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sábado, 10 de outubro de 2020

Seis maneiras de avaliar o progresso do emagrecimento

 O médico e especialista em emagrecimento, Rodrigo Bomeny, destaca que conferir os números na balança não é o único modo de observar se a dieta está surtindo efeito


Quando se começa uma dieta, um dos pontos que mais que traz ansiedade é a apuração do resultado. São os quilos a menos na balança que irão dizer se a nova prática alimentar e o novo estilo de vida estão realmente funcionando. Sem dúvida, mas não somente. O médico endocrinologista, especialista em emagrecimento, Rodrigo Bomeny, elenca a seguir diferentes formas para analisar e avaliar o progresso durante o processo de emagrecimento. As explicações fazem parte do Você+, método de acompanhamento multidisciplinar desenvolvido por Bomeny que foca no desenvolvimento de 5 Níveis considerados essenciais para a mudança do estilo de vida e emagrecimento.

Como dito, primeira maneira de avaliar o resultado do processo de emagrecimento é através da medição de peso. “É uma medida fácil, barata, rápida e que depende somente da balança, que pode ser a da sua casa mesmo”, diz o médico endocrinologista. Este critério apresenta algumas desvantagens, segundo Bomeny, tais como não oferecer uma análise da composição corporal, ou seja, não há uma distinção relativa ao que do peso medido é músculo ou gordura. “Deve-se levar em conta que a água constitui mais de 60% do corpo humano”, relata.

Além disso, a medição de peso na balança pode variar muito de um dia para o outro ou até no mesmo dia. “Por isso tome muito cuidado ao se pesar todos os dias. Pequenas variações (perda ou ganho de peso) podem significar simplesmente ser uma variação de líquido no corpo”, alerta o médico.

A segunda maneira é o Índice de Massa Corpóreo (IMC), que é obtido dividindo o peso (em quilos) pela altura (em metros) ao quadrado. Quanto maior o IMC, maior o sobrepeso e o grau de obesidade do indivíduo. Conforme Bomeny, por também levar em consideração o peso, este critério apresenta as mesmas limitações da medição via balança.

Do mesmo modo, o IMC não oferece a análise da composição corporal. Segundo o médico endocrinologista, uma pessoa pode ser considerada com sobrepeso através desse critério apresentando uma maior quantidade de músculos e não necessariamente de gordura. Já alguém com índice normal pode ter uma quantidade maior de gordura do que deveria.

Para quem utiliza esses dois jeitos de avaliar o progresso do emagrecimento e está com dúvidas sobre com qual frequência deve subir na balança para aferir o peso, Bomeny oferece algumas ponderações. De acordo com o especialista em emagrecimento, se a pessoa se sente mais segura e confiante se pesando todos os dias, ela deve fazê-lo. Por outro lado, se a pessoa é muito ansiosa, recomenda-se estipular um prazo mais longo entre cada medição. “Quando se inicia um processo de emagrecimento, algumas pessoas criam muito expectativa, acreditando que perderão muito peso rapidamente e, na maioria das vezes, não é o que acontece” explica.

Agora, quando já se obteve o resultado esperado, subir na balança com maior frequência é benéfico para a manutenção do peso. Neste caso, Bomeny recomenda que a pessoa estabeleça um peso sentinela, no qual a tolerância seja apenas de dois quilos para cima. O ultrapassamento desse valor é sinal para que a dieta se torne mais restritiva novamente.

O terceiro modo é através da bioimpedância. Diferentemente dos outros dois métodos, a bioimpedância avaliar a composição corporal do indivíduo. Conforme o especialista, isso é efeito por correntes elétricas de baixa intensidade, que, medindo as distintas resistências de cada tecido, conseguem estimar a porcentagem de músculo, osso, gordura e líquido presentes no corpo.

Apesar de ser rápida e não invasiva, a bioimpedância não é muito precisa. Segundo Bomeny, existem vários fatores que podem interferir no resultado, como: temperatura do ambiente, hidratação, ciclo menstrual (pode causar retenção de líquido); e ingestão de alimentos e prática de atividade física logo antes da medição. “Se a pessoa calcular a bioimpedância todo os dias, por exemplo, há a possibilidade de apresentar uma variação de 10% entre os resultados”, diz o médico endocrinologista, explicando que, assim como a medição na balança, as variações neste método ocorrem do acúmulo ou perda de líquido e não necessariamente de gordura.

A quarta maneira é através da mensuração das pregas cutâneas, por meio de um adipômetro, com o tamanho da dobra refletindo a quantidade de gordura subcutânea. Segundo Bomeny, apesar de rápido, barato, simples e de baixo custo, também é um expediente pouco preciso, que depende muito da destreza do avaliador.  “Se for executado por uma pessoa experiente, assemelha-se com a bioimpedância, nas limitações e benefícios”, afirma.

O quinto modo é o mais preciso. Trata-se da Densitometria de Corpo Inteiro - DEXA, único método que avalia diretamente todos os compartimentos corporais (ossos, músculos, água e gordura), sem inferir dados a partir da medida de apenas um compartimento. “Contudo, é também o mais caro, pois não faz parte da cobertura dos convênios médicos”, relata Bomeny.

A sexta e última forma de avaliar o progresso do seu emagrecimento é através de fotos comparativas. Apesar de não científica é um modo de extremo valor, de acordo com o especialista em emagrecimento. Primeiramente, porque é uma análise da realidade. “Visualmente é possível notar a diferença, se a roupa está mais larga se a barriga diminuiu, por exemplo”, diz. A análise das fotos serve também como motivação.

Ao utilizar esse método é preciso tomar alguns cuidados em relação às roupas que estiver trajando, o ângulo da tomada de foto, a incidência de luz e o horário, este em razão de maior ou menor retenção de líquidos. De acordo com Bomeny, qualquer disparidade entre as fotografias pode interferir na qualidade da comparação, mascarando o resultado do processo de emagrecimento. “Deve-se evitar ainda tirar fotos todos os dias e até semanalmente, porque as mudanças no corpo demoram para acontecer”, afirma.

Além de guiar-se pelas informações visuais, seja de qualquer espécie medição, seja de fotos comparativas, o médico endocrinologista sugere que se preste atenção ao que está sentindo. “Aqui, vale observar o que o emagrecimento está causando física e emocionalmente, como facilidade para se locomover, maior sensação de bem-estar, melhoria no sono, menos dor no corpo etc.”, diz. O mesmo vale para o que as pessoas estão dizendo a você. “Elogios e mensagens de aprovação de amigos, marido, esposa, familiares despertarão a certeza de que você está no caminho certo”, destaca.

 


Rodrigo Bomeny - Especialista em emagrecimento, graduado em Medicina pela Universidade de São Paulo (USP), com residência em clínica médica e em endocrinologia e metabologia pela mesma instituição de ensino.

 

Dietas restritivas podem deixar os fios sem vida e até ocasionar a queda

A má alimentação afeta diretamente a saúde capilar

 

Muitos problemas capilares podem estar diretamente relacionados à alimentação. Dietas restritivas ou inadequadas, por exemplo, podem provocar a carência de alguns nutrientes necessários para a saúde capilar e ocasionar até a queda dos fios. 

"Precisamos entender que a maior parte do cabelo é composto de proteína. A fase de crescimento do cabelo exige a presença de vários elementos como proteínas, vitaminas e minerais para produzir cabelos fortes e saudáveis. Quedas dos fios ocasionadas por dietas restritivas ocorrem porque não há a reposição desses nutrientes importantes.  Como o cabelo é um anexo do corpo necessitamos ter uma boa reserva para que eles recebam nutrientes”, explica a tricologista Viviane Coutinho, da Viviane Coutinho Reabilitação Capilar. 

"A base dos fios dos cabelos é composta por queratina, uma importante proteína e de alguns minerais como ferro. A saúde não só dos cabelos, mas como um todo precisa de cuidados com alimentos ricos em nutrientes. A restrição alimentar faz com que sejam excluídos muitos grupos alimentares do dia a dia e alguns pacientes conseguem perceber esse impacto na saúde dos cabelos também", complementa a nutricionista Ana Carolina Netto, do Espaço Acolher Nutrição. 

Vanessa Almeida, também nutricionista da Acolher Nutrição, conta que muitos pacientes chegam no consultório relatando uma intensa queda de cabelo: 

"Ao iniciarmos uma boa anamnese, entendendo qual a base da alimentação desse indivíduo, conseguimos perceber que há uma falta de micronutrientes como ferro e zinco. Muitas vezes isso é relacionado também ao estresse e ao estilo de vida, o que também é trabalhado em consulta". 

Viviane também recomenda para seus pacientes que eles mudam hábitos alimentares e estilo de vida para que a saúde capilar seja alcançada. Vale destacar que a falta de alguns nutrientes, além da queda, pode deixar os fios opacos, quebradiços, secos e sem vida.             

"O ideal é, quando necessário, unir parte clínica com a terapêutica. Além disso, associar boa alimentação, mudanças de hábitos e programas de tratamento que devolvam componentes importantes para o cabelo é essencial. O ideal é sempre trabalhar a pessoa como um todo.  Os nossos sistemas corporais são todos interligados, então se algum está desequilibrado pode influenciar no ciclo capilar; se temos uma má alimentação, logo teremos um aporte menor de nutrientes,  e pouco nutriente chega no folículo prejudicando a fase de crescimento,  deixando o cabelo propenso a queda, ressecamento, quebra... ", pontua a tricologista. 

De acordo com Ana Carolina, a base dos fios dos cabelos é composta por queratina, uma importante proteína, e, também, de alguns minerais como, por exemplo, ferro. Ela também diz que saúde não só dos cabelos, mas como um todo precisa de cuidados com alimentos ricos em nutrientes

Vanessa recomenda uma alimentação rica em proteínas, ferro, zinco, selênio e boas gorduras para manter o couro cabeludo e os fios saudáveis. Além disso, ela aconselha evitar alimentos industrializados. 

"O paciente que chega até nós com esse tipo de queixa, logo é instruído a seguinte premissa: descascar mais e desembalar menos - ou seja, diminuir os industrializados e aumentar o consumo de vegetais, frutas e legumes", conclui a nutricionista.


A forma correta de aplicar o filtro solar: Dra Karla Lessa explica como usar o produto no dia a dia

 A médica lista dicas para seguir todos os dias.


Os raios ultravioletas UVA e UVB penetram profundamente na pele, causando danos a ela e têm efeito cumulativo. Não somente podem causar manchas, rugas, envelhecer a pele precocemente, mas também podem desencadear o câncer de pele. 

É fundamental desenvolver o hábito diário de usar o filtro solar em todas as áreas expostas do corpo, além de prevenir tumores benignos e malignos, entre os outros casos já citados. Dr. Karla Lessa, médica e proprietária do Instituto Lessa alerta: “No entanto, para uma proteção eficaz contra a radiação UVA e UVB, o produto deve ter fator de proteção solar (FPS) 30, no mínimo e o PPD 1/3 do FPS”.

Os protetores podem ser físicos ou inorgânicos e/ou químicos ou orgânicos. “Os protetores físicos, à base de dióxido de titânio e óxido de zinco, se depositam na camada mais superficial da pele, refletindo as radiações incidentes. Eles não eram bem aceitos antigamente pelo fato de deixarem a pele com uma tonalidade esbranquiçada, mas isso tem sido minimizado pela coloração de base de alguns produtos. Já os filtros químicos funcionam como uma espécie de “esponja” dos raios ultravioletas, transformando-os em calor”, explica a médica.

 

Você sabe a forma correta de aplicar o filtro solar?

 

  • A primeira aplicação do produto deve ser feita com no mínimo 20 minutos antes da exposição, de preferência sem roupa;
  • É necessário aplicar uma boa quantidade do produto (equivalente a uma colher de chá rasa para o rosto e três colheres de sopa para o corpo), uniformemente; de modo a não deixar nenhuma área desprotegida;
  • A reaplicação do filtro deve se tornar um hábito diário, e deve ser feita achada 2- 3horas (quanto menor o FPS e PPD, mais vezes você precisa reaplicar);
  • Não esqueça as áreas como: orelhas, nuca, pescoço e dorso das mãos, que ficam bastante expostas;
  • O filtro solar deve ser usado todos os dias, mesmo quando o tempo estiver frio ou nublado, pois a radiação UV atravessa as nuvens e o filtro físico também protege contra a luz visível.

 

A médica ainda ressalta: é importante lembrar que usar apenas filtro solar não basta. “É preciso complementar as estratégias de fotoproteção com outros mecanismos: como roupas, chapéus e os coadjuvantes: os fotoprotetores orais. Também é de extrema importância consultar seu médico regularmente para uma avaliação cuidadosa da pele e indicação de produtos mais adequados.

 



Dra. Karla Lessa - capixaba e especialista em saúde e beleza. Atualmente atende seus pacientes no Instituto Lessa onde, juntamente com seu marido, é proprietária, em Vitória- ES.

https://www.instagram.com/drakarlalessa/

 

6 dicas para se preparar para o verão

Nutricionista fala sobre como alimentação, exercícios físicos e uma boa qualidade do sono andam juntos no processo de emagrecimento

 

O verão ainda nem chegou, mas as temperaturas já estão altas e, com a pandemia, o jeito mais seguro de se refrescar é em casa. E não é porque o cenário não permite encontros em praias e piscinas que os cuidados com a forma física devem ser deixados de lado. Pelo contrário – perder os quilinhos ganhados na quarentena é importante para manter a saúde em dia e, claro, uma boa autoestima. “Para isso, a ajuda de um nutricionista, mesmo que por teleconsulta, é essencial. Muitas pessoas acabam fazendo dietas por conta, com restrições excessivas que podem levar a transtornos alimentares, compulsão e até mesmo à perda de massa muscular”, destaca a nutricionista ortomolecular Claudia Luz, do Departamento de Inovação da Via Farma.

A especialista ressalta que além de uma dieta personalizada de acordo com as necessidades individuais de cada organismo, o nutricionista ainda pode indicar ativos naturais que ajudam a potencializar o emagrecimento de forma saudável. “A vantagem desses ativos é que não costumam apresentar efeitos colaterais. Mas é importante optar por fórmulas com eficácia comprovada em estudos – daí a importância dessa escolha ser feita junto de um médico ou nutricionista”, afirma.

Para ajudar na missão de emagrecer de forma efetiva – e o mais importante, com saúde – a nutricionista separou algumas dicas sobre o assunto. Confira abaixo.

 

1. Aposte na alimentação natural

Evite o consumo de alimentos ultraprocessados, açúcares, carboidratos simples e álcool e priorize refeições mais naturais. Alimentos integrais, frutas, legumes e verduras são ricos em nutrientes essenciais para o equilíbrio da saúde e possuem fibras solúveis e insolúveis que ajudam a promover a sensação de saciedade.  As fibras também diminuem a absorção de gordura pelo organismo, evitam picos glicêmicos no sangue e ainda ajudam no funcionamento do intestino. Assim, fica mais fácil emagrecer de forma saudável.

 

2. Fique de olho na compulsão

Um dos principais desafios do emagrecimento é controlar a fome emocional ou compulsiva. Tente comer de forma mais consciente, diferenciando a fome fisiológica da simples “vontade de comer”. Nem sempre é preciso deixar de comer aquele docinho de vez em quando, o segredo é a moderação. Dietas muito restritivas podem, inclusive, gerar episódios de compulsão, com refeições altamente calóricas. Para controlar essa sensação, o nutricionista pode indicar suplementos naturais, como a combinação entre os extratos naturais de manto de senhora, oliva, hortelã selvagem e sementes de cominho, que pode ser formulada em farmácias de manipulação e tem estudos comprovados no controle da compulsão e na redução de peso.

 

3. Mantenha-se firme nos exercícios

Encontre uma modalidade de exercício que traga prazer em praticar, assim será mais fácil manter a regularidade. Vale pular corda, subir e descer escadas ou até pedir a ajuda de um profissional de Educação Física para planejar um treino funcional que possa ser feito em casa, com objetos domésticos. Além de ajudar a promover o déficit calórico necessário para o emagrecimento, os exercícios ainda trazem a sensação de bem-estar, melhoram a composição corporal e podem, inclusive, ajudar no controle da fome.

 

4. Beba água

Um corpo mais hidratado tem um metabolismo mais eficiente, o que favorece o processo de emagrecimento. Além disso, uma boa ingestão de água também previne a retenção de líquidos, diminuindo o inchaço responsável por medidas a mais. A necessidade diária de água varia de pessoa para pessoa, dependendo das características do organismo e da rotina de exercícios.

 

5. Durma bem

Uma noite mal dormida já é capaz de afetar todo o metabolismo, prejudicando a digestão e aumentando o apetite por alimentos ricos em açúcar e carboidratos, que, em excesso, estimulam o ganho de peso. Além disso, a restrição de sono está frequentemente ligada ao estresse e à ansiedade, que também são gatilhos para uma alimentação desequilibrada e para o ganho de peso.

 

6. Conte com extratos naturais

Muitas vezes, pode ficar difícil perder gordura na região abdominal, principalmente no caso das mulheres, que têm mais tendência a ganhar medidas nessa região, devido à influência dos hormônios femininos. Para potencializar o combate à gordura abdominal, também é possível contar com extratos naturais, como o de amora selvagem, que é rico na antocianina C3G, uma substância com estudos comprovados no combate à obesidade abdominal e alto poder antioxidante e anti-inflamatório.

 

sexta-feira, 9 de outubro de 2020

Especialista destaca 3 presentes não materiais para os pais darem aos filhos neste Dia das Crianças

Para Adriana Drulla, mestre em psicologia positiva, aumento do vínculo, autocompaixão e escuta compassiva são fáceis de encontrar e não custam nada

 

Mais um Dia das Crianças se aproxima e, tradicionalmente, é comum pais e mães se esforçarem para encontrar brinquedos, roupas e lembrancinhas para presentear os filhos. A mestre em psicologia positiva e especialista em parentalidade consciente, Adriana Drulla, mãe de duas crianças, destaca, no entanto, que existem outros presentes mais importantes. Presentes que vão refletir na própria formação das crianças.


Crie vínculo

Estamos passando por momentos de muito estresse e ansiedade. Mas entre as coisas positivas que o isolamento social trouxe para as famílias é a possibilidade dos pais passarem mais tempo com seus filhos, em casa. E mais do que estar mais presente, é importante aproveitar esse tempo a mais para criar vínculos, criar conexão de modo que crianças e jovens se sintam verdadeiramente acolhidos e tenham seus sentimentos compreendidos por seus pais. O vínculo com os pais é um dos principais fatores que suportam a resiliência emocional da criança, que é a capacidade da criança de enfrentar desafios de forma construtiva. O primeiro passo para ganhar a confiança da criança é validando seus sentimentos, acolhendo o que ele está sentindo com empatia. “Não basta dizer ‘Eu amo meu filho e ele sabe disso’. O vínculo se constrói quando as pessoas compartilham experiências positivas. Brincar junto, cozinhar junto, até mesmo dividir outras tarefas de casa são exemplos de momentos agradáveis de interação”, completa Adriana. 


Autocompaixão

Aos pais e mães, aceitar nossas imperfeições com naturalidade e abrir mão das expectativas irrealistas, é importante para a resiliência emocional dos nossos filhos. “Na minha pesquisa, feita nos Estados Unidos com 246 pares de mães e filhos, descobri que mães autocompassivas tem filhos mais autocompassivos, e se sentem mais competentes no seu papel de mãe". A autocompaixão significa adotar uma postura gentil com relação a si mesmo, dando pra si o que você precisa em um momento difícil, seja um banho demorado, seja pedir ajuda para alguém porque você precisa relaxar. Quando os pais se cuidam e são mais gentis consigo, os filhos também se beneficiam. Eles aprendem a serem autocompassivos pelo exemplo, e tem um vínculo mais forte com pais e mães.

Quando nos cuidamos conseguimos nos conectar com a criança de uma forma mais profunda. Ao abrir mão da expectativa de nos tornarmos mães e pais perfeitos, conseguimos aceitar que nossos filhos também têm defeitos. A criança que se sente aceita por quem ela é, que não acha que precisa mudar para receber amor, desenvolve um autoconceito mais positivo e maior autocompaixão. “As pesquisas mostram que as crianças que têm maior dificuldade para lidar com os próprios erros, e que enxergam as limitações pessoais como sinal de que há algo errado com elas, tendem a deprimir e desenvolver outros problemas emocionais com maior frequência”, completa Adriana. 


Escuta Compassiva

Para entender um filho é importante reservar um tempo para ouvir o que ele está sentindo. Uma escuta com aceitação e sem julgamentos faz com que o outro se expresse com sinceridade, sem preocupação com desaprovação. Uma escuta compassiva acontece do pescoço pra baixo. Isso significa que quem escuta não fala, apenas se disponibiliza a escutar o outro, ao mesmo tempo que presta atenção às próprias emoções, e como elas se expressam no corpo. Quem escuta demonstra entendimento e compreensão, nada mais. “E muitas vezes é apenas isso que a pessoa precisa para que ela se sinta melhor e possa então pensar sobre como melhorar ou lidar com a situação. Muitas vezes tudo que precisamos é de uma escuta compreensiva, uma conexão sincera, um abraço, e um ombro para chorar”, finaliza a especialista. 

 



Adriana Drulla - Mestre em Psicologia Positiva pela Universidade da Pennsylvania, programa criado por Martin Seligman, psicólogo fundador da psicologia positiva, para treinar alunos na vanguarda do campo juntamente com outros pesquisadores referência nos Estados Unidos e no mundo. Estudou compaixão e autocompaixão em cursos com Kristin Neff, Christopher Germer, Paul Gilbert e Tara Brach. Autora de artigo científico sobre a transmissão intergeracional da autocompaixão entre mães e filhos. É especialista em Mindfulness pela Universidade da Califórnia, em San Diego (EUA) e teacher in training do Programa Mindful Self-Compassion, criado por Kristin Neff e Christopher Germer. Formada em Conscious Parenting por Shefali Tsabary, psicóloga referência em parentalidade e autora do método que une psicologia, parentalidade e espiritualidade. 

https://www.instagram.com/adrianadrulla/?hl=pt-br

Podcast Crescer Humano: https://spoti.fi/3lzJghY


Superação ou conquista? Como a autoestima de um PCD pode definir sua trajetória

Quando eu tinha 4 anos, passei pelo pior acidente que uma criança poderia passar: sofri queimaduras por todo o corpo, perdi dedos, uma mão, mas também do fogo eu renasci como uma Fênix - ou seja, superei aquele episódio que deixou marcas por todo o meu corpo. No entanto, o que para muitos é apenas uma história triste e de superação, para mim é o início de uma trajetória de sucesso, pois não se resume a "Ju queimada", abandonada no Hospital de Queimaduras pela mãe biológica, adotada por uma família bondosa e cristã que me deu todo amor e carinho. 

Durante minha infância e adolescência sofri bullying, mas tive o suporte familiar para que eu não me colocasse em um papel inferior, de vítima. Tornei-me adulta, realizei o sonho de ser estilista (de noivas), sou mãe de 3 crianças maravilhosas, sou influenciadora e, ainda no meio desta pandemia, virei tiktoker... Minha história é muito louca mesmo. Mas o resumo é assim: me queimei, fui adotada, cresci e estou aqui para contar uma parte dessa história, mas precisamente um episódio de quando tinha 15 anos.

Cresci em uma família que me apoiou muito e me fez acreditar que, mesmo possuindo uma deficiência física, tudo era possível. Aprendi a desenhar, sempre gostei de moda; por isso, gostava de me vestir de forma diferente e estilosa. Era popular e tinha muitos amigos, mas mesmo assim passei por maus bocados.

O bullying era diário e constante na minha vida, seja daquela criança que adorava me chamar de "pata de cachorro", "queimadinha", "monstro radiotivo" entre outras coisas, ou da tia da padaria que todo dia queria me contar da prima dela que caiu no tacho de água quente e queimou a cara e ficou toda deformada, igual a mim como ela dizia com um sorriso no rosto.

Não foi uma infância fácil. O tempo todo as pessoas faziam questão de me lembrar que eu não era igual a elas. O tempo todo me faziam sentir pena de mim mesma ou, pelo menos, era isso que elas queriam que eu acreditasse.

Depois da primeira infância e de tentar lidar com tudo isso, veio uma fase mais complicada: adolescência. Hormônios à flor da pele. Todas querendo se sentir lindas, ter seus primeiros namoradinhos e eu, claro, queria a mesma coisa. Mas sempre tinha uma voz na minha cabeça: mas será que algum cara vai me querer assim? Será que vai me achar bonita? Me desejar?

Por muito tempo me senti assim até eu dar meu primeiro beijo. Namorei meu primeiro amor e melhor amigo do colégio por um tempo, até um dia ele falar algo que me marcou e me mudou para sempre: "Você, além de linda, é como se fosse uma bruxa, sabia? Você tem algo que enfeitiça, sei lá... Deve ser esses olhos ou essa boca, para mim você é perfeita". Terminamos quando ele mudou de colégio.

Foi um momento de descoberta importante, onde me vi confiante e sexy, e comecei a demonstrar todos os dias isso. Entendi que, antes de ver minhas mãos, os garotos teriam que olhar nos meus olhos, me conhecer e usei isso a meu favor, me tornei popular e desejada por muitos garotos. Parece um conto de adolescente feliz e empoderada, né?

Até que um dia tudo mudou. Em uma dessas baladas, um cara mais velho que eu (ele devia ter uns 18 anos) me chamou no canto falando que já me via há uns três sábados e me achava muito linda, estilosa, tudo que eu realmente era. Ele me elogiou muito e conversou até começar a me beijar. No começo foi leve e tranquilo, até que começou a forçar algo mais, foi tentando passar a mão no meu corpo. Eu tentava sair daquela posição contra a parede e nada. Enfim, ele forçou a mão dentro da minha calcinha e eu mordi o lábio dele com muita força e empurrei e gritei: "Você está louco? Está achando que sou o quê?" Para não chamar mais atenção, ele pediu desculpas e disse que se exaltou, mas chegou perto do meu ouvido e disse: "Você devia ficar feliz de um cara como eu querer ficar com uma garota como você: deformada e queimada assim. Você só serve para isso mesmo."

Ele saiu como se nada tivesse acontecido. Fiquei ali chorando por dentro, mas sorrindo por fora. Voltei para casa e passei a noite chorando de ódio e ao mesmo tempo pensando: "Será que nunca alguém vai me amar como eu sou, sem ver a minha deficiência antes?".

Bom, acho que Deus me ouviu chorar naquela noite, pois alguns anos depois, vivendo sempre essa insegurança, ele me mandou um adolescente esquisito de capuz preto, bem nerd. Tínhamos muito em comum e, de acordo com ele, eu o conquistei por ser uma baixinha muito brava. Conheci o Rafael (meu marido) com 18 anos e estamos juntos até hoje. São 16 anos juntos, três filhos, muitas aventuras e a certeza de que em nenhum momento ele enxergou minhas mãos como uma barreira.

Esse pequeno fato que aconteceu comigo e que poderia ter sido um trauma que iria me impedir de me relacionar com outras pessoas para sempre, acontece todos os dias com PCD (Pessoas com deficiência). Todos os dias, elas são ignoradas como seres humanos que amam, que sentem prazer, que querem ser vistos por eles mesmos e não por suas deficiências ou "histórias de superação". Todo dia, pessoas nos excluem e nos colocam em um local de pena, de pessoas incapazes de amar ou sentir prazer.

Eu consegui me defender naquele dia e mudar a minha história; porém, existem milhares de histórias diferentes, principalmente de abusos sexuais com PCD. Por isso, é fundamental, essencial, começarmos a falar sobre inclusão mais e mais. Esse será o início da mudança de muitas histórias e de uma nova geração que crescerá respeitando verdadeiramente as diferenças, sem sentir que tudo o que um PCD faz é superação. Não superamos, conquistamos como toda e qualquer pessoa. A minha conquista, minha trajetória de sucesso é ser um estilista de noiva reconhecida, uma influenciadora, mão de 3 crianças. E a sua?

 



Juliana Santos - a.k.a. Ju Sem As Mãos, mulher empoderada, estilista de noivas e mãe de 3.


Cyberbullying: maioria dos adolescentes já presenciou ou foi vítima de agressões pela internet

Cyberbulling é crime; Epecialistas alertam sobre os riscos das relações pouco saudáveis que podem se esconder por trás das telas do computador


No Dia Mundial da Saúde Mental (10/10), especialistas alertam sobre os riscos das relações pouco saudáveis que podem se esconder por trás das telas do computador 

 

A pandemia e o isolamento social levaram à reinvenção dos modelos de trabalho, ao boom das videoconferências, da telemedicina, ao crescimento do e-commerce, à descoberta dos shows e eventos online, à explosão das lives e à ampliação das interações sociais, aproximando muitas famílias.

Na mesma medida, a situação agravou problemas que já existiam, mas que também migraram com mais força do campo presencial para o online: o bullying entre os adolescentes. A avaliação é do psicólogo, mestre e especialista em Neuropsicologia Diego Maciel Lima, professor do UNICURITIBA - instituição que faz parte da Ânima Educação, uma das maiores organizações privadas de ensino superior do país.

“O bullying é uma prática antiga, bastante conhecida nas escolas. Trata-se de um conjunto de práticas agressivas, intencionais e repetidas, sem motivo aparente, cometida contra um indivíduo vulnerável e que causa dor e sofrimento. Quando praticado presencialmente, existe uma possibilidade maior de controle e intervenção dos adultos. Com a internet, o alcance pode ser global e foge rapidamente ao controle”, explica.

No chamado cyberbullying, a gravidade dos casos se potencializa, continua o professor, já que nos meios online o ofensor se sente “protegido” pelo anonimato. “Com a audiência quase ilimitada, as motivações para o agressor aumentam e os danos à vítima também.”

 

Cyberbullying e isolamento social

Com o isolamento social, o principal motivo de preocupação de muitos pais é que a incidência do cyberbullying aumente, já que a interação entre os adolescentes passa a ser ainda maior por meios digitais.

O professor Guilherme Alcântara Ramos, mestre em Psicologia, coordenador de equipes de projetos psicopedagógicos e do Núcleo de Atendimento Psicopedagógico do UNICURITIBA, diz que a internet é capaz de encurtar distâncias e, neste aspecto, a tecnologia é bem-vinda, se for para estimular os afetos, vínculos e relacionamentos saudáveis. “Fisicamente as pessoas não estão no mesmo espaço, mas quando se conectam, elas se reabastecem e reforçam o vínculo emocional - o que é extremamente benéfico e necessário”, explica.

A questão é quando os relacionamentos não são nada afetivos e podem ter interferência direta na saúde mental dos adolescentes. No Brasil, um levantamento realizado em 2018 pelo Instituto de Pesquisa Ipsos com um público entre 8 e 16 anos mostrou que:

·         66% presenciaram casos de agressão na internet;

·         21% afirmam ter sofrido cyberbullying;

·         13% afirmaram zombar de alguém por sua aparência;

·         7% marcaram alguém em fotos vexatórias;

·         3% ameaçaram alguém;

·         3% zombaram alguém por conta de sua sexualidade.

 

Como agir em casos de cyberbullying?

O psicólogo e professor do UNICURITIBA, Diego Maciel Lima, dá dicas aos pais sobre como identificar e agir em casos de cyberbullying. “É importante ficar atento aos sinais de alerta, pois nem sempre os adolescentes pedem ajuda aos pais já que muitos sentem vergonha ou medo de serem incompreendidos ou repreendidos”, explica Lima.

Entre os principais sinais de que algo não vai bem estão mudanças súbitas no comportamento e humor, explosões de raiva, sinais de sofrimento ou recusa para entrar nas aulas online, diminuição repentina no rendimento escolar e mudança no tempo de uso das redes sociais, por exemplo.

Nestes casos, continua o professor, o ideal é estar sempre pronto a ouvir os adolescentes, sem julgamentos, e se for preciso, procurar ajuda especializada.

 

1)      O mais importante é os pais estarem atentos e presentes na educação de seus filhos. Quando os adolescentes se sentem acolhidos e vinculados a seus pais, há uma maior probabilidade de que peçam ajuda em casos de cyberbullying.

 

2)      Oriente o adolescente a procurar um adulto em caso de cyberbullying. É importante os pais explicarem que esses tipos de “brincadeira” não são naturais e que podem ser configuradas como crime. O adolescente precisa entender que tem um valor próprio e que ninguém tem o direito de o humilhar e expor ao ridículo.

 

3)      Caso seu filho peça ajuda, busque acolher a sua dor. Mesmo que lhe pareça exagero, nunca diminua, julgue ou repreenda o adolescente por não ter revidado. Também não dê conselhos apressados antes de entender totalmente a situação.

 

4)      Tente se lembrar de como você pensava, sentia e agia quando tinha a mesma idade; quando a aceitação social de seu grupo de amigos era uma de suas maiores prioridades na vida.  Evite dizer frases como “isso é só uma fase”, “isso não é tão grave assim”, “por que você não revidou?”, “que drama”.

 

5)      Lembre-se que cyberbullying é crime. Por isso, busque reunir provas por meio de “prints”, para que se for preciso você possa buscar as autoridades competentes para pedir auxílio

 

 

A quarentena despertou muitas mulheres para o autocuidado

Psicóloga Alethéa Vollmer aponta que a pandemia tem sido uma oportunidade de autoconhecimento. Muitas pessoas passaram a se olhar como são e a gostar do que veem, enquanto outras tiveram a oportunidade de se transformar para isso.


“A mulher nunca chega no ponto de se aceitar como é naturalmente, porque as pessoas não têm um naturalmente”, ressalta a psicóloga especialista em inteligência emocional, que atua há mais de 20 anos com atendimento clínico no Brasil e em Portugal. Ela explica que as mulheres, em especial, estão baseadas em um conceito de identidade que ancora o psicológico a partir do reconhecimento pelo mundo externo. Um exemplo disso é moda da transição capilar, uma prática libertadora proporcionada pelo confinamento.

Nos últimos seis meses, as redes sociais de muitas famosas foram tomadas por imagens de cabelos se transformando por falta de procedimentos de beleza, revelando a possibilidade de autocuidado a ponto de inspirar o universo feminino a aceitar com as madeixas brancas, os cachos e os estilos próprios que cada cabelo passou a ter.

“O Eu verdadeiro, a despeito de colocado na sua essência, sempre precisará do olhar do outro para dizer que ele pode existir. É uma questão de constituição. Eu me constituo a partir deste discurso e as pessoas me olham e veem desta forma. Não adianta eu dizer que meu cabelo é lindo e o outro dizer que não. Acabo criando uma dissociação em mim e o discurso do outro tem um peso tão grande que, ou eu me escondo, ou eu começo a brigar com o outro pela aceitação”, explica a psicóloga Alethéa.

E quando as pessoas conseguem se olhar no espelho e se verem da forma que estão, a gostarem deste “novo” cabelo, elas passam a se aprovarem para si mesmas e para o mundo. “Elas relaxam um pouco mais. Conseguem distinguir que o outro tem um cabelo diferente, mas não melhor ou pior, aprendem a lidar com diversidade. Até parece bobagem, mas a ‘simples’ aceitação por um cabelo é capaz de interferir em escolhas de vida importantes, como profissões, parcerias sexuais e a forma como existir no mundo”, analisa a especialista em inteligência emocional.

Alethéa lembra que durante muito tempo o cabelo crespo, sobretudo o negro, era um cabelo chamado de ‘cabelo duro’, que não tinha reconhecimento nenhum, não era aceito. Então, a única forma que se podia era não ter este cabelo. E aí vem um movimento, sobretudo político, que diz: mulheres, sejam protagonistas e se aceitem. Neste contexto, o termo de transição capilar é muito feliz pelo seu significado, porque se trata da mudança que acontece aos poucos. “Eu vou começar a me constituir de outra forma e a sociedade vai me autorizando a isso. Por exemplo, antigamente não existia um produto específico para cabelo crespo. Hoje, são diversas as opções apresentadas pela indústria, porque ela abraçou este discurso e está dizendo para essa mulher que ela pode ter esse cabelo. Então, existe o reconhecimento. Não tem esse natural, é uma produção que se naturaliza”, explica a psicóloga.

Esse reconhecimento pelo mundo causa completa mudança, porque à medida que a mulher se aceita, a sua autoestima melhora, ela passa a se sentir prestigiada pelo outro. O ser humano está constantemente em busca deste sentimento, que vem de um processo muito lento. “Por muitos anos esse cabelo crespo que hoje é aceito e cobiçado, foi tiranizado”, complementa Alethéa.

 



Alethéa Vollmer - Psicóloga, é Mestre em Ciências Criminais com ênfase em Violência, Pré-Doutorada em Sociologia pela USP e Graduada em Psicologia pela UNISINOS, no Rio Grande do Sul. A especialista também é professora de MBA em Gestão de Marcas – Branding e Assistente Técnica do Judiciário em Processos. No segmento corporativo, Alethéa é partner do Saindo da Média, metodologia que visa auxiliar a empregabilidade desde os estudantes na Universidade, até pessoas que buscam por trabalho, recolocação profissional, executivos etc.


10 de Outubro, Dia Mundial da Saúde Mental

 De acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), braço da Organização Mundial da Saúde, cerca de 1 bilhão de pessoas vivem com um transtorno mental


De acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) braço da Organização Mundial da Saúde, cerca de 1 bilhão de pessoas vivem com um transtorno mental, 3 milhões de pessoas morrem todos os anos devido ao uso nocivo do álcool e uma pessoa morre a cada 40 segundos por suicídio. O cenário da pandemia, afetou bilhões de pessoas em todo o mundo por conta da COVID-19, que vem causando um impacto adicional na saúde mental das pessoas.

De acordo com Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, já é possível ver as consequências da pandemia de COVID-19 no bem-estar mental das pessoas e isso só é apenas o começo. Para evitar isso, é preciso assumir compromissos sérios para aumentar o investimento em saúde mental desde já, as consequências para a saúde, sociais e econômica tendem a ser de longo alcance.

Segundo Dra. Edwiges Parra, psicóloga organizacional, especialista em Recursos Humanos e fundadora da EMIND Mente Emocional, os países gastam em média apenas 2% de seus orçamentos de saúde em saúde mental. Apesar de alguns aumentos nos últimos anos, a assistência internacional ao desenvolvimento para a saúde mental nunca excedeu 1% de toda a assistência ao desenvolvimento para a saúde.

"É fato de que para cada US$ 1 investido em tratamento intensivo para transtornos mentais comuns, como depressão e ansiedade, há um retorno de US$ 5 em melhoria da saúde e produtividade. Com a pandemia atendo diariamente pacientes com dificuldade de ser produtivo, dormir bem e queixas de cansaço. Aqui faço um alerta, Cuidado! Para estes sintomas que persistem em se fazerem presentes, algo está errado e por estar se aproximando de um estresse crônico o que podemos considerar como uma hipótese a ser investigada, a Síndrome de Burnout ou Síndrome do Esgotamento Profissional", destaca Dra. Parra.

A Organização Mundial da Saúde (OMS), define o termo “Burnout” como uma síndrome que resulta de um estresse crônico no local de trabalho, que não foi gerenciado com sucesso.A síndrome foi oficializada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em 2019 como uma síndrome crônica. Enquanto um “fenômeno ligado ao trabalho”, incluindo-a na nova Classificação Internacional de Doenças (CID11), que deve entrar em vigor em 1º de janeiro de 2022. O transtorno está registrado no Grupo V da CID-10 (Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde)

A síndrome pode ser identificada à partir de 3 dimensões:

  • Sentimentos de exaustão ou esgotamento de energia;
  • Aumento do distanciamento mental do próprio trabalho, ou sentimentos de negativismo ou cinismo relacionados ao próprio trabalho;
  • Redução da eficácia profissional.

 

Segundo dados da Secretaria de Especial de Previdência e Trabalho, na comparação entre os anos de 2017 e 2018, o crescimento de benefícios de auxílio-doença com a CID 10 Z73 chegou a 114,80%. O número de benefícios pulou de 196 para 421. "No contexto atual, o que já sabemos que a síndrome deverá atingir diversos profissionais no pós-pandemia, mas confesso que já estou vendo isso acontecer pelos pacientes antigos e novos que atendo em meu consultório ou nas ações corporativas, baseado nos relato das pessoas sobre o que mudou no seu estilo de vida e como isso vem afetando negativamente", explica Dra Parra.


O que precisamos saber parar prevenir e cuidar do bem-estar mental? 

SINTOMAS MAIS COMUNS DA SINDROME DE BURNOUT

  •  Distúrbios do sono;
  • Dores musculares e de cabeça;
  • Irritabilidade;
  • Alterações de humor;
  • Falhas de memória;
  • Dificuldade de concentração;
  • Falta de apetite;
  • Agressividade;
  • Isolamento – nos estágios iniciais parece que o indivíduo evita o contato com as demais pessoas; porém em estágios mais avançados pode-se desenvolver irritabilidade no contato com outras pessoas;
  • Estado de humor deprimido
  • Pessimismo e baixa autoestima;
  • Sentimento de apatia e desesperança – este é um dos sintomas que mais leva aos Diagnósticos errados da doença;
  • Irritabilidade exagerada – a irritabilidade acaba surgindo devido ao sentimento de Pessimismo e baixa autoestima, achando que aquilo que se faz não é bom o suficiente.
  • Perda de prazer – inicia-se como algo simples, mas gradativamente torna-se evidente – como a perda de prazer por comidas ou atividades que antes gostava de praticar, momentos com a família, etc.
  • maior suscetibilidade à doenças – como a síndrome de burnout mexe com o físico e também com o psicológico, acaba baixando a imunidade da pessoa, tornando-a mais suscetível ao aparecimento de doenças oportunistas.

 

COMO IDENTIFICAR?

A síndrome acaba sendo confundida muitas vezes, com outros problemas emocionais, isso porque os seus sintomas também estão presentes em outras patologias mentais.

Portanto, se faz necessário prestar atenção em muitos detalhes, sendo que o diagnóstico só deve ser feito por um profissional especializado como psicólogo ou psiquiatra. 


PREVENÇÃO

A prevenção pode se dar por práticas simples e prazerosas, desde que você também assuma esse compromisso (Accountability pessoal) com o seu autocuidado, aliás os cuidados com sua saúde você não deve delegá-la a terceiros e muito menos negligenciar-se.

Aqui as competências organização, planejamento, engajamento, disciplina e regularidades são fundamentais para você garantir longevidade e sustentabilidade com sua saúde como um todo.

Então vamos lá:

Práticas de exercícios físicos - Parte dessa condição acaba causando problemas físicos, isso sem mencionar as tensões musculares que muitas vezes impedem até mesmo a locomoção.


Pausas para o lazer – Bons para relaxar a mente e o corpo, seja na prevenção como no tratamento.


Meditação – Auxilia no controle dos níveis de estresse, bem como reaprender a respirar. Isso significa ter melhor manejo dos seus estados emocionais de volta e não aderir às exigências externas e internas de imediatismo.


Cuidado do “chicote interno” – Ou seja, cobrança excessiva consigo mesma (o), seja orientado pela busca da perfeição ou por suas crenças rígidas baseadas em medos do que os outros vão pensar sobre você, em diversas situações.


Organizar e reorganizar sempre que necessário – seus dias e tarefas no trabalho podem ajudá-la (o) no momento de pegar mais leve nas tarefas e então manter a calma, evitando assim que você venha a se sobrecarregar.


Faça uso de suas folgas e férias - Todo mundo precisa descansar. Pare de adiar as suas! Organize-se e aproveite os dias de descanso como melhor convier. Viaje, leia os livros que sempre quis, assista muitos filmes. Se preferir, não faça nada.

O importante é se desligar do trabalho para conseguir relaxar a mente e o corpo. Acredite: o mundo não vai acabar se você descansar um pouco.


Nutra bem seu organismo – Uma boa alimentação rica em nutrientes, já tem inúmeras eficácias quanto ao equilíbrio do organismo, seja para imunidade como também para o bom funcionamento dos neurotransmissores do bem-estar, como dopamina, endorfina, serotonina e oxitocina.


Conheça seus limites - Não tente abraçar o mundo ou tapar todas as lacunas no trabalho. Fuja de metas abusivas e do excesso de autocobrança. Reconheça até onde pode ir e quais são os fatores que podem lhe ajudar a conseguir chegar no seu objetivo. Esforce-se para separar as demandas pessoais das cobranças do trabalho e, principalmente, não abra mão da sua vida social.

E por fim, a promoção da saúde mental é responsabilidade de todos e o momento exige mais ações concretas e efetivas. Assim como nós em paralelo, devemos estar mais responsivos no exercício do autocuidado e no gerenciamento de nosso bem-estar mental.

 



Edwiges Parra - Psicóloga Organizacional, Terapeuta Cognitiva-Comportamental, Instrutora de de Mindfullness MVCT-D e fundadora da EMIND Mente Emocional.

 

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