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segunda-feira, 17 de agosto de 2026

O seu pequeno restaurante está perdendo dinheiro sem saber? Se sim, esse texto é pra voc

 

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Tecnologia, inflação e cliente diferente estão mudando as regras do jogo. Quem ainda opera como 2019 vai sentir no caixa

 

O cliente que entrava no restaurante três vezes por semana agora vai uma. Quando vai, gasta mais do que antes. Mas vai menos. E a conta no final do mês não fecha igual. Esse é o paradoxo que o pequeno ou medio empreendedor, dono de restaurante, bar, lanchonete e qualquer negócio de alimentação está vivendo agora no Brasil.

O problema não é falta de cliente. É que o cliente mudou e a operação não acompanhou. Para o empreendedor que fatura até 100 mil, que opera sozinho ou com equipe de até dez pessoas, essa diferença aparece primeiro no caixa antes de qualquer lugar.

A primeira mudança é comportamental. O consumidor está mais criterioso. Planeja antes de sair, pesquisa no Google, olha a avaliação, compara. Quando vai, espera mais: ambiente, atendimento, produto que valha o esforço de sair de casa. Quando decepciona, não volta e ainda deixa avaliação negativa.

Para o pequeno negócio que não tem verba de marketing para recuperar reputação, uma sequência de avaliações ruins no Google pode custar semanas de movimento. A régua subiu, e o cliente que perdoava uma falha no passado hoje segue em frente sem olhar para trás.

O segundo problema está no delivery. As plataformas até trouxeram clientes novos, mas cobrou caro por isso. A comissão come entre 20% e 30% do valor de cada pedido. O prato que você vende por R$ 40 no aplicativo pode estar gerando menos margem do que o que você vende presencialmente por R$ 32.

Para a pequena operação que não tem volume para diluir esse custo, o crescimento do delivery pode estar financiando a plataforma, não o próprio negócio. Muitos donos descobrem isso tarde, quando o movimento presencial cai e o caixa continua apertado mesmo com mais pedidos chegando.

Ontem mesmo conversava com o dono de uma lanchonete no interior de Minas que cresceu no faturamento no último ano e viu a margem cair pela metade no mesmo período. Preço de insumo subiu. Mão de obra ficou mais cara. Delivery cresceu, mas a comissão comeu boa parte do ganho. E o movimento presencial nos horários de pico caiu porque parte do cliente migrou para o pedido em casa. Ele cresceu na receita e encolheu no bolso. Para ele, que não tem sócio financeiro nem reserva de caixa, essa compressão de margem é a diferença entre conseguir pagar o fornecedor no prazo ou negociar mais dias.

A terceira pressão é nova e pouca gente está medindo. Os remédios para emagrecer estão mudando o comportamento de consumo. O cliente que usa esse tipo de medicamento não para de comer fora, mas pede menos e prioriza qualidade sobre quantidade. Para a lanchonete que vende volume, para o buffet por quilo, para qualquer modelo que depende de o cliente pedir muito, é uma mudança que aparece devagar e de repente está no resultado do mês sem que ninguém consiga apontar a causa.

Segundo a Abrasel, quatro em cada dez estabelecimentos estão com pagamentos em atraso, a maioria concentrada em impostos. Para o pequeno empreendedor, essa dívida com a Receita Federal não é só um problema contábil. É juros que crescem todo mês, é CPF que pode ser negativado, é conta bancária que pode ser bloqueada sem aviso... A inadimplência tributária do pequeno restaurante tem um custo que nenhum relatório de gestão mostra com clareza, mas que aparece num processo de execução fiscal quando a situação já saiu do controle.

Três movimentos práticos para começar agora. Primeiro: calcular quanto cada canal de venda, presencial, delivery e retirada, está gerando de margem real depois de descontar todos os custos, incluindo a comissão da plataforma. A maioria não tem esse número claro e toma decisão de preço sem saber quanto está sobrando. Segundo: revisar o cardápio cortando o que tem baixa saída e alto custo de preparo. Cardápio menor com produto consistente é mais lucrativo e mais fácil de operar com equipe pequena. Terceiro: quem tem dívida com a Receita Federal, verificar se o Simples Nacional ou o Refis atual têm condição de parcelamento acessível antes que os juros dobrem o valor devido.

O setor de restaurantes não está em crise. Está em seleção. Quem entender o novo cliente e ajustar a operação vai sair na frente. Quem esperar a situação melhorar para agir vai descobrir que a concorrência tomou o espaço enquanto esperava.




**As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do Diário do Comércio**


Camila Farani - Investidora, presidente da G2 Capital e CEO da FEN Educação para negócios. Eleita como uma das 500 pessoas mais influentes da América Latina pela Bloomberg Linea

Fonte: https://www.dcomercio.com.br/publicacao/s/o-seu-pequeno-restaurante-esta-perdendo-dinheiro-sem-saber-se-sim-esse-texto-e-pra-voce

 

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