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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Volta às aulas começam mais cara, com variações de até 276% no preço de um mesmo item

 

O custo da volta às aulas voltou a pesar no orçamento das famílias brasileiras em 2025. Levantamento do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre) mostra que os materiais escolares, considerando itens de papelaria e livros, ficaram 2,35% mais caros no ano passado. Embora o índice fique abaixo da inflação geral, representa uma aceleração relevante em relação a 2024, quando a alta havia sido de 1,25%. 

O principal vetor dessa pressão foi o preço dos livros didáticos, que subiram 5% em 2025, ante avanço de 1,12% no ano anterior. Já os itens de papelaria, como cadernos e canetas, chegaram a registrar queda de preços, mas não foram suficientes para neutralizar o impacto dos livros no resultado final. 

Os primeiros dados de 2026 indicam que o cenário tende a se tornar ainda mais desafiador. Pesquisa do Procon-RJ identificou aumento médio de 17,8% nos preços em relação ao ano anterior, com variações significativas entre produtos e estabelecimentos. Em São Paulo, levantamento do Procon-SP apontou diferenças que chegam a 276% no preço de um mesmo item, reforçando a importância da comparação de preços, seja com alguns cliques no e-commerce, seja percorrendo lojas físicas.

 

Diante desse quadro, as famílias têm adotado estratégias para diluir o impacto no orçamento, como dividir as compras entre diferentes lojas e aproveitar promoções pontuais. Esse comportamento transformou a volta às aulas em uma nova frente de competição intensa no varejo, com dinâmicas semelhantes às observadas em grandes datas promocionais, como Black Friday e Natal.

 

No ambiente digital, os marketplaces ampliaram a aposta em descontos, parcelamento e soluções que simplificam a jornada de compra. A Amazon, por exemplo, lançou o site minhalistadaescola.com.br, que permite que colégios cadastrem listas de livros por série, facilitando a organização dos pais. A empresa também investe em curadorias específicas para diferentes perfis de consumidores e em descontos agressivos, que chegam a 60% em cerca de 20 mil itens, além de benefícios adicionais para clientes Prime.

 

A Shopee seguiu caminho semelhante ao criar uma área exclusiva para a volta às aulas, com ofertas válidas até o fim do mês e descontos de até 40% em itens como papelaria, mochilas e livros. Já a Estante Virtual, especializada em livros novos e usados e integrante do ecossistema do Magalu, ampliou sua política de frete grátis, reduzindo custos para livreiros e subsidiando parte das entregas.

 

Para Hygor Roque, Head of Revenue da Divibank, a disputa pela volta às aulas revela uma mudança estrutural no varejo. “A alta dos livros tornou o consumidor muito mais sensível a preço e conveniência. As plataformas digitais responderam com curadoria, subsídios e eficiência logística, enquanto o varejo físico precisou repensar sua proposta de valor para não perder relevância”, afirma.

 

Nas lojas físicas, a estratégia passa pelo aumento do mix e pelo apelo emocional. Redes investem em produtos licenciados de séries, filmes e personagens populares entre crianças e adolescentes, além de promoções que incluem parcelamento sem juros e brindes, como ingressos para passeios em família em compras acima de determinado valor. Em um cenário de preços pressionados, a disputa pela preferência do consumidor deixa claro que, mais do que vender material escolar, o varejo concorre por atenção, conveniência e percepção de valor.

 

 

Divibank

 

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