Nutricionista
explica que vitaminas e minerais são essenciais para o organismo, mas que o uso
indiscriminado, muitas vezes incentivado por modismos, pode trazer mais riscos
do que benefícios.
O consumo indiscriminado e excessivo de
suplementos pode causar hipervitaminose
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O interesse por suplementação nunca esteve tão em alta. De gominhas coloridas a coquetéis intravenosos, as redes sociais estão repletas de promessas de energia, imunidade e até longevidade. Mas o entusiasmo crescente com os suplementos tem um lado pouco discutido: o excesso de nutrientes no organismo, conhecido como hipervitaminose, pode trazer complicações sérias.
Para além de uma questão estética, a busca desenfreada por resultados rápidos tem levado pessoas saudáveis a consumirem suplementos sem necessidade comprovada. A prática, que deveria ser acompanhada por avaliação clínica, muitas vezes é feita de forma autônoma ou até incentivada por profissionais, mas sem respaldo científico. O resultado é que, em vez de corrigir deficiências, esse consumo pode sobrecarregar órgãos vitais, como o fígado, atrapalhar a absorção de outros nutrientes essenciais e causar outros efeitos adversos.
De acordo com a nutricionista Marina Gorga, especialista em
nutrição funcional e fundadora do Studio Gorga Bem-Estar, a suplementação deve
ser usada como recurso terapêutico, e não como moda. “Nem sempre mais é melhor.
Quando falamos de nutrientes, o excesso pode ser tão prejudicial quanto a
falta”, afirma.
Suplementação e soroterapia: o que são e quais os riscos?
A especialista esclarece que o termo suplementação refere-se
ao consumo oral, sublingual, endovenoso, intramuscular de vitaminas, minerais
ou compostos bioativos, geralmente em cápsulas, pós ou soluções. Já a
soroterapia nada mais é do que o nome popularizado da aplicação endovenosa de
nutrientes e compostos bioativos. Embora ambas as práticas possam ser úteis em
situações específicas, o uso indiscriminado preocupa. “O problema surge quando
essas estratégias são banalizadas e oferecidas sem critério. O soro não é uma
reposição de energia instantânea e a cápsula não substitui uma refeição
equilibrada. Toda intervenção deve ter indicação clínica clara”, explica
Marina.
Quem está em risco de desenvolver hipervitaminose?
Segundo Marina, o risco está no consumo excessivo e
indiscriminado por pessoas que não necessitam de reposição ou suplementação.
Especialmente, jovens e adultos saudáveis que já seguem dietas equilibradas.
“Vitaminas lipossolúveis, como A, D, E e K, se acumulam no organismo. Em
excesso, podem provocar danos ao fígado, rins e até ao sistema cardiovascular.
Além de custar caro para o bolso”, explica.
A especialista alerta ainda que o excesso de um nutriente
pode comprometer a absorção de outro. “O excesso de vitamina D, por exemplo,
compete com a vitamina A, tão importante para a saúde ocular, reprodutiva e
tireoidiana. Já o ferro em excesso é pró-oxidativo, o que pode causar
desequilíbrio ou danos celulares. Aquela velha história de “quanto mais,
melhor” cai por terra quando o assunto é suplementação”, comenta Marina.
Suplementos podem interagir com medicamentos?
Outro ponto pouco falado é o risco de interações
medicamentosas. Compostos como o 5-HTP, frequentemente usado para melhorar sono
e ansiedade, e a cafeína, presente em cápsulas e termogênicos, podem interferir
no efeito de ansiolíticos e antidepressivos. “É fundamental avaliar o uso de
suplementos dentro do contexto do histórico clínico e dos remédios que o
paciente já utiliza. Caso contrário, a suplementação deixa de ser uma aliada e
passa a ser um fator de risco”, alerta Marina.
Por que os “soros da moda” preocupam?
Nos últimos anos, os coquetéis intravenosos ganharam
popularidade, muitas vezes vendidos como pacotes de revitalização. Para
especialistas, a prática deve ser restrita a pacientes com deficiências
comprovadas ou que não possam usar a via oral. “Aplicar soro em uma pessoa
saudável, sem déficit nutricional, não traz benefícios sustentáveis. Pelo
contrário: pode mascarar sintomas e atrasar diagnósticos importantes”, observa
Marina.
O excesso de suplementos também afeta o comportamento?
Marina Gorga afirma que a relação não é apenas fisiológica.
É muito comum que as pessoas possam desenvolver uma dependência emocional da
suplementação, acreditando que não conseguem manter a saúde sem cápsulas ou
soros. “Não podemos colocar a responsabilidade do bem-estar em um frasco. O
suplemento é uma ferramenta, mas nunca substitui sono adequado, alimentação
equilibrada e atividade física”, resume a nutricionista.
Quem precisa de suplementação?
A especialista reforça que os suplementos são ferramentas valiosas, desde que bem indicados. “Eles podem corrigir, quando bem dosados, as deficiências nutricionais. Mas precisam ser prescritos por um médico ou nutricionista”, orienta Marina Gorga. Para saber se o paciente precisa suplementar alguma vitamina ou mineral é necessário fazer uma série de exames bioquímicos, explica a nutricionista. “A partir do rastreio clínico, de uma boa anamnese na consulta e do resultado dos exames saberemos de fato o que precisa ser suplementado e as quantidades personalizadas. Esse é o procedimento correto e seguro”, orienta.
De acordo com a nutricionista Marina Gorga, o risco está nas fórmulas genéricas: clínicas e lojas especializadas muitas vezes vendem produtos com altas doses de nutrientes e compostos bioativos, como panaceias, mas sem respaldo científico. Nessas situações, o consumo não traz os resultados prometidos e ainda pode levar ao excesso de nutrientes. “Se por um lado existem produtos que pecam pelo excesso, de outro lado temos as famosas gominhas, que são encontradas facilmente nos comércios e farmácias, mas que possuem doses ínfimas, incapazes de corrigir alguma deficiência e que só pesam no bolso do consumidor”, finaliza a especialista.
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