Trânsito,
contas, prazos apertados, excesso de trabalho. Essa combinação já faz parte da
rotina de grande parte da população. Mas qual é o limite do estresse diário? E
o que acontece quando esse limite é ultrapassado? O Dia Mundial de Combate ao
Estresse, celebrado em 23 de setembro, é um convite à reflexão sobre como
lidamos com esse fenômeno tão presente na vida moderna.
Embora
frequentemente visto como um vilão, o estresse teve papel essencial na evolução
humana. A resposta fisiológica desencadeada por situações de ameaça, como o
aumento do cortisol, da adrenalina e dos batimentos cardíacos, foi determinante
para a sobrevivência de nossos ancestrais. Diante de um predador, como um leão,
essa descarga hormonal permitia reagir com rapidez, seja para lutar, seja para
fugir.
O problema surge
quando esse mesmo mecanismo é acionado de forma repetida em situações
cotidianas, como enfrentar o trânsito ou cumprir prazos de trabalho. O estresse
ocupacional, associado ao trabalho aumenta em 40% o risco cardiovascular. Além
disso, o estresse crônico aumenta o risco de diabetes e depressão.
No ambiente
profissional, o impacto é ainda mais alarmante. Um levantamento da International
Stress Management Association (ISMA-BR) mostra que 72% dos
brasileiros estão estressados no trabalho e 32% já desenvolveram a síndrome de
burnout, reconhecida pela OMS como um fenômeno ocupacional.
É claro que não
basta simplesmente “mandar alguém relaxar”. O manejo do estresse requer
mudanças concretas na forma como nos relacionamos com ele. É anedótico quando a
política da empresa de combate ao estresse se resume a ginástica laboral uma
vez ao ano.
A medicina do
estilo de vida propõe estratégias como a prática regular de atividade física
prazerosa, momentos de lazer, meditação e fortalecimento de vínculos sociais.
Em alguns casos,
no entanto, essas medidas não são suficientes. É ai que a transição de carreira
pode se tornar uma saída. Estudos apontam que mudanças de função, setor ou até
mesmo de área profissional podem reduzir os efeitos do burnout, sobretudo a
exaustão emocional e a despersonalização. Esse processo é mais efetivo quando
acompanhado de planejamento, suporte social e da construção de uma nova
identidade profissional.
Buscar
atividades que tenham propósito, significado e tragam satisfação pessoal
contribui para maior resiliência e reduz as chances de recaída em quadros de
estresse patológico. Reinventar-se nunca é tarde.
No Dia Mundial de Combate ao Estresse, a reflexão que fica é:
não se trata de eliminar o estresse da vida, algo impossível, mas de escolher
de que forma vamos nos relacionar com ele. Que o estresse que carregamos seja
aquele que nasce do propósito, do orgulho em nossas escolhas e da satisfação
pessoal e profissional.
Instagram @dr.ramonmarcelino,
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