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sexta-feira, 19 de setembro de 2025

Semaglutida oral 25 mg da Novo Nordisk (Wegovy® em comprimido*) proporciona perda de peso de 16,6% em pessoas com obesidade, aponta novo estudo

  • A semaglutida oral 25 mg (formulação em comprimido de uso diário do Wegovy®) alcançou uma perda de peso significativa, com um em cada três participantes do estudo perdendo 20% ou mais do peso corporal¹**.
  • A semaglutida oral 25 mg também demonstrou melhorias na capacidade de realizar atividades físicas diárias, como se levantar, caminhar e ser fisicamente ativo, além de melhorias nos fatores de risco cardiovascular¹.
  • A semaglutida oral 25 mg é a primeira terapia oral com GLP-1 submetida à Agência de Alimentos e Medicamentos dos EUA (FDA, na sigla em inglês) para o controle crônico do peso², e a Novo Nordisk já iniciou a produção em suas instalações nos EUA.

 

Bagsværd, Dinamarca, Plainsboro, NJ – Os resultados do estudo de fase 3 OASIS 4, que avaliou a eficácia e a segurança da semaglutida oral 25 mg (Wegovy® em comprimido*) em dose única diária, foram publicados nesta quarta-feira no The New England Journal of Medicine. Os resultados marcam um avanço significativo na ambição da Novo Nordisk de inovar no tratamento da obesidade. O estudo de 64 semanas comparou a semaglutida oral 25 mg (associada a mudanças no estilo de vida) ao placebo em 307 adultos com obesidade ou sobrepeso com uma ou mais comorbidades relacionadas ao peso, sem diabetes.¹

Os resultados mostraram que, em um cenário de adesão ideal ao tratamento, a perda de peso média foi de 16,6% para o grupo que utilizou semaglutida oral 25 mg, em comparação com 2,7% no grupo placebo após 64 semanas. Mais de um terço (34,4%) dos participantes alcançou uma redução de 20% ou mais do peso corporal, contra apenas 2,9% no grupo placebo.¹** Esse resultado é comparável aos obtidos em estudos anteriores com Wegovy® injetável.³

Quando analisado o efeito independentemente de os participantes terem tomado o medicamento exatamente conforme prescrito, aqueles que receberam semaglutida oral 25 mg ainda apresentaram uma perda de peso média de 13,6%, em comparação a 2,2% com o placebo.¹*** Quase um terço (29,7%) alcançou perda de peso de 20% ou mais, versus 3,3% no grupo placebo.¹*** Além disso, o estudo também descobriu que a semaglutida oral 25 mg melhorou os fatores de risco cardiovascular, bem como a capacidade de realizar mais atividades no dia a dia, em comparação com o placebo. Isso foi consistente com os resultados de estudos anteriores do Wegovy® injetável.¹,³

"A chegada de uma formulação oral de alta eficácia para o tratamento da obesidade é um marco que reflete nosso compromisso em ouvir e atender às necessidades dos pacientes", afirma Marília Fonseca, diretora médica da Novo Nordisk no Brasil. "Sabemos que a preferência por um tratamento oral pode ser um fator decisivo para muitas pessoas, e oferecer uma opção que combina a conveniência de um comprimido diário com a perda de peso robusta de 16,6%, já conhecida da semaglutida, tem o potencial de ampliar o acesso e a adesão ao tratamento. Estamos entusiasmados com a possibilidade de trazer mais uma inovação que não apenas entrega resultados clínicos expressivos, mas também melhora a qualidade de vida e a experiência do paciente em sua jornada contra a obesidade."

O perfil de segurança e tolerabilidade da semaglutida oral foi consistente com o do Wegovy® injetável.¹,³ No estudo OASIS 4, os eventos adversos gastrointestinais com semaglutida oral 25 mg foram geralmente de gravidade leve a moderada e transitórios; os mais comuns foram náusea (46,6% vs. 18,6% para placebo) e vômito (30,9% vs. 5,9% para placebo).¹ Eventos adversos que levaram à descontinuação permanente do tratamento foram de 6,9% (semaglutida oral 25 mg) e 5,9% (placebo). A incidência de eventos adversos graves foi de 3,9% (semaglutida oral 25 mg) e 8,8% (placebo).¹ Isso reforça o perfil de segurança e tolerabilidade da semaglutida, como também demonstrado em mais de 37 milhões de pacientes-ano de exposição.¹,⁴

"Os resultados do estudo OASIS 4 reforçam ainda mais o impacto significativo que a semaglutida pode ter na obtenção de uma perda de peso sustentável e em benefícios mais amplos para a saúde", disse Sean Wharton, autor principal do estudo e diretor médico da Wharton Medical Clinic. "A semaglutida oral 25 mg baseia-se na eficácia comprovada e no perfil de segurança e tolerabilidade estabelecido da semaglutida e representa um avanço significativo no tratamento da obesidade. Pessoas com sobrepeso ou obesidade têm preferências individuais e, com a semaglutida oral como uma nova opção de tratamento potencial, mais pessoas que hoje não estão em tratamento podem considerar iniciar uma terapia com GLP-1."

Em fevereiro, a Novo Nordisk submeteu um Pedido de Novo Medicamento (NDA) para a formulação em comprimido de uso diário do Wegovy®.²* A análise da FDA sobre este NDA deve ser concluída até o final de 2025.⁵ Atualmente, não existem formulações orais aprovadas de um medicamento GLP-1 para perda de peso.

Se aprovado pela FDA, o comprimido para controle de peso será totalmente fabricado nos EUA, com a produção já em andamento na fábrica significativamente expandida da Novo Nordisk.

 

*Nome comercial de 'Wegovy® em comprimido' submetido à FDA e pendente de aprovação.

**Com base na estimativa de efeito do tratamento caso todos os participantes aderissem ao uso do medicamento.

***Com base na estimativa de efeito do tratamento independentemente da adesão.
 

Sobre o OASIS 4

O OASIS 4 foi um estudo de fase 3, randomizado, duplo-cego e controlado por placebo, com duração de 64 semanas, que avaliou a eficácia e a segurança da semaglutida oral 25 mg uma vez ao dia versus placebo em 307 adultos com obesidade (IMC ≥ 30 kg/m²) ou sobrepeso (IMC ≥ 27 kg/m²) com uma ou mais comorbidades relacionadas ao peso.¹ Pessoas com diabetes foram excluídas.¹

O OASIS 4 incluiu um período de tratamento de 64 semanas, incluindo uma escalada de dose de 12 semanas, e um período de acompanhamento de 7 semanas sem tratamento.¹ No total, 307 participantes foram randomizados na proporção de 2:1 para receber semaglutida oral 25 mg uma vez ao dia ou placebo, juntamente com intervenção no estilo de vida por 64 semanas.¹
 

Sobre a obesidade

A obesidade é uma doença grave, crônica, progressiva e complexa que requer manejo a longo prazo.⁶⁸ Um equívoco fundamental é que se trata de uma doença apenas por falta de força de vontade, quando, na verdade, existe uma biologia subjacente que pode impedir as pessoas com obesidade de perder peso e mantê-lo.⁶,⁸ A obesidade é influenciada por uma variedade de fatores, incluindo genética, determinantes sociais da saúde e o ambiente.⁹,¹⁰
 

Sobre o Wegovy®

A semaglutida injetável 2,4 mg é comercializada sob a marca Wegovy®. O medicamento foi aprovado pela Anvisa em janeiro de 2023 e chegou ao mercado brasileiro em agosto de 2024. No Brasil, Wegovy® é indicado para obesidade (IMC ≥30 kg/m²) ou sobrepeso (IMC ≥27 kg/m²) associado a pelo menos uma comorbidade relacionada ao excesso de peso, como complemento a uma dieta com redução calórica e aumento da atividade física. Wegovy® também é indicado para pacientes a partir de 12 anos de idade com obesidade (IMC inicial no percentil 95 ou superior para a idade e gênero) e peso corporal acima de 60 kg.

Nos EUA, a injeção de Wegovy® (semaglutida) 2,4 mg está atualmente aprovada, juntamente com uma dieta de calorias reduzidas e aumento da atividade física, para adultos e crianças a partir de 12 anos com obesidade, ou alguns adultos com sobrepeso que também têm problemas médicos relacionados ao peso, para ajudá-los a perder o excesso de peso e mantê-lo, e para reduzir o risco de eventos cardiovasculares importantes, como morte, infarto ou derrame em adultos com doença cardíaca conhecida e obesidade ou sobrepeso. É importante notar que a injeção de semaglutida 2,4 mg contém um Aviso em Destaque (Boxed Warning) para possíveis tumores da tireoide, incluindo câncer, e não deve ser usada em pessoas com histórico pessoal ou familiar de carcinoma medular da tireoide (CMT) ou síndrome de Neoplasia Endócrina Múltipla tipo 2 (MEN 2).

A semaglutida oral 25 mg (Wegovy® em comprimido*) não está aprovada nos EUA ou no Brasil.

 



Novo Nordisk
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Referências

  1. Wharton S, Lingvay I, Bogdanski P, et al. Oral Semaglutide 25 mg in Adults with Overweight or Obesity. N Engl J Med. 2025; 393:1077-1087. DOI: 10.1056/NEJMoa2500969
  2. Oral Semaglutide 25 mg FDA NDA filing; Novo Nordisk data on file.
  3. Wilding, JPH, Batterham RL, Calanna S, et al. Once-Weekly Semaglutide in Adults with Overweight or Obesity. N Engl J Med. 2021;384:989–1002.
  4. Novo Nordisk A/S. Data on file.
  5. Novo Nordisk Press Release. FDA accepts filing application for oral semaglutide 25 mg, which if approved, would be the first oral GLP-1 treatment for obesity. Available at: https://www.novonordiskus.com/media/news-archive/news-details.html?id=915988. Accessed September 2025.
  6. Kaplan LM, Golden A, Jinnett K, et al. Perceptions of barriers to effective obesity care: results from the national action study. Obesity. 2018;26(1):61–69.
  7. Bray GA, Kim KK, Wilding JPH; World Obesity Federation. Obesity: a chronic relapsing progressive disease process. A position statement of the World Obesity Federation. Obes Rev. 2017;18(7):715–723.
  8. Garvey WT, Mechanick JI, Brett EM, et al. American association of clinical endocrinologists and American College of Endocrinology comprehensive clinical practice guidelines for medical care of patients with obesity. Endocr Pract. 2016;22 (Suppl 3):1–203.
  9. Centers for Disease Control and Prevention. Adult obesity facts. Available at: https://www.cdc.gov/obesity/adult-obesity-facts/index.html. Last accessed: September 2025.
  10. World Obesity Federation. World Obesity Atlas 2024. Available at: https://data.worldobesity.org/publications/WOF-Obesity-Atlas-v7.pdf. Last accessed: September 2025.


Como a saúde intestinal pode influenciar e contribuir para os riscos de Insuficiência Cardíaca

  

O que, a princípio, pode parecer distante do coração está mais próximo do que se imagina. A saúde do intestino, órgão essencial no processo digestivo e na absorção de nutrientes, pode influenciar no funcionamento de outros importantes sistemas do corpo humano, inclusive o coração. 

Estudos revelam que qualquer inflamação relevante e sistêmica produzida no corpo, ou até mesmo as que consideramos menos importantes, pode se agravar para doenças coronárias como a insuficiência cardíaca.

Uma pesquisa do The American Journal of Medicina associou, especificamente, doenças inflamatórias intestinais a um risco aumentado de insuficiência cardíaca, possivelmente pela inflamação que também prejudica esse órgão tão essencial à vida. O aumento da fibrilação atrial ocorreu durante crises e atividade persistente da doença inflamatória intestinal, mas não durante períodos de remissão.

O alerta é sobre a “disbiose”, uma condição que tem origem no desequilíbrio da microbiota, conhecida como flora intestinal. “Quando ocorre um desequilíbrio na função normal do intestino, o quadro pode afetar a saúde de um modo geral e, entre algumas complicações, estão os riscos para o coração”, explica o Dr. Ricardo Ferreira, médico cardiologista e especialista em arritmias cardíacas do Centro Cardiológico de São Paulo e Uberaba-MG.

Os cuidados para evitar o problema podem começar por uma dieta alimentar equilibrada, com o consumo de alimentos in natura, menos industrializados. Assim como a prática de exercícios físicos e técnicas de combate ao estresse. Segundo o Dr. Ricardo Ferreira, o uso descontrolado de antibióticos, o estresse e a exposição a determinados patógenos são fatores que também podem influenciar negativamente o quadro.

Neste contexto é importante ressaltar que, conforme publicações de pesquisas e estudos realizados pelo Manual MSD de Saúde Médica, a insuficiência cardíaca é uma condição séria que acomete cerca de 26 milhões de pessoas em todo o mundo.

 

Dr. Ricardo Ferreira Silva - graduado em medicina pela Universidade de Uberaba (MG), fez residência em Cardiologia pelo Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo, em 2011, e se especializou em Estimulação Cardíaca Artificial e Arritmia Clínica no Instituto de Cardiologia Dante Pazzanese de São Paulo, em 2014 - título reconhecido pelo Departamento de Estimulação Cardíaca Artificial. Além de ter especialização em eletrofisiologia clínica e invasiva no Hospital do Coração de São Paulo e concluído seu Doutorado pela Universidade de São Paulo (USP), em 2018. Já em 2017, Dr. Ricardo fundou o Centro Cardiológico em sua cidade natal, Uberaba, para levar o que havia de mais moderno em tratamento de arritmia cardíaca para o interior do estado. Em pouco tempo, com a evolução do serviço e a necessidade de facilitar o acesso aos pacientes de outras localidades do país, expandiu para São Paulo. Hoje, está presente também dentro de hospitais como Beneficência Portuguesa, Samaritano e São Camilo – em São Paulo.



Uso prolongado do celular e os problemas posturais

Uso excessivo do celular pode trazer problemas  à saúde da coluna 
 Getty Images
A má postura pode gerar, além de dores nas costas, uma série de problemas na coluna como o pescoço de leitura, deformações na coluna e outros danos musculoesqueléticos

 

O uso excessivo de aparelho celular pode causar diversos prejuízos à coluna, principalmente pela postura inadequada adotada ao usá-lo por longos períodos. Pesquisas apontam que o tempo médio diário de uso do celular no Brasil varia conforme o estudo, mas é elevado, com estimativas que chegam a nove horas, colocando o país entre os líderes mundiais em tempo de tela. Um estudo da DataReportal aponta o Brasil como o segundo país no ranking mundial de tempo de uso de telas.  

O médico neurocirurgião especialista em coluna Túlio Rocha destaca que tanto tempo de exposição ao smartphone pode trazer alguns problemas à saúde, como o text neck, o pescoço de texto; má postura prolongada; tensão muscular e dores de cabeça. 

Os números sobre problemas posturais variam, mas indicam alta prevalência. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 80% da população mundial pode ter dores na coluna, enquanto estudos apontam que entre 38% e 65% das crianças e adolescentes têm vícios posturais, com prevalências de desvios específicos como escoliose e hipercifose.  

Um estudo recente apontou que seis em cada dez crianças e adolescentes adotam posturas inadequadas no dia a dia, principalmente nas atividades escolares. O estudo foi realizado na China com 595.057 meninos e meninas com idade média de 12 anos.  

Os pesquisadores chineses concluíram que as más posturas adotadas na infância são responsáveis por diversos problemas no sistema musculoesquelético na adolescência e na vida adulta, sendo os principais os desvios da coluna, como escoliose, hiperlordose e hipercifose.  

Os estudos vão ao encontro da observação do médico Túlio Rocha e destacam que estes problemas são impulsionados por fatores como o uso de eletrônicos, mochilas pesadas e o sedentarismo, e podem causar dores crônicas, deformações na coluna e outros danos musculoesqueléticos ao longo da vida. 

A má postura do dia a dia pode gerar, além de dores nas costas, uma série de problemas na coluna. Segundo a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), cerca de 36% da população brasileira sofre com dores crônicas na coluna. Já a OMS aponta que oito em cada dez pessoas vão desenvolver dor na lombar em algum momento da vida.

 

Principais danos 

O text neck, ou síndrome do pescoço de texto, é uma lesão por esforço repetitivo causada pela postura da cabeça inclinada para baixo ao usar dispositivos eletrônicos, como smartphones e tablets. Este hábito prolongado pode levar a dores fortes no pescoço, ombros e cabeça, rigidez, contraturas musculares, dores de cabeça e até deformidades ósseas e problemas na coluna vertebral, como inflamação de ligamentos e hérnias de disco.  

“Esta postura gera sobrecarga na coluna cervical, no pescoço. Isso porque a cabeça humana pesa cerca de 5 quilos, mas quando inclinada para frente a 60 graus, essa carga pode chegar a até 27 quilos sobre as vértebras cervicais. O pescoço de texto pode causar também dores no pescoço, ombros e parte superior das costas; rigidez muscular e até formigamentos nos braços, causados por compressão de nervos”, afirma Túlio Rocha. 

O médico elenca como outro mal causado pelas horas excessivas de uso do aparelho celular a má postura prolongada. “Ficar curvado por horas pode causar cifose postural, uma corcunda temporária ou permanente; dores lombares devido à pressão nos discos intervertebrais; desalinhamento da coluna vertebral; enfraquecimento da musculatura postural, especialmente do core e músculos das costas. A má postura pode causar contraturas nos músculos cervicais, o que frequentemente leva a dores de cabeça tensionais, tonturas e alterações na mobilidade do pescoço” 

O tempo excessivo do celular sem pausas agrava todos os efeitos citados, além de reduzir a lubrificação natural das articulações da coluna; diminuir a circulação sanguínea, favorecendo inflamações; e causar inflamações nos tendões e articulações – tendinites e bursites.

  

Dicas para prevenir os problemas na coluna causados pelo celular 

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) recomenda para crianças o uso de celular ou tablets de no máximo uma hora para crianças de 2 a 5 anos, e de duas a três horas para os mais velhos, com tempo zero para crianças menores de 2 anos. Não há diretrizes específicas para adultos, mas o uso excessivo pode prejudicar a saúde física e mental, sendo recomendado focar em outras atividades e fazer pausas.  

O neurocirurgião especialista em coluna Túlio Rocha dá algumas dicas para prevenir os problemas na coluna causados pelo tempo excessivo de uso do aparelho celular. 

·         Mantenha o celular na altura dos olhos para evitar curvar o pescoço.

·         Use apoio para os braços quando estiver usando o celular sentado.

·         Faça pausas frequentes a cada 20 a 30 minutos de uso.

·         Alongue o pescoço, os ombros e costas regularmente.

·         Fortaleça a musculatura postural especialmente com exercícios para o core.

·         Evite usar o celular deitado, especialmente com o pescoço dobrado para frente.

 

Túlio Rocha - Médico neurocirurgião especialista em coluna

 

Luta pela vida: como o Brasil está combatendo a Leucemia com transplantes de medula óssea

Diante de mais de 11 mil possíveis novos casos e a dificuldade de um doador compatível, Dr. Leandro Dalmazzo, vice-presidente médico do Grupo GSH, explica a importância do procedimento e como a instituição atua em parceria com o REDOME para acelerar transplantes de medula óssea no Brasil

 

Um dos maiores desafios da saúde pública no Brasil são as chamadas doenças de sangue, ou hematológicas. Enquanto algumas, como anemias por falta de nutrientes, podem ser evitadas e tratadas com uma dieta adequada e tratamentos simples e efetivos, outras requerem tratamentos mais específicos. A leucemia, um tumor que afeta os glóbulos brancos do sangue, é o décimo tipo de câncer mais frequente na população brasileira, com cerca de 11 mil casos novos a cada ano, de acordo com previsão do Instituto Nacional do Câncer (INCA).

“Como outros cânceres, o tratamento da leucemia pode passar por medicamentos e quimioterapia ou radioterapia, mas dependendo do tipo, como no caso da leucemia aguda e da mieloide crônica, podem chegar à necessidade de um transplante de medula óssea”, explica Dr. Leandro Felipe Figueiredo Dalmazzo, vice-presidente médico do Grupo GSH. Segundo o médico, esse transplante envolve a substituição da medula óssea doente por células-tronco saudáveis, que podem ser obtidas do próprio paciente (transplante autólogo) ou de um doador compatível (transplante alogênico). Nas leucemias, o transplante alogênico é sempre o mais recomendado para o tratamento, o que sempre exigirá um doador compatível com o paciente.

O Grupo GSH atende a diversos hospitais parceiros, pelo país, por meio de sua equipe médica e profissionais aptos para a realização do transplante de medula óssea. Assim como, disponibilizando os bancos de sangue da rede – em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, para realizarem o processo de coleta – desde a avaliação dos doadores de medula (que envolve todos os exames necessários) até a coleta da bolsa de célula, observando aos critérios estabelecidos pelo Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea (REDOME).

“O processo de transplante de medula óssea começa pela identificação de um doador compatível, que passa por vários testes para que, então, suas células-tronco hematopoiéticas sejam coletadas da medula óssea ou do sangue periférico”, esclarece dr. Leandro. No transplante, é realizada uma “destruição” da medula óssea doente por meio de quimioterapia e/ou radioterapia, seguida pela infusão das células-tronco saudáveis, que irão ocupar a medula óssea e restaurar a produção normal de células sanguíneas.

Ainda segundo o médico, é preciso haver também um preparo específico e estruturado da instituição para dar o apoio necessário ao transplante. “Aqui no Grupo GSH, por exemplo, possuímos todo o suporte para realizar o planejamento conjunto com a equipe de transplantadores, realizando tanto o procedimento de coleta do material, quanto a avaliação e acompanhamento do doador alogênico de medula, além de um time instruído para manipular e preparar o produto colhido, seja para infusão ou criopreservação”, ressalta.


Dia Mundial do Doador de Medula Óssea: 20 de setembro

Em 20 de setembro, celebra‑se o Dia Mundial do Doador de Medula Óssea, data ideal para reforçar a importância da doação voluntária. Apesar de o Brasil possuir hoje mais de 5,9 milhões de doadores de medula óssea cadastrados, e mais de 125 mil novos doadores a cada ano, segundo o Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea (REDOME), há ainda cerca de 2 mil pacientes à espera por um doador compatível. “Isso ocorre porque é mais difícil conseguir um doador compatível que não seja da própria família, cerca de um em cada 100 mil pessoas sem nenhum parentesco”, comenta Dr Leandro.

O médico reforça a importância do incentivo à doação de medula óssea. “Quanto mais voluntários tivermos para essas doações, mais chance de encontrar um doador compatível para esses pacientes”, conclui.

 

Grupo GSH

 

Suplementação em excesso: quando o modismo pode prejudicar a saúde

O consumo indiscriminado e excessivo de
suplementos pode causar hipervitaminose
 Freepik
Nutricionista explica que vitaminas e minerais são essenciais para o organismo, mas que o uso indiscriminado, muitas vezes incentivado por modismos, pode trazer mais riscos do que benefícios.

 

O interesse por suplementação nunca esteve tão em alta. De gominhas coloridas a coquetéis intravenosos, as redes sociais estão repletas de promessas de energia, imunidade e até longevidade. Mas o entusiasmo crescente com os suplementos tem um lado pouco discutido: o excesso de nutrientes no organismo, conhecido como hipervitaminose, pode trazer complicações sérias. 

Para além de uma questão estética, a busca desenfreada por resultados rápidos tem levado pessoas saudáveis a consumirem suplementos sem necessidade comprovada. A prática, que deveria ser acompanhada por avaliação clínica, muitas vezes é feita de forma autônoma ou até incentivada por profissionais, mas sem respaldo científico. O resultado é que, em vez de corrigir deficiências, esse consumo pode sobrecarregar órgãos vitais, como o fígado, atrapalhar a absorção de outros nutrientes essenciais e causar outros efeitos adversos. 

De acordo com a nutricionista Marina Gorga, especialista em nutrição funcional e fundadora do Studio Gorga Bem-Estar, a suplementação deve ser usada como recurso terapêutico, e não como moda. “Nem sempre mais é melhor. Quando falamos de nutrientes, o excesso pode ser tão prejudicial quanto a falta”, afirma.

 

Suplementação e soroterapia: o que são e quais os riscos? 

A especialista esclarece que o termo suplementação refere-se ao consumo oral, sublingual, endovenoso, intramuscular de vitaminas, minerais ou compostos bioativos, geralmente em cápsulas, pós ou soluções. Já a soroterapia nada mais é do que o nome popularizado da aplicação endovenosa de nutrientes e compostos bioativos. Embora ambas as práticas possam ser úteis em situações específicas, o uso indiscriminado preocupa. “O problema surge quando essas estratégias são banalizadas e oferecidas sem critério. O soro não é uma reposição de energia instantânea e a cápsula não substitui uma refeição equilibrada. Toda intervenção deve ter indicação clínica clara”, explica Marina.

 

Quem está em risco de desenvolver hipervitaminose? 

Segundo Marina, o risco está no consumo excessivo e indiscriminado por pessoas que não necessitam de reposição ou suplementação. Especialmente, jovens e adultos saudáveis que já seguem dietas equilibradas. “Vitaminas lipossolúveis, como A, D, E e K, se acumulam no organismo. Em excesso, podem provocar danos ao fígado, rins e até ao sistema cardiovascular. Além de custar caro para o bolso”, explica.

A especialista alerta ainda que o excesso de um nutriente pode comprometer a absorção de outro. “O excesso de vitamina D, por exemplo, compete com a vitamina A, tão importante para a saúde ocular, reprodutiva e tireoidiana. Já o ferro em excesso é pró-oxidativo, o que pode causar desequilíbrio ou danos celulares. Aquela velha história de “quanto mais, melhor” cai por terra quando o assunto é suplementação”, comenta Marina. 

 

Suplementos podem interagir com medicamentos? 

Outro ponto pouco falado é o risco de interações medicamentosas. Compostos como o 5-HTP, frequentemente usado para melhorar sono e ansiedade, e a cafeína, presente em cápsulas e termogênicos, podem interferir no efeito de ansiolíticos e antidepressivos. “É fundamental avaliar o uso de suplementos dentro do contexto do histórico clínico e dos remédios que o paciente já utiliza. Caso contrário, a suplementação deixa de ser uma aliada e passa a ser um fator de risco”, alerta Marina.

 

Por que os “soros da moda” preocupam? 

Nos últimos anos, os coquetéis intravenosos ganharam popularidade, muitas vezes vendidos como pacotes de revitalização. Para especialistas, a prática deve ser restrita a pacientes com deficiências comprovadas ou que não possam usar a via oral. “Aplicar soro em uma pessoa saudável, sem déficit nutricional, não traz benefícios sustentáveis. Pelo contrário: pode mascarar sintomas e atrasar diagnósticos importantes”, observa Marina.

 

O excesso de suplementos também afeta o comportamento? 

Marina Gorga afirma que a relação não é apenas fisiológica. É muito comum que as pessoas possam desenvolver uma dependência emocional da suplementação, acreditando que não conseguem manter a saúde sem cápsulas ou soros. “Não podemos colocar a responsabilidade do bem-estar em um frasco. O suplemento é uma ferramenta, mas nunca substitui sono adequado, alimentação equilibrada e atividade física”, resume a nutricionista.

 

Quem precisa de suplementação? 

A especialista reforça que os suplementos são ferramentas valiosas, desde que bem indicados. “Eles podem corrigir, quando bem dosados, as deficiências nutricionais. Mas precisam ser prescritos por um médico ou nutricionista”, orienta Marina Gorga. Para saber se o paciente precisa suplementar alguma vitamina ou mineral é necessário fazer uma série de exames bioquímicos, explica a nutricionista. “A partir do rastreio clínico, de uma boa anamnese na consulta e do resultado dos exames saberemos de fato o que precisa ser suplementado e as quantidades personalizadas. Esse é o procedimento correto e seguro”, orienta.

De acordo com a nutricionista Marina Gorga, o risco está nas fórmulas genéricas: clínicas e lojas especializadas muitas vezes vendem produtos com altas doses de nutrientes e compostos bioativos, como panaceias, mas sem respaldo científico.  Nessas situações, o consumo não traz os resultados prometidos e ainda pode levar ao excesso de nutrientes. “Se por um lado existem produtos que pecam pelo excesso, de outro lado temos as famosas gominhas, que são encontradas facilmente nos comércios e farmácias, mas que possuem doses ínfimas, incapazes de corrigir alguma deficiência e que só pesam no bolso do consumidor”, finaliza a especialista. 

 

Marina Gorga - nutricionista (CRN3 37985). Fundadora e coordenadora do Studio Gorga Bem Estar, em São Paulo, e do Nutricionário – Ecossistema para Nutricionistas, também é professora e fundadora do Nutricionário.Lab – Formação Completa para Nutricionistas. Atua com foco em saúde intestinal, doenças autoimunes, doenças inflamatórias, neurodiversidades, performance cognitiva e longevidade, sempre com base científica e abordagem personalizada.



Água mineral e cálculo renal: só na rima eles combinam


No consultório, uma pergunta se repete com frequência quase ritualística: “Doutor, será que foi a água mineral que me deu essa pedra no rim?” Essa dúvida, comum e compreensível, alimenta um dos mitos mais resistentes da urologia. Mas afinal, será que existe mesmo uma relação entre o consumo de água mineral e a formação de cálculos renais? 

Pedras nos rins surgem quando a urina fica supersaturada por determinadas substâncias, como cálcio, oxalato, ácido úrico, entre outras. Quando esses elementos se acumulam em excesso — ou quando há pouca água para diluí-los —, formam-se cristais. Esses cristais, com o tempo, se agrupam e formam os cálculos. Cada tipo de pedra tem sua composição e fisiopatologia específicas, o que torna esse processo mais complexo do que parece à primeira vista. 

É verdade que algumas águas minerais possuem concentrações mais elevadas de certos minerais, como cálcio, magnésio ou bicarbonato, dependendo da fonte e da marca. Isso leva muita gente a concluir que o consumo regular dessas águas poderia contribuir para a formação de pedras nos rins. A lógica parece fazer sentido: se há mais cálcio na água, então haveria mais cálcio sendo excretado na urina — e, com isso, mais risco de cálculo. Mas a medicina não se baseia em achismos ou em suposições intuitivas. Ela se fundamenta em evidências. 

E o que dizem os estudos? Vários trabalhos sérios e bem conduzidos analisaram diferentes tipos de água mineral — com gás, sem gás, de diversos pHs e composições minerais — e chegaram à mesma conclusão: o consumo de água mineral não aumenta o risco de formação de cálculo renal. Na verdade, o oposto é verdadeiro. Uma boa hidratação, seja com água da torneira, filtrada, engarrafada ou mineral, é uma das principais medidas preventivas para quem tem tendência a formar cálculos. Quanto mais água pura o paciente consome ao longo do dia, menor a concentração urinária de substâncias que favorecem a cristalização. A equação é simples: mais líquido, menos pedras. 

Diversas entidades médicas e científicas, como a Sociedade Brasileira de Urologia e a American Urological Association, orientam de forma clara que a hidratação abundante é o principal fator modificável para reduzir a formação de cálculos. E isso independe do tipo de água. O que realmente importa é o volume total ingerido ao longo do dia — e não se ela vem da fonte, da garrafa ou do filtro. 

Dito isso, podemos esclarecer de forma definitiva: água mineral potável não causa pedra nos rins. O que contribui para o problema é a falta de água, não a presença de certos minerais. Portanto, beba água, escolha a que mais gostar ou tiver acesso, e cuide bem da sua saúde renal. Sem culpa — e sem mitos.  



Dr. Paulo Jaworski - urologista, cirurgião robótico, mestre em clínica cirúrgica a professor da Faculdade Evangélica Mackenzie do Paraná (FEMPAR)


Novas drogas psicoativas e opioides: um desafio crescente para a toxicologia laboratorial e a saúde pública

Alvaro Pulchinelli, patologista clínico e toxicologista, alerta para a rápida evolução das substâncias sintéticas, seus riscos clínicos e os impactos já visíveis no Brasil. Já foi identificado no país, em 2025, um novo opióide sintético, o Nitazeno, que havia sido registrado anteriormente na União Europeia. SBPC/ML lançou nesta terça (16) Primeira Norma de Toxicologia do Brasil para orientar laboratórios

 

O patologista clínico e toxicologista Álvaro Pulchinelli, presidente da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial (SBPC/ML), destacou em sua apresentação, no 57º Congresso da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial (CBPCML), os riscos das novas drogas psicoativas (NPS) e a complexidade que representam para a toxicologia laboratorial e para a saúde pública. “Essa é uma indústria extremamente lucrativa e complexa, com uma criatividade quase inesgotável”, afirmou. O CBPC/ML acontece de 16 a 19 de setembro, no Riocentro, no Rio de Janeiro. 

Segundo dados apresentados, apenas em 2024 foram apreendidas 41,5 toneladas de novas substâncias na União Europeia, com 47 drogas detectadas pela primeira vez. Entre elas, os mitazenos chamam a atenção pela potência e pela dificuldade de controle. Esse movimento, inicialmente concentrado em países desenvolvidos, já se reflete no Brasil, onde têm sido registradas apreensões de canabinoides sintéticos (K2, SPICE), catinonas (“sais de banho”), cocaína rosa, opioides sintéticos (como o fentanil) e os chamados “designer benzodiazepínicos”.

Pulchinelli chamou atenção para alguns pontos críticos que tornam o enfrentamento desse cenário ainda mais desafiador: 

- Zona cinzenta legal: muitas substâncias circulam sem proibição explícita, aproveitando brechas jurídicas que favorecem sua comercialização.

- Variabilidade de composição: os traficantes modificam fórmulas e concentrações conforme o perfil do usuário, aumentando o risco de overdose e morte súbita, inclusive entre iniciantes.

- Dificuldade diagnóstica: os efeitos clínicos nem sempre correspondem ao padrão conhecido das drogas tradicionais. “Se não conhecemos o efeito, não levantamos suspeita, e isso dificulta a atuação dos serviços de emergência”, alertou Pulchinelli.

Como exemplos, ele destacou que os canabinoides sintéticos podem causar lesão renal aguda, psicose e até morte; as catinonas podem levar a hipertermia, paranoia e arritmia fatal; e opióides extremamente potentes, como o carfentanil, multiplicam o risco de overdose. O toxicologista também ressaltou o fenômeno do uso combinado de drogas, prática em que estimulantes são utilizados para prolongar a vigília e benzodiazepínicos para induzir o sono. “É uma combinação altamente perigosa”, avaliou.
 

A crise dos opioides e os sinais no Brasil 

O panorama da crise dos opioides nos Estados Unidos, marcada por overdoses envolvendo heroína, fentanil e derivados, continua em agravamento. No Brasil, embora o impacto ainda seja menor, o consumo segue em crescimento.

A codeína é o opióide mais identificado nas análises laboratoriais, já que sua prescrição é mais simples - exige apenas receita branca carbonada. No entanto, opióides mais potentes, como a oxicodona, também estão em uso crescente no país.

Pulchinelli lembrou que, no Brasil, a prescrição de opióides aumentou antes mesmo do pico das overdoses por fentanil nos EUA. Esse processo expôs a população aos efeitos das substâncias e abriu caminho para usos ilícitos. Nos Estados Unidos, três “ondas” marcaram a epidemia: a primeira com opióides prescritos, seguida pela heroína e, mais recentemente, pelos sintéticos. 

Entre os principais fatores de risco para overdose por opioides, o especialista destacou o uso prévio da substância (3,5 vezes mais chance de overdose); ohistórico de transtornos de saúde mental, como depressão, esquizofrenia e ansiedade; os jovens com menos de 40 anos (maior vulnerabilidade); sexo masculino; a influência familiar, quando há uso prescrito em casa - muitas vezes por dentistas -, o que facilita o acesso para filhos e outros parentes.

O especialista lembra ainda que no Brasil, já foi identificado em 2025 um novo opióide sintético, o Nitazeno, que havia sido registrado anteriormente na União Europeia. Pulchinelli destacou ainda alguns obstáculos que precisam ser enfrentados: a rápida diversificação das drogas, que pode deixar a legislação defasada; a produção clandestina acessível, realizada em pequenos laboratórios caseiros; a facilidade de acesso pela internet, que amplia a disseminação cultural do consumo entre jovens; os novos efeitos psicoativos, que expõe usuários a riscos inéditos; as limitações diagnósticas, já que testes rápidos identificam dezenas de moléculas, mas não acompanham toda a diversidade. “Nesse sentido, a espectrometria de massa desponta como solução para maior precisão e agilidade, sobretudo com o desenvolvimento de bibliotecas expandidas de compostos", explica.

Ao concluir, o presidente da SBPC/ML reforçou a necessidade de vigilância e atualização constante da toxicologia laboratorial. “O cenário está se tornando cada vez mais complexo e precisamos estar preparados para identificar e manejar essas intoxicações”, finalizou. 

  

SBPC/ML lança primeira Norma de Toxicologia no Brasil 

A primeira Norma de Toxicologia do Programa de Acreditação de Laboratórios Clínicos (PALC) foi lançada esta terça-feira (16), durante o 57º CBPC/ML, no Rio de Janeiro. O novo regulamento representa um marco para os laboratórios brasileiros, ao estabelecer critérios técnicos e científicos mais adaptados à realidade nacional e alinhados aos padrões internacionais de qualidade. 

“Os laboratórios que atuam em toxicologia já precisam ser acreditados por uma entidade reconhecida para exercer suas funções, especialmente nos exames obrigatórios para concursos públicos e renovação da carteira de motorista. Porém, até agora, as opções disponíveis eram onerosas ou pouco ajustadas ao contexto brasileiro. Com a Norma de Toxicologia do PALC, conseguimos oferecer uma alternativa robusta, científica e ao mesmo tempo mais adequada à nossa realidade”, explica Alvaro Pulchinelli, toxicologista, patologista clinico e presidente da SBPC/ML. 

Hoje, o Brasil conta com duas referências de acreditação na área: o Colégio Americano de Patologistas, de excelência reconhecida, mas de alto custo para os laboratórios nacionais, e a norma ISO 17025, gerida pelo Inmetro, voltada sobretudo para a análise toxicológica em aspectos técnicos. A proposta da SBPC/ML é mais abrangente, incorporando exigências do Senatran (Secretaria Nacional de Trânsito), da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), além de diretrizes internacionais.

Mais de 100 países fazem mobilizações globais para pressionar líderes e poluidores

Mobilizações populares, grandes e pequenas, acontecerão em mais de 100 países entre os dias 19 e 21 de setembro, coordenadas sob o lema “Draw The Line” ("Trace a Linha"). Algumas mobilizações acontecem no Brasil, inclusive em Belém.

 

As ações exigem uma ação climática urgente, justa e com protagonismo popular, à medida que líderes mundiais se preparam para apresentar seus planos climáticos atualizados (NDCs) na Cúpula do Clima do Secretário-Geral da ONU, em Nova York, em 24 de setembro. 

Esse momento acontece em meio a novas pesquisas do Instituto de Meio Ambiente de Estocolmo e da Oxfam, que mostram que o 1% mais rico da população mundial emite tanto carbono quanto os 5 bilhões mais pobres juntos.

  • Em Londres, o protesto nacional “Make Them Pay” (“Façam Eles Pagarem”) no dia 20 de setembro unirá movimentos climáticos, trabalhistas e por justiça social, exigindo tributação dos super-ricos poluidores e proteção aos trabalhadores.
     
  • Em Nova York, a marcha “Make Billionaires Pay” (“Façam os Bilionários Pagarem”) dá início a uma mobilização nacional.
     
  • Em Belém, no dia 21 de setembro, comunidades amazônicas exigirão uma COP30 sem petróleo na Amazônia, com uma linha de 20 barcos e uma faixa gigante.

    “Draw the Line” é uma ação global coorganizada por diversas organizações e redes internacionais contra a desigualdade, a destruição ambiental e o caos climático, e a favor dos direitos, empregos, justiça e um planeta seguro. Veja o comunicado de imprensa completo para mais informações. Contatos de imprensa, declarações e eventos-chave estão listados abaixo.

 

Ações chave e destaques

Durante esta Semana Global de Ação, protestos, ações artísticas, vigílias e marchas ocorrerão em mais de 100 países, com ápice entre os dias 19 e 21 de setembro. Confira eventos locais no site da Draw the Line.

Cidades com mobilizações confirmadas incluem: Belém, Berlim, Dhaka, Istambul, Jacarta, São Paulo, Buenos Aires, Joanesburgo, Suva, Londres, Manila, Melbourne, Mumbai, Nairóbi, Nova Delhi, Nova York, Paris, Tóquio e Wellington, entre outras.

 

Alguns eventos programados: 

🇧🇷 Mobilização em Belém – Brasil – 21/09
Comunidades pesqueiras formarão uma linha com 20 barcos e faixa pedindo uma COP30 sem petróleo na Amazônia.
 

🇬🇧 Make Them Pay – Reino Unido – 20/09
Protesto nacional com milhares esperados nas ruas de Londres.
🕛 12h – Portland Place, Londres 

🇺🇸 Make Billionaires Pay – EUA – 20/09
Marcha em Nova York durante a Climate Week e a Assembleia Geral da ONU.
Coletiva de imprensa às 11h30 – Marcha às 12h – Park Ave & E 50th St
 

🇺🇸 Sun Day – EUA – 21/09
Celebração da energia limpa: instalação de painéis solares, desfiles de e-bikes, visitas a bombas de calor e mais.
 

🇩🇪 #ExitGasEnterFuture – Alemanha – 20/09
Protestos contra novas explorações de gás no Mar do Norte e políticas energéticas destrutivas.
12h – Invalidenpark, Berlim (e em outras cidades)
 

🇿🇦 Draw the Line – Joanesburgo – 18/09
Comunidades marcham contra o aumento da energia, corrupção e captura corporativa.
9h – Prefeitura, Braamfontein
 

🇵🇭 Draw the Line – Manila – 19/09
Festival comunitário de soluções climáticas.
12h – Universidade Politécnica das Filipinas
 

🇨🇦 Music Draws the Line – Canadá
Mais de 300 artistas exigem que o primeiro-ministro cumpra suas promessas. Ação acompanhada de uma mobilização nacional em mais de 60 cidades no dia 20/09. Link

 

Depoimentos 

Anne Jellema, CEO, 350.org, disse:
“Essa mobilização é sobre poder — o poder do povo. Rejeitamos as mentiras dos bilionários dos combustíveis fósseis. Quando os governos falham, nós nos levantamos. Temos as respostas para essa crise. É hora de agir.”
 

Rachitaa Gupta, DCJ, disse:
“Traçamos a linha contra o genocídio, contra a expansão dos fósseis e contra falsas soluções. Exigimos justiça climática como reparação, não caridade.”
 

Tyrone Scott, War on Want (Reino Unido), disse:
“Marcharemos pelas ruas de Londres para dizer basta. De dívidas à tirania fóssil, estamos unidos globalmente para recuperar nosso futuro.”
 

Sara Washburn, Fridays For Future (Canadá), disse:
“Sou mãe e me preocupo com o mundo que meus filhos vão herdar. Luto hoje por um futuro justo, seguro e habitável.”
 

Shady Khalil, Oil Change International, disse:
“O poder popular conquistou a primeira vitória pela eliminação dos fósseis na COP28. Agora é hora de cobrar a transição justa prometida.”
 

Mohammed Usrof, Instituto Palestino de Estratégia Climática, disse:
“Os mesmos que destroem o clima bombardeiam nossos povos. Justiça climática é também uma luta por liberdade.”
 

Antonio Lisboa, CUT Brasil, disse:
“Os trabalhadores exigem proteção climática e prosperidade. Promessas de empregos verdes precisam se concretizar com justiça e dignidade.”

 

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