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sexta-feira, 19 de setembro de 2025

Como evitar intoxicação alimentar em períodos fora de casa

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Especialista em Nutrição alerta para cuidados com alimentos e bebidas em viagens e orienta o que fazer em caso de sintomas leves
 

 

Viagens, sejam a trabalho ou descanso, costumam envolver novos sabores, rotinas diferentes e refeições fora de casa. No entanto, a alimentação em trânsito, especialmente em rodoviárias ou locais com estrutura limitada, exige atenção redobrada. A intoxicação alimentar é uma das queixas mais comuns e pode comprometer a experiência da viagem, além de representar riscos maiores para crianças, idosos e pessoas com imunidade baixa. 

Segundo Suziane Martins Severino, professora do curso de Nutrição da Una Jataí, a primeira dica para quem pretende comer fora durante uma viagem é simples: observar o ambiente. “Sempre que for a algum lugar novo para se alimentar, é importante observar a higiene do local e se os arredores não têm foco de sujidades ou lixos expostos. Isso já é um indicativo da qualidade do que está sendo servido”, explica.

 

Comida de rua e água mineral 

Frutos do mar mal cozidos ou mal higienizados, além de alimentos vendidos em praias, feiras livres ou rodoviárias, estão entre os mais associados a quadros de intoxicação alimentar, especialmente nas férias. “Comidas de rua, por estarem mais expostas, exigem um olhar atento. É importante observar a higiene do vendedor, o aspecto e o odor do alimento antes de consumir”, alerta a professora. 

Outro ponto essencial é a água. Seja em destinos nacionais ou internacionais, a recomendação é clara: “Prefira sempre a água mineral. A água contaminada também é uma fonte importante de infecções”, orienta Severino.

 

Como saber se o alimento está impróprio 

 Freepik

Mesmo quando a aparência parece normal, um alimento pode conter micro-organismos capazes de causar doenças. Mudanças no odor ou na textura podem ser sinais de alerta. “Alguns micro-organismos não alteram visivelmente o alimento, por isso, a manipulação correta, a origem confiável e a conservação são fatores essenciais para a segurança alimentar”, afirma.

 

O que fazer em caso de intoxicação 

Os sintomas mais comuns da intoxicação alimentar incluem náuseas, vômitos, diarreia, dor abdominal e, em casos mais graves, cefaleia ou até paralisia muscular. Eles podem surgir em poucos minutos, horas ou até dias após a ingestão. 

Se os sintomas forem leves, é possível tratar o mal-estar sem uso de medicamentos. “Repouso, ingestão de água potável e soro de reidratação oral são fundamentais. Manter o corpo hidratado é a principal prioridade nesse momento”, orienta a professora. Se os sintomas forem mais fortes ou persistirem, procure um médico.

 

Alimentação preventiva e grupos vulneráveis 

Manter uma alimentação equilibrada também contribui para a prevenção de infecções. Segundo Severino, alimentos ricos em vitaminas, sais minerais, fibras e probióticos ajudam a fortalecer a imunidade e tornam o organismo mais preparado para lidar com ameaças. 

Públicos como crianças, idosos e pessoas imunocomprometidas devem redobrar os cuidados. “Esses grupos são mais vulneráveis e podem apresentar sintomas mais severos mesmo diante de contaminações leves. Por isso, o ideal é priorizar locais confiáveis e evitar alimentos crus ou mal armazenados”, destaca.

 

O que levar na bagagem alimentar 

Para quem vai enfrentar longos trajetos de carro, ônibus ou avião, a professora recomenda alimentos práticos e seguros, como frutas secas, castanhas e nozes. “Esses alimentos têm boa durabilidade e não exigem refrigeração, além de oferecerem nutrientes importantes para manter a energia durante a viagem”, orienta. Em tempos de férias, o cuidado com a alimentação deve acompanhar o planejamento do roteiro. 

 

Centro Universitário Una


Setembro Verde: um alerta para a doação de órgãos e o cuidado com os rins

Imagem de banco
Diabéticos, hipertensos e portadores de dor crônica que fazem uso contínuo de anti-inflamatórios podem desenvolver problemas nos rins, o órgão mais transplantado 

 

Durante o mês de setembro, a campanha Setembro Verde reforça a importância da doação de órgãos e chama atenção especial para os rins — o órgão mais transplantado no Brasil e também aquele com maior número de pacientes na fila de espera. Segundo dados do Ministério da Saúde, atualmente 46.722 pessoas aguardam por um transplante renal, de um total de 78 mil que esperam por diferentes órgãos, como córneas, coração e fígado. 

De acordo com o hematologista Felipe Magalhães Furtado, do Sabin Diagnóstico e Saúde, o maior desafio relacionado à saúde renal é o diagnóstico precoce. “Sem acompanhamento médico regular, é difícil identificar os problemas que levam à falência dos rins. Na maioria das vezes, os pacientes só procuram ajuda quando a doença já está em estágio avançado”, alerta. 

Diabéticos e hipertensos são os principais grupos de risco para doenças renais porque ambas as doenças, a longo prazo, prejudicam a função do órgão. Pacientes de dor crônica, explica o hematologista, que fazem uso prolongado de medicamentos, especialmente anti-inflamatórios, podem ter a função renal comprometida. Além desses, homens com problemas na próstata, quando apresentam estreitamento da uretra, reduzindo o fluxo urinário e impedindo a eliminação total da urina, também podem desenvolver problemas nos rins. 

“São pacientes que precisam de um acompanhamento médico regular e de avaliar a função renal pelos vários exames disponíveis”, ressalta Furtado. Entre os vários exames que podem ajudar no diagnóstico dos rins, o hematologista destaca o exame o de ureia, de creatinina ou mesmo o exame de urina comum ou EAS (Elementos Anormais e Sedimentoscopia), que consegue detectar sangue, proteína ou glicose na urina, o que denuncia problemas na função renal. 

“Um exame que não é solicitado com frequência ou solicitado para confirmação da suspeita é o de Cistatina C, uma proteína produzida elo corpo e filtrada pelo rim. Quando a sua presença é substancial, pode ser sinal de problemas na função renal. Inclusive é possível avaliar a gravidade pela dosagem dessa proteína”, explica.

Entre os sintomas de mau funcionamento dos rins, Furtado destaca:

  • Inchaço nas pernas, especialmente ao fim do dia;
  • Redução do fluxo urinário;
  • Urina escura ou com espuma.

O hematologista recomenda muita ingestão de água, pelo menos dois litros por dia, para proteger a saúde dos rins e indica que as pessoas não segurem demasiadamente a vontade de urinar. “Pacientes diabéticos, hipertensos ou que fazem uso contínuo de medicamentos para dor como anti-inflamatórios devem fazer acompanhamento médico com exames regulares da função renal”, aconselha.
 

Grupo Sabin 


Pessoas com deficiência representam quase 8% da população nacional, mas a luta por direitos ainda persiste

No Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, celebrado em 21 de setembro, Instituto Olga Kos reforça que inclusão não é um favor, mas um direito

 

No próximo dia 21 de setembro, o Brasil celebra o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência. O dia foi escolhido por sua proximidade com a primavera e o Dia da Árvore, representando o nascimento das reivindicações por cidadania e participação plena em igualdade de condições.

Instituída pela Lei nº 11.133/2005, a data nasceu da mobilização do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência e tem como objetivo promover a reflexão sobre a inclusão social, a acessibilidade e o respeito às diferenças. Além disso, a data inspirou avanços importantes, como a Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015), que trouxe novos horizontes para a garantia de direitos.

“O Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência é um lembrete de que inclusão não é um favor, mas um direito. Precisamos garantir que cada indivíduo tenha acesso a espaços que valorizem suas capacidades. Quando oferecemos oportunidades reais, contribuímos para uma sociedade mais diversa, solidária e inovadora”, afirma Olga Kos, vice-presidente do instituto homônimo.

Segundo dados do censo do IBGE de 2022, o Brasil tinha 14,4 milhões de pessoas com deficiência, cerca de 7,3% da população. Portanto, ainda hoje, milhares de pessoas com deficiência enfrentam barreiras atitudinais, arquitetônicas, comunicacionais e sociais que limitam suas oportunidades de estudo, trabalho, lazer e participação cidadã. Derrubar essas barreiras é essencial para que cada indivíduo possa expressar seu potencial e contribuir para uma sociedade mais justa, plural e rica em talentos.

“O Instituto já impactou milhares de vidas por meio do esporte e da cultura, e acredita que a verdadeira inclusão acontece quando todos têm a chance de estar onde desejam e de realizar seus sonhos sem limitações impostas pelo olhar do outro”, reforça Olga Kos, que elenca algumas das ações realizadas pelo instituto: “Realizamos, anualmente, sete corridas que visam conscientizar para a causa da pessoa com deficiência sendo que, as próximas, serão em 30 de novembro, em Brasília; 7 de dezembro, em São Paulo; e 14 de dezembro, no Rio de Janeiro”.

Ainda na opinião da vice-presidente do Instituto, datas como a de 21 de setembro servem, ao mesmo tempo, para reforçar que a luta ainda está longe de terminar e de incentivo para que todos assumam o compromisso de continuar buscando uma sociedade mais inclusiva: “Algumas conquistas foram alcançadas, porém, ainda há muito o que se fazer para que todos possam participar de forma plena e digna, com talentos e vozes integralmente reconhecidos. Anualmente, se faz essa conscientização e verdadeiro convite para que cada vez mais pessoas possam abraçar essa causa que é de todos, afinal, uma sociedade plural se constrói com a atuação de todos”, finaliza Olga Kos.

 

 Instituto Olga Kos


A dopamina e a busca pelo prazer: quando o cérebro se torna refém

A dopamina, neurotransmissor responsável pela motivação e pela sensação de recompensa, é essencial para o funcionamento do cérebro. No entanto, quando estimulada em excesso, pode transformar a busca pelo prazer em um ciclo de dependência difícil de quebrar.

Segundo o neurocirurgião Dr. Denildo Veríssimo, especialista em doenças do crânio, coluna e técnicas minimamente invasivas, “a dopamina é fundamental para o aprendizado, para a memória e para o controle dos impulsos. Mas quando o cérebro é exposto a estímulos constantes, como redes sociais, jogos, consumo exagerado de tecnologia ou até drogas, esse sistema se desregula e passa a exigir doses cada vez maiores de satisfação. O resultado é uma busca incessante que pode comprometer a saúde mental e física”.

Um exemplo marcante da força do sistema de recompensa vem de um experimento clássico realizado em 1954 pelos cientistas James Olds e Peter Milner. Ratos receberam eletrodos em regiões cerebrais ligadas ao prazer e acionavam uma alavanca para obter estímulos elétricos. O resultado foi chocante: os animais ignoraram comida e água, buscando apenas a sensação provocada pela descarga. Muitos chegaram à exaustão e alguns morreram de fome. Esse estudo pioneiro revelou como a dopamina pode assumir o controle do comportamento quando há estímulos repetidos, ajudando a compreender desde vícios químicos até dependência tecnológica.

A lógica é a mesma observada em dependências químicas. Substâncias psicoativas, como álcool e drogas ilícitas, inundam o cérebro com dopamina e reforçam comportamentos compulsivos. “Quando olhamos para a forma como o cérebro reage, percebemos que a dependência digital pode provocar efeitos semelhantes. Curtidas, notificações e recompensas instantâneas acionam os mesmos circuitos cerebrais que levam ao vício em drogas. A diferença está apenas na intensidade, mas o mecanismo é o mesmo”, explica o médico.

Um crescente corpo de estudos aponta que os jogos de azar, especialmente as apostas online, sobrecarregam o sistema de recompensa do cérebro com liberação constante de dopamina, impulsionando comportamentos compulsivos. Só no Brasil, entre janeiro e agosto de 2024, cerca de 24 milhões de brasileiros realizaram apostas online, movimentando mensais da ordem de R$ 21 bilhões, segundo estimativa do Banco Central. Especialistas alertam que a dependência pode se instalar rapidamente, com muitos apostadores utilizando dinheiro destinado à feira de casa ou despesas essenciais, levando ao endividamento, isolamento, desgaste familiar, além de consequências terríveis. Esse tipo de comportamento atua de forma semelhante ao vício químico, porque ativa os mesmos circuitos cerebrais vinculados ao prazer imediato e dificulta a recuperação do controle por parte da pessoa. 

A longo prazo, a exposição constante a níveis elevados de dopamina pode provocar alterações significativas no funcionamento cerebral e no comportamento. Pesquisas mostram que esse excesso está ligado à perda de foco, à dificuldade em tomar decisões equilibradas e à tendência a buscar recompensas imediatas de forma compulsiva. Em situações extremas, pode desencadear sintomas graves, como mania, delírios e alucinações. Estudos recentes ainda apontam que o consumo exagerado de conteúdos digitais de curta duração gera mudanças cerebrais semelhantes às observadas em casos de alcoolismo e dependência de jogos, comprometendo memória e concentração.

Nos cérebros em desenvolvimento, o risco é ainda maior. Em crianças e adolescentes, o córtex pré-frontal, responsável pelo planejamento e pelo autocontrole, não está plenamente amadurecido. A exposição precoce e repetida a estímulos digitais pode interferir na formação saudável desses circuitos, tornando-os mais vulneráveis à desatenção, à instabilidade emocional e a quadros de ansiedade e depressão. Para o Dr. Denildo Veríssimo, compreender essa diferença é essencial para orientar famílias e educadores sobre a importância de estabelecer limites no uso da tecnologia desde cedo.

De acordo com pesquisas recentes, o uso excessivo de tecnologia está associado a sintomas de ansiedade, depressão, irritabilidade e dificuldades de concentração. Além disso, a exposição prolongada à luz das telas prejudica o sono e cria um ciclo ainda mais difícil de romper.

Para o Dr. Denildo Veríssimo, o equilíbrio é a palavra-chave. “Não se trata de demonizar a dopamina. Sem ela não teríamos motivação para estudar, trabalhar ou conquistar objetivos. O problema surge quando esse prazer imediato substitui conquistas que demandam esforço, disciplina e paciência. A ciência mostra que pequenas mudanças de hábito, como limitar o tempo de tela, cuidar do sono e manter consultas regulares, já ajudam a reequilibrar o cérebro e a saúde mental”, afirma.

O médico alerta ainda para a importância de entender o impacto das escolhas no dia a dia. “O prazer da conquista é saudável e necessário. Mas quando o cérebro se acostuma apenas a estímulos rápidos e repetitivos, perde a capacidade de encontrar satisfação em experiências mais duradouras. É nesse ponto que precisamos intervir, com informação e prevenção”, conclui. 



Dr. Denildo Veríssimo - neurocirurgião, especialista em doenças do crânio, coluna e técnicas minimamente invasivas - Com uma carreira que combina excelência técnica, paixão pela ciência e um compromisso inegociável com o cuidado humanizado, o Dr. Denildo Veríssimo representa uma nova geração de médicos que enxergam além do bisturi. Sua atuação é guiada pelo conhecimento, mas também pela empatia, pelo desejo de aliviar a dor — física e emocional — e pela certeza de que cada paciente carrega uma história única. Em sua rotina entre centros cirúrgicos, consultórios e salas de aula, ele equilibra precisão técnica com escuta ativa, conectando ciência e propósito em cada decisão clínica. Para ele, Medicina não é apenas diagnóstico ou procedimento — é presença, responsabilidade e respeito. Em um cenário cada vez mais tecnológico e acelerado, Dr. Denildo reforça, com exemplo diário, que o toque humano continua sendo o maior diferencial da medicina. E que a verdadeira transformação acontece quando o saber se alinha com a sensibilidade.
Instagram: @neurocirurgia
Contato whatsapp – 41 99915-4121
Teleconsultas whatsapp: 41 3253-1379

 

Braz Cubas oferece atendimentos gratuitos em saúde humana e pet à comunidade

Entre as ações: campanha de saúde pet, exames de audiometria, avaliação visual e cuidados com o pé diabético


O Centro Universitário Braz Cubas promoverá, entre os dias 23 e 25 de setembro, uma série de atendimentos gratuitos nas áreas de saúde humana e pet, abertos a toda comunidade. Entre as atividades, destacam-se a Campanha Saúde Pet, focada na prevenção e diagnóstico da dirofilariose, e diversas ações voltadas à saúde humana, como exames de audiometria, avaliação da acuidade visual e da saúde ocular em idosos, medição de função visual em adultos e avaliação do pé em pacientes diabéticos.

As iniciativas integram a VI Semana de Responsabilidade Social e ODS da Cruzeiro do Sul Educacional, que reforça o compromisso da instituição com práticas sociais e sustentáveis, alinhadas à Agenda 2030 da ONU e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Durante os três dias, o campus da Braz Cubas se transformará em um polo de atendimento, oferecendo serviços essenciais que unem o aprendizado prático dos alunos com às necessidades da comunidade local.
 

Serviço

  • Campanha Saúde Pet: Dirofilariose

Data: de 23 a 25/09

Horário: das 8h às 22h

Local: Complexo Veterinário – Av. Francisco Rodrigues Filho, 1233

 

  • Audiometria

Data: de 23 e 25/09

Horário: com agendamento prévio na Recepção das Clínicas de Saúde

Local: Clínica-escola de Fonoaudiologia - Av. Francisco Rodrigues Filho, 1233

 

  • Medição de Acuidade Visual e Avaliação de Saúde Ocular em Idosos

Data: 23/09

Horário: das 14h às 17h e das 19h às 21h

Local: Laboratório Optometria (B112) - Av. Francisco Rodrigues Filho, 1233

 

  • Medição de Função Visual em Adultos

Data: 23/09

Horário: das 14h às 17h e das 19h às 21h

Local: Laboratório Optometria (B112) - Av. Francisco Rodrigues Filho, 1233

 

  • Desenvolvimento de Linguagem Infantil

Data: 23/09

Horário: a partir das 18h

Local: Sala Interativa - Av. Francisco Rodrigues Filho, 1233.

 

  • Avaliação do Pé em Pacientes Diabéticos

Data: 24/09

Horário: das 14h às 17h

Local: Clínica de Fisioterapia (Bloco B) - Av. Francisco Rodrigues Filho, 1233
  


Braz Cubas
Acesse: brazcubas.com.br

 

H5N1: o vírus da influenza aviária pode causar a próxima pandemia?

O virologista Fernando Spilki analisou os riscos e desafios da circulação global do vírus durante o 57º Congresso Brasileiro de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial, que acontece até sexta (19), no Riocentro, Rio de Janeiro



A ameaça de uma nova pandemia voltou ao centro das discussões científicas durante o 57º Congresso Brasileiro de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial (CBPCML). Na mesa desta quarta-feira (17), dedicada às doenças emergentes, o veterinário e virologista Fernando Spilki, doutor em Genética e Biologia Molecular pela Unicamp e coordenador da Rede de Vírus do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), apresentou a palestra “H5N1: Nova pandemia?”, na qual trouxe um panorama histórico e atual sobre a circulação do vírus influenza aviária de alta patogenicidade. 

Segundo Spilki, o H5N1 reúne praticamente todas as características que tornam o influenza um dos vírus mais perigosos do ponto de vista evolutivo e epidemiológico. “Se existe um vírus com grande capacidade de evoluir e se adaptar a novas espécies, esse vírus é o influenza. Ele gabarita todas as possibilidades de adaptação em virologia, desde mutações e recombinações genéticas até o salto entre diferentes hospedeiros”, destacou. 

O pesquisador relembrou a trajetória do H5N1 desde os primeiros surtos, nos anos 1990, em Hong Kong, quando a mortalidade ultrapassava 50%. Desde então, o vírus passou por mutações, ressurgiu em 2003 e ganhou novos contornos com a emergência de diferentes linhagens, como o clado 2.3.4.4 (uma linhagem do vírus H5N1 que se espalhou globalmente e passou a infectar diferentes espécies de aves e mamíferos), responsável pela disseminação global em aves e, mais recentemente, em mamíferos. 

Um dos pontos mais preocupantes, segundo Spilki, é o avanço do H5N1 para novas espécies, incluindo bovinos leiteiros nos Estados Unidos e leões-marinhos no litoral do Rio Grande do Sul, onde surtos recentes vêm sendo monitorados. “Cada vez que o vírus entra em uma nova espécie, ele acumula mutações que aumentam suas chances de adaptação. Isso amplia a possibilidade de transmissão mais eficiente para humanos”, explicou. 

Apesar do alerta, o pesquisador foi cauteloso ao responder à pergunta central de sua palestra. “Estamos sempre tentando prever o futuro, quase como em uma bola de cristal. Não é possível afirmar se o H5N1 será o causador da próxima pandemia, mas ele tem potencial para isso. E, diante desse cenário, a vigilância genômica e a cooperação internacional tornam-se indispensáveis”, afirmou. 

Spilki também chamou a atenção para os impactos econômicos e ambientais da disseminação do vírus, que já levou à suspensão de exportações de aves no Brasil e trouxe desafios para o manejo de carcaças em países como os Estados Unidos. Além disso, destacou que as vacinas convencionais contra influenza não oferecem proteção contra o H5N1, o que aumenta a vulnerabilidade humana. 

Para o virologista, a grande lição é que a sociedade precisa estar preparada. “A pergunta não é se teremos uma nova pandemia, mas quando e qual vírus será o protagonista. O que não podemos ter é falta de informação. Precisamos de transparência e troca de dados em tempo real entre países. Esse é o nosso maior instrumento de defesa”, concluiu.


Do alerta à exaustão: quando o estresse passa a adoecer


Trânsito, contas, prazos apertados, excesso de trabalho. Essa combinação já faz parte da rotina de grande parte da população. Mas qual é o limite do estresse diário? E o que acontece quando esse limite é ultrapassado? O Dia Mundial de Combate ao Estresse, celebrado em 23 de setembro, é um convite à reflexão sobre como lidamos com esse fenômeno tão presente na vida moderna.

 

Embora frequentemente visto como um vilão, o estresse teve papel essencial na evolução humana. A resposta fisiológica desencadeada por situações de ameaça, como o aumento do cortisol, da adrenalina e dos batimentos cardíacos, foi determinante para a sobrevivência de nossos ancestrais. Diante de um predador, como um leão, essa descarga hormonal permitia reagir com rapidez, seja para lutar, seja para fugir.

 

O problema surge quando esse mesmo mecanismo é acionado de forma repetida em situações cotidianas, como enfrentar o trânsito ou cumprir prazos de trabalho. O estresse ocupacional, associado ao trabalho aumenta em 40% o risco cardiovascular. Além disso, o estresse crônico aumenta o risco de diabetes e depressão.

 

No ambiente profissional, o impacto é ainda mais alarmante. Um levantamento da International Stress Management Association (ISMA-BR) mostra que 72% dos brasileiros estão estressados no trabalho e 32% já desenvolveram a síndrome de burnout, reconhecida pela OMS como um fenômeno ocupacional.

 

É claro que não basta simplesmente “mandar alguém relaxar”. O manejo do estresse requer mudanças concretas na forma como nos relacionamos com ele. É anedótico quando a política da empresa de combate ao estresse se resume a ginástica laboral uma vez ao ano.

 

A medicina do estilo de vida propõe estratégias como a prática regular de atividade física prazerosa, momentos de lazer, meditação e fortalecimento de vínculos sociais.

 

Em alguns casos, no entanto, essas medidas não são suficientes. É ai que a transição de carreira pode se tornar uma saída. Estudos apontam que mudanças de função, setor ou até mesmo de área profissional podem reduzir os efeitos do burnout, sobretudo a exaustão emocional e a despersonalização. Esse processo é mais efetivo quando acompanhado de planejamento, suporte social e da construção de uma nova identidade profissional.

 

Buscar atividades que tenham propósito, significado e tragam satisfação pessoal contribui para maior resiliência e reduz as chances de recaída em quadros de estresse patológico. Reinventar-se nunca é tarde.

 

No Dia Mundial de Combate ao Estresse, a reflexão que fica é: não se trata de eliminar o estresse da vida, algo impossível, mas de escolher de que forma vamos nos relacionar com ele. Que o estresse que carregamos seja aquele que nasce do propósito, do orgulho em nossas escolhas e da satisfação pessoal e profissional.

 

Ramon Marcelino - médico endocrinologista do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HC-FMUSP).
Instagram @dr.ramonmarcelino,


Halitofobia: quando o medo do mau hálito se torna uma fobia socia

Especialista alerta para a condição conhecida como pseudo-halitose, em que o paciente acredita sofrer de mau hálito sem apresentar sinais clínicos. Transtorno pode comprometer convívio social e qualidade de vida 

 

A preocupação com o hálito é comum e, até certo ponto, saudável — afinal, o mau cheiro na boca pode estar associado a problemas bucais, digestivos ou respiratórios. No entanto, quando o receio de estar com mau hálito persiste mesmo diante de exames normais, o que está em jogo pode ser mais do que uma questão de higiene: trata-se de um distúrbio chamado halitofobia.

“O termo também é conhecido como pseudo-halitose. A pessoa tem a percepção persistente de que apresenta mau hálito, mas não há qualquer comprovação clínica ou exame que confirme essa alteração”, explica a Dra. Lígia Maeda, otorrinolaringologista e especialista em halitose do Hospital Paulista.

Embora ainda pouco conhecida do público em geral, a halitofobia tem impacto real na vida de quem sofre com ela. “É uma condição que pode causar grande sofrimento psicológico, gerar ansiedade intensa e até levar ao isolamento social”, afirma a médica.


Diagnóstico exige exclusão de causas reais

Segundo a especialista, o primeiro passo no manejo da halitofobia é uma avaliação clínica detalhada, justamente para afastar a possibilidade de que o mau hálito realmente exista.

“Fazemos uma investigação completa, que inclui o exame físico, histórico clínico e testes específicos para identificar compostos voláteis presentes na respiração. Quando todos os resultados são normais, passamos a considerar o diagnóstico de pseudo-halitose”, explica a Dra. Lígia.

Apesar da ausência de evidências clínicas, o sofrimento do paciente é legítimo — o que exige sensibilidade por parte do profissional de saúde. “É fundamental acolher essa angústia, explicar com clareza os resultados e, quando necessário, encaminhar o paciente para acompanhamento psicológico ou psiquiátrico”, diz.


Ligação com transtornos psiquiátricos

Casos persistentes de halitofobia podem estar associados a transtornos como ansiedade generalizada ou transtorno obsessivo-compulsivo (TOC). Em alguns pacientes, a preocupação com o hálito se transforma em um comportamento obsessivo, que pode incluir escovação excessiva dos dentes, uso constante de enxaguantes bucais ou até evitação de contato social.

“A pessoa passa a moldar sua rotina com base no medo de ter mau hálito. Deixa de falar próximo de outras pessoas, evita reuniões, encontros e, em casos extremos, até o convívio familiar”, relata a otorrinolaringologista.

Por isso, o tratamento costuma ser multidisciplinar, envolvendo dentistas, otorrinos e profissionais da saúde mental. “Não é raro que o paciente rejeite, a princípio, a ideia de um encaminhamento psicológico. Mas com um bom vínculo médico-paciente, é possível mostrar que se trata de um cuidado necessário, e não de um julgamento”, afirma a Dra. Lígia.


Busca por informação ainda é limitada

Apesar de afetar um número significativo de pessoas, a halitofobia ainda é pouco discutida fora dos consultórios. Para a especialista, o tabu em torno do mau hálito — associado à vergonha ou à falta de higiene — acaba contribuindo para o silêncio em torno do tema.

“É importante desmistificar o mau hálito e trazer informação qualificada. Nem todo mau hálito está ligado à higiene bucal, e nem toda preocupação com o hálito é infundada — mas quando o medo se torna maior do que a realidade, precisamos olhar com atenção”, conclui a médica.

  

Hospital Paulista de Otorrinolaringologia


Câncer de pele: caso de Jair Bolsonaro acende alerta sobre diagnóstico precoce e importância da remoção cirúrgica


A recente confirmação de que o ex-presidente Jair Bolsonaro foi diagnosticado com câncer de pele trouxe novamente ao centro do debate a necessidade de atenção à saúde da pele. O câncer de pele é o tipo mais comum no Brasil e no mundo, representando cerca de 30% de todos os tumores malignos registrados no país, segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA). Estima-se que, apenas em 2024, mais de 220 mil novos casos de câncer de pele não melanoma tenham surgido, além de cerca de 12 mil casos de melanoma, forma mais agressiva da doença. 

Para o Dr. Hugo Sabath, cirurgião plástico da Clínica Líbria, a notícia serve de alerta: 

> “O câncer de pele não escolhe idade, profissão ou classe social. A grande arma contra ele é o diagnóstico precoce. Quanto mais cedo a lesão for identificada e removida, maiores são as chances de cura e menores os impactos estéticos e funcionais”, explica.


Tipos de câncer de pele

 De acordo com especialistas, o câncer de pele se apresenta em duas formas principais: 

- Não melanoma: mais comum, mas geralmente menos agressivo. Inclui o carcinoma basocelular e o espinocelular. Costuma surgir em áreas expostas ao sol e tem alta taxa de cura quando tratado precocemente.

- Melanoma: menos frequente, mas muito mais agressivo. Pode se espalhar rapidamente para outros órgãos se não for identificado em fases iniciais. É responsável pela maioria das mortes por câncer de pele. 

> “A diferença entre os tipos é crucial. Enquanto o não melanoma pode ser controlado com procedimentos relativamente simples, o melanoma exige atenção redobrada e, muitas vezes, tratamentos mais complexos”, detalha o Dr. Hugo Sabath.

 

A importância da remoção cirúrgica 

O tratamento mais indicado para o câncer de pele é a remoção cirúrgica da lesão, sempre com margens de segurança, para garantir que todas as células cancerígenas sejam retiradas. Dependendo da localização e do tamanho do tumor, pode ser necessária a reconstrução da área afetada. 

 “Em regiões como rosto, couro cabeludo, nariz e pálpebras, é fundamental que a cirurgia seja feita por um profissional capacitado, capaz de equilibrar a completa remoção do tumor com o cuidado estético. O câncer de pele não deve ser tratado como uma simples mancha, mas como uma doença séria que exige precisão técnica”, reforça o cirurgião plástico.

 

Prevenção: uma rotina indispensável 

Segundo o Dr. Hugo Sabath, o sol é o principal fator de risco para o câncer de pele, e a prevenção deve começar cedo, desde a infância.

As recomendações incluem: 

- Uso diário de protetor solar com fator mínimo 30, reaplicado a cada 2 ou 3 horas.

- Evitar exposição direta ao sol entre 10h e 16h.

- Utilizar roupas com proteção UV, chapéus de abas largas e óculos escuros.

- Não negligenciar consultas de rotina com dermatologistas ou cirurgiões plásticos especializados em oncologia cutânea. 

 “Muitos pacientes acreditam que o câncer de pele só aparece em pessoas de pele clara, mas isso é um mito. Qualquer pessoa pode desenvolver a doença, especialmente quando há histórico de queimaduras solares ou exposição crônica sem proteção”, alerta o Dr. Sabath.

 

O papel do autoexame e da observação: 

Além da prevenção, observar mudanças na própria pele é essencial. Feridas que não cicatrizam, pintas que mudam de cor, bordas irregulares ou que apresentam sangramento devem ser avaliadas imediatamente. 

 “Uma das ferramentas que sempre reforçamos aos pacientes é a regra do ABCDE do melanoma: 

- A: Assimetria da lesão;

- B: Bordas irregulares;

- C: Cor variada;

- D: Diâmetro maior que 6mm;

- E: Evolução rápida.

  Se uma pinta ou mancha se encaixa nesses critérios, é preciso procurar um médico com urgência”, explica o cirurgião.

 

Conclusão

O caso de Jair Bolsonaro coloca em evidência um problema que afeta milhões de brasileiros e que pode ser prevenido e tratado com medidas simples. O câncer de pele, quando identificado em estágio inicial, tem altos índices de cura. Mas o segredo está em não ignorar os sinais e manter acompanhamento médico regular. 

 “O câncer de pele pode ser silencioso, mas não deve ser negligenciado. A prevenção é diária e a consulta de rotina é indispensável. Cuidar da pele não é apenas uma questão estética, é uma questão de saúde e de vida”, conclui o Dr. Hugo Sabath.

 

 

Dr. Hugo Sabath - Cirurgião Plástico – CRM 131.199/SP


Apneia acomete maioria dos recém-nascidos com menos de 28 semanas[1],[2] e exige tratamento adequado

Garantir a segurança de bebês e crianças é o mote da campanha da OMS para o Dia Mundial da Segurança do Paciente de 2025

 

No Brasil, 1 a cada 10 nascimentos ocorre antes das 37 semanas, colocando o país entre os 10 com maior índice de partos prematuros no mundo[3] e aumentando a demanda por cuidados essenciais logo no início da vida. O assunto é de tamanha importância que despertou a atenção da Organização Mundial da Saúde (OMS). A entidade escolheu como tema “cuidados seguros para cada recém-nascido e cada criança” para a campanha “Segurança do paciente desde o início” do Dia Mundial da Segurança do Paciente de 2025, comemorado em setembro. 

A imaturidade pulmonar representa uma das principais causas de internação em UTI neonatal, particularmente em prematuros. Entre as complicações respiratórias associadas está a apneia da prematuridade. “Essa condição ocasiona a suspensão do fluxo de ar nas vias respiratórias por um período maior ou igual a 20 segundos, ou por tempo inferior, se associada a quadros de bradicardia (diminuição da frequência cardíaca) ou hipoxemia (diminuição dos níveis de oxigênio no sangue)”, explica a pediatra neonatologista Marta David Rocha de Moura, doutora em ciências da saúde pela UnB e docente do curso de medicina da Escola Superior de Ciências da Saúde de Brasília/DF. Outras condições também podem afetar o recém-nascido prematuro, como a Síndrome do Desconforto Respiratório (SDR) e a displasia broncopulmonar (DBP), todas com elevada morbidade. 

Embora a tecnologia e o conhecimento médico avancem continuamente, a internação em uma UTI Neonatal expõe os bebês a riscos importantes, alguns deles relacionados a diferentes formulações de medicações essenciais. “Recém-nascidos exigem prescrições com doses extremamente precisas e, em muitos casos, em volumes reduzidos e de difícil manipulação”, alerta a especialista. 

A Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 67, de 2007, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), rege a manipulação de medicamentos no Brasil e aprova o Regulamento Técnico sobre Boas Práticas de Manipulação de Preparações Magistrais e Oficinais para Uso Humano em farmácias. “Embora a RDC não seja específica para UTI Neonatal, ela estabelece os requisitos mínimos que todas as farmácias de manipulação devem seguir para garantir a qualidade, a segurança e a eficácia dos medicamentos. Além disso, a própria resolução diz que só faz sentido a manipulação se comprovada a inexistência da medicação no mercado. Precisamos garantir que todos sigam esses requisitos, inclusive os órgãos fiscalizadores”, explica a especialista.

 

Tratamento adequado pode salvar vidas 

“O manejo clínico de pacientes recém-nascidos prematuros frequentemente requer intervenções específicas, como a administração de surfactante pulmonar, o uso criterioso de antibióticos frente a risco infeccioso e a introdução do citrato de cafeína como estratégia eficaz para tratamento da apneia. Tais medidas constituem pilares fundamentais para a estabilização clínica e a melhoria dos desfechos neonatais”, afirma a especialista. 

No caso da apneia, o citrato de cafeína atua como um estimulante do sistema nervoso central, especificamente no centro respiratório, além de aumentar a atividade elétrica diafragmática e a contratilidade. Isso resulta em um aumento da força muscular respiratória e da frequência das respirações, ajudando a prevenir e tratar os episódios de apneia em bebês prematuros[4]. “Estudos têm demonstrado que o uso desse medicamento pode reduzir a incidência de displasia bronco pulmonar, que está associada à ventilação mecânica prolongada. A cafeína também tem sido associada à redução nas taxas de paralisia cerebral e atrasos cognitivos, podendo ter um efeito neuroprotetor no cérebro em desenvolvimento de recém-nascidos prematuros”, explica Dra Marta. 

Segundo a especialista, a manipulação dessa medicação pode representar um alto risco. “Com a manipulação não há como garantir a concentração exata do princípio ativo em cada dose. Pequenas variações na pesagem ou na homogeneização podem levar a sub dosagem, comprometendo a eficácia no tratamento da apneia, ou a superdosagem, aumentando o risco de toxicidade. Além disso, a estabilidade e o prazo de validade de medicamentos manipulados tendem a ser mais limitados, comprometendo sua conservação e eficácia terapêutica. Apesar das boas práticas farmacêuticas, a preparação individualizada também pode gerar troca de insumos, contaminação cruzada ou rotulagem inadequada. 

Por isso, a conscientização dos riscos associados aos medicamentos é fundamental. “Familiares e profissionais da saúde informados podem participar mais ativamente das decisões sobre o tratamento dos bebês. Aqueles que compreendem os efeitos adversos de um medicamento podem estar mais atentos a qualquer sinal ou sintoma incomuns no bebê. Isso pode ser vital para a detecção precoce de problemas”, finaliza Dra Marta.

 

Segurança neonatal e pediátrica é tema de campanha do Dia Mundial da Segurança do Paciente 

Os números preocupam: 1 em cada 10 pacientes sofre danos durante o atendimento médico, sendo que 50% deles são evitáveis. Além disso, metade dos danos é relacionado a medicações[5] . Dados também mostram que erros em pacientes de UTI neonatal são 8x mais frequentes que em adultos, sendo os erros de medicação mais comuns provenientes de dose, frequência e via de administração[6]. Estima-se também que 15% de todas as admissões em unidades de terapia intensiva neonatal são seguidas de eventos adversos[7]. 

Este ano, a Organização Mundial da Saúde vai se dedicar ao tema "Cuidados seguros para cada recém-nascido e cada criança" na campanha anual do Dia Mundial da Segurança do Paciente, celebrado em setembro. “A iniciativa quer mostrar a importância de garantir a segurança dos pacientes desde o início da vida, com foco em cuidados durante o parto, pós-parto, segurança da medicação e imunização, diagnóstico seguro e prevenção de infecções”, explica Karina Pires, diretora executiva do Instituto Brasileiro de Segurança do Paciente, referência nacional em Consultoria, Conteúdo Científico e Educação para Segurança do Paciente. “Essa é uma grande oportunidade de direcionar os holofotes para um problema que merece toda a dedicação e atenção: os riscos e a redução de danos evitáveis em serviços de neonatologia e pediatria”, complementa Karina. 

A campanha também quer aumentar a conscientização e o engajamento do público, melhorando a compreensão global sobre a segurança do paciente recém-nascido e crianças.

 

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[1] Eichenwald EC; Committee on Fetus and Newborn, American Academy of Pediatrics. Apnea of Prematurity. Pediatrics. 2016 Jan;137(1). doi: 10.1542/peds.2015-3757.

[2]Schmidt B, Roberts RS, Davis P, Doyle LW, Barrington KJ, Ohlsson A, Solimano A, Tin W; Caffeine for Apnea of Prematurity Trial Group. Caffeine therapy for apnea of prematurity. N Engl J Med. 2006 May 18;354(20):2112-21. doi: 10.1056/NEJMoa054065.

[3] Ministério da Saúde [homepage na internet]. São Paulo registra redução no número de partos prematuros [Acesso em 18 jun, 2025]. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias-para-os-estados/sao-paulo/2024/novembro/sao-paulo-registra-reducao-no-numero-de-partos-prematuros

[4] Zidan TBB, Troster EJ, Beck J, Sanches LR, Ferreira CES, Zacharias RSB, et al. (2025) Effect of caffeine citrate on diaphragmatic electrical activity in pre-term newborns. PLoS ONE 20(4): e0320992. https:// doi.org/10.1371/journal.pone.0320992

[5] World Health Organization [homepage na internet]. Segurança do Paciente [Acesso em 02 set, 2025]. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/patient-safety

[6] Fiocruz [homepage na internet]. Atenção ao recém-nascido [Acesso em 02 set, 2025]. Disponível em: https://portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br/atencao-recem-nascido/principais-questoes-promovendo-seguranca-rn/

[7] Ventura CM, Alves JG, Meneses Jdo A. Eventos adversos em Unidade de Terapia Intensiva Neonatal [Adverse events in a Neonatal Intensive Care Unit]. Rev Bras Enferm. 2012 Jan-Feb;65(1):49-55. Portuguese. doi: 10.1590/s0034-71672012000100007.


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