O custo da volta às aulas voltou a pesar no orçamento das famílias brasileiras em 2025. Levantamento do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre) mostra que os materiais escolares, considerando itens de papelaria e livros, ficaram 2,35% mais caros no ano passado. Embora o índice fique abaixo da inflação geral, representa uma aceleração relevante em relação a 2024, quando a alta havia sido de 1,25%.
O principal vetor dessa pressão foi o preço dos livros didáticos, que subiram 5% em 2025, ante avanço de 1,12% no ano anterior. Já os itens de papelaria, como cadernos e canetas, chegaram a registrar queda de preços, mas não foram suficientes para neutralizar o impacto dos livros no resultado final.
Os primeiros dados de 2026 indicam que o cenário tende a se tornar
ainda mais desafiador. Pesquisa do Procon-RJ identificou aumento médio de 17,8%
nos preços em relação ao ano anterior, com variações significativas entre
produtos e estabelecimentos. Em São Paulo, levantamento do Procon-SP apontou
diferenças que chegam a 276% no preço de um mesmo item, reforçando a
importância da comparação de preços, seja com alguns cliques no e-commerce,
seja percorrendo lojas físicas.
Diante desse quadro, as famílias têm adotado estratégias para
diluir o impacto no orçamento, como dividir as compras entre diferentes lojas e
aproveitar promoções pontuais. Esse comportamento transformou a volta às aulas
em uma nova frente de competição intensa no varejo, com dinâmicas semelhantes
às observadas em grandes datas promocionais, como Black Friday e Natal.
No ambiente digital, os marketplaces ampliaram a aposta em
descontos, parcelamento e soluções que simplificam a jornada de compra. A
Amazon, por exemplo, lançou o site minhalistadaescola.com.br, que permite que
colégios cadastrem listas de livros por série, facilitando a organização dos
pais. A empresa também investe em curadorias específicas para diferentes perfis
de consumidores e em descontos agressivos, que chegam a 60% em cerca de 20 mil
itens, além de benefícios adicionais para clientes Prime.
A Shopee seguiu caminho semelhante ao criar uma área exclusiva
para a volta às aulas, com ofertas válidas até o fim do mês e descontos de até
40% em itens como papelaria, mochilas e livros. Já a Estante Virtual,
especializada em livros novos e usados e integrante do ecossistema do Magalu,
ampliou sua política de frete grátis, reduzindo custos para livreiros e
subsidiando parte das entregas.
Para Hygor Roque, Head of
Revenue da Divibank, a disputa pela volta às aulas revela uma mudança
estrutural no varejo. “A alta dos livros tornou o consumidor muito mais
sensível a preço e conveniência. As plataformas digitais responderam com
curadoria, subsídios e eficiência logística, enquanto o varejo físico precisou
repensar sua proposta de valor para não perder relevância”, afirma.
Nas lojas físicas, a estratégia passa pelo aumento do mix e pelo
apelo emocional. Redes investem em produtos licenciados de séries, filmes e
personagens populares entre crianças e adolescentes, além de promoções que
incluem parcelamento sem juros e brindes, como ingressos para passeios em
família em compras acima de determinado valor. Em um cenário de preços
pressionados, a disputa pela preferência do consumidor deixa claro que, mais do
que vender material escolar, o varejo concorre por atenção, conveniência e
percepção de valor.
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