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A influência da saúde mental permeia todos os
aspectos da sociedade, inclusive no ambiente de trabalho. Segundo a pesquisa
"Índice de Bem-Estar Corporativo (IBC) do mercado" conduzida pela
Zenklub, que analisou o bem-estar emocional em 13 setores durante o primeiro
semestre de 2023, nenhum dos setores avaliados alcançou o índice mínimo ideal
exigido pelo estudo nesse período. Em uma escala de 0 a 100, os cinco setores
com pior desempenho foram bens de consumo e varejo (57,8), imobiliário (61,2),
aviação (61,7), automotivo (62,2) e seguradoras (62,7).
Outra pesquisa conduzida pela Vittude revelou que
33% dos colaboradores avaliados apresentaram algum tipo de transtorno mental em
níveis severos ou extremamente severos. As patologias consideradas no estudo
incluem ansiedade, depressão e estresse.
“A velha ideia de romantizar o workaholic, de que
quanto mais você rala, mais chances terá de receber reconhecimento, não
respeitar os próprios limites (ou nem reconhecê-los) também contribui para
exaustão, mas é injusto atribuir responsabilidades individuais quando o
problema é sistêmico e quando o medo de perder a fonte de renda é maior do que
a coragem de se preservar. Por outro lado, esperar que o sistema mude, no curto
prazo, é quase ingênuo da nossa parte, o que nos traz de volta às esferas mais
particulares”, explica a psicanalista e CEO do Ipefem (Instituto de Pesquisas & Estudos do
Feminino e das Existências Múltiplas), Ana Tomazelli.
Essa situação contribui diretamente para o
surgimento de condições como o burnout. Uma pesquisa da International Stress
Management Association (ISMA) revela que o Brasil está em segundo lugar em
número de casos diagnosticados, sendo superado apenas pelo Japão, onde 70% da
população é afetada por esse problema.
‘’As pessoas desenvolvem sintomas e doenças que
juntos, podem ser lidos como Burnout, por esse motivo a causa da síndrome nem
sempre será reconhecida de forma direta. Existem algumas variáveis responsáveis
pelo adoecimento dos profissionais, como uma liderança que comete assédio,
colegas que praticam bullying, cultura empresarial de performance com metas
duras e inflexíveis, entre outros pontos que podem ser difíceis de serem
levados à esfera judicial", menciona Ana Tomazelli.
Adicionalmente, é importante destacar que as
questões relacionadas à raça e ao gênero são fatores agravantes nesse contexto.
Uma pesquisa conduzida pela Universidade da Geórgia revelou que 70% das
executivas entrevistadas experimentavam sentimentos de fraude no ambiente de
trabalho. Conforme outro estudo realizado pela consultoria de gestão KPMG, essa
síndrome abala a confiança de 75% das mulheres no mercado. “A jornada de
trabalho excessiva, a discriminação de gênero e sobrecarga doméstica são
algumas das causas de adoecimento mental das brasileiras em seus ambientes de
trabalho”, ressalta a CEO e cofundadora da startup
Plure, único portal de vagas do Brasil com foco em mulheres plurais,
Jhenyffer Coutinho.
Cinco dicas para ambientes de
trabalho mais saudáveis
Como as empresas podem colaborar para ambientes de
trabalho mais saudáveis? Veja cinco dicas a seguir.
1) Espaço seguro para diálogo
com os colaboradores: uma pesquisa realizada pelo
Instituto de Pesquisa de Estudos do Feminino (Ipefem) com mais de 200
participantes, mostra que apenas 37% dos profissionais se sentem totalmente
seguros para discordarem da sua liderança no ambiente de trabalho. Já 63%
manifestaram alguma ressalva ou receio de se posicionar quando discordam da
liderança. “Esses números refletem a insegurança psicológica dos ambientes
corporativos, considerando que a segurança psicológica não deveria ser algo
negociável”, diz Tomazelli.
2) Combater o assédio no
trabalho: o assédio físico, psicológico ou moral no trabalho
viola os direitos humanos e prejudica a saúde mental e física. É obrigação da
empresa detectar e buscar soluções para esse tipo de questão, combatendo
atitudes de lideranças que cometem assédio, colegas que praticam bullying,
cultura empresarial de performance com metas duras e inflexíveis, entre outros
pontos.
3) Ambientes de trabalho
seguros e saudáveis são um direito fundamental: a Organização Mundial da Saúde aponta que ambientes de trabalho seguros
e saudáveis são um direito fundamental para todos. Quando acolhem seus
trabalhadores, as companhias são mais propensas a melhorar o desempenho e a
produtividade, além de minimizar tensões e conflitos internos que podem
impactar na saúde mental.
4) Respeitar - e valorizar - a
diversidade: os processos seletivos devem levar isso em
consideração, bem como na contratação e na retenção dos talentos. A partir do
momento que o quadro é mais diverso, é preciso também garantir o bem-estar dos
colaboradores, sensibilizando lideranças e equipes para o combate a vieses
inconscientes, destaca a CEO da Plure.
5) Melhora na qualidade de
vida dos profissionais: cada vez mais, os
colaboradores buscam muito mais do que apenas bons salários, e querem estar em
uma empresa alinhada aos seus ideais, que disponibilizem um ambiente propício
ao seu desenvolvimento, a novos aprendizados e que seja aberto ao diálogo. Seja
no trabalho presencial ou remoto, a empresa deve se preocupar com o funcionário
e promover sua satisfação, oferecendo condições adequadas de trabalho e
equipamentos necessários - o que acarreta em aumento da produtividade também.
“As lideranças precisam pensar em ações voltadas à saúde mental dos seus colaboradores durante todo o ano e não somente em datas específicas. Cada colaborador é único e precisa ser tratado de acordo com as suas experiências de vida e individualidade”, conclui Ana Tomazelli.
Ana Tomazelli - psicanalista e CEO do Ipefem (Instituto de Pesquisas & Estudos do Feminino e das Existências Múltiplas), uma ONG de educação em saúde mental para mulheres no mercado de trabalho. Mentora de Carreiras, Executiva em Recursos Humanos, por mais de 20 anos, liderou reestruturações de RH dentro e fora do país. Com passagens pelas startups Scooto e B2Mamy, além de empresas tradicionais e consolidadas como UHG-Amil, Solera Holdings, KPMG e DASA (Diagnósticos da América S/A). Mestranda em Ciência da Religião pela PUC-SP e membro do grupo de pesquisa RELAPSO (Religião, Laço Social e Psicanálise) da Universidade de São Paulo, também é pós-graduada em Recursos Humanos pela FIA-USP e em Negócios pelo IBMEC-RJ. Formada em Jornalismo pela Laureate - Anhembi Morumbi.
Linkedin/anatomazellibr
Instagram @ipefem
Instituto de Pesquisa de Estudos do Feminino e das Existências Múltiplas – Ipefem
https://ipefem.org.br/
Plure
https://plure.io/

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