma de pensar

Com a popularização das inteligências artificiais generativas, especialistas começam a discutir os impactos cognitivos da automatização do pensamento.

“O risco não é a inteligência artificial substituir o ser humano. O risco é o ser humano parar de exercitar habilidades exclusivamente humanas, como reflexão crítica, criatividade, capacidade de dúvida, interpretação emocional e construção profunda do pensamento”, afirma o neurocientista.

Ele ressalta que o cérebro funciona em lógica de uso e desuso.

Ou seja: circuitos frequentemente utilizados tendem a se fortalecer, enquanto funções menos estimuladas podem perder eficiência ao longo do tempo.

“O cérebro não foi feito apenas para consumir respostas. Ele foi feito para construir perguntas, conectar ideias, interpretar contextos e criar significado”, destaca.
 

Como proteger o cérebro

Apesar do cenário, o cérebro possui alta capacidade de adaptação e recuperação quando adequadamente estimulado. Entre os hábitos considerados importantes para preservação cognitiva estão:

• leitura regular;

• redução de hiperestimulação digital;

• períodos sem telas;

• sono adequado;

• atividade física;

• aprendizado contínuo;

• conversas presenciais;

• exercícios de memória e raciocínio;

• consumo menos fragmentado de informação.

“O cérebro precisa de profundidade, não apenas velocidade. O desafio da era digital não é abandonar a tecnologia, mas evitar que ela reduza nossa capacidade de pensar de forma complexa”, conclui Dr. Fernando Gomes.  



Dr. Fernando Gomes - Professor Livre Docente de Neurocirurgia do Hospital das Clínicas de SP com mais de 2 milhões de seguidores. - Desde 2012 anos atua como comunicador, já tendo passado pela TV Globo por seis anos como consultor fixo do programa Encontro com Fátima Bernardes (2013 a 2019), por um ano (2020) na TV Band no programa Aqui na Band como apresentador do quadro de saúde “E Agora Doutor?” e dois anos (2020 a 2022) como Corresponde Médico da TV CNN Brasil. É também autor de 10 livros de neurocirurgia e comportamento humano. Professor Livre Docente de Neurocirurgia, com residência médica em Neurologia e Neurocirurgia no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, é neurocirurgião em hospitais renomados. Coordena um ambulatório relacionado a doenças do envelhecimento no Hospital das Clínicas e desde 2026 está a frente da Unidade de Hidrocefalia de Pressão Normal do Hospital Moriah.
Drfernandoneuro
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