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quinta-feira, 10 de abril de 2025

4 vantagens da terceirização logística para empresas

A logística pode parecer um cenário desafiador, em alguns momentos. Gerenciar sua própria frota e ao mesmo tempo manter a eficiência e conformidade com as regulamentações resulta em custos significativos e complexidade de gestão burocrática. Por isso, para muitas organizações do ramo, a terceirização se mostra uma alternativa eficaz.  

De acordo com dados da Gartner, uma das principais empresas de pesquisa e consultoria para tecnologia da informação, em 2022, os gerentes de logística subiram seu orçamento de terceirização em 66%, e, ainda nos próximos dois anos, esse número aumentará para 74%. 

 

O ramo de terceirização pode trazer benefícios para empresas de ramos diversos, principalmente no segmento de logística, cito alguns abaixo.

 

  1. Redução de custos

Manter a própria frota implica em gastos consideráveis com aquisição de veículos, manutenção, mão de obra, combustível, pedágios, seguros e uma série de outras coisas que podem se mostrar insustentáveis para empresas da área. Por isso, a terceirização da logística é considerada uma boa saída para minimizar esses custos.

 

2.          Otimização e flexibilidade nas operações

Organizações terceirizadas podem já ter o conhecimento e experiência necessários para sugerir as rotas mais eficientes e os melhores horários, assim como lidar com variações sazonais de uma determinada demanda. Isso permite maior flexibilidade nas operações da empresa, que não precisará investir em novos veículos nem contratar funcionários temporários, por exemplo.

 

Além disso, a terceirização da logística torna tais processos mais simples, ágeis e eficazes, proporcionando resultados melhores e diminuindo possíveis falhas e desperdício de recursos na operação da contratante.

 

3.          Acesso à tecnologias avançadas e profissionais capacitados

A prática pode oferecer uma variedade de recursos técnicos que otimizam as operações. Isso inclui sistemas modernos e inovadores (hardwares e softwares que muitas vezes dispensam instalação e aplicativos para dispositivos móveis) que permitem integração entre diferentes atividades, assim como automatização de tarefas e acompanhamento em tempo real.

 

Além disso, essas empresas podem ter à disposição infraestrutura de processos, sistemas e time especializados para oferecer soluções inteligentes para os problemas, dificuldades e demandas do dia a dia.

 

4.          Maior eficiência no transporte e entrega de cargas

Ao optar pela terceirização da logística, a companhia delega suas entregas a profissionais parceiros, que terão a tarefa de localizar as rotas mais estratégicas para evitar atrasos, assim como melhores preços e fretes. Tudo isso ajuda a desenvolver relações assertivas com os clientes, entregando produtos com mais rapidez e em bom estado.

 

Em conclusão, a área de outsourcing pode trazer diversos benefícios para a logística fazendo com que as organizações do setor contem com parceiros especializados para tarefas específicas e, assim, possam focar em outros ramos mais estratégicos e segmentados.

  


André Pimenta - CEO da Motz


Economia da impaciência: quais os riscos da "pressa" dos consumidores para as empresas?

A tecnologia transformou a maneira como consumimos e interagimos. Em poucos minutos, realizamos compras, navegamos por conteúdos diversos e concluímos tarefas com agilidade. Se, por um lado, essa velocidade otimiza a rotina, por outro, gera uma expectativa de resultados instantâneos, criando o que hoje chamamos de "economia da impaciência" – demonstrando tendências de consumo que, se não forem devidamente administradas pelas empresas, podem comprometer a reputação e a sustentabilidade dos negócios.

Segundo dados divulgados no relatório Life Trends 2025 da Accenture, 55% das pessoas preferem soluções rápidas aos métodos tradicionais para alcançar seus objetivos financeiros e de saúde. Muito desse resultado reflete o valor da tecnologia na experiência do cliente, através de soluções eficazes que aprimoraram sua experiência.

Do lado corporativo, há, também, enormes vantagens desses investimentos em termos de redução de custos operacionais, automatizando a jornada do cliente e eliminando a necessidade da intervenção humana nesta cadeia; junto a um maior poder de destaque no mercado, considerando que empresas preocupadas em atender às demandas de seus clientes com rapidez tendem a ganhar preferência no mercado e se sobressair frente aos concorrentes.

Não basta, contudo, apenas adotar um recurso “famoso” do mercado, sem saber como incorporá-lo com inteligência aos processos internos. Muitos negócios implementam automações sem uma estratégia adequada, resultando em interações mecânicas e pouco resolutivas. Isso pode sobrecarregar as equipes e prejudicar a tomada de decisões, uma vez que respostas padronizadas nem sempre solucionam problemas reais, além de forçar o consumidor a tomar escolhas sem análise aprofundada.

Mesmo diante de recursos altamente robustos, o grande diferencial que fará com que uma empresa usufrua, da melhor forma possível, essa solução em seus processos, será o cuidado em conciliar a tecnologia à humanização no atendimento. Afinal, automações generalizadas desconsideram as necessidades individuais de cada usuário, prejudicando a análise acerca dessas exigências, satisfação de seu público-alvo e uma inevitável piora em sua reputação no setor.

Dentre as soluções disponíveis no mercado para contribuir com este mindset, o RCS é um dos que mais se destaca. Este sistema de mensageria desenvolvido pelo Google contempla um conjunto rico de recursos multimídia capazes de elevar o engajamento dos usuários nas mensagens enviadas, tais como botões interativos, gifs, vídeos, carrossel de imagens e, ainda, um selo de autenticidade da marca como forma de assegurar a confiança na comunicação.

Sua taxa de entrega, segundo dados da Pontaltech, empresa de tecnologia especializada em comunicação omnichannel, fica em torno de 98%, permitindo ao usuário ações diretas com agendamento, compras e dúvidas sem sair do app em questão, o que facilita e otimiza sua jornada com o empreendimento.

Além de agilizar sua experiência de compra, as empresas podem obter uma redução de cerca de 30% em seus custos com suporte e atendimento, algo extremamente vantajoso para setores que demandam muito disso como, por exemplo, instituições bancárias e seguradoras.

Além disso, o RCS possui interface low code que simplifica a implementação, tornando as automações acessíveis sem exigir equipes altamente especializadas, reduzindo o tempo de implantação e aumentando a eficácia das soluções.

Apesar da urgência crescente por respostas rápidas e assertivas, é preciso equilibrar a automação com um atendimento personalizado, que vá além de respostas genéricas e atenda às necessidades individuais de cada consumidor.

Para isso, é recomendável identificar os setores que mais demandam essa transformação, integrar a tecnologia aos processos internos e capacitar as equipes para utilizar essas ferramentas sem perder o toque humano. Além disso, monitorar indicadores-chave, como tempo médio de resposta, taxa de interação e NPS, ajudará a garantir um atendimento mais eficiente e satisfatório. Empresas que conseguirem aliar velocidade e personalização estarão melhor posicionadas para se destacar no mercado.

 


Allanis Grum - Product Manager de Rich Content da Pontaltech, empresa especializada em soluções integradas de VoiceBot, SMS, e-mail, chatbot e RCS.

Pontaltech


Pesquisa revela forte apoio dos consumidores brasileiros à tecnologia de sexagem in-ovo

 

A primeira pesquisa realizada no Brasil sobre a tecnologia de sexagem in-ovo revelou um forte apoio dos consumidores à adoção desse método inovador na produção de ovos. A pesquisa, conduzida com 1.553 consumidores brasileiros, indica que a maioria está disposta a pagar mais por ovos produzidos sem a necessidade do abate de pintinhos machos, um problema histórico da indústria de postura.

 

Anualmente, na indústria de ovos brasileira, aproximadamente 100 milhões de pintinhos machos são descartados logo após o nascimento, pois não botam ovos e não são economicamente viáveis para a produção de carne. No Brasil, assim como em outros países, esse descarte ocorre de forma massiva, o que levanta preocupações sobre bem-estar animal e sustentabilidade, e já gerou até mesmo um projeto de lei visando a regulamentação dessas práticas. A tecnologia de sexagem in-ovo permite identificar o sexo do embrião antes da eclosão, evitando a necessidade de abate dos machos.

 

A tecnologia de sexagem in-ovo já está sendo implementada em países da Europa e nos Estados Unidos, e está pronta para ser trazida ao Brasil. A adoção dessa tecnologia pode representar um avanço significativo para a indústria de ovos brasileira, tanto do ponto de vista econômico quanto do bem-estar animal.

 

Os resultados da pesquisa são expressivos:


●     73% dos consumidores manifestaram desconforto com a prática atual de descarte de pintinhos machos;


●     79% dos compradores de ovos no Brasil demonstraram interesse em adquirir ovos produzidos com a tecnologia de sexagem in-ovo;


●     76% dos consumidores afirmaram que estariam dispostos a pagar um valor adicional por ovos provenientes dessa tecnologia;

●     Em média, os consumidores declararam que pagariam R$ 3,87 a mais por dúzia de ovos produzidos sem o abate de pintinhos machos. 

Robert Yaman, CEO da Innovate Animal Ag, think tank norte-americano responsável pelo estudo, destacou a importância da pesquisa para o setor de ovos no Brasil. “Os consumidores brasileiros se mostraram entusiasmados com a tecnologia de sexagem in-ovo. Essa pesquisa revela uma real oportunidade de negócio para produtores de ovos inovadores que desejam capturar essa demanda crescente por produtos mais éticos e a preços acessíveis - tudo isso aumentando a confiança dos consumidores.”, afirma Yaman.

A Innovate Animal Ag está disponível para entrevistas e pode intermediar o contato com produtores de ovos e empresas envolvidas no desenvolvimento da tecnologia. O relatório completo da pesquisa está disponível para veiculação exclusiva mediante solicitação.


BOLETIM DAS RODOVIAS

Pontos de lentidão nas rodovias concedidas sentido capital nesta manhã


A ARTESP - Agência de Transporte do Estado de São Paulo informa as condições de tráfego nas principais rodovias que dão acesso ao litoral paulista e ao interior do Estado de São Paulo na manhã desta quinta-feira (10).

 

Sistema Anchieta-Imigrantes (SAI)

Operação 5x5 - A Rodovia Anchieta (SP-150) tráfego lento do km 15 ao km 10 e do km 20 ao km 17, pista expressa e marginal, sentido capital. No sentido litoral, o tráfego é lento do km 62 ao km 65. Já a Rodovia dos Imigrantes (SP-160) tem tráfego normal, sentido litoral e lento, sentido capital, do km 19 ao km 14.

 

Sistema Anhanguera-Bandeirantes

A Rodovia Anhanguera (SP-330) registra pontos de lentidão no sentido capital do km 15 ao km 11+360, do km 63 ao km 60 e do km 112 ao km 104, sentido interior, o tráfego é lento do km 96 ao km 98 e do km 129 ao km 130. Na Rodovia dos Bandeirantes (SP-348), o tráfego é normal, sentido interior, sentido capital, congestionado do km 18 ao km 13+360.

 

Sistema Castello Branco-Raposo Tavares

A Rodovia Raposo Tavares (SP-270) apresenta tráfego normal, sentido interior e lento, sentido capital, do km 27 ao km 18 e do km 13 ao km 11. Na Rodovia Castello Branco (SP-280), o tráfego é normal, sentido interior, no sentido capital, o tráfego é lento do km 30 ao km 24 e do km 18 ao km 13+290.

 

Rodovia Ayrton Senna/Carvalho Pinto

Há lentidão do km 25 ao km 11+190 no sentido capital, no sentido interior o tráfego é normal.

 

Rodovia dos Tamoios

Tráfego normal, sem congestionamento.


quarta-feira, 9 de abril de 2025

Diagnóstico de Trombose cresce entre jovens e acende sinal de alerta na saúde

 Dr. Fabio Rossi


Condição, antes ligada à terceira idade, surpreende médicos com aumento expressivo de casos em pessoas ativas e com poucos fatores de risco aparentes


A trombose é uma condição séria que surge quando o sangue forma um coágulo dentro de uma veia ou artéria, o que dificulta ou bloqueia o fluxo sanguíneo normal. Esse coágulo, conhecido como trombo, pode afetar diferentes partes do corpo e provocar complicações severas. Quando atinge órgãos vitais, como os pulmões, o quadro é denominado de embolia pulmonar, que pode levar à morte súbita. Em muitos casos, a doença avança sem sinais e sintomas iniciais evidentes, o que torna o diagnóstico precoce um desafio — e uma necessidade.

Embora seja mais comumente associada a pessoas idosas ou com mobilidade reduzida, a trombose passou a ser diagnosticada com mais regularidade entre jovens adultos e até mesmo adolescentes. Mesmo indivíduos saudáveis, sem histórico clínico relevante, estão entre os novos casos. O alerta para essa mudança no perfil de risco vem do cirurgião vascular e membro da Comissão de Síndromes Venosas Obstrutivas e Congestão Pélvica da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular – Regional São Paulo (SBACV-SP), Dr. Fabio Rossi, que tem observado essa tendência com preocupação. “A população mais jovem precisa compreender que a prevenção começa antes da doença”, enfatiza.


Os tipos mais comuns de trombose

O Tromboembolismo Venoso (TEV) representa a manifestação mais recorrente da trombose e envolve dois quadros principais: a Trombose Venosa Profunda (TVP) e a Embolia Pulmonar. “A TVP afeta, na maioria das vezes, as veias profundas das pernas. Mas quando o trombo se forma mais próximo à virilha, e tem um maior volume, o risco de ele se soltar e atingir os pulmões é maior. Isso pode provocar uma arritmia, parada cardiorrespiratória repentina, e até o óbito”, explica o Dr. Fabio.

Já a trombose do sistema venoso superficial ocorre com mais frequência após a administração de medicamentos por via endovenosa, principalmente nos braços.  Embora cause dor e inflamação, costuma ser considerada de menor gravidade. Quando acomete as pernas, pode indicar doenças subjacentes e deve ser investigada com atenção. As varizes nas pernas aumentam o risco de tromboflebite e também de Trombose Venosa Profunda, por isso devem ser investigadas e tratadas.  


Sintomas e diagnóstico

Identificar os sinais precocemente pode evitar desfechos graves. A Trombose Venosa Profunda costuma provocar inchaço repentino em uma das pernas, dor persistente — especialmente na panturrilha —, alterações na cor da pele (como vermelhidão ou tom azulado) e sensação de calor na área afetada. Já a Embolia Pulmonar se manifesta com falta de ar, dor aguda no peito, tosse com presença de sangue e batimentos cardíacos acelerados. Entretanto, nem sempre os sintomas são exuberantes, e não é incomum que a Embolia Pulmonar seja confundida com infarto, pneumonia e até mesmo crise de ansiedade.

Para confirmar a suspeita, o exame mais indicado é o Doppler Venoso colorido, um tipo de ultrassonografia que identifica a presença de trombos nas veias profundas e superficiais. A maioria dos consultórios vasculares já dispõe dessa tecnologia. Em casos que envolvem os pulmões, o diagnóstico exige tomografia computadorizada, realizada em centros especializados.


Fatores de risco, mudança de perfil e prevenção

Diversos elementos contribuem para o surgimento da trombose, e muitos deles estão cada vez mais presentes no cotidiano de jovens e adolescentes. O sedentarismo, especialmente em pessoas que passam longos períodos sentadas, a obesidade, o uso de anticoncepcionais ou hormônios, o histórico familiar da doença, cirurgias recentes, doenças crônicas como câncer e cardiopatias, o consumo de cigarro e a desidratação são fatores diretamente ligados à formação de coágulos.

Segundo o Dr. Fabio Rossi, o combate à trombose começa com a conscientização da própria necessidade de movimento. “Todos devemos nos movimentar — e isso deve começar ainda na adolescência. É fundamental que esses hábitos sejam transmitidos aos nossos filhos, para que desenvolvam, desde cedo, a consciência da importância da atividade física e da alimentação equilibrada”, orienta.

Manter uma rotina com exercícios regulares, ingerir bastante água, evitar bebidas com cafeína, parar de fumar, utilizar roupas confortáveis, não cruzar as pernas por muito tempo, usar meias de compressão em viagens longas e observar qualquer sinal incomum no corpo são atitudes simples que fazem diferença. Em caso de suspeita, a avaliação com um médico vascular deve ser imediata.


Tratamentos eficazes e avanços médicos

Na maioria dos casos, o tratamento envolve o uso de anticoagulantes orais, e dispensa a necessidade de internação. Quando a trombose se apresenta de forma mais agressiva, pode ser necessária a internação e, nos casos mais graves, o uso de medicamentos trombolíticos ou até mesmo procedimentos por cateter, que permitem a remoção ou fragmentação do coágulo com precisão e menor risco de hemorragias.

“O avanço das técnicas e a sofisticação dos equipamentos tornaram o tratamento mais seguro e eficiente. Mas tudo depende da agilidade com que o paciente busca ajuda e é feito o diagnóstico. Tempo é fator determinante”, ressalta o especialista.

Além da atenção individual, o Dr. Fabio reforça a importância de políticas públicas, pesquisa de dados regionais e capacitação de profissionais de saúde. “Precisamos conhecer melhor a incidência do TEV no Brasil, identificar as formas mais frequentes de manifestação e capacitar médicos generalistas para reconhecer casos críticos. Só assim conseguiremos evitar mortes e reduzir os impactos físicos, emocionais e econômicos que a trombose impõe às famílias e ao sistema de saúde.”

A SBACV-SP tem como missão levar informação de qualidade sobre saúde vascular para toda a população. Para outras informações acesse o site e siga as redes sociais da Sociedade (Facebook e Instagram). 




Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular – Regional São Paulo – SBACV-SP
. www.sbacvsp.com.br


BOLETIM DAS RODOVIAS

Tráfego flui normalmente nas principais rodovias do Estado


A ARTESP - Agência de Transporte do Estado de São Paulo informa as condições de tráfego nas principais rodovias que dão acesso ao litoral paulista e ao interior do Estado de São Paulo na tarde desta quarta-feira (9).

 

Sistema Anchieta-Imigrantes (SAI)

Tráfego normal, sem congestionamento.

 

Sistema Anhanguera-Bandeirantes

Tráfego normal, sem congestionamento.

 

Sistema Castello Branco-Raposo Tavares

Tráfego normal, sem congestionamento.

 

Rodovia Ayrton Senna/Carvalho Pinto

Tráfego normal, sem congestionamento.

 

Rodovia dos Tamoios

Tráfego normal, sem congestionamento.


Nutricionista orienta como deve ser alimentação feminina após os 40 anos

Especialista ressalta que após os 40 anos as
mulheres devem buscar o consumo de alimentos
 in natura ou minimamente processados
 
Freepik
A partir desta idade, as mulheres precisam de menos calorias para manter suas atividades diárias, quando comparada às mais jovens. Além disso, inicia a fase de climatério

 

De acordo com o Censo Demográfico de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de 26 milhões de mulheres possuem entre 40 e 59 anos. E é justamente a partir dos 40 anos que o corpo feminino passa por várias alterações como as hormonais, no metabolismo, na massa muscular e na densidade óssea. Neste momento, a alimentação pode ser uma aliada para minimizar os efeitos negativos da mudança e potencializar a vitalidade. 

Segundo a nutricionista Gisele Sales, que atende no centro clínico do Órion Complex, em Goiânia, nesta etapa, a taxa metabólica basal tende a diminuir, e, com isso, o gasto calórico diminui também, ou seja, a mulher madura vai precisar de menos calorias para manter suas atividades diárias, quando comparada a uma mulher mais jovem. Como nas demais etapas da vida feminina, ela salienta que o importante é que haja o consumo de alimentos presentes em todos os grupos alimentares: carboidratos, proteínas, frutas, legumes e vegetais.  

Além disso, a partir dos 40 anos, geralmente se inicia o climatério, fase que antecede a menopausa e já vem associada a alguns sintomas como dificuldade em perda de peso, sono ruim e irritabilidade. A especialista pontua que o homem também passa por alterações no metabolismo após essa idade, só que são mais sutis quando comparado às mulheres, pois eles possuem menos alterações hormonais e mais massa muscular. Por isso, após os 40, é fundamental que a mulher tenha uma alimentação com um caráter anti inflamatório, com nutrientes antioxidantes para combater o estresse causado por essas alterações.  

“Deve-se buscar o consumo de alimentos in natura ou minimamente processados, que são aqueles que sofrem alteração mínima quanto à adição de sal, açúcar, corantes, conservantes, etc. Além disso, deve-se haver um maior consumo de proteína vegetal (grãos, sementes, leguminosas, cereais como a quinoa, castanhas). Se estiver dentro do orçamento, é muito importante priorizar os alimentos orgânicos, que além de mais saudáveis são mais nutritivos”, salienta a nutricionista. 

Ela ressalta também que a suplementação pode ser uma opção para as mulheres que chegam aos 40 anos. “O uso de suplemento alimentar é bastante comum a partir dessa faixa etária, devido a queixas frequentes de cansaço, indisposição, sono ruim e dificuldade na perda de peso. A suplementação então, somada a um plano alimentar individualizado, pode ajudar muitas mulheres em suas atividades cotidianas”, destaca a especialista.

 

Melhor idade

Outra fase da vida feminina que acarreta em mudanças é com a chegada da terceira idade e isso também precisa de alterações alimentares. “A partir dos 60 anos as necessidades nutricionais podem variar muito entre os idosos, uma vez que dependerá de fatores como o estado de saúde que ele se encontra e o nível de atividade física. É importante ficarmos atentos à ingestão hídrica, ingestão de proteína e ao funcionamento intestinal, mantendo-se uma boa ingestão de nutrientes antioxidantes, presentes em frutas, legumes e vegetais para melhora da memória, cognição e depressão, queixas comuns nessa fase”, pontua Gisele. 

A nutricionista também dá exemplos de como deve ser a alimentação nesta etapa da vida. “A partir dos 60 anos é de suma importância o consumo de boas fontes de proteína (carnes magras, peixes, frango, ovos) para manutenção da massa muscular e o consumo de alimentos ricos em cálcio, vitamina D, magnésio e zinco (vegetais verde escuros, sementes, leguminosas, cereais integrais e laticínios, em caso de ausência de sensibilidade alimentar) para melhora da saúde óssea e digestão”, ressalta Gisele Sales.

 

Câncer de cavidade oral está entre os dez tipos mais comuns entre os homens no Brasil

No Dia Mundial da Voz, especialista relaciona saúde vocal à prevenção do câncer de boca e garganta, destacando a importância da atenção às alterações na voz


Celebrado em 16 de abril, o Dia Mundial da Voz serve como um importante lembrete sobre o valor da comunicação, a necessidade de cuidar da saúde vocal e a prevenção de doenças que podem afetar essa região — muitas vezes de forma silenciosa. Um dos principais alertas, segundo especialistas, é o câncer de boca e garganta, que pode se manifestar inicialmente por meio de alterações simples na fala, como uma rouquidão persistente.

A Dra. Sílvia Picado, médica especialista em Cirurgia de Cabeça e Pescoço, orienta que alterações vocais que persistem por mais de 15 dias não devem ser ignoradas. “Rouquidão (disfonia) persistente, dificuldade ou mudança na fala são sinais de que algo pode estar errado. A voz é nosso importante instrumento de comunicação para atividades sociais e laborais”, destaca.

De acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de cavidade oral está entre os dez tipos mais comuns entre os homens no Brasil. Já em relação ao câncer de laringe, o país apresenta uma das maiores taxas de incidência do mundo.

Entre as principais causas, estão o tabagismo e o consumo excessivo de álcool, especialmente quando associados. “O efeito é mais intenso quando o cigarro e a bebida estão associados. Além disso, a infecção pelo HPV, dietas pobres em frutas, verduras e legumes e a má higiene oral também contribuem para o desenvolvimento da doença”, explica a especialista.

Outro fator que pode impactar diretamente a saúde vocal é o refluxo gastroesofágico, que muitas vezes passa despercebido. “O refluxo pode fazer com que o líquido, ao entrar em contato com a laringe, leve à irritação e a um processo inflamatório local”, afirma a médica.

A prevenção do câncer de boca e garganta envolve hábitos saudáveis, como evitar o tabaco e o álcool, manter uma boa higiene oral e alimentação equilibrada. Ao notar sintomas persistentes, como alterações na voz, a recomendação é procurar avaliação médica. “Em casos de suspeita de alteração vocal, o ideal é procurar um cirurgião de cabeça e pescoço ou um otorrinolaringologista. No próprio consultório é possível realizar exames como a nasofibrolaringoscopia, que permite uma avaliação direta da laringe e o diagnóstico da maior parte das patologias vocais”, explica a especialista.

Prestar atenção à própria voz pode ser indispensável para um diagnóstico precoce e eficaz.

 


Dra. Sílvia Picado - possui graduação em Ciências Médicas pelo Centro Universitário Lusíada (UNILUS). Concluiu Residência Médica em Cirurgia de Cabeça e Pescoço em 2015 e obteve o título de especialista pela Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP) no mesmo ano, tornando-se membro efetivo e integrante da atual comissão de marketing da SBCCP.Em 2019, a Dra. Sílvia Picado concluiu o mestrado no programa de Pós-graduação em Fisiopatologia Experimental da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Atualmente, exerce o cargo de professora na UNILUS e é a Diretora Social da Associação Paulista de Medicina de Santos (APM Santos).

 

Traços de personalidade influenciam no desenvolvimento da insônia

A insônia é um dos distúrbios do sono mais
 prevalentes nos adultos
foto: Freepik

Conclusão é de estudo feito na Faculdade de Medicina da USP com 595 participantes entre 18 e 59 anos. Análises indicam uma associação entre insônia e altos índices de neuroticismo e apontam a ansiedade como parte do problema

 

Estudo realizado na Universidade de São Paulo (USP) investigou a influência dos traços de personalidade no desenvolvimento e na perpetuação da insônia e constatou que há uma relação direta entre as duas coisas. Dois achados chamaram a atenção dos pesquisadores: altos índices de abertura foram associados a baixos índices de insônia, enquanto o alto nível de neuroticismo (caracterizado por instabilidade emocional) foi bastante prevalente em pessoas com o distúrbio de sono. Os resultados foram publicados no Journal of Sleep Research.

“Decidimos estudar a influência dos traços de personalidade sobre a insônia por se tratar de um transtorno extremamente prevalente e que traz impactos negativos para a saúde, como maior risco de hipertensão, diabetes, ansiedade e depressão. Essas diversas condições de saúde física e mental levam a uma pior qualidade de vida de forma geral”, explica Bárbara Araújo Conway, psicóloga do sono e autora da dissertação de mestrado defendida no Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina (FM-USP), com apoio da FAPESP e orientação da professora Renatha El Rafihi-Ferreira, do Departamento de Psicologia Clínica.

Como explicam as autoras, a insônia é um dos distúrbios do sono mais prevalentes nos adultos. Estima-se que cerca de 30% da população mundial sofra com o problema, caracterizado pela dificuldade de adormecer, de permanecer dormindo ou de voltar a dormir após um despertar indesejado. No Brasil, especificamente em São Paulo, esse número é ainda maior: quase metade dos paulistanos (45%) reclama de insônia, segundo dados do Estudo Epidemiológico do Sono (Episono).


Cinco traços de personalidade

De acordo com Conway, há uma teoria bem estabelecida na literatura que propõe a existência dos “3 Ps” da insônia: predisposição (fatores que tornam um indivíduo mais propenso a ter o distúrbio), precipitação (gatilhos associados ao surgimento dos sintomas) e perpetuação (comportamentos que fazem com que a pessoa se mantenha no ciclo vicioso da insônia).

Assim, os pesquisadores partiram da hipótese de que o neuroticismo, que é mais prevalente em insones, poderia ser considerado um fator de predisposição ao transtorno do sono. Além disso, eles investigaram se os sintomas de ansiedade e depressão poderiam atuar como mediadores e moderadores da associação entre o neuroticismo e a insônia.

Mas para entender como os autores chegaram aos resultados do estudo é preciso voltar um passo atrás e conhecer os traços de personalidade. “São características que estimam um padrão de como são os sentimentos, pensamentos e comportamentos de determinada pessoa. São um conjunto de fatores que formam a personalidade e as características do indivíduo. De acordo com a teoria Big Five, todos nós temos diferentes níveis dos cinco traços de personalidade”, explicou a psicóloga. São eles:

1 – Extroversão: pessoas com nível de extroversão mais alto tendem a ser mais falantes, mais dominantes, com perfil de liderança. Preferem atividades em grupo, têm maior facilidade de se relacionar, de criar intimidade e costumam ser mais assertivas. Já as pessoas com baixo nível de extroversão não são necessariamente introvertidas, mas preferem ficar mais sozinhas e costumam ter mais dificuldades em trabalhar com grupos.


2 – Neuroticismo: é um traço de personalidade relacionado ao grau de estabilidade emocional. Pessoas com alto índice de neuroticismo costumam ser mais instáveis emocionalmente e tendem a focar em aspectos mais negativos da vida. São pessoas que, diante de uma adversidade, tendem a se desorganizar e sofrer mais intensamente, sendo mais suscetíveis ao estresse. A literatura científica aponta que um alto neuroticismo tem uma correlação com ansiedade e depressão.


3 – Amabilidade: é um traço de personalidade relacionado à empatia. Pessoas com altos índices de amabilidade tendem a ser mais empáticas, mais cordiais e preocupadas com o bem-estar alheio, focando muito na situação do outro (podendo até ser ingênuas e valorizarem o outro em detrimento de si próprias). Aquelas com baixos índices costumam ser mais céticas e mais desconfiadas.


4 – Abertura à experiência: a pessoa aberta a novas experiências tende a ser mais criativa, com comportamento exploratório diante da novidade. Tem interesse pelo novo, são pessoas curiosas, imaginativas e vivenciam as emoções de forma mais intensa. As pessoas com baixos índices de abertura são aquelas que preferem a rotina, evitam o desconforto e tendem a ser convencionais.


5 – Conscienciosidade: também pode ser chamada de realização. Pessoas com altos índices são determinadas, comprometidas, motivadas, perseverantes e podem sacrificar prazeres momentâneos em busca de um objetivo maior. Um índice muito alto pode não ser bom, porque pode levar ao perfeccionismo. Aquelas com baixos índices são menos exigentes, menos obstinadas, no senso comum seriam mais “preguiçosas”.

O estudo

Para chegar aos resultados, os pesquisadores avaliaram 595 participantes, entre 18 e 59 anos, divididos em dois grupos: um formado por pacientes insones que buscaram ajuda e receberam diagnóstico formal feito por um médico especialista em sono e a outra metade era um grupo-controle, com pessoas sem queixas de insônia.

Os níveis de personalidade de cada participante foram estabelecidos por meio de um questionário de uso exclusivo dos profissionais da psicologia, composto por 60 perguntas que estabeleceram um escore. Os voluntários dos dois grupos responderam às questões para que os pesquisadores pudessem definir os escores dos traços de personalidade de cada um.

Após aplicar o questionário para os dois grupos, cruzar e analisar os dados, Conway constatou que os pacientes com insônia têm índice muito mais alto de neuroticismo do que os voluntários sem insônia, além de apresentarem índices mais baixos de amabilidade, de abertura e de conscienciosidade. Extroversão foi o único traço de personalidade que não apresentou diferença significativa. “Neuroticismo foi o traço que mais se destacou, os insones possuem esse índice bem mais alto. Mas não podemos afirmar que os insones são mais introvertidos”, pondera Conway.

As análises também mostraram que: 61,7% dos insones apresentaram alto índice de neuroticismo, em comparação com 32% do grupo-controle; 40,7% dos insones possuíam baixos índices de abertura, contra 23% do grupo saudável; 31,5% dos voluntários com insônia apresentaram baixa amabilidade em comparação com 23,2% dos não insones; e 37,7% dos insones tinham baixa conscienciosidade, contra 24,1% do grupo-controle.

“Após análises estatísticas mais detalhadas, os resultados do estudo nos permitem afirmar que pessoas com altos índices de neuroticismo têm uma propensão maior a ter insônia”, afirma a pesquisadora.

O grupo também fez uma análise estatística para investigar se algum outro fator poderia interferir na associação entre neuroticismo e insônia e descobriu que a ansiedade atua como mecanismo de mediação, ou seja, são os sintomas da ansiedade que de fato fazem com que o neuroticismo influencie no desenvolvimento da insônia. “Ela explica todo o efeito do alto neuroticismo na insônia”, diz a pesquisadora. O grupo também testou o papel da depressão, mas ela não demonstrou ser um mecanismo importante nessa relação.


Efeito na prática

Considerando que os traços de personalidade estão associados a resultados positivos ou negativos no que concerne à saúde física e mental, o estudo sugere que é importante conhecer os traços de personalidade mais prevalentes entre indivíduos com insônia, de forma que o conhecimento possa auxiliar no processo de avaliação, prevenção e planejamento de tratamentos mais adequados e de acordo com a especificidade de cada paciente.

Os resultados reforçam que, para tratar a insônia de um paciente, é preciso também investigar e tratar a sua ansiedade. “Essas descobertas são importantes na prática clínica, pois ao receber pacientes com esse traço de personalidade é fundamental pensar em um plano de tratamento que foque não somente no sono, mas também na ansiedade”, diz El Rafihi-Ferreira.

Mas, para que isso aconteça, os profissionais de saúde precisam compreender e avaliar a personalidade dos pacientes que buscam ajuda quando têm problemas no sono. “Sabemos que a maioria dos insones tem alto índice de neuroticismo. Esses pacientes merecem investigar e tratar sua ansiedade para que a insônia também melhore. Por vezes isso envolve terapias e medicações diferentes, por isso é importante ter um olhar mais amplo para a história e especificidade de cada indivíduo”, frisa Conway.

Atualmente, o tratamento considerado “padrão-ouro” para insônia é a terapia cognitivo-comportamental aplicada à insônia (TCC-I), mas ainda existem poucos psicólogos especializados em sono no Brasil para oferecê-la. Por isso, os pesquisadores defendem que os profissionais de saúde tenham um olhar mais amplo e aprofundem na investigação dos fatores psicológicos dos pacientes.

“A associação entre traços de personalidade, ansiedade e insônia traz a importância do desenvolvimento de protocolos de tratamento transdiagnóstico, isto é, que envolvam a integração de técnicas e processos comportamentais para tratar um conjunto de dificuldades emocionais que compartilham processos e mecanismos subjacentes às diferentes queixas”, pontua a orientadora do estudo.

“Já temos um tratamento não farmacológico para insônia, mas, da mesma forma que não temos um medicamento que vai ser eficaz para todos os pacientes, uma única abordagem de terapia também pode não funcionar para todo mundo. Esses resultados contribuem para o desenvolvimento de novos protocolos psicológicos e comportamentais mais personalizados para o tratamento da insônia”, finaliza Conway.

O artigo Personality traits and insomnia: direct and anxiety-mediated associations pode ser lido em: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/abs/10.1111/jsr.70003.

 

Fernanda Bassette

Agência FAPESP
https://agencia.fapesp.br/tracos-de-personalidade-influenciam-no-desenvolvimento-da-insonia/54411


Parkinson: Neurocirurgião da Unicamp detalha sintomas e fala sobre avanços no tratamento

Dr. Marcelo Valadares, neurocirurgião funcional e pesquisador da Unicamp, destaca a necessidade de um olhar empático para os sintomas não motores da condição


O Parkinson é amplamente associado ao tremor, mas há outros sintomas que ultrapassam os distúrbios motores e impactam significativamente a qualidade de vida dos pacientes: fadiga intensa, dores crônicas, alterações cognitivas, dificuldades emocionais e alterações autonômicas podem estar associadas à doença, mas são frequentemente subestimadas pelos profissionais da saúde e pela sociedade, embora representem um comprometimento na autoestima e autonomia dos pacientes.

O Dr. Marcelo Valadares, neurocirurgião funcional e pesquisador da Disciplina de Neurocirurgia na Unicamp, alerta que sintomas como constipação intestinal, quedas de pressão, dificuldades de fala e problemas posturais muitas vezes passam despercebidos ou são confundidos com outras condições, retardando um diagnóstico preciso.

"A avaliação clínica não deve se limitar aos sintomas motores, uma vez que os sinais não motores podem ser igualmente debilitantes", afirma. A identificação precoce e o tratamento adequado das manifestações não motoras são indispensáveis para o acompanhamento desses pacientes.

A doença afeta 1% da população mundial com mais de 65 anos, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS)1. No Brasil, a estimativa é de que aproximadamente 200 mil pessoas vivam com a condição.2

 

A importância do acompanhamento e a evolução da doença

A progressão do Parkinson varia de paciente para paciente. Enquanto alguns permanecem estáveis por décadas, outros podem experimentar uma evolução acelerada.  "Pacientes mais jovens, na faixa dos 50 anos, costumam sofrer mais impacto na rotina, pois ainda estão no mercado de trabalho e enfrentam desafios como tremores em situações profissionais", explica o Dr. Valadares. 

A perda da independência, a dificuldade em planejar viagens e a impossibilidade de realizar tarefas cotidianas podem gerar um forte impacto emocional. Não por acaso, depressão e ansiedade são frequentes entre os pacientes. "Estima-se que cerca de 50% dos pacientes apresentem quadros de depressão3 e até 20%4 desenvolvam depressão severa", aponta o médico.

Para garantir um atendimento eficaz, profissionais de múltiplas áreas da saúde devem adotar uma escuta ativa e promover um espaço onde os pacientes se sintam confortáveis para relatar as dificuldades. Segundo o neurocirurgião, a empatia aliada a uma anamnese detalhada, permite compreender melhor os impactos subjetivos da doença. “Muitas vezes, o que mais aflige o paciente não é o tremor ou a rigidez, mas sim as limitações que afetam sua independência e bem-estar emocional. Compreender essa dimensão exige tempo e um acompanhamento mais próximo”, destaca. Ele ressalta, ainda, que um tratamento eficiente deve ser multidisciplinar incluindo apoio psicológico, fisioterapia e fonoaudiologia (quando necessário).

 

O desafio estrutural e a necessidade de políticas públicas eficazes

A falta de infraestrutura disponível para o tratamento é um dos grandes desafios no Brasil. “Nos grandes centros urbanos, há hospitais de referência do SUS que oferecem com excelência o suporte necessário, mas, nas cidades menores, o acesso a profissionais capacitados e a terapias complementares, ou até mesmo cirurgias que poderiam beneficiar o indivíduo ainda é extremamente limitado”, alerta o Dr. Valadares.

Além desta carência, a distribuição irregular de medicamentos prejudica consideravelmente o tratamento. “O desabastecimento de medicamentos é um problema recorrente. Uma fiscalização mais rigorosa e um planejamento mais eficiente ajudariam a garantir a continuidade do tratamento”, esclarece.

A acessibilidade também representa um grande obstáculo. “As leis sobre o tema ainda são falhas e, muitas vezes, não aplicadas. O simples ato de caminhar pelas ruas pode ser uma experiência desagradável para quem tem limitações motoras, devido às barreiras urbanísticas”, observa o médico.

Por outro lado, há avanços, como a isenção do imposto de renda para aposentados e pensionistas diagnosticados com Parkinson5 - embora essa medida não contempla aqueles que ainda estão em atividade profissional. 

 

Necessidade de inclusão e suporte

Os impactos menos evidentes do Parkinson nem sempre são reconhecidos, tornando o diagnóstico e o tratamento mais complexos. Muitos pacientes enfrentam dificuldades para manter suas atividades laborais, seja por preconceito ou pela necessidade de adaptação às novas condições impostas pela doença. As famílias também sentem os reflexos da doença, e muitas vezes assumem o papel de cuidadoras sem o suporte adequado, o que gera sobrecarga emocional e financeira.

"Se quisermos melhorar o suporte aos pacientes com Parkinson, precisamos ampliar nossa compreensão sobre a doença e reconhecer suas múltiplas dimensões. O manejo deve ir além do controle dos sintomas motores, promovendo o bem-estar geral do paciente e permitindo que ele continue participando ativamente da sociedade", reflete o neurocirurgião. Para ele, uma abordagem integrada e humanizada, políticas públicas abrangentes, ambientes de trabalho acessíveis e fomento às iniciativas que permitam a inclusão dos pacientes na vida social e profissional são fundamentais para essa doença.

 

 

Dr. Marcelo Valadares - médico neurocirurgião e pesquisador da Disciplina de Neurocirurgia da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). A Neurocirurgia Funcional é a sua principal área de atuação. Seu enfoque de trabalho é voltado às cirurgias de neuromodulação cerebral em distúrbios do movimento, cirurgias menos invasivas de coluna (cirurgia endoscópica da coluna), além de procedimentos que envolvem dor na coluna, dor neurológica cerebral e outros tipos de dor. O especialista também é fundador e diretor do Grupo de Tratamento de Dor de Campinas, que possui uma equipe multidisciplinar formada por médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, psicólogos e educadores físicos. No setor público, recriou a divisão de Neurocirurgia Funcional da Unicamp, dando início à esperada cirurgia DBS (Deep Brain Stimulation – Estimulação Cerebral Profunda) naquela instituição. Estabeleceu linhas de pesquisa e abriu o Ambulatório de Atenção à Dor afiliado à Neurologia.  

  



Fontes:

1 e 2: Dia Mundial de Conscientização da Doença de Parkinson – Biblioteca Virtual em Saúde: Acesso em: https://bvsms.saude.gov.br/dia-mundial-de-conscientizacao-da-doenca-de-parkinson/#:~:text=Dados%20da%20Organiza%C3%A7%C3%A3o%20Mundial%20de,pessoas%20sofram%20com%20o%20problema.

3: Depressão na doença de Parkinson: uma revisão narrativa. Acesso em: https://pmc-ncbi-nlm-nih-gov.translate.goog/articles/PMC9447473/?_x_tr_sl=en&_x_tr_tl=pt&_x_tr_hl=pt&_x_tr_pto=sge#:~:text=Ter%20depress%C3%A3o%20aumenta%20o%20risco,ao%20conte%C3%BAdo%20publicado%20no%20Cureus.

4: Depressão em pacientes com doença de Parkinson: compreensão atual de sua neurobiologia e implicações para o tratamento. Acesso em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC9200562/

5: Como funciona a isenção do Imposto de Renda para aposentados e pensionistas diagnosticados com doença grave. Acesso em: https://www.gov.br/secom/pt-br/fatos/brasil-contra-fake/noticias/2024/como-funciona-a-isencao-do-imposto-de-renda-para-aposentados-e-pensionistas-diagnosticados-com-doenca-grave


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