O clima de romance
que invadiu o ar na semana dos namorados, nos faz pensar no amor romântico que
prega os amores eternos, felizes idealizações e expectativas de cumplicidade
infinita.
Mas afinal, o
sonho de amor intenso, eterno e da construção de família perfeita, do
relacionamento de contos de fadas, do “felizes para sempre” existe? É real? E
como enfrentar uma separação e o luto de um amor romântico?
Reflexões que
apontam os indivíduos de que os relacionamentos são construções baseadas em
romance, concessões, aprendizados e gerenciamento de emoções. Perfeição?
Nada é perfeito,
tudo exige empenho, adaptabilidade e empatia. Tanto que, as separações amorosas
acabam gerando o chamado luto romântico. Luto do desejo do amor infinito. Mas
por que luto?
O luto é uma
experiência profunda e individual que se define pela capacidade de
enfrentamento da partida do outro. É o estado de recolhimento. E esse estado
passa por algumas etapas, das quais naturalmente, o ser humano, vivencia
conforme sua individualidade.
Alguns com mais,
ou menos intensidade, conforme a estrutura sentimental de cada um, mas, se cada
uma delas for bem elaborada o indivíduo poderá alcançar um equilíbrio
consciente, apesar de toda dor envolvida.
Assim como o luto
normal, a primeira fase do luto romântico é a negação, quando as pessoas negam
a situação para combater as emoções que estão experimentando por causa da
separação.
A raiva é a
segunda etapa, que ocorre quando os efeitos da negação começam a se desgastar.
A raiva envolve uma efusão de emoções da pessoa que sofre, que pode sentir-se
irritada com a pessoa que a deixou ou com o que possa ter perdido.
Em seguida, temos
a fase de negociação. Uma negociação em que o enlutado experimenta pensamentos
do tipo “se apenas…”.
Na quarta fase do
luto temos a depressão, que surge ao enfrentar os aspectos práticos da perda.
E por fim, temos a
fase da aceitação, quando após externar sentimentos e angústias, memórias do
relacionamento, positivas ou não, a tendência é o aceite de sua condição e a
elaboração de estratégias pessoais de adaptação dentro da nova realidade.
Resistir e pular
etapas pode fazer com que o sofrimento seja prolongado e gere assim, traumas
emocionais. Por esse motivo, é importante vivenciar o luto, entregar-se à dor e
chorar, se sentir vontade. Respeitando claro, o tempo de cada um.
Somos seres
individuais e cada um irá agir de uma maneira. A maneira como compreendemos o
momento do luto ou da separação, pode ser crucial. Se expressar sobre o luto é
importante, já que, psicologicamente, não poder manifestar sua dor é uma
agressão e pode alimentar outras dores somatizadas com angústia.
Verbalizar é o que
vai ajudar a elaborar e a sair do luto romântico mais rápido. É um recurso
muito positivo e muito saudável. Falar e ouvir sua dor e se permitir vivenciar
um novo relacionamento. Sem se fechar para o amor.
Enfim,
relacionamentos podem ser eternos ou duradouros sim. No entanto, para serem
“felizes para sempre” é preciso entendermos que a felicidade é um estado e não
uma condição.
Os desafios da
relação devem ser encarados, por cada parceiro, com maturidade e
ressignificação. Além disso, deve-se ter a consciência de que a elaboração do
luto romântico, quando este acontece, leva o tempo interno que cada um
necessita.
Sabemos que a vida
não é um contínuo estático, vivemos em uma constante mudança e o ser humano é
capaz de seguir em frente nas situações mais adversas.
O importante não é
cair, mas voltar a se levantar. Mas, se essa elaboração for difícil, o mais
recomendável é buscar desenvolver uma visão mais realista do processo de
separação e conseguir dar lugar a uma maior serenidade, através do
enfrentamento consciente da nova condição de
vida.
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