Saiba os critérios técnicos envolvidos na escolha de materiais permanentes e entenda como os compostos temporários atuam na harmonização.
Com a grande popularização da
harmonização facial nos últimos anos, cresceu também o interesse dos pacientes
por procedimentos de longa duração. Entre as dúvidas mais frequentes está a
diferença entre substâncias temporárias e definitivas utilizadas nos
preenchimentos faciais, especialmente quando o assunto envolve o polimetilmetacrilato
(PMMA), material que frequentemente aparece em discussões e polêmicas sobre sua
segurança e resultados permanentes.
O interesse por procedimentos estéticos
minimamente invasivos tem crescido de forma consistente no país. Dados da
Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica mostram que o Brasil permanece entre
os líderes mundiais em procedimentos estéticos, enquanto levantamentos da
Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética apontam um aumento global
na procura por tratamentos não cirúrgicos, incluindo preenchimentos faciais. O
cenário contribui para que pacientes busquem cada vez mais informações sobre a
durabilidade, os benefícios e as limitações dos diferentes materiais
disponíveis.
O tema voltou ao debate após a Agência
Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) reforçar que os preenchedores à base
de PMMA possuem indicações específicas aprovadas no Brasil e que seu uso
indiscriminado para fins estéticos não está contemplado nas autorizações
vigentes. A agência também destacou que o produto deve ser aplicado
exclusivamente por profissionais habilitados e dentro de critérios técnicos
rigorosos. Segundo a Anvisa, o PMMA é classificado como um dispositivo médico
de alto risco e possui caráter permanente, diferentemente de substâncias absorvíveis
utilizadas rotineiramente na harmonização facial.
De acordo com a dentista e especialista
em harmonização facial, Dra. Layse Schuster, a escolha de um material não deve
estar baseada apenas na duração do resultado, mas principalmente na indicação
clínica e no perfil de cada paciente.
“Muitas pessoas acreditam que um
produto permanente é necessariamente melhor porque dura mais tempo. Na prática,
a decisão depende de diversos fatores, como a região a ser tratada, as
características anatômicas do paciente e a possibilidade de ajustes ao longo
dos anos”, explica.
A especialista destaca que os
preenchedores temporários, como os à base de ácido hialurônico, continuam sendo
amplamente utilizados justamente pela previsibilidade dos resultados e pela
possibilidade de acompanhamento da evolução facial natural.
“O envelhecimento é um processo
contínuo. Produtos absorvíveis permitem adaptações ao longo do tempo,
acompanhando as mudanças do rosto e proporcionando resultados mais
personalizados. Por isso, a avaliação individualizada é indispensável”, afirma.
Segundo Layse, independentemente da
substância escolhida, a segurança do procedimento está diretamente relacionada
ao diagnóstico correto, ao conhecimento anatômico e à utilização de produtos
regularizados pelos órgãos competentes.
“O paciente deve compreender que não
existe uma solução universal. O mais importante é buscar um profissional
habilitado, entender as características de cada material e tomar uma decisão
baseada em critérios técnicos, e não apenas na promessa de um resultado
permanente”, conclui.
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