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sexta-feira, 15 de março de 2024

Como as empresas podem colaborar para ambientes de trabalho mais saudáveis? Veja cinco dicas

Pexels
 Estudo mostra que 33% dos funcionários brasileiros têm algum tipo de transtorno mental


A influência da saúde mental permeia todos os aspectos da sociedade, inclusive no ambiente de trabalho. Segundo a pesquisa "Índice de Bem-Estar Corporativo (IBC) do mercado" conduzida pela Zenklub, que analisou o bem-estar emocional em 13 setores durante o primeiro semestre de 2023, nenhum dos setores avaliados alcançou o índice mínimo ideal exigido pelo estudo nesse período. Em uma escala de 0 a 100, os cinco setores com pior desempenho foram bens de consumo e varejo (57,8), imobiliário (61,2), aviação (61,7), automotivo (62,2) e seguradoras (62,7).

Outra pesquisa conduzida pela Vittude revelou que 33% dos colaboradores avaliados apresentaram algum tipo de transtorno mental em níveis severos ou extremamente severos. As patologias consideradas no estudo incluem ansiedade, depressão e estresse.

“A velha ideia de romantizar o workaholic, de que quanto mais você rala, mais chances terá de receber reconhecimento, não respeitar os próprios limites (ou nem reconhecê-los) também contribui para exaustão, mas é injusto atribuir responsabilidades individuais quando o problema é sistêmico e quando o medo de perder a fonte de renda é maior do que a coragem de se preservar. Por outro lado, esperar que o sistema mude, no curto prazo, é quase ingênuo da nossa parte, o que nos traz de volta às esferas mais particulares”,  explica a psicanalista e CEO do Ipefem (Instituto de Pesquisas & Estudos do Feminino e das Existências Múltiplas), Ana Tomazelli. 

Essa situação contribui diretamente para o surgimento de condições como o burnout. Uma pesquisa da International Stress Management Association (ISMA) revela que o Brasil está em segundo lugar em número de casos diagnosticados, sendo superado apenas pelo Japão, onde 70% da população é afetada por esse problema.

‘’As pessoas desenvolvem sintomas e doenças que juntos, podem ser lidos como Burnout, por esse motivo a causa da síndrome nem sempre será reconhecida de forma direta. Existem algumas variáveis responsáveis pelo adoecimento dos profissionais, como uma liderança que comete assédio, colegas que praticam bullying, cultura empresarial de performance com metas duras e inflexíveis, entre outros pontos que podem ser difíceis  de serem levados à esfera judicial",  menciona Ana Tomazelli. 

Adicionalmente, é importante destacar que as questões relacionadas à raça e ao gênero são fatores agravantes nesse contexto. Uma pesquisa conduzida pela Universidade da Geórgia revelou que 70% das executivas entrevistadas experimentavam sentimentos de fraude no ambiente de trabalho. Conforme outro estudo realizado pela consultoria de gestão KPMG, essa síndrome abala a confiança de 75% das mulheres no mercado. “A jornada de trabalho excessiva, a discriminação de gênero e sobrecarga doméstica são algumas das causas de adoecimento mental das brasileiras em seus ambientes de trabalho”, ressalta a CEO e cofundadora da startup Plure, único portal de vagas do Brasil com foco em mulheres plurais, Jhenyffer Coutinho.


Cinco dicas para ambientes de trabalho mais saudáveis

Como as empresas podem colaborar para ambientes de trabalho mais saudáveis? Veja cinco dicas a seguir. 

1) Espaço seguro para diálogo com os colaboradores: uma pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa de Estudos do Feminino (Ipefem) com mais de 200 participantes, mostra que apenas 37% dos profissionais se sentem totalmente seguros para discordarem da sua liderança no ambiente de trabalho. Já 63% manifestaram alguma ressalva ou receio de se posicionar quando discordam da liderança. “Esses números refletem a insegurança psicológica dos ambientes corporativos, considerando que a segurança psicológica não deveria ser algo negociável”, diz Tomazelli. 

2) Combater o assédio no trabalho: o assédio físico, psicológico ou moral no trabalho viola os direitos humanos e prejudica a saúde mental e física. É obrigação da empresa detectar e buscar soluções para esse tipo de questão, combatendo atitudes de lideranças que cometem assédio, colegas que praticam bullying, cultura empresarial de performance com metas duras e inflexíveis, entre outros pontos.

3) Ambientes de trabalho seguros e saudáveis são um direito fundamental: a Organização Mundial da Saúde aponta que ambientes de trabalho seguros e saudáveis são um direito fundamental para todos. Quando acolhem seus trabalhadores, as companhias são mais propensas a melhorar o desempenho e a produtividade, além de minimizar tensões e conflitos internos que podem impactar na saúde mental. 

4) Respeitar - e valorizar - a diversidade: os processos seletivos devem levar isso em consideração, bem como na contratação e na retenção dos talentos. A partir do momento que o quadro é mais diverso, é preciso também garantir o bem-estar dos colaboradores, sensibilizando lideranças e equipes para o combate a vieses inconscientes, destaca a CEO da Plure.

5) Melhora na qualidade de vida dos profissionais: cada vez mais, os colaboradores buscam muito mais do que apenas bons salários, e querem estar em uma empresa alinhada aos seus ideais, que disponibilizem um ambiente propício ao seu desenvolvimento, a novos aprendizados e que seja aberto ao diálogo. Seja no trabalho presencial ou remoto, a empresa deve se preocupar com o funcionário e promover sua satisfação, oferecendo condições adequadas de trabalho e equipamentos necessários - o que acarreta em aumento da produtividade também.

“As lideranças precisam pensar em ações voltadas à saúde mental dos seus colaboradores durante todo o ano e não somente em datas específicas. Cada colaborador é único e precisa ser tratado de acordo com as suas experiências de vida e individualidade”, conclui Ana Tomazelli. 



Ana Tomazelli - psicanalista e CEO do Ipefem (Instituto de Pesquisas & Estudos do Feminino e das Existências Múltiplas), uma ONG de educação em saúde mental para mulheres no mercado de trabalho. Mentora de Carreiras, Executiva em Recursos Humanos, por mais de 20 anos, liderou reestruturações de RH dentro e fora do país. Com passagens pelas startups Scooto e B2Mamy, além de empresas tradicionais e consolidadas como UHG-Amil, Solera Holdings, KPMG e DASA (Diagnósticos da América S/A). Mestranda em Ciência da Religião pela PUC-SP e membro do grupo de pesquisa RELAPSO (Religião, Laço Social e Psicanálise) da Universidade de São Paulo, também é pós-graduada em Recursos Humanos pela FIA-USP e em Negócios pelo IBMEC-RJ. Formada em Jornalismo pela Laureate - Anhembi Morumbi.

Linkedin/anatomazellibr
Instagram @ipefem

Instituto de Pesquisa de Estudos do Feminino e das Existências Múltiplas – Ipefem
https://ipefem.org.br/


Plure
https://plure.io/


Como a UX Offline pode aumentar o lucro das empresas?

O UX, ou user experience (experiência do usuário), é um termo que está em voga há bastante tempo no escopo do marketing digital. Geralmente, num primeiro momento, ele costuma ser associado aos sites e conteúdos do meio digital. Contudo, várias marcas o utilizam fora do seu ambiente virtual, apresentando todo um planejamento e estratégias de UX focadas nos seus espaços físicos. Quando bem-feito, esse trabalho pode elevar a fidelidade e a memorabilidade da marca na mente dos seus clientes, o que acaba por tornar essa área num setor bem estratégico, com grande potencial de crescimento e, portanto, interesse para investimento.

Quando falamos sobre experiências memoráveis e que causam um sentimento de surpresa em seu encontro, muito provavelmente alguma marca surge em nossa mente. Imagine a situação hipotética: você está com pressa e precisando redigir algum documento para algum fim que seja de seu interesse e, do nada, seu desktop não envia mais informações visuais para o monitor.

Nessa situação, começar a procurar por lojas físicas que oferecem um serviço de manutenção é, quase que perfeitamente, a rota de pensamento pela qual a maioria das pessoas passa. Contudo, nas lojas físicas em que você vai, todas dizem que o possível problema que está ocorrendo é algo que exige um pouco mais de atenção técnica, e pode levar semanas até que sua máquina volte do espaço onde os profissionais trabalham com as manutenções.

Então, nesse cenário, ao buscar por lojas especializadas, você chega a tentar o diálogo com algumas outras, mas todas possuem o mesmo sistema de funcionamento. Desesperador, correto? Então, você finalmente descobre um estabelecimento que, além de executar o serviço que precisa, também oferece a incrível experiência de buscar e trazer de volta seu PC.

Solucionando sua dor de cabeça com apenas um dia útil, pegando o desktop na manhã de um dia e devolvendo no outro; apresentando uma “uberização” do serviço para que não haja a necessidade do cliente de deslocamento até o espaço físico da loja e, por fim, com a cobrança de um preço justo. A partir dessa experiência, que resultado eles conseguiriam se não a completa lealdade do cliente, uma vez que esse foi o primeiro contato do usuário com esse tipo de serviço inovador e muito conveniente?

Da mesma forma, várias outras marcas e negócios podem tirar proveito da ideia de causar uma boa primeira impressão, inovando através do método/produto e, com isso, proporcionando uma experiência muito boa a seus clientes, efetuada com todo o suporte necessário para a ação, fidelizando, assim, cada vez novos consumidores e os transformando em possíveis propagadores da marca.

Apesar do exemplo acima citado ser um caso bem específico e para uma área bem nichada, que é a de computadores, o mesmo pode ser feito para inúmeros outros itens. O ponto principal é tentar inovar nessa experiência do cliente com uma abordagem diferente.

Para lojas físicas, imagine o seguinte estabelecimento: um espaço com estética bem planejada, com cores que se comunicam com a identidade visual apresentada nos canais da marca, com um planejamento feito e pensando, justamente, na rota que os clientes geralmente fazem, apresentando um ambiente não só climatizado, mas também com essências e um trabalho de aromaterapia, atendentes que são informados sobre o assunto e comunicativos (com treinamento sobre como falar com o cliente e tom de voz da marca explicado), com formas de testar o produto antes da conversão final e, após isso tudo, apresentam um serviço de pós-venda que tenta resolver os problemas apresentados pelos clientes de maneira rápida, prática e sem muito custo de tempo.

Isso tudo traz a importância de se colocar no lugar do cliente. Entenda onde você pode tentar inovar e planeje como é possível causar uma primeira impressão memorável e que consiga criar uma UX de outro mundo. Não pense que os usuários devem ter uma experiência planejada apenas nos meios digitais, pois sua marca pode perder uma série de oportunidades que favoreçam seu crescimento e prosperidade no segmento atuado. 


Renan Cardarello - CEO da iOBEE, Assessoria de Marketing Digital e Tecnologia.


iOBEE
https://iobee.com.br/

 

Exclusão de dependentes maiores de 25 anos de planos de saúde é considerada abusiva

Nos últimos anos, temos testemunhado uma crescente controvérsia no setor de saúde brasileiro: a exclusão de dependentes maiores de 25 anos de forma tardia por parte das operadoras de plano de saúde.

O Judiciário vem reconhecendo esse movimento como abusivo. Observa-se um crescente entendimento favorável por parte dos tribunais em relação aos casos envolvendo dependentes em planos de saúde maiores de 25 anos que são excluídos tardiamente dos planos como dependentes. Este movimento jurisprudencial baseia-se no argumento de que a inércia das operadoras de saúde, ao permitirem que dependentes maiores permaneçam no plano sem contestação por longos períodos, gera uma expectativa legítima de direito ao consumidor.

É notório que muitas operadoras de planos de saúde permanecem inertes diante da permanência de dependentes maiores, não tomando medidas para excluí-los do plano mesmo quando há clara violação das regras contratuais. Essa postura negligente cria uma falsa sensação de segurança para o consumidor, que confia na continuidade de sua cobertura de saúde, mesmo após atingirem a maioridade ou outros marcos que poderiam implicar em exclusão do plano.

Entretanto, após anos de inatividade, as operadoras frequentemente notificam os beneficiários sobre a necessidade de exclusão do dependente maior, o que representa não apenas uma surpresa desagradável, mas também uma quebra da boa-fé contratual. Essa prática, segundo o entendimento consolidado em diversos tribunais, caracteriza-se como uma afronta aos princípios de lealdade e transparência nas relações de consumo.

Nesse contexto, os magistrados têm reconhecido a existência de uma expectativa de direito por parte dos consumidores, fundamentada na inação das operadoras de saúde. Tal expectativa é respaldada pela confiança depositada pelos consumidores na continuidade de sua cobertura, em virtude da omissão das operadoras em exercer seu direito de exclusão no momento oportuno.

Diante disso, é evidente a necessidade de uma revisão por parte das operadoras de saúde de suas práticas de gestão de contratos, a fim de evitar situações que configurem uma violação à boa-fé contratual e que gerem danos aos consumidores. Enquanto isso, o Poder Judiciários continua a firmar jurisprudência em favor dos dependentes, protegendo os direitos dos consumidores diante da inércia das empresas prestadoras de serviços de saúde.




José Santana Júnior - advogado especialista em Direito Empresarial e da Saúde e sócio do escritório Mariano Santana Sociedade de Advogados


Sistema utiliza inteligência artificial para detectar animais selvagens na pista e evitar acidentes

 

Banco de dados de espécies como o tamanduá-bandeira
permitiu treinar para a realidade do país modelo utilizado em outros países
(
imagem: montagem de Gabriel Souto Ferrante
 sobre foto de Miguel Rangel Jr/Creative Commons
)

Pesquisadores treinam modelo de visão computacional para identificar, em tempo real, os mamíferos da fauna brasileira que são mais atropelados nas estradas do país. Grupo busca parceria com concessionárias para testar aplicação em situações reais

 

Da mesma forma que um motorista pode hoje ser avisado de um engarrafamento ou um carro parado no acostamento, em algum tempo notificações poderão pular na tela do smartphone ou do computador de bordo do carro avisando, em tempo real, que um tamanduá, um lobo-guará ou mesmo uma anta estão atravessando a pista. Tudo isso sem que nenhum humano precise necessariamente ver esses animais antes nem acionar comandos para fazer os alertas.

Para que algo assim se tornasse realidade, um passo importante era a construção de um modelo de visão computacional que detectasse, automaticamente, animais da fauna brasileira. O sistema foi criado por pesquisadores apoiados pela FAPESP e descrito na revista Scientific Reports.

“Essas espécies foram escolhidas conforme métricas do Centro Brasileiro de Estudos em Ecologia de Estradas [CBEE, da Universidade Federal de Lavras]. Segundo as estimativas do centro, cerca de 475 milhões de animais são atropelados por ano nas estradas do país. Criamos, então, um banco de dados de espécies brasileiras e treinamos os modelos de visão computacional para detectá-las”, explica Gabriel Souto Ferrante, que realizou o trabalho como parte do mestrado no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da Universidade de São Paulo (ICMC-USP), em São Carlos.

Segundo Rodolfo Ipolito Meneguette, professor do ICMC-USP que orientou o mestrado de Ferrante e também assina o estudo, grupos de outros países já trabalham há algum tempo na detecção da fauna silvestre com o uso de inteligência artificial. Porém, os modelos criados no exterior não dão conta da nossa fauna.

Além disso, poucos deles se preocupam com a identificação de animais nas estradas, uma aplicação que exige detecção rápida, num ambiente muitas vezes com condições de visibilidade pouco favoráveis.

“No choque com um animal de grande porte, o risco também é muito grande para o condutor, que muitas vezes não tem tempo de resposta rápido o suficiente para evitar a colisão. Nesse sentido, um sistema que use as próprias câmeras da rodovia, embarcado num computador portátil, tem um aspecto inovador”, conta o pesquisador.

O trabalho integra os projetos “Serviços para um sistema de transporte inteligente” e “Gerenciamento de recursos dinâmicos para aplicativos de sistema de transporte inteligente”, ambos apoiados pela FAPESP.


Detecção instantânea

Para desenvolver a aplicação no contexto das espécies brasileiras, os pesquisadores primeiro reuniram um banco de dados de mamíferos da fauna brasileira ameaçada com mais chances de serem atropelados.

Foram reunidas 1.823 fotos, livres de direitos autorais, baixadas da internet. Quando necessário, as imagens foram editadas para retirar “ruídos”, que poderiam atrapalhar a identificação das espécies, ou para fornecer uma diversidade de ângulos que ajudasse na identificação.

Os pesquisadores testaram, então, diferentes versões da arquitetura YOLO (You Only Look Once, ou “você olha apenas uma vez”, numa tradução livre). O modelo de visão computacional tem sido bastante utilizado no reconhecimento de objetos, inclusive de animais silvestres. Entre as vantagens está a detecção em apenas um estágio, a mais indicada para a identificação em tempo real.

Outro fator que pesou para a escolha foi a possibilidade de utilização do sistema nos chamados dispositivos de borda, computadores portáteis com poder de processamento para tarefas relativamente exigentes em capacidade computacional.

Vídeos de animais feitos pelos pesquisadores no Parque Ecológico de São Carlos foram utilizados para testar a eficiência do sistema. Futuras atualizações do banco de dados devem incluir imagens de animais capturadas em armadilhas fotográficas e mesmo em câmeras de rodovias.

Curiosamente, versões mais antigas do YOLO tiveram melhor performance na detecção dos animais. “Em imagens feitas durante o dia, em que o animal aparece claramente, os modelos detectaram corretamente a espécie em 80% dos casos”, conta Ferrante.

No entanto, problemas comuns da visão computacional, como detecção em ambientes noturnos, com chuva e com o animal parcialmente escondido, ainda persistem e devem ser alvo de trabalhos futuros.

Além de incluir novas imagens no banco de dados, parcerias com concessionárias de rodovias e prefeituras podem possibilitar que o sistema seja testado em situações reais e mesmo integrado a tecnologias já existentes.

Em 2020, o grupo liderado por Meneguette desenvolveu uma aplicação que avisa os motoristas das condições de trânsito, a partir de informações coletadas pelos próprios celulares na cidade de Catanduva, no Estado de São Paulo.

A diferença de aplicativos como o Waze e Google Maps é que as informações podem ser inseridas pela autoridade de trânsito municipal, por exemplo, como foi feito na cidade paulista.

“Uma possibilidade seria acoplar nosso sistema de detecção de animais a essa aplicação que já temos, aumentando a segurança para os motoristas e os animais”, exemplifica Meneguette.

O estudo Evaluating YOLO architectures for detecting road killed endangered Brazilian animals pode ser lido gratuitamente em: www.nature.com/articles/s41598-024-52054-y.

 

André Julião
Agência FAPESP
https://agencia.fapesp.br/sistema-utiliza-inteligencia-artificial-para-detectar-animais-selvagens-na-pista-e-evitar-acidentes/51095


Imposto de Renda: Receita publica instrução sobre fundos no exterior

IMAGEM: DC

Norma disciplina a tributação da renda auferida por pessoas físicas residentes no país com depósitos não remunerados no exterior, moeda estrangeira mantida em espécie, aplicações financeiras, entre outros 

 

A Secretaria Especial da Receita Federal publicou no Diário Oficial da União (DOU) instrução normativa (IN) para disciplinar a tributação da renda auferida por pessoas físicas residentes no País com depósitos não remunerados no exterior, moeda estrangeira mantida em espécie, aplicações financeiras, entidades controladas e trusts no exterior, e a opção pela atualização do valor dos bens e direitos no exterior.

O dispositivo está previsto na Lei 14.754/2023, a lei da tributação da renda obtida por meio dos fundos de investimentos exclusivos e aplicações em offshores, sancionada no fim do ano passado.

Dentre outros pontos, a IN confirma que estão sujeitos à incidência do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF), pela pessoa física relsidente no País, os rendimentos de "aplicações financeiras no exterior" e "lucros e dividendos de entidades controladas no exterior".

Também estabelece que esses rendimentos deverão ser declarados pela pessoa física residente no País diretamente na Declaração de Ajuste Anual (DAA) de forma separada dos demais rendimentos e dos ganhos de capital.

"Os rendimentos serão tributados na DAA à alíquota de 15% (quinze por cento) sobre a parcela anual desses rendimentos, hipótese em que não será aplicada nenhuma dedução da base de cálculo", cita, dentre outras determinações.

 

Estadão Conteúdo


Saúde vascular: quais as terapias e soluções disponíveis para o tratamento de doenças venosas e linfáticas?

 O aumento no número de diagnósticos de lipedema, linfedema e úlcera venosa leva pessoas a buscarem ajuda para tratar essas doenças

 

Atualmente, no Brasil, muitas pessoas estão descobrindo o diagnóstico de lipedema, linfedema ou úlcera venosa. Os casos têm ganhado repercussão na mídia, levando os pacientes a consultarem especialistas para confirmar a suspeita. O lipedema, por exemplo, foi denominado como doença em 2022 pela Classificação Internacional de Doenças (CID), o que ampliou a quantidade de estudos científicos sobre o tema e, consequentemente, o diagnóstico. A condição consiste no acúmulo de gordura nos braços ou nas pernas.

De acordo com dados da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV), cerca de 40% da população tem problemas vasculares. Essas doenças são caracterizadas por lesões (edemas) no sistema vascular e/ou linfático. O linfedema caracteriza-se pelo acúmulo de líquido nos tecidos, gerando inchaço em alguma parte do corpo; a úlcera venosa caracteriza-se pela insuficiência venosa ocasionada pelo aumento da pressão dentro da veia, que danifica o tecido, formando uma ferida na pele. 

O tratamento indicado para doenças venosas/linfáticas é multidisciplinar e envolve a prática de atividade física, hidratação diária e alimentação saudável, que melhoram a qualidade de vida do paciente e podem evitar uma intervenção cirúrgica. 

O uso de terapias de compressão é comprovadamente eficaz no tratamento dessas doenças vasculares pois promove a redução do edema e aumenta o fluxo venoso e linfático, além de reduzir sintomas. 

"Dentro da terapia de compressão, além das meias, a SIGVARIS GROUP oferece os dispositivos de compressão inelástica para mãos, braços e pernas. Por serem em geral de neoprene e velcro, são produtos mais fáceis de manusear, dando mais autonomia e liberdade ao paciente. E principalmente, o mais importante, que seja usado conforme a indicação médica", comenta Celso Cintra, médico e CEO da SIGVARIS GROUP Brasil e América Latina.

 

Confira alguns produtos da linha Especialidades:
 

Braçadeira de compressão graduada: aliada no tratamento e controle de edemas de membros superiores, a braçadeira auxilia na drenagem de linfa em excesso. Está disponível em três níveis de compressão para diferentes indicações e perfis de pacientes. 

Com microfibra de poliamida em sua composição, a braçadeira permite a respiração da pele, com melhor absorção e eliminação do suor. As fibras de elastano tornam o produto fácil de vestir, mesmo com a alta compressão do tecido.
 

Compreflex Standard Arm: com compressão de até 30-40 mmHg, é indicado para o tratamento de linfedema do membro superior e de edemas no braço ou antebraço. É um dispositivo de compressão inelástico, ajustável no braço, oferecendo liberdade e autonomia aos pacientes. O produto possui velcros para a aplicação da compressão graduada.

 

Dorsal Pocket Glove: luva que fornece compressão moderada para punho e mão, indicada para auxiliar no tratamento de linfedema, lipedema e edema da mão. Sua utilização deve ser combinada com o Compreflex Standard Arm. Com uso simples e confortável durante todo o dia, o produto possui compartimento específico para o enchimento e tiras nos dedos para facilitar o ajuste e a retirada da luva.

 

Compreboot Standard: indicado para linfedema de leve a moderado, a “bota” é um dispositivo de compressão inelástica ajustável para pé e tornozelo, que garante uma adaptabilidade ao volume do membro.

 

Ulcer+: destinado ao tratamento de úlcera venosa, auxilia nos cuidados e fechamento da úlcera. O kit é composto por duas meias de proteção e uma polaina de compressão médica, que juntas alcançam uma compressão de aproximadamente 40 mmHg. As meias são revestidas internamente por ação bacteriostática, que evita a proliferação de bactérias.
 

Confira mais detalhes no site da Sigvaris. 

 


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Maioria das compras é influenciada por crianças e adolescente

 

Especialista em Comportamento do Consumidor explica como a Geração Alpha alterou padrões de consumo, forçou mudanças no mercado e ditou tendências. Mercado deve ficar atento para o período de Páscoa

 

Eles não detêm poder de compra, mas movimentam a economia. Não são economicamente ativos, mas 44% já têm seu próprio smartphone. Em 81% dos lares brasileiros, crianças e adolescentes influenciam as decisões de consumo das famílias. Em shoppings e supermercados, o percentual sobe para 88%. 

Nativos digitais, os indivíduos da Geração Alpha – nascidos a partir de 2010 – estão alterando os padrões de consumo e forçando marcas a se adaptarem à nova realidade. Para o consultor nas áreas de Comportamento do Consumidor e Planejamento Estratégico, professor Sérgio Czajkowski Júnior, essa geração (também chamada de Alpha Generation – ou Gen α) não só conquistou espaço e voz nos processos de compra como despertou a atenção das empresas.

“Com exceção dos fabricantes de brinquedos, até pouco tempo atrás o mercado não dava uma atenção específica a esse público. Hoje, esse ‘novo’ consumidor, pré-adolescente, está totalmente integrado ao processo de aquisição de diferentes produtos (bens e serviços). Eles não só influenciam os pais como fazem compras sozinhos em plataformas online”, explica o especialista. 

Uma pesquisa patrocinada pelo Mercado Pago e divulgada em novembro de 2023 deixa claro esse cenário: os gastos da Geração Alpha em compras online feitas com seus próprios celulares e autorizadas pelos pais chegaram a R$ 250 em média.

De acordo com Sérgio, o grau de influência das crianças sobre as compras feitas por suas famílias se fortaleceu na última década e impactará, inclusive, as compras de Páscoa. Se antes era algo restrito a produtos do dia a dia, como aqueles encontrados em supermercados, ou à escolha do restaurante para o almoço do domingo, hoje esse grupo na casa dos 13 anos de idade tem papel decisivo na aquisição de itens com maior valor agregado, como carros, eletrodomésticos, viagens de férias e até mesmo no que diz respeito à escolha do imóvel (casa ou apartamento) no qual a família irá residir. 

“As crianças e adolescentes estão muito mais informados hoje em dia, o que lhes amplia o poder de argumentação, articulação e convencimento”, ensina o professor das disciplinas de Marketing, Planejamento Estratégico e Comportamento do Consumidor do UniCuritiba – instituição que faz parte da Ânima, o maior ecossistema de ensino superior privado do país.  

De um item do supermercado à compra de um carro menos poluente e energeticamente mais eficiente e sustentável, o salto é grande. “Com tanta informação disponível, os pré-adolescentes são capazes de apontar, por exemplo, uma empresa que agride o meio ambiente, levando os pais a optarem por outra marca”, comenta Sergio.

 

Educação financeira

Permitir que crianças e adolescentes participem dos processos de compra é uma oportunidade para que as famílias trabalhem a educação financeira, inclusive na Páscoa. 

Segundo o professor do UniCuritiba, Sérgio Czajkowski Júnior, a chance de os pais falarem sobre finanças, uso de cartão de crédito, PIX e endividamento deve ser explorada nessas horas. “Dessa forma, quando ingressar, de fato, no mercado consumidor, esse indivíduo terá uma relação muito mais madura, assertiva e equilibrada com gastos e formas de pagamento.” 

Nos lares em que a relação de consumo não é discutida claramente entre pais e filhos, alerta o especialista, há um risco de os jovens não conseguirem administrar suas próprias finanças. Atualmente, no Brasil, o cartão de crédito é o maior responsável pelo endividamento dos consumidores.

 

Mercado adaptado

Se pais e filhos têm uma lição a fazer, o mercado também tem. O novo padrão de consumo e a influência de crianças e adolescentes nas compras já levou grandes redes varejistas a alterar o layout dos pontos de venda e a utilizar estratégias de marketing diferenciadas. “É aí que entram as questões de neuro arquitetura, neuro design e neuro marketing, com lojas não mais pensadas apenas para o público adulto”, pondera Sérgio. 

Na avaliação do professor de Comportamento do Consumidor, as mudanças são nítidas. Os shopping centers, lojas de departamento e grandes redes varejistas já desenvolvem ações focadas na Geração Alpha e no poder de influência desse grupo sobre as compras dos pais. “O mesmo vale para as áreas de entretenimento, lazer, hotéis e restaurantes.” 

Outra mudança dos novos tempos está na programação da TV aberta. Se antes a grade da manhã tinha desenhos animados, hoje está mais voltada ao público sênior. A justificativa, diz Sérgio, é exatamente a mudança na forma como a nova geração consome esse tipo de entretenimento. 

“As crianças passam o dia na escola ou em atividades extracurriculares e assistem seus programas favoritos na TV fechada ou em seus smartphones, na hora que quiserem”, aponta o professor, que finaliza: “Essa é a nova realidade do mercado. Crianças e adolescentes passaram a ter voz nas decisões de compra das famílias e mudaram, definitivamente, as relações de consumo. O mercado precisa se ajustar, sob o risco de perder espaço se não estiver atento a isso.” 


Imagens: Freepick

UniCuritiba


Aluguel x compra: Qual é a melhor opção para você?

 

Corretor de imóveis Rafael Scodelario compartilha um guia para tomar a decisão certa

 

Para muitas pessoas, a decisão entre alugar ou comprar um imóvel é uma das mais importantes da vida. Por isso, escolher a casa dos sonhos pode acabar gerando diversas dúvidas. Ambas as opções têm vantagens e desvantagens, e é crucial considerar diversos fatores antes de tomar uma decisão definitiva.  

De acordo com o corretor de imóveis e CEO da Escodelar Inteligência Imobiliária, Rafael Scodelario, alugar um imóvel oferece flexibilidade e liberdade. Os inquilinos podem mudar-se com mais facilidade, sem se preocupar com a venda de uma propriedade. “Além disso, as despesas de manutenção são geralmente de responsabilidade do proprietário, o que pode representar uma economia. Você não precisará lidar com reparos estruturais e esse valor poderá ser utilizado em outras áreas da sua vida. Fora que existem menos preocupações e estresse por causa de prejuízos comuns referentes ao desgaste a longo prazo nos imóveis", afirma Rafael. 

No entanto, os aluguéis podem aumentar ao longo do tempo, e os inquilinos podem se sentir inseguros em relação à estabilidade de sua moradia, explica o especialista. "Vale também ter consciência de que os inquilinos poderão não alugar o imóvel para sempre. Sua casa dos sonhos pode acabar sendo vendida para outra pessoa. Você também não poderá fazer grandes reformas", acrescenta Scodelario. 

Por outro lado, comprar um imóvel oferece estabilidade e a oportunidade de construir patrimônio. Os proprietários têm a liberdade de personalizar sua casa de acordo com suas preferências e estilo de vida. “Os pagamentos mensais de uma hipoteca podem ser comparáveis ou até mesmo mais baixos do que o custo do aluguel.  Você ainda pode alugar a casa por temporadas quando quiser. Aí entra a importância de um imóvel bem localizado", pondera o corretor. 

No entanto, a compra de uma casa requer um investimento inicial significativo, e os proprietários são responsáveis por todas as despesas de manutenção e reparos. "Temos que levar em conta que essa não é a realidade de todos os brasileiros, e a compra de imóveis não é um investimento baixo. Porém a longo prazo pode trazer bons retornos, porque o mercado imobiliário vem se valorizando nos últimos anos", afirma o CEO.  

Para tomar uma decisão informada, é essencial considerar sua situação financeira atual, seus planos futuros e o mercado imobiliário local. Avalie o custo total de cada opção, incluindo pagamentos mensais, impostos, seguro e manutenção. Além disso, leve em conta seus objetivos de longo prazo e sua disposição para assumir riscos.  

Existem algumas dicas adicionais do CEO a serem consideradas ao tomar essa decisão importante: 

 

1. Conheça seu orçamento: 

Determine quanto você pode gastar mensalmente com habitação, levando em conta todas as despesas relacionadas à propriedade. 

 

2. Pesquise o mercado:  

Analise as tendências do mercado imobiliário na sua cidade, no seu bairro, incluindo taxas de aluguel e preços de venda, para entender melhor suas opções. 

 

3. Considere a localização: 

Avalie a localização do imóvel em relação ao trabalho, escolas, shoppings, serviços básicos e transporte público se for necessário. 

 

4. Calcule o custo total: 

Além do preço de compra ou aluguel, leve em conta as despesas adicionais, como impostos, seguro e manutenção. 

 

5. Pense a longo prazo: 

Considere seus planos futuros, como mudanças na família ou na carreira, ao tomar uma decisão. Consultar um corretor de imóveis pode ser útil para entender melhor suas opções e encontrar a melhor solução para suas necessidades individuais.  

Lembre-se de que não há uma resposta única para todos, e a escolha entre alugar e comprar dependerá de sua situação pessoal e de suas prioridades. 



Rafael Scodelario - corretor de imóveis desde 2009 e empresário no ramo imobiliário desde 2013. Fundador e CEO do Grupo Escodelar e da Escodelar Inteligência Imobiliária, com 3 unidades em São Paulo e 1 na Flórida, tem mais de 150 corretores associados e uma carteira com mais de 15 mil imóveis à venda e locação, tendo em seu portfólio os imóveis mais exclusivos de São Paulo. Hoje, tornou-se referência do empreendedorismo no setor imobiliário e de corretagem.


Curitiba é a cidade mais inteligente do mundo!

 

A acessibilidade é essencial para o avanço de uma cidade!


Curitiba foi coroada como a cidade mais inteligente do mundo pelo World Smart City Award e reconhecida internacionalmente, demonstrando suas capacidades em inovação e tecnologia. Entre os dias 20 e 22 de março deste ano, Curitiba terá mais uma vez a honra de ser o palco da SmartCity Expo Curitiba 2024. O evento reunirá especialistas, empresas e governos para discutir e apresentar soluções, que têm por objetivo tornar as cidades mais sustentáveis, eficientes e habitáveis.


Como disse o CEO da Sister Eduardo Ramires: "uma cidade não pode ser considerada inteligente se ela não for acessível", por este motivo o próprio evento fez parceria com várias empresas da área de diversidade e inclusão, entre elas a empresa Sister, que será lançada oficialmente durante o evento, seguindo a trilha de inclusão e acessibilidade da sua empresa-mãe, a Broder. Esta organização pioneira, a Sister, tem a missão de promover o voluntariado empresarial, conectando empresas de todos os tamanhos e segmentos, com organizações de serviço voluntário. É possível organizar tudo de forma mais eficiente, não desperdiçando o tempo de nenhuma das partes e dando às empresas um selo humanitário por seus serviços à sociedade.

A integração entre as duas entidades oferece várias vantagens: o sistema de organização da Sister será empregado para otimizar o fluxo dos voluntários, juntamente com uma avaliação de acessibilidade no evento, para garantir uma experiência adequada para todos os participantes. Além disso, será promovida uma atividade denominada "Troca de Sapatos", que incluirá diversas dinâmicas para sensibilizar os participantes sobre as experiências de pessoas com deficiência e neurodivergentes. Por exemplo, atividades como o uso de bicicletas duplas, em que uma pessoa guia enquanto a outra pedala vendada, ou a utilização de realidade virtual para simular a experiência de ser uma criança autista em um shopping lotado.. “Nosso objetivo é mostrar que as cidades inteligentes não são feitas apenas de infraestrutura e tecnologia, mas também de comunidades fortes e engajadas”, afirma Eduardo Ramires.


Com a parceria estabelecida, as centenas de empresas líderes em soluções tecnológicas urbanas que estarão presentes em Curitiba, terão a oportunidade única de explorar novas abordagens para contribuir significativamente para a sociedade. Através de workshops e painéis conduzidos por especialistas, serão abordados temas como a integração do voluntariado empresarial nas políticas de responsabilidade social das empresas, destacando a importância do capital humano e social no contexto do desenvolvimento de cidades inteligentes.


“Estamos entusiasmados com a oportunidade de participar do SmartCity Expo Curitiba 2024. Esta é uma plataforma incrível para mostrarmos como a inovação pode ser alavancada para criar não apenas cidades mais eficientes, mas também mais humanas e solidárias”, declara o CEO da Sister "Agradecemos a Glaico Gundim da Impactability por facilitar a participação da Sister e da nossa parceira Attitude Inclusão na parte 'S' (Social) da agenda ESG do evento."


A empresa espera que sua participação possa inspirar outras organizações a adotarem modelos como o de voluntariado empresarial, fortalecendo e solidificando o tecido social das cidades, além de promover capacidades como proatividade e liderança entre seus funcionários.


O evento não apenas proporcionará uma visão das últimas tendências e tecnologias em urbanismo e gestão de cidades inteligentes, mas também apresentará projetos e iniciativas que mostram o poder do engajamento governamental, comunitário e do voluntário para resolverem desafios complexos nas cidades. Esperamos que o SmartCity Expo Curitiba 2024 seja um marco significativo na busca por cidades mais avançadas e humanas.



Eduardo Ramires
contato@broder.app
@broderapp
https://sistervol.com/


Discriminação em processos judiciais por questões de gênero ainda é uma realidade no Brasil

Especialistas explicam como preconceito acontece em diversas áreas do direito e o que está sendo feito para mudar isso


Para atender a uma recomendação da Corte Interamericana de Direitos Humanos, o Brasil tem se posicionado a favor da adoção de um documento latino-americano para incentivar a formação de uma cultura jurídica emancipatória e de reconhecimento de direitos de todas as mulheres. Esse foi o objetivo do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) ao lançar em 2021 o Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero. Neste mês das mulheres, especialistas explicam um pouco mais sobre esse documento e como ele está provocando mudanças no judiciário brasileiro após três anos. 

O advogado previdenciarista Jefferson Maleski, que integra o escritório de advocacia Celso Cândido Souza Advogados, comenta que esse foi um problema levantado por quem vê isso na prática. “Esses debates chegaram no CNJ que, preocupado com essa discriminação de gênero, elaborou um grupo de trabalho para levantar os principais motivos de discriminação em casos judiciais. É o movimento da sociedade que vem apontando essas falhas, que acontecem em todas as áreas do direito, algumas mais visíveis do que outras”. 

Ele explica que, em muitos processos em que o polo passivo é a  mulher, a exigência de documentação por parte dos juízes é maior, assim como é menor a flexibilidade para se aceitar algumas situações que são naturalmente acolhidas quando o homem é o polo passivo. Ele exemplifica uma das formas que essa discriminação acontece em sua especialidade.  

“Em uma família que é segurada especial e vive na zona rural, onde o marido trabalha na roça como pequeno produtor rural, se a mulher sai para trabalhar na cidade, como caixa de supermercado ou como professora, o homem não perde a condição de trabalhador rural. Ele continua tendo os direitos de não precisar recolher a contribuição igual o trabalhador urbano precisa. Ele só precisa comprovar a atividade rural, ele vai lá e pede um benefício, um auxílio doença, uma aposentadoria, simplesmente provando que é rural, juntando documentos rurais”, explica.

Contudo, se a situação for o contrário, ou seja, a mulher permanece na roça comercializando queijo ou vendendo galinha enquanto o marido vai trabalhar na cidade como pedreiro, como servente, o entendimento muda. “Muitos magistrados entendem que a esposa perde também o direito de ser beneficiada com as regras previdenciárias rurais, porque deduzem que seria impossível ela continuar trabalhando na roça. É um tratamento mais duro, com exigência de documentação, o que não é exigido do homem”, compara.


Vara de família


A advogada familiarista Ana Luisa Lopes Moreira, que também integra o escritório Celso Cândido Souza Advogados, ressalta como é a discriminação em sua área de atuação. “Geralmente, em ações de alimento, o padrão de valor estipulado é de 30% do salário mínimo, ou do salário do genitor, mais 50% dividido das despesas extraordinárias que se dividem entre os genitores, como um dentista, por exemplo. Por aí já se pode ver que o desgaste maior recai na mulher, pois os gastos com a criança são, em regra, maiores que aqueles 30% e a mãe vai se virar para suprir”.
 

Segundo ela, para determinação da pensão a doutrina determina a consideração do trinômio razoabilidade (se o valor é razoável), possibilidade (quanto o pai pode pagar) e necessidade (o que a criança precisa). “Contudo, na prática, a necessidade da criança fica em segundo plano, pois o que pesa é a possibilidade de quanto o pai pode pagar, dessa forma afetando a razoabilidade. Em muitas sentenças não se consideram as possibilidades da mãe e os gastos totais que se tem com a criança, supervalorizando a possibilidade paterna em detrimento destes outros dois importantes aspectos. Normalmente, a mãe não vai reduzir o estilo de vida que a criança leva e vai ficar com a carga maior. Isso sem falar que ela já é sobrecarregada emocionalmente por ter de lidar com o abandono afetivo do filho, em razão deste abandono ser em sua maioria praticado pelo pai”, diz Ana Luisa.

 

Na prática


Jefferson Maleski destaca como o Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero tem sido aplicado. “O CNJ vem determinando que em cada região judiciária, cada vara, cada comarca, tenha pelo menos um juiz ou uma juíza com treinamento, com curso de protocolo de gênero, para que ele possa divulgar essas informações. O ideal seria que todos os juízes passassem por esse treinamento para identificar essas discriminações e passar a utilizar nos seus julgamentos, evitando essa discriminação”, afirma.

Ele explica que no poder judiciário as mudanças práticas só se tornam visíveis após alguns anos, por isso ainda é muito cedo para falar de mudanças ou resultados. Mas, enquanto isso não acontece, ele destaca a importância da sociedade estar em alerta quanto a este tema e da atuação dos colegas. “Cabe aos advogados levantar essa questão nas suas peças. Ele tem que apontar que está acontecendo uma discriminação, alguma coisa relacionada ao gênero. Mostrar que ali, se fosse um caso inverso, não estaria sendo feita aquela exigência pelo juiz. E se o juiz não entender, recorrer para as instâncias superiores, até mesmo para chegar ao CNJ, que vai intervir e demonstrar também que precisa haver uma mudança, uma correção nesses julgados”, pontua.


Decisão STF Licença-maternidade

 O Supremo Tribunal Federal definiu nessa quarta-feira (13) que a mãe não gestante, em casos de uniões estáveis homoafetivas, onde foi optado o método de inseminação artificial, terá direito à licença-maternidade.

O que é necessário entender é que não se trata de dupla licença-maternidade. A decisão envolve as situações em que a mãe gestante não teve direito e não usufruiu licença-maternidade. Nos casos em que a mãe gestante tiver direito à licença-maternidade, a sua companheira terá direito ao periodo equivalente ao período de licença-paternidade.

O caso teve repercussão geral, o que significa que o entendimento deverá ser aplicado a todos os casos, inclusive aos que forem judicializados.

A definição foi positiva, pois havia muita dúvida e insegurança jurídica quando mães não gestantes, em união afetiva com a mãe gestante, apresentavam o requerimento de licença-maternidade. A decisão do STF pacificou a questão trazendo uma orientação que deve ser aplicada a todos os casos.

No entanto, havia a expectativa de que a mãe não gestante pudesse ter reconhecido o seu direito à licença-maternidade, mesmo quando sua companheira também tivesse o direito à licença. Nesse sentido, a solução do STF foi mais tímida e conservadora e não atendeu à expectativas daqueles que esperavam o reconhecimento da dupla licença-maternidade.

 

Fonte: Dra Bianca Carelli, advogada parceira da Filhos no Currículo.

 

quinta-feira, 14 de março de 2024

Casos de dengue continuam afetando o estoque do GSH Banco de Sangue de São Paulo


O Brasil vive uma alta histórica de aumento nos diagnósticos de dengue. O país chegou a mais de 1 milhão de casos confirmados apenas nos dois primeiros meses do ano, quantidade maior que a metade dos números registrados durante o ano todo de 2023, segundo dados do Painel de Arboviroses do Ministério da Saúde. Se não houver um controle mais severo da doença, o órgão público estima que possamos chegar a 4,2 milhões de casos, um número nunca alcançado antes pelo Brasil. 

Na capital de São Paulo, os casos notificados afetam a população de forma direta e indireta, ao privar os doadores de sangue a realizarem a doação, conforme explica Janaína Ferreira, líder de captação do GSH Banco de Sangue de São Paulo. “Estamos seguindo o protocolo do Ministério da Saúde em relação aos doadores que tiveram dengue, para garantir a melhor qualidade possível do sangue coletado. Então, todos que tiveram dengue recentemente, ou tiveram contato sexual com alguém que teve nos últimos 30 dias, ou ainda tomou a vacina contra a doença, devem aguardar 30 dias para doar novamente. Nos casos de dengue hemorrágica, o resguardo deve ser de 180 dias após a recuperação completa”, explica. 

O GSH Banco de Sangue de São Paulo reforça com a população a urgência e necessidade de reposição de seus estoques. “O aumento de diagnósticos da dengue e outras viroses faz com que mais pessoas precisem de transfusões, intensificando a necessidade de bolsas de sangue. Estamos com um déficit de 70% nas doações há um tempo, e precisando urgente da colaboração de novos doadores também”, convoca Janaína. 

Todos os tipos sanguíneos são necessários neste momento, principalmente os de Rh negativo, que são os que mais estão em falta. Mesmo quem não sabe qual o seu tipo sanguíneo pode doar, pois, no procedimento de doação é realizado o teste de tipagem. 

O GSH Banco de Sangue de São Paulo atende diariamente, das 7h às 18h, inclusive aos domingos e feriados, na Rua Tomás Carvalhal, 711, no bairro Paraíso. Para doar, basta comparecer à unidade, ou agendar previamente, observando os requisitos abaixo.
 

Requisitos básicos para doação de sangue:

  • Apresentar um documento oficial com foto (RG, CNH etc.) em bom estado de conservação;
  • Ter idade entre 16 e 69 anos desde que a primeira doação seja realizada até os 60 anos (menores de idade precisam de autorização e presença do responsável legal no momento da doação);
  • Estar em boas condições de saúde;
  • Pesar a partir de 50 kg;
  • Não ter feito uso de bebida alcoólica nas últimas 12 horas;
  • Após o almoço ou ingestão de alimentos gordurosos, aguardar 3 horas.
  • Não é necessário estar em jejum, evitar alimentos gordurosos
  • Se fez tatuagem e/ou piercing, aguardar 12 meses. Exceto para região genital e boca (12 meses após a retirada);
  • Se passou por endoscopia ou procedimento endoscópico, aguardar 6 meses;
  • Não ter tido Doença de Chagas e Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST);
  • Em caso de diabetes, deverá estar controlada e não fazer uso de insulina
  • Candidatos que apresentaram sintomas de gripe e/ou resfriado devem aguardar 7 dias após cessarem os sintomas e o uso das medicações;
  • Aguardar 48h para doar caso tenha tomado a vacina da gripe, desde que não esteja com nenhum sintoma.

Consulte a equipe do banco de sangue em casos de hipertensão, uso de medicamentos e cirurgias.

 


Serviço:

GSH Banco de Sangue de São Paulo
Endereço: Rua Tomas Carvalhal, 711 – Paraíso
Tel.: (11) 3373-2000 / 3373-2001 e pelo WhatsApp (11) 99704-6527
Atendimento: Diariamente, inclusive aos finais de semana, das 7h às 18h. Estacionamento gratuito no local.


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