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quinta-feira, 10 de abril de 2025

Últimos dias para escolha de cursos superiores pelo Provão Paulista

 

Com alto índice de empregabilidade, Fatecs contam com
cursos em diferentes áreas do conhecimento
Foto: Rogério Cassimiro

Jovens classificados no exame, que concluíram o Ensino Médio no ano passado, devem indicar opções até sexta-feira (11); ao todo, são 7.470 vagas nas Fatecs e 2.613 na Univesp

 

Termina nesta sexta-feira (11), o prazo para que estudantes classificados pelo Provão Paulista, concluintes do Ensino Médio da rede pública em 2024, indiquem os cursos superiores de preferência para concorrer a uma vaga com ingresso no segundo semestre de 2025.

Ao todo, são 10.083 vagas, distribuídas entre as Faculdades de Tecnologia do Estado (Fatecs) e a Universidade Virtual do Estado de São Paulo (Univesp). A indicação deve ser feita pelo site provaopaulistaseriado.vunesp.com.br.

As vagas são destinadas a alunos da rede da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP), das Escolas Técnicas Estaduais (Etecs), escolas municipais e outras redes públicas de ensino do País. Nesta etapa, os jovens podem registrar a opção de até quatro cursos de preferência para as Fatecs e quatro para a Univesp. As aulas nas Fatecs são presenciais. Já na Univesp, os cursos são online, mas os alunos devem estar matriculados em polos próximos onde residem.


Graduação tecnológica

As Fatecs disponibilizam nesta etapa do Provão Paulista 7.470 vagas, em 96 formações diferentes, de variadas áreas do conhecimento, em todas as regiões do Estado. Com foco no mercado de trabalho, os cursos são estrategicamente direcionados para atender à vocação econômica de cada localidade, em setores como gestão de negócios, tecnologia da informação, infraestrutura, meio ambiente, indústria 4.0 e assim por diante. Conheça os cursos

A alta empregabilidade é uma das vantagens da graduação tecnológica. Mais de 91% dos estudantes das Fatecs estão empregados em até um ano após a conclusão do curso. “As Fatecs desenvolvem competências e habilidades de profissionais focados em melhorar os processos de gestão e inovação, solucionando problemas complexos por meio da tecnologia”, afirma o coordenador de Ensino Superior de Graduação do CPS, Robson dos Santos. Segundo ele, existe uma procura grande por tecnólogos formados pelo CPS porque “as empresas sabem que vão contar com pessoas de perfil criativo e empreendedor”, diz.


Univesp

O interessado em concorrer a uma vaga em um curso da  Univesp precisa cadastrar, no portal do Provão, o eixo de preferência. Por exemplo: se o estudante deseja cursar Letras, é preciso que ele opte pelo eixo de Licenciaturas. Na fase de matrículas, ele informa à universidade a opção pela graduação em Letras. É possível, ainda, que o candidato escolha o mesmo eixo, em três campi diferentes. 

A Univesp conta com três eixos: Licenciaturas (Letras, Matemática ou Pedagogia), Computação (Tecnologia da Informação, Ciência de Dados ou Engenharia da Computação) e Negócios e Produção (Processos Gerenciais, Administração ou Engenharia de Produção).


Provão Paulista

O Provão Paulista Seriado funciona como porta de entrada de alunos do Ensino Médio da rede pública no Ensino Superior de instituições paulistas parceiras da Seduc-SP: Fatecs, Univesp, Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp) e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Nesta segunda edição, mais de 15 mil vagas foram abertas, com ingresso dividido entre o primeiro e o segundo semestre de 2025.


Vestibular das Fatecs

Apesar de facilitar o ingresso em um curso superior gratuito, o Provão Paulista não exclui a possibilidade de os estudantes interessados também participarem do Vestibular das Fatecs, aumentando as chances de conseguir uma vaga no Ensino Superior. As inscrições do Vestibular das Fatecs para o segundo semestre de 2025 já estão abertas e podem ser feitas no site vestibular.fatec.sp.gov.br e na página do Centro Paula Souza (CPS). O prazo termina no dia 6 de junho, às 15 horas. 

Calendário:

Registro das opções de cursos: 31 de março a 11 de abril
Divulgação da primeira chamada para matrículas: 17 de abril
Matrículas da primeira chamada: 22 e 23 de abril
Divulgação da segunda chamada: 28 de abril
Matrículas da segunda chamada: 29 e 30 de abril
Divulgação da terceira chamada para matrículas: 7 de maio
Matrículas da terceira chamada: 8 e 9 de maio
Divulgação da quarta chamada para matrículas: 14 de maio
Matrículas da quarta chamada: 15 e 16 de maio
Início das aulas na Univesp: 28 de julho
Início das aulas nas Fatecs: 7 de agosto

 

Centro Paula Souza


Maria Fumaça de São João del-Rei e Tiradentes terá quadro de horários especial durante o feriado prolongado da Semana Santa e Tiradentes

Ao todo serão 18 passeios, entre os dias 18 e 21 de abril, pelo trajeto de 12 km às margens da Serra de São José, no Campo das Vertentes, em Minas Gerais


A Maria Fumaça, administrada pela VLI – controladora da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA) –, fará passeios extras entre as cidades de São João del-Rei a Tiradentes e vice-versa, no Campo das Vertentes (Minas Gerais), para atender aos turistas do Brasil e do mundo neste feriado prolongado da Semana Santa e Tiradentes. Serão nove partidas de São João del-Rei e outras nove com embarque em Tiradentes. O trajeto de 12 km de extensão é feito às margens da Serra de São José, região de rica diversidade ecológica e paisagens que ainda preservam a arquitetura do século XIX.

O trem turístico, inaugurado por Dom Pedro II em 28 de agosto de 1881, é o mais antigo em operação no Brasil. Ele proporciona uma verdadeira viagem pela história e cultura ferroviária de Minas Gerais. Para conferir a agenda com os horários do trem turístico, basta clicar aqui.


Passagens

A tarifa inteira é de R$ 86 e a meia-entrada é de R$ 43, em cada trajeto. A venda de passagens é feita por meio de totens de autoatendimento, nas estações de São João del-Rei e Tiradentes, bem como pela internet. Pela web, basta clicar no link da Buson, responsável pela venda de passagens do trem turístico. Mais informações podem ser obtidas através do site, Alô VLI pelo telefone 0800-0221211 ou WhatsApp (31) 98308-5538. 


A entrada é gratuita para crianças de 0 a 5 anos (no colo), mediante apresentação de certidão de nascimento ou carteira de identidade. Têm direito à meia-entrada (50%): crianças de 6 a 12 anos, com a apresentação de certidão de nascimento ou carteira de identidade; estudantes a partir de 13 anos com carteirinha válida no período e identidade com foto; pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, portando carteirinha ou laudo médico, e seu acompanhante, quando houver; pessoas a partir de 60 anos, apresentando documento de identidade com foto; professores acompanhados a cada grupo de 10 alunos; doadores de sangue ou medula óssea apresentando documento de identificação pelo Conecte SUS Cidadão ou pelo Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome); moradores da cidade de São João del-Rei e entorno, em até 50 quilômetros, mediante a apresentação de um comprovante de residência (luz, água, telefone, internet) em seu nome, além do documento de identidade, carteira de habilitação ou certidão de nascimento.

Os cônjuges que não têm comprovantes de residência em seu nome podem apresentar certidão de casamento. Aqueles que não têm comprovante de residência em seu nome e não são casados, podem levar a carteira de trabalho, comprovando o vínculo de trabalho na região, ou um contrato de aluguel. As crianças podem mostrar a carteirinha da escola ou declaração escolar com papel timbrado da instituição das cidades.


Estação de Memórias

Os turistas também poderão apreciar as exposições do Programa Estação de Memórias da VLI, inauguradas em São João del-Rei e Tiradentes para preservar a memória ferroviária, que faz parte do patrimônio material e imaterial de diversos municípios, e criar espaços para que as novas gerações conheçam a história da ferrovia. Elas estão instaladas na Estação de São João del-Rei – localizada na Rua Hermílio Alves, 366, Centro da cidade – e na Estação Tiradentes – situada na Rua Capitão Chaves Miranda, 2.

Em São João del-Rei as visitas poderão ser feitas de quarta a sábado, das 8h às 17h, e aos domingos, das 8h às 12h. Por sua vez, em Tiradentes, o funcionamento do Estação de Memórias é de quinta a sábado, das 8h às 17h, e aos domingos também das 8h às 12h.

O Programa Estação de Memórias reconta o passado, a partir de um processo de cocriação com as comunidades. Encontros e entrevistas identificam casos, lembranças e histórias de quem vivenciou o vai e vem dos trens. Esse conteúdo é transformado em espaços expositivos, montados na estação.


Outras atrações

Também será possível visitar o Museu Ferroviário e a Rotunda, localizados na Estação de São João del-Rei. O museu, que é o maior centro de preservação da história ferroviária do Brasil, foi inaugurado em 28 de agosto de 1981, devido ao centenário da antiga Estrada de Ferro Oeste de Minas (EFOM). Ele reúne peças que foram utilizadas na EFOM e em outras da mesma época. A visitação é gratuita e pode ser feita de quarta a sábado, das 8h às 17h, exceto aos domingos, dia em que as visitas ocorrerão das 8h às 12h.

Já a Rotunda tem uma arquitetura em forma circular e 25 linhas em seu interior convergindo para o girador manual localizado no centro do prédio. Nos dias de circulação do trem, há visita guiada às 8h30. O valor do ingresso é de R$ 20 por visitante e a meia-entrada custa R$ 10, mediante apresentação de documento de identidade com foto ou certidão de nascimento para as crianças. Ele pode ser adquirido nas bilheterias de São João del-Rei e Tiradentes.

 

Para mais informações, acesse: https://www.vli-logistica.com.br/


Brasil atinge 5 mil superdotados e assume a sexta posição no ranking global de superinteligentes

Segundo mapeamento da Mensa Brasil, que reúne pessoas com altas capacidades intelectuais e afiliada da Mensa Internacional, há 1,9 mil crianças e adolescentes e 3,1 mil adultos mapeados no País

 
No entanto, os superdotados são 5% da população brasileira, ou seja: 10,7 milhões de indivíduos, mas o Censo Escolar aponta apenas cerca de 44  mil matriculados em 2024, o que retrata uma grande carência de programas de identificação e de atendimento na educação especial para este público 

A Associação Mensa Brasil, entidade que reúne pessoas com altas capacidades intelectuais no País e representante oficial da Mensa Internacional, principal organização de alto QI do mundo, acaba de registrar a a marca de 5 mil brasileiros identificados com superdotação, também chamados de “superinteligentes”, incluindo 1,9 mil crianças e adolescentes e 3,1 mil adultos mapeados.




Segundo o mapeamento, entre o nível geracional do público identificado no Brasil, os Millennials (nascidos entre 1981 e 1996) representam a maior parcela, com 1585 indivíduos cadastrados. Na sequência, aparecem a Geração Alpha (nascidos a partir de 2013), com 1468 pessoas, a Geração X (nascidos entre 1965 e 1980), com 889, e a Geração Y (nascidos entre 1977 e 2012), com 798.           
 
Os chamados Baby Boomers (nascidos 1946 e 1964) são representados por 98 identificados e a Geração Slient (nascidos até 1945) com apenas 5. O total de superinteligentes identificados pela Mensa Brasil coloca o País na sexta posição do ranking global da Mensa Internacional, junto com o Japão, que também possui o mesmo número de indíviduos mapeados. Na primeira colocação, aparecem os Estados Unidos, com cerca de 43 mil identificações, seguidos pelas Ilhas Britânicas, com 17 mil, Alemanha, com 16 mil, Suécia, com 7,2 mil, e República Tcheca, com 6 mil.
 
No entanto, na avaliação da Mensa Brasil, o País ainda carece de programas concretos de identificação do público com superdotação/altas habilidades e, principalmente, de atendimento adequado na educação especial para estas pessoas, conforme determina a Constituição Federal. Segundo o Censo Escolar divulgado neste mês pelo INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), o Brasil registrou cerca de 44 mil superdotados matriculados no ano letivo de 2024.
 
Estudos mostram, por outro lado, que os superdotados são 5% da população brasileira, ou seja: 10,7 milhões de indivíduos. “Conhecer os superdotados brasileiros ainda é um desafio enorme. Com os números do Censo Escolar, vemos que há uma grande lacuna no interior do País, com mais de 2,8 mil municípios sem identificação de superdotados em idade escolar”, aponta Carlos Eduardo Fonseca, presidente da Mensa Brasil. “O trabalho de organizações como a nossa ajuda a identificar os superdotados no País, na tentativa de evidenciar nosso público e contribuir na construção de políticas públicas”, acrescenta.


Ranking global dos superdotados identificados pela Mensa Internacional (2025)

  1. Estados Unidos – 43 mil
  2. Ilhas Britânicas – 17 mil
  3. Alemanha – 16 mil
  4. Suécia – 7,2 mil
  5. República Tcheca – 6 mil
  6. Brasil e Japão – 5 mil
  7. Hungria – 4,7 mil
  8. Países Baixos – 4,3 mil
  9. França – 4 mil

  
Brasil: superdotados por estados e por nível geracional


 

Associação Mensa Brasil


Brasil tem 3.943 minas abandonadas e sem recuperação ambiental e social

Enquanto se projeta um boom de investimentos para a exploração de minerais estratégicos, novo estudo do Instituto Escolhas revela que o setor mineral ainda falha em sua obrigação de recuperar as áreas dos empreendimentos.

 

A recuperação das áreas degradadas pela mineração é obrigatória e de responsabilidade do setor mineral. Mas, não vem sendo feita, deixando para a sociedade os prejuízos ambientais, sociais e financeiros dos projetos. O estudo inédito do Instituto Escolhas "Recuperação de áreas de mineração: um tema crítico e estratégico", revela, com base em dados da Agência Nacional de Mineração (ANM), que o país está diante de uma verdadeira bomba-relógio: 3.943 processos minerários com títulos autorizativos de lavra - de um total de 36.337, ou seja, 11% - tem indicativos de abandono, sem nenhuma iniciativa para recuperar os seus impactos.

Dessas operações, 54%, estão vinculadas às concessões de lavra, ligadas principalmente à extração de minerais metálicos e não metálicos, e 34% relacionadas ao regime de licenciamento, ligado à extração de areia, argilas, saibro, rochas britadas e ornamentais. Os estados campeões em minas abandonadas são: Minas Gerais (22%), Rio Grande do Sul (12%), São Paulo (11%) e Santa Catarina (8%).

Segundo Larissa Rodrigues, diretora de Pesquisa do Instituto Escolhas, é fundamental que o setor mineral cumpra com a obrigação de recuperar as áreas utilizadas pelos seus empreendimentos, isso inclui restaurar as áreas desmatadas, cuidar da qualidade do solo e das águas e manter a estabilidade física e química da região. “Quando uma área não é recuperada pelo responsável, ou seja, pelo titular do direito minerário, os prejuízos ambiental, social e financeiro dos empreendimentos acabam sendo pagos por todos nós, pela sociedade”, diz ela.

O estudo mostra que a própria ANM reconhece a falta de dados mais precisos sobre a real extensão do problema. Para Larissa “há total descontrole sobre a quantidade de minas que podem estar abandonadas e sobre a extensão e severidade dos impactos que precisam ser recuperados”.

No momento em que existe um debate global e se projeta um boom de investimentos para a exploração de minerais críticos ou estratégicos, o setor mineral falha ao deixar para trás áreas abandonadas e o governo falha em exigir que elas sejam devidamente recuperadas. Ainda, de acordo com Larissa, “um possível aumento no número de empreendimentos de mineração sem os mecanismos para garantir os cuidados ambientais e sociais tende a intensificar as situações de conflitos, algo que o país definitivamente não precisa”.

Para o Instituto Escolhas, algumas medidas concretas podem contribuir para que as áreas degradadas pela mineração sejam adequadamente recuperadas: 1) apresentação de garantias financeiras para a recuperação das áreas, como seguros e fianças bancárias, 2) garantir que a recuperação das áreas aconteça junto com a atividade da mina, desde o início, e não apenas no seu fechamento, 3) monitoramento e fiscalização contínuos, e 4) dar transparência e sistematizar as normas sobre o assunto e o andamento da recuperação em cada empreendimento, com uma lista pública de empreendimentos minerários que estejam em dívida com a recuperação das áreas. 

Saiba mais sobre o estudo divulgado, dia 09 de abril, clicando aqui.

 

Estudo reconstrói um século de poluição na cidade de São Paulo com base em sedimentos aquáticos

Lago das Garças, no Parque Estadual das Fontes do Ipiranga. Destaque
para a massiva proliferação de algas na superfície e a urbanização ao fundo
 (
foto:Tatiane Araujo de Jesus)

 As amostras foram coletadas no fundo do Lago das Garças, no Parque Estadual das Fontes do Ipiranga. Análise evidenciou forte correlação entre a industrialização, o crescimento populacional e o aumento das concentrações dos poluentes

 

A história da poluição por metais na cidade de São Paulo pode ser lida nas camadas de sedimentos acumuladas ao longo do último século. Por meio da paleolimnologia – método que permite reconstruir mudanças ambientais passadas com base em testemunhos sedimentares –, pesquisadores reconstruíram um século de poluição por metais na capital a partir de amostras coletadas no Lago das Garças, no Parque Estadual das Fontes do Ipiranga (Pefi). O estudo evidenciou forte correlação entre a industrialização, o crescimento populacional e o aumento desse tipo de poluente. Os resultados foram publicados na revista Environmental Science and Pollution Research.

Os cientistas analisaram as concentrações de oito metais – cobalto, cromo, cobre, ferro, manganês, níquel, chumbo e zinco – no fundo do reservatório, cujos sedimentos guardam registros de aproximadamente cem anos.

“Tudo o que vai acontecendo em uma bacia de drenagem acaba, de alguma forma, ficando registrado nos sedimentos dos ambientes aquáticos. Escolhemos o Lago das Garças pelo fato de ele nunca ter sido dragado, o que permitiu a preservação da sequência histórica da deposição de poluentes”, conta Tatiane Araujo de Jesus, coordenadora do Laboratório de Sistemas de Engenharia Ecológica da Universidade Federal do ABC (UFABC) e primeira autora do artigo.

Os pesquisadores coletaram testemunhos de sedimentos com o auxílio de mergulhadores. Esses testemunhos são cilindros verticais de material depositado do fundo do lago. Como o carbono-14 não se presta à datação de amostras relativamente recentes, as camadas foram datadas por meio do chumbo-210. O princípio físico é o mesmo do carbono-14: o decaimento radioativo do isótopo. “O chumbo-210 tem uma meia-vida de aproximadamente 22,3 anos, então, por meio da atividade desse isótopo, conseguimos atribuir uma idade a cada camada de sedimentos, como se estivéssemos numerando as páginas de um livro”, explica Jesus.

(a) Testemunho sedimentar; (b-c) Detalhe do fatiamento das amostras a cada 1 cm (fotos: Tatiane Araujo de Jesus)

Os resultados revelaram três grandes períodos na evolução da poluição por metais na cidade de São Paulo. Camadas correspondentes ao período pré-industrial, que se estendeu até 1950, apresentaram baixas concentrações de metais, refletindo uma época em que o local era menos impactado por atividades humanas. Vale lembrar que o reservatório, formado pelo represamento do córrego do Campanário em 1893, foi usado para abastecimento de água até 1928.



Planta datada de 1914 com indicação de uma represa no córrego do Campanário já em 1893
 (
fonte: Arquivo do Estado de São Paulo/foto: Tatiane Araujo de Jesus)

No período 1950-1975, os níveis de metais começaram a aumentar progressivamente. Fatores como a intensificação do tráfego aéreo no Aeroporto de Congonhas (inaugurado em 1936), o crescimento das montadoras e metalúrgicas no ABC Paulista e a urbanização desordenada contribuíram para o acúmulo de poluentes.

O pico da poluição ocorreu no período seguinte, 1975-2000. A partir da década de 1970, houve um aumento expressivo na concentração de metais como chumbo, níquel, ferro, cromo e cobre. Na avaliação dos dados coletados, deve ser considerado o fator local, pois o período coincide com a instalação da Rodovia dos Imigrantes (1974), que intensificou o tráfego de veículos na região. “Observamos que a maior parte desses metais detectados era proveniente de emissões veiculares e industriais”, conta a pesquisadora.

Um dos achados mais marcantes do estudo foi a queda dos níveis de chumbo nos sedimentos posteriores a 1986, quando o Brasil proibiu o uso de gasolina com chumbo por meio do Programa de Controle de Emissões Veiculares (Proconve). “Até então, o chumbo era utilizado como aditivo na gasolina e, com sua proibição, observamos a diminuição de sua concentração nos sedimentos. Isso mostra como políticas ambientais podem ter impactos positivos e mensuráveis”, ressalta Jesus.

Apesar da redução do chumbo, as concentrações de outros metais continuaram aumentando ao longo dos anos 1990, em particular cobalto, níquel e cobre, provavelmente relacionados a mudanças nos processos industriais. Os dados indicam que uma siderúrgica próxima ao reservatório, que antes produzia aço, passou a fabricar artefatos metálicos nesse período, o que pode ter modificado o perfil da poluição metálica.

O estudo não apenas revelou a evolução da poluição por metais em São Paulo, mas também destacou a importância dos sedimentos como indicadores ambientais. “Os sedimentos são como um arquivo: eles guardam as evidências das mudanças no ambiente ao longo do tempo. Esse tipo de análise pode ser útil para guiar estratégias de proteção e recuperação do meio ambiente”, afirma a pesquisadora.

E enfatiza que, embora algumas reduções nos níveis de poluição tenham sido observadas, muitos metais persistem nos sedimentos, constituindo um passivo ambiental. “O que podemos fazer agora é usar esses dados para estabelecer metas de recuperação. Sabemos quais eram os níveis naturais desses metais antes da industrialização e podemos trabalhar para tentar reverter parte do impacto”, diz.

Além disso, o estudo traz reflexões sobre áreas de conservação, como o Parque Estadual das Fontes do Ipiranga. “Não basta apenas cercar um local e chamá-lo de área de preservação. Se a poluição atmosférica e a deposição de poluentes não forem controladas na região ao redor, o impacto continuará”, alerta Jesus.

Os resultados reforçam a necessidade de políticas públicas mais rigorosas para a redução da poluição industrial e veicular, além de medidas de recuperação ambiental em áreas contaminadas. “Os dados históricos nos ajudam a entender como chegamos até aqui e podem servir de base para decisões mais informadas sobre o futuro da qualidade ambiental da cidade”, conclui a pesquisadora.

O estudo foi apoiado pela FAPESP por meio de bolsas de doutorado concedidas a Tatiane Araujo de Jesus (04/08071-5) e a Sandra Costa‑Böddeker (04/08675-8), segunda autora do paper.

O artigo Metal pollution reconstruction in São Paulo City (Southeast Brazil) over the twentieth century by paleolimnological approach pode ser acessado em: https://link.springer.com/article/10.1007/s11356-025-35998-0. 

 

José Tadeu Arantes

Agência FAPESP
https://agencia.fapesp.br/estudo-reconstroi-um-seculo-de-poluicao-na-cidade-de-sao-paulo-com-base-em-sedimentos-aquaticos/54442



Descubra cinco gatilhos da Páscoa que induzem ao consumo impulsivo


Ao acessar as redes sociais, deparamo-nos com um vídeo cuidadosamente produzido: uma avó é surpreendida por um presente simbólico da neta, envolto em emoção e referências afetivas. No YouTube, outra campanha publicitária investe em narrativa cinematográfica para mostrar a reconciliação entre pai e filho por meio de um gesto aparentemente simples — a entrega de um ovo de chocolate. Já no Instagram, proliferam anúncios com embalagens sofisticadas, brindes exclusivos e mensagens de urgência comercial. Esse movimento não é acidental: trata-se de uma estratégia coordenada.

 

Embora tradicionalmente associada a valores espirituais e ao convívio familiar, a Páscoa foi, progressivamente, ressignificada como um evento de apelo comercial. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Chocolates (Abicab), em 2024, o setor movimentou mais de R$3 bilhões apenas no período pascal. A publicidade tornou-se protagonista nesse processo, articulando emoções, valores sociais e práticas de consumo. A construção de narrativas sensíveis, associadas à infância, à partilha e à afetividade, revela-se eficiente para estimular decisões motivadas não pela necessidade, mas pela expectativa simbólica atribuída ao presente.

 

A seguir, cinco mecanismos utilizados pelo mercado para impulsionar o consumo na Páscoa:


 

Ativação da memória afetiva

 

Estratégias publicitárias comumente acionam registros emocionais ligados a experiências passadas — sobretudo aquelas vividas no contexto familiar. Tais memórias, ainda que idealizadas, operam como âncoras psicológicas e tendem a criar uma predisposição favorável ao consumo. Ao remeter o público a vivências tidas como genuínas, o mercado associa seus produtos a sensações de segurança, continuidade e pertencimento. A compra, nesse contexto, transforma-se em tentativa de resgate emocional, deslocando-se da racionalidade econômica para o campo simbólico.

 


Estímulo à reciprocidade social

 

A publicidade pascal frequentemente explora o imperativo da partilha. A expectativa de presentear colegas, familiares ou profissionais do convívio cotidiano é reiterada por campanhas que vinculam afeto à materialidade do presente. Esse fenômeno, que o economista comportamental Dan Ariely já descreveu como “contrato social implícito”, gera um ambiente de pressão silenciosa, no qual a ausência do gesto material pode ser interpretada como negligência afetiva. O resultado é a ampliação do consumo por obrigação moral, e não por decisão autônoma.


 

Ofertas com valor ilusório

 

Descontos atrativos, promoções com tempo limitado e “combos exclusivos” são estratégias recorrentes neste período. Em muitos casos, os preços previamente inflacionados são reduzidos apenas superficialmente, criando a sensação de vantagem econômica. Trata-se de uma tática de ancoragem — conceito bem explorado por Daniel Kahneman — em que o primeiro valor apresentado serve como referência para qualquer comparação subsequente. O consumidor, conduzido por esse viés cognitivo, tende a interpretar como oportunidade aquilo que, na realidade, representa uma distorção do valor real.


 

Escassez planejada e edição limitada

 

A noção de exclusividade é instrumentalizada por meio de produtos sazonais e coleções temáticas. O princípio da escassez — descrito por Robert Cialdini como um dos gatilhos mentais mais poderosos — é utilizado para acelerar decisões de compra. “Últimos dias”, “edição especial” e “só até domingo” são enunciados que induzem uma sensação de urgência, levando o consumidor a agir sob a lógica da antecipação da perda. O efeito psicológico é intensificado por um cenário saturado de estímulos visuais e emocionais, que reduz a capacidade crítica e estimula respostas automáticas.


 

Gamificação da experiência de compra

 

Muitas marcas apostam em experiências interativas para transformar o ato de comprar em um momento lúdico. Caça aos ovos em realidade aumentada, quizzes com brindes digitais e sorteios vinculados a ações sociais são exemplos disso. Esses recursos deslocam o foco do produto para a vivência, estimulando a participação ativa do consumidor. A sensação de engajamento, somada à promessa de recompensa, reforça o vínculo emocional com a marca e potencializa a conversão em vendas. Trata-se de uma estratégia que une entretenimento e desejo, numa lógica de encantamento contínuo.


Mais do que um simples feriado, a Páscoa tornou-se um sofisticado laboratório de consumo emocional. Os gatilhos acionados pelo mercado não apenas impulsionam vendas, mas moldam comportamentos e valores. Ao converter afetos em produtos e vínculos em transações, a lógica publicitária transforma gestos simbólicos em imperativos comerciais. Compre com consciência — mas saiba identificar quando está levando emoção na embalagem e pagando por ela como se fosse chocolate.

 

Adriano Santos - sócio da Tamer Comunicação


Tecnologia de gestão pode reduzir falência precoce de PMEs, aponta Bling

Bling aposta em "Meu Negócio", sistema de gestão inteligente para pequenos negócios; sobrevida de empresas com sistema de ERP é 10 pontos percentuais maior;

 

Um levantamento realizado pelo Bling, plataforma de ERP da LWSA, voltada para PMEs, mostra que após 60 meses de vida, as empresas que utilizam o ERP têm maior chance de sobrevida, em comparação às que não utilizam um sistema de gestão. Neste mês, a empresa traz inovações como “Meu Negócio”, um dashboard inteligente para aprimorar a gestão de pequenos negócios (leia mais abaixo). 

O diagnóstico realizado pelo Bling contempla uma base de CNPJs que utilizam os serviços da empresa, que foram comparados com a base de CNPJs aberta pela Receita Federal, desde de 2020. Na comparação, empresas que utilizam o software de gestão tiveram sobrevida de 10 pontos percentuais maior (83,4%) em comparação às demais (74%) do mercado que não adotaram o uso de um ERP. 

Estudos recentes do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) evidenciam um universo de 38% das empresas fechando antes de completar 5 anos, tendo a sua gestão como um dos principais motivos pelo fechamento do negócio. 

“Neste levantamento do Bling, buscamos traduzir para empresas e empreendedores o quanto é importante ter uma gestão eficiente do negócio e, com o avanço tecnológico, ter isso tudo digitalizado, reunido em um único ambiente, torna essa gestão mais eficaz e é fator preponderante a longevidade do negócio”, afirma Marcelo Navarini, diretor do Bling.


Solução de gestão para PMEs

Com mais de 300 mil usuários, o Bling, hoje, é uma das principais soluções de gestão, voltada para PME. No 4º trimestre de 2024, o volume de vendas por lojas próprias e transacionados em marketplaces por meio das operações de ERP e integradores de marketplaces da LWSA, como o Bling, atingiram um valor de R$ 19,5 bilhões, crescimento de 16,3% em relação ao mesmo período de 2023.  No ano de 2024, o crescimento foi de 18,4% comparado ao ano anterior, atingindo R$ 69,7 bilhões. 

Os dados reforçam o potencial do Bling que com o “Meu Negócio”, planeja oferecer uma visão completa e integrada das operações para empresas, com dados atualizados continuamente e dashboards interativos, sem a necessidade de usar ferramentas externas. A funcionalidade foi desenvolvida para lojistas que atuam em um ou mais canais, seja loja física, e-commerce ou marketplaces. 

A solução foi criada a partir da incorporação da Qint, startup de analytics fundada por Bruno Leite e Daniel Hiraoka, e que desde 2024 lideram a iniciativa junto ao time do Bling. “Vemos a necessidade de simplificar e otimizar processos. Neste sentido, o Meu Negócio foi pensado para proporcionar uma gestão mais eficiente, com foco na visualização de indicadores operacionais importantes”, explica Navarini.

A funcionalidade permite a geração de insights poderosos sobre desempenho geral das vendas e da performance por canal, vendedor ou produto, além de fornecer previsões sobre o comportamento dos estoques. “Esses dashboards  ajudam na tomada de decisões fundamentais de qualquer negócio. As informações podem ser analisadas em diversos períodos de tempo, seja em uma ótica de produtos ou canais de venda, individual ou agrupado, permitindo um entendimento completo da empresa”, afirma o diretor do Bling.

Outros insights contemplam a visão analítica de curva ABC de produtos simples ou composições, inclusive com o % de markup realizado e a representatividade no faturamento do período, a previsão de estoques, como quanto tempo deve durar, e a sugestão de compras, que garante agilidade para empresas com muitos itens e composições em seu catálogo. 

Também permite a integração de dados de até 10 contas Bling diferentes, facilitando o acompanhamento gerencial de empresas com múltiplas operações, além de mais imagens do dashboard no desktop, imagens de conversa no whatsapp e vídeo caso de uso. 



Bling
www.bling.com.br


Com IA, Ecad lança novo portal para pesquisa em banco de dados de 50 milhões de composições e gravações

Instituição moderniza site Ecadnet, que reúne dados musicais de mais de 5 milhões de compositores e artistas cadastrados na gestão coletiva da música no Brasil 

 

Para saber a autoria de uma música, o intérprete de uma canção ou quem mais participou de uma gravação musical, a gestão coletiva da música no Brasil, composta pelas associações Abramus, Amar, Assim, Sbacem, Sicam, Socinpro e UBC e o Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição), disponibiliza um portal que reúne quase 50 milhões de obras musicais e gravações de artistas nacionais e internacionais. O site Ecadnet é uma plataforma de consulta utilizada pela indústria da música, entidades de todo o mundo e público em geral. A partir de hoje, 09/04, o portal ganha uma modernização completa e funcionará com a implantação de novas tecnologias, como Inteligência Artificial (IA) e aprendizado de máquina.  

"O nosso mercado musical é carente de dados e o site Ecadnet é uma das importantes fontes de consulta com informações musicais não só Brasil, mas de outros países. Modernizar a plataforma e oferecer um site novo é a nossa forma de contribuir para a indústria musical", disse a superintendente executiva do Ecad, Isabel Amorim.  

O novo portal terá nova interface, melhorias na experiência do usuário e facilidade na navegação. Contará com buscador mais rápido e preciso, a partir da ativação de ferramentas tecnológicas, além de proteção contra a possibilidade de ataques cibernéticos e novas medidas de privacidade. Também serão disponibilizados mais filtros de busca, associando a pesquisa de obra com um titular específico ou com determinada palavra no título, e novos detalhes sobre as obras musicais e gravações.  

"O projeto terá mudanças importantes para a experiência do usuário que buscar informações no Ecadnet. O site está mais moderno, com implementação de novas tecnologias, como IA e aprendizado de máquina, para dar mais precisão e rapidez para quem precisa encontrar informações sobre músicas e artistas", comentou a gerente executiva de TI do Ecad, Valéria Pessôa.  

Administrado pelo Ecad, o Ecadnet reúne as informações do banco de dados da gestão coletiva no Brasil com um total de 24,8 milhões de obras musicais, 24,3 milhões de fonogramas e informações musicais de mais de 5 milhões de titulares de música, que são compositores, intérpretes, músicos, editores e produtores fonográficos nacionais e estrangeiros.  

Esses titulares de música cadastram suas informações artísticas e seus repertórios musicais nas associações de gestão coletiva e, a partir desses dados, o Ecad consegue identificar as músicas tocadas e que tiveram seus direitos autorais pagos por quem as utilizou nos diferentes canais e espaços no país.  Os estrangeiros são cadastrados no Brasil por meio de contratos de representação firmados entre as associações estrangeiras e nacionais. É importante destacar que a filiação nas associações de música é indispensável para que compositores e artistas possam receber os seus direitos autorais de execução pública no Brasil.   

Para acessar o novo portal, basta fazer um cadastro simples. Veja aqui o novo Ecadnet - https://ecadnet.ecad.org.br/ 



Educação financeira: a chave para a autonomia e bem-estar da mulher

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Apesar de 80% das mulheres brasileiras administrarem o orçamento doméstico, poucas se sentem seguras para tomar decisões financeiras de longo prazo


Um dos fatores essenciais e determinante para a igualdade de gênero é a educação financeira. Quando uma mulher tem controle sobre as próprias finanças, ela amplia oportunidades, fortalece a autonomia e impacta diretamente sua saúde mental e a qualidade de vida. 

O estudo “O Impacto das Finanças na Saúde Mental do Brasileiro”, realizado pelo Serasa, revela que 86% dos entrevistados acreditam que os cuidados com a saúde mental afetam positivamente a saúde financeira. Além disso, 55% já enfrentaram problemas financeiros que impactaram seu bem-estar psicológico. 

Para as mulheres, essa conexão é ainda mais significativa, uma vez que desafios estruturais, como desigualdade salarial e sobrecarga de responsabilidades dificultam o acesso a informações sobre investimentos e planejamento financeiro.

Apesar de 80% das mulheres brasileiras afirmarem ser responsáveis pela administração do orçamento doméstico, segundo pesquisa do Instituto Locomotiva, poucas se sentem seguras para tomar decisões financeiras de longo prazo. 

“Isso acontece porque, historicamente, as mulheres foram desencorajadas a lidar com temas financeiros de maneira estratégica, sendo associadas apenas à gestão do dia a dia da casa. Muitas cresceram sem acesso a uma educação financeira voltada para investimentos e construção de patrimônio, o que gera insegurança e medo de assumir riscos”, explica a psicanalista e planejadora financeira especialista em gestão financeira familiar, Adriana de Arruda.


Autonomia econômica e impacto social

A disparidade salarial entre homens e mulheres – que, segundo o IBGE, ainda chega a cerca de 20% – e a baixa representatividade feminina no mercado financeiro são obstáculos reais para a independência econômica das mulheres. Além disso, a falta de referências femininas na área de investimentos perpetua a crença de que esse universo não é para elas, gerando insegurança e exclusão financeira.

No entanto, esse cenário vem mudando. Com o avanço da digitalização, o acesso a conteúdos educativos e o fortalecimento de redes de apoio, mais mulheres estão buscando conhecimento e conquistando espaço no mercado financeiro. 

“Hoje, está mais do que comprovado que, quando uma mulher conquista maior autonomia financeira, os efeitos positivos se estendem muito além do indivíduo. Famílias mais estruturadas, investimentos mais conscientes e até mesmo o desenvolvimento econômico da sociedade são reflexos diretos dessa mudança”, afirma Adriana.

A equidade financeira não é apenas uma questão de justiça social, mas um impulsionador do crescimento econômico global. De acordo com um relatório do McKinsey Global Institute, reduzir a disparidade de gênero no mercado de trabalho poderia adicionar até US$12 trilhões à economia global até 2025. Além disso, pesquisas indicam que mulheres tendem a reinvestir até 90% de sua renda em suas famílias e comunidades, ampliando o impacto social dessa transformação.


Finanças e saúde mental: um elo crucial

O estresse financeiro é um dos principais fatores que afetam a saúde mental das mulheres. Dívidas, insegurança sobre o futuro e falta de conhecimento sobre gestão financeira podem levar a quadros de ansiedade e esgotamento emocional. Um estudo da Anbima em parceria com o Datafolha aponta que 57% da população sente altos níveis de estresse devido a preocupações financeiras. Esse número sobe para 66% entre as mulheres, enquanto entre os homens fica em 47%.

Para Adriana, garantir que as mulheres tenham acesso a informações e ferramentas estratégicas de planejamento financeiro é essencial para reduzir a ansiedade e possibilitar um futuro mais seguro. “Programas de educação financeira, suporte psicológico e produtos financeiros inclusivos são caminhos que podem transformar essa realidade”, orienta.


Empoderamento através do conhecimento

A boa notícia é que iniciativas voltadas para a capacitação financeira feminina estão crescendo. Plataformas como a Elas Que Lucrem, cursos gratuitos do Serasa e programas de mentoria financeira para mulheres ajudam a quebrar tabus e fortalecer a relação feminina com o dinheiro. 

Construir um futuro financeiramente saudável é um passo decisivo para garantir não apenas segurança individual, mas também para fortalecer a posição da mulher na sociedade.

“Neste Dia Internacional da Mulher, a reflexão vai além da celebração: é um convite à ação. Buscar conhecimento, conversar sobre dinheiro sem medo e apoiar iniciativas que promovam a educação financeira são formas de contribuir para um futuro onde todas as mulheres possam viver com mais liberdade, dignidade e bem-estar”, finaliza Adriana. 


Adriana de Arruda - Planejadora Financeira Pessoal, psicanalista e especialista no atendimento a famílias e suas questões com o dinheiro. Escritora, produtora de conteúdo, podcaster e palestrante, há mais de 10 anos promove a educação financeira com uma abordagem realista e humanizada, incentivando o uso consciente do dinheiro, o diálogo familiar sobre finanças e a preparação para a longevidade. Autora do livro "Longevidade é hoje!", Adriana orienta homens e mulheres na construção de uma vida financeira equilibrada e sustentável, considerando não apenas o futuro, mas a finitude da vida. Saiba mais: Site / Linkedin / Instagram


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