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sexta-feira, 9 de outubro de 2020

A saúde mental é uma das áreas mais negligenciadas da saúde pública


 75% das pessoas com transtornos mentais, neurológicos e por uso de substâncias não recebem nenhum tratamento para sua condição

 

O Dia Mundial da Saúde Mental é celebrado em 10 de outubro de cada ano, com o objetivo principal de aumentar a conscientização sobre as questões de saúde mental em todo o mundo e mobilizar esforços em prol desta temática. O dia também oferece uma oportunidade para todas as partes interessadas (profissionais da saúde, gestores, legisladores, políticos e os usuários e seus familiares portadores de doenças psiquiátricas) falarem sobre seu trabalho e o que mais precisa ser feito para tornar a assistência à saúde mental uma realidade para as pessoas em todo o mundo.

Neste ano, a Organização Mundial da Saúde (OMS) endossa a campanha "Move for mental health: let’s invest" para chamar a atenção mundial para o subfinanciamento crônico que existe em todo mundo nesta área, uma vez que a saúde mental é uma das áreas mais negligenciadas da saúde pública. Para se ter uma ideia da dimensão nesta questão em números, de acordo com a OMS, cerca de 1 bilhão de pessoas vivem com um transtorno mental, 3 milhões de pessoas morrem todos os anos devido ao uso nocivo do álcool e uma pessoa morre a cada 40 segundos por suicídio. Além disso, sabe-se que os transtornos mentais são as principais causas de incapacidade em todo o mundo, inclusive nos países de baixa e média renda - nesses lugares é menor a capacidade de suportar os encargos destinados à saúde mental nos sistemas públicos de saúde. Estima-se, por exemplo, que globalmente 264 milhões de pessoas sejam afetadas pela depressão. A esquizofrenia é outro transtorno mental grave que abrange 20 milhões de pessoas em todo o mundo; enquanto 45 milhões de pessoas mundialmente são acometidas pelo transtorno bipolar.

Apesar destes números alarmantes, em países de renda baixa e média, mais de 75% das pessoas com transtornos mentais, neurológicos e por uso de substâncias não recebem nenhum tratamento para sua condição. Os países gastam em média apenas 2% do seu orçamento de saúde em saúde mental. Apesar de alguns aumentos nos últimos anos, os recursos para a saúde mental nunca excederam 1% de toda a assistência ao desenvolvimento para a saúde. “Isso apesar do fato de que para cada US $ 1 investido em tratamento intensivo para transtornos mentais comuns, como depressão e ansiedade, há um retorno de US $ 5 em melhoria da saúde e produtividade. Relativamente poucas pessoas em todo o mundo têm acesso a serviços de saúde mental de qualidade. Além disso, o estigma, a discriminação, a legislação punitiva e as violações dos direitos humanos ainda são comuns.Já no cenário brasileiro, as palavras insuficiente e pouco efetivo resumem bem o tratamento dado à saúde mental no Brasil, que está em crise”, afirma Alessandra Diehl, que também é vice-presidente da Associação Brasileira de Estudos Sobre o Álcool e Outras Drogas (ABEAD).

 

Fernanda Nedel, vice-presidente da Associação Paranaense de Psiquiatria (APPSIQ), acredita que a falta de investimentos na saúde mental, em relação às outras áreas da medicina é histórico. “No passado, havia poucas opções terapêuticas e os medicamentos causavam efeitos colaterais. Muitos pacientes com transtornos mentais eram isolados e esse estigma resiste até hoje. Muitos pensam que os remédios fazem os pacientes dormirem o dia todo. Esse preconceito está presente até nas famílias, que, muitas vezes, não apoiam o tratamento psiquiátrico por acreditaram que o problema está relacionado a questões como falta de fé, falta de vontade ou desvio de caráter”, pontua.

 

Além disso, as autoridades da saúde não conseguem vislumbrar e compreender a complexidade da doença psiquiátrica, direcionando os investimentos para outras áreas médicas em detrimento da psiquiatria. “Um infarto, por exemplo, parece um problema urgente e visível, quando a saúde mental também é. Em jovens, o suicídio já é a segunda causa de morte”, avalia Fernanda.

 

Dependência química e transtornos psiquiátricos

O Relatório Mundial sobre Drogas de 2020 aponta que 36 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem de transtornos por uso de substâncias. O Brasil é atualmente considerado o maior mercado mundial de crack do mundo. Cerca de 1,8 milhões de pessoas relataram o uso de crack durante a sua vida, e um milhão de pessoas consumiram a substância no último ano da pesquisa realizada pelo II Levantamento Nacional sobre o Consumo de Álcool e Drogas de 2012.

De acordo com Alessandra Diehl, que também é vice-presidente da Associação Brasileira Sobre Estudos de Álcool e Outras Drogas (ABEAD), entre as drogas ilícitas, a procura de tratamento por abuso e dependência de crack está entre as incidências que mais aumentaram nos últimos anos. Desse modo, a dependência de crack é a causa mais frequente de hospitalização relacionadas à cocaína.

“Em razão da imensa diversidade de questões envolvendo a dependência química, o tratamento exige múltiplas abordagens contemplando diferentes ambientes terapêuticos. Desse modo, devem estar disponíveis as mais variadas modalidades de tratamento em um processo continuum de cuidados, mediante as necessidades de cada paciente naquele momento, respeitando-se uma trajetória de cuidados, segundo a evolução da gravidade da doença. Recursos que vão desde a prevenção primária até intervenções complexas em unidades de internação devem estar integradas, para uma política de assistência na área de álcool”, afirma Alessandra.

No setor de dependência química, por exemplo, tem havido recentes esforços de ampliação de 11 mil para 20 mil vagas com investimento de R$ 92 milhões em programas de Comunidades Terapêuticas. "No entanto, outros modelos e serviços da rede, principalmente os ambulatórios, também carecem de investimento e ampliação, comenta a psiquiatra".

Ela salienta também que todas essas diretrizes estão contempladas na nota técnica de 2019, lançado pela Coordenação Geral de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas (CGMAD) do Ministério da Saúde (MS), que diz respeito às mudanças na Política Nacional de Saúde Mental (PNSM) e nas diretrizes da Política Nacional sobre Drogas (PNAD) no Brasil. “No entanto, percebe-se que muitos gestores de saúde, formuladores de políticas públicas, legisladores e até mesmo profissionais da saúde que atuam na área, ainda desconhecem ou negam a existência da nova normativa”, relata a psiquiatra.

Coronavírus X saúde mental

Se a saúde mental já era um problema de saúde pública, a chegada iminente do Coronavírus apenas acentua a gravidade dessa questão. Alessandra chama a atenção para um estudo nacional, realizado em 2020, que entrevistou 45.161 brasileiros. Os resultados apontam que grande parte da população brasileira não saíra ilesa da pandemia da Covid-19. “A pesquisa verificou que, durante a pandemia, 40,4% se sentiram frequentemente tristes ou deprimidos; 52,6% relataram se sentir ansiosos ou nervosos; 43,5% apresentaram início de problemas de sono; e 48% tiveram problema de sono preexistente agravado. Tristeza, nervosismo frequentes e alterações do sono estiveram mais presentes entre adultos jovens, mulheres e pessoas com antecedente de depressão”, conta.

O Dr. Júlio Dutra, presidente da APPSIQ reforça que apesar as entidades ligadas à psiquiatria já chamavam a atenção para um olhar mais cuidadoso das autoridades para a saúde mental. “No início da pandemia já verificamos o medo e aflição diante de uma possível contaminação. Essa é uma das sequelas que a Covid-19 vai nos deixar, com a chegada de novos pacientes e do retorno de antigos que estavam estáveis, mas que precisaram procurar novamente o psiquiatra. O Coronavírus é um gatilho para transtornos pós-traumáticos e processos de ansiedade exacerbados. A população e os gestores precisam ficar de olho na saúde mental, que nunca foi tão necessária. Quem de nós não vê na própria casa, na família e nas pessoas ao redor comportamentos de medo ou preocupação excessivos?”, reflete.

Dutra salienta que a pandemia apenas acentuou uma necessidade latente: os gestores precisam gerir melhor os recursos da saúde para os transtornos mentais. “Essa é uma realidade universal, que vai além da pandemia. A saúde mental é tão necessária quanto a cardiologia e a pneumologia. Temos mais de 1 bilhão de pessoas sofrendo com doenças psiquiátricas no mundo, que merecem todo respeito”, analisa o presidente da APPSIQ.

Alessandra ressalta ainda que, além de causar um impacto adicional na saúde mental das pessoas, com a Covid-19 o atendimento a pacientes que sofrem de transtorno mental foi interrompido ou reduzido em 93% dos países do mundo, segundo uma pesquisa da OMS, divulgada no início de outubro.

Dia Mundial da Saúde Mental

Nesse dia 10 de outubro, em que é comemorado o Dia Mundial da Saúde Mental, a OMS realiza um evento mundial e o foco será necessidade urgente de abordar o subfinanciamento crônico do mundo em saúde mental – um problema colocado em destaque durante a pandemia de COVID-19. A transmissão será nas redes sociais da entidade, das 11 às 16 horas.

 

Crianças e Telemedicina: 5 dicas úteis para ajudar a família na consulta pediátrica por videochamada

Consultas online podem ajudar em situações mais comuns, como febre, diarreia, lesões na pele e dor de garganta, em casos de rotina e triagem. 

Acompanhamento de doenças complexas e crônicas infantis também é possível, entenda.


Quem nunca ficou aflito com o filho doente em casa e não sabia se precisava correr para o hospital? Teve dúvidas se dava algum medicamento ou não para a criança? Essas são situações recorrentes na vida dos pais que a telemedicina pode ajudar. As consultas online chegaram para levar praticidade, agilidade e humanização no atendimento pediátrico. Mas, a partir dessa nova possibilidade, surgem outras dúvidas, entre elas, como e em quais momentos fazer uma videochamada.

Para otimizar a experiência da consulta online com o pediatra, reunimos cinco principais dicas:


1. Criança presente na consulta: a primeira orientação é que a criança deve estar presente. “Ela precisa ser atendida com o responsável, eu preciso vê-la, olhar seu comportamento, avaliá-la dependendo da situação. Não adianta chegar na teleconsulta e simplesmente falar que o filho está com febre. A presença da criança é fundamental para um diagnóstico mais preciso”, orienta a médica e diretora de pediatria da Docpass, Mônica Rodrigues. 


2. Todas as informações em mãos: em segundo lugar, é necessário estar com os documentos e informações, como carteira de vacinação, termômetro, medicações em uso, além do peso atual para que o médico possa receitar algum medicamento, caso necessário. Organização, neste momento, pode fazer com que as consultam sejam mais proveitosas e a situação da criança, resolvida de forma mais rápida.


3. Mandar para o médico os exames recentes da criança: a telemedicina, por meio da tecnologia, proporciona a facilidade de anexar exames para enviar ao médico, para análise mesmo à distância. Então, caso queira mostrar resultados dos exames do filho para o pediatra avaliar, ou então para um laudo e até uma segunda opinião do especialista em casos em que estiver com dúvidas, pode fazer isso antes de iniciar a consulta, para agilizar o atendimento.


4. Ambiente tranquilo e iluminado dentro de casa: a quarta dica é, se possível, os pais estarem em um local mais tranquilo dentro de casa, sem barulho e bem iluminado, para facilitar a conversa com o médico, evitar distração da criança e ajudá-lo na avaliação mais precisa. “Se a luz estiver boa e os pais aproximarem a câmera da criança, eu vou conseguir ver melhor a garganta dela, por exemplo. Ou até mesmo identificar uma alergia na pele ou reparar em coisas que os pais não perceberam”, explica a médica.


5. Consultas com elementos lúdicas e brincadeiras: por último, um dos grandes desafios costuma ser prender a atenção da criança por muito tempo diante da tela. Dessa forma, a dica aqui é para os médicos: procurem incluir algum elemento lúdico nas consultas, como um estetoscópio de brinquedo, um livrinho colorido para mostrar durante a sessão ou até um jaleco de personagens infantis para contribuir com uma consulta a distância mais humanizada e divertida. Os pais também podem ajudar no processo, fazendo interações durante a consulta.

De acordo com Mônica Rodrigues, a pediatria é uma das especialidades que mais entendem de teleconsulta, pois, desde antes da telemedicina como conhecemos hoje, eles já prestavam orientação a distância, por telefone. “A ideia não é substituir a consulta presencial, pois há situações em que o exame físico é necessário. Eu vejo a telemedicina como um complemento fundamental, para ajudar na humanização, com mais tempo de escuta, além da praticidade e acesso a uma consulta de qualidade. Acredito que facilitou muito a vida das pessoas”, reforça.


Quando usar a telemedicina com crianças

A teleconsulta com o pediatra pode ser utilizada em casos mais comuns, como febre, dor na garganta, sintomas de resfriado e gripe.  No atendimento, é possível o médico fazer um diagnóstico ou receitar um medicamento, se for necessário. “Além disso, a telemedicina é um importante meio de triagem, caso você esteja com dúvidas se leva o filho ao pronto-socorro ou não. Isso faz parte do nosso atendimento, assim como orientar para os sinais de alerta, o que precisa ser observado na criança para o encaminhamento ao hospital”, explica a médica.

Consultas de rotina também são um grande exemplo de como a telemedicina ajuda no dia a dia dos pais. Os pediatras, por meio da videochamada, orientam sobre aleitamento materno, desenvolvimento motor e cognitivo, desfralde, distúrbios emocionais, vacinas, introdução alimentar, entre outros. É uma forma de evitar idas a hospitais e clínicas, quando não há necessidade de exames físicos na criança.

“As teleconsultas também possibilitam o acesso a médicos especializados da área de pediatria. Podem ser usadas no acompanhamento de doenças complexas e crônicas, como asma, alergias de pele, obesidade e até epilepsia. Você pode ter acesso a um atendimento especializado, se mora longe dos grandes centros, onde é mais difícil de conseguir especialistas. As consultas online chegam para quebrar essa barreira e levar mais saúde às pessoas”, complementa a médica e diretora de pediatria da Docpass, Mônica Rodrigues.

 

 


Docpass

https://docpass.com.br/

 

Dia da Saúde Mental: Transtornos psicológicos afetam a segurança no trânsito

Uma pesquisa feita pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) para o Dia da Saúde Mental, celebrado em 10 de outubro, revelou que a pandemia provocou um impacto negativo na saúde mental de mais da metade dos entrevistados. O estudo apontou que a epidemia global "agravou doenças mentais existentes, gerou novas doenças e limitou ainda mais o acesso aos serviços de saúde mental". O diretor da Associação Mineira de Medicina do Tráfego (AMMETRA) e coordenador da Mobilização Nacional de Médicos e Psicólogos Especialistas em Trânsito, Alysson Coimbra, explica que essas alterações afetam a segurança viária de forma direta. “O trânsito está mais violento. Os motoristas estão mais agressivos ao dirigir e os casos de brigas têm sido constantes”, aponta.

De acordo com o diretor da AMMETRA, esse cenário reforça a urgência em cuidar melhor da saúde mental dos motoristas. Atualmente, condutores comuns fazem uma única avaliação psicológica, ao tirar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH), perto dos 18 anos. “Nessa idade, as pessoas ainda estão em formação e mudam muito ao longo da vida. Todos passamos por constantes transformações em curtos espaços de tempo, não podemos atestar a capacidade psicológica de uma pessoa somente no momento da habilitação”, completa Coimbra.

Uma pesquisa recente feita pela Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet) confirma em números a avaliação dos especialistas em trânsito. De acordo com o estudo, cerca de 283,5 mil acidentes de trânsito registrados em rodovias brasileiras nos últimos anos foram provocados direta ou indiretamente por questões relacionadas à saúde dos motoristas. E 76% destes acidentes foram provocados por falta de atenção ao dirigir, consequência de situações como fadiga, estresse, cansaço, deficit de atenção ou comprometimento do raciocínio. Essa condição foi responsável por 62% (9.047) das mortes e 74% (182.288) dos ferimentos no período. “Por isso a avaliação da saúde mental é importante, principalmente no que se refere aos aspectos cognitivos, atenção concentrada, atenção dividida e atenção alternada. É muito importante nessa avaliação a percepção dos traços de personalidade do condutor, como impulsividade, agressividade e ansiedade, fatores que, somados, interferem diretamente na capacidade de dirigir de forma segura”, avalia o especialista.

Estas ocorrências causaram a morte de 14.551 pessoas e deixaram outras 247.475 feridas. “Esses acidentes e mortes poderiam ser evitados se todos condutores realizassem exames médicos e psicológicos na renovação da CNH em menores espaços de tempo”, reforça Coimbra.

Diante deste cenário, entidades médicas defendem a aprovação do PL 98/2015 como uma alternativa para salvar vidas no trânsito. O projeto determina a realização de avaliação psicológica em todos os motoristas no ato da renovação da CNH e atualmente está parado no Senado. “Esse PL é uma solução para ajudar a detectar de forma precoce cenários de instabilidade psicológica nos motoristas e, assim, reduzir o número de acidentes e mortes”, afirma Coimbra.

 

Aumento de casos de estresse entre crianças preocupa especialistas

Dores abdominais, cefaleia e crises de ansiedade estão entre os sintomas do problema, alerta Hospital São Camilo de São Paulo


Com o prolongamento do isolamento social, especialistas alertam para o agravamento de um problema que têm impactado a saúde física e mental das crianças: o estresse. A procura por atendimentos nos prontos-socorros infantis da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo tem aumentado para casos de dores no peito, abdominais, cefaleia e crises de ansiedade, sintomas que estão relacionados às manifestações do chamado “estresse tóxico”.

O termo utilizado entre os especialistas é designado para casos mais frequentes, em níveis mais altos, exigindo uma resposta do organismo por tempo prolongado, o que pode ser muito prejudicial à saúde de maneira geral. “Se a criança não encontra, no seu ambiente, os recursos de adaptação suficientes para vivenciar uma situação nova, o estresse se torna nocivo”, explica a pediatra da Rede Dra. Vivian Oliveira.

Quando pensamos neste conceito, aplicado à pandemia, em que não apenas as crianças, mas também os adultos precisaram se adaptar a um novo cenário cercado de incertezas, o problema fica ainda mais evidente.

A psiquiatra do Hospital São Camilo Dra. Aline Sabino destaca que a mudança drástica na rotina e, em muitos casos, o impacto econômico decorrente da pandemia afetaram a saúde mental de todos, deixando a criança mais vulnerável.

Para eles, a falta da escola, do convívio com amigos, as brincadeiras coletivas, tudo isso foi suspenso sem uma data definitiva para terminar. “Até mesmo os mais velhos, que são capazes de entender melhor o que acontece no mundo, ainda assim suas vidas foram diretamente impactadas”, afirma a psiquiatra, destacando a importância da socialização para o desenvolvimento saudável das crianças.

Dra. Vivian complementa ainda que “cada criança é única e pode ser afetada em determinado momento, ou seja, independentemente da idade, o isolamento, confinamento e/ou distanciamento social vão impactar os pequenos de alguma maneira”. 



Sinais de alerta

Como identificar se isso está acontecendo na sua família? A pediatra destaca alguns dos principais sinais de alerta:

1- Alteração no apetite, quando a criança perde o interesse pela comida preferida, ou quer comer muito mais do que o habitual.


2- Regressão, quando hábitos e comportamentos já aprendidos passam a se manifestar de novo, como xixi na cama, por exemplo.


3- Alterações gastrointestinais, quando a criança passa a ter episódios de constipação.


4- Variações de humor e inquietação, com momentos de tristeza e raiva.


5- Dependência maior dos pais e cuidadores, quando a criança sente mais necessidade de atenção do que o habitual.



Uso excessivo de telas

Para a Dra. Aline, o maior desafio para as famílias é encontrar meios de estabelecer uma rotina saudável no contexto atual. “Percebemos, por exemplo, que as crianças ficaram mais expostas aos dispositivos tecnológicos de telas e mídias, o que pode gerar uma série de problemas secundários à saúde dos pequenos”, complementa a pediatra.

Adriana Saavedra, fonoaudióloga da Rede São Camilo, destaca, por sua vez, que, embora as tecnologias sejam extremamente importantes e positivas, o uso imoderado pode favorecer dificuldades de comunicação, já que a criança não precisa expressar-se verbalmente para conseguir o que deseja ou o que está sentindo.

A especialista ressalta os reflexos deste excesso, que podem impactar até mesmo a qualidade do sono.

“As expectativas de receber mensagens, checar a atualização de redes sociais ou terminar a fase de um jogo de videogame, por exemplo, têm sido citadas como prejudiciais para o sono, ainda mais em decorrência da luz azul, que irradia dos equipamentos eletrônicos e interferem na produção de hormônios que nos ajudam a relaxar e nos deixar sonolentos para dormir”, frisa.

Além disso, conforme destaca a Dra. Vivian, passar muito tempo utilizando eletrônicos eleva os riscos do sedentarismo e, consequentemente, à obesidade, bem como pode potencializar atrasos no desenvolvimento cognitivo e alterações sociais, com redução da interação direta entre a criança e seus familiares e/ou cuidadores.

No entanto, compreendendo que o momento requer medidas de adaptação, as especialistas entendem que se torna mais difícil estabelecer limites saudáveis em relação ao uso das tecnologias.

“Um período não pode ser rotulado ou estipulado de maneira geral. O ideal é que quanto menos melhor, e de acordo com a rotina da criança e da família”, explica a fonoaudióloga.

A pediatra reforça a importância desse cuidado, já que, usadas de forma inadequada e abusiva, as tecnologias podem ocupar o espaço de atividades importantes para o desenvolvimento infantil, como a interação face a face, o tempo familiar de qualidade, brincadeiras ao ar livre, exercícios físicos e, até mesmo, tempo de inatividade e ócio criativo.

Saúde auditiva

Quando pensamos em eletrônicos, não podemos desconsiderar a importância do cuidado com o uso de fones de ouvidos.

A recomendação da fonoaudióloga é de que os fones sejam usados com moderação, além de manter o volume total dos equipamentos do ambiente abaixo da metade, evitando uma exposição auditiva prolongada.

Ela lembra que os pais devem estar atentos para sinais como falta de atenção, irritação e inquietação, que podem estar relacionados a uma dificuldade auditiva. “Problemas na fala também podem se apresentar, correlacionados a uma dificuldade auditiva, o que afeta a aprendizagem e o desenvolvimento da leitura e escrita, fatores que podem se destacar durante este período de aulas virtuais”, completa.

 


Hospital São Camilo

Redes sociais: @hospitalsaocamilosp


Dia Internacional da Saúde Mental (10/10)

  Psiquiatra ressalta a importância de cuidar da mente, principalmente em meio à pandemia

 

 

Não é novidade que a Covid-19 mudou a rotina da população mundial. Mas a nova doença, além de afetar aspectos biológicos e sociais, também mexeu com a saúde psíquica da sociedade. Celebrado neste sábado, 10 de outubro, o Dia Internacional da Saúde Mental ressalta a importância do debate cuidado com a mente, principalmente em tempos de pandemia. 

 

Os últimos meses intensificaram os transtornos, ocasionando pico de ansiedade, depressão, pânico e insônia. Reflexo disso é o aumento na venda de ansiolíticos, como Rivotril (ou Clonazepam). De acordo com o Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos (Sindusfarma), em março e abril deste ano, a comercialização do medicamento aumentou 22% comparado com 2019. 

 


Na avaliação do psiquiatra Alisson Marques, mesmo com a chegada da vacina e  estabilização dos quadros graves da doença no Brasil, estima-se que muitos enfrentarão uma pandemia de saúde mental. “Historicamente, os aumentos nas taxas de doenças mentais graves geralmente ocorreram após as crises nacionais. Uma resposta natural de sentimentos de ansiedade episódica, medo e desânimo podem ser esperados de maneira situacionais nesse contexto, sem que se configurarem doença.  Entretanto com o processo arrastado da pandemia tem-se gerado impactos adoecedores”, explica o especialista. 

 

E, segundo o médico, uma das causas do aumento das doenças mentais é o distanciamento social para o controle da disseminação do vírus. “O ser humano é um ser de relações e privá-los dessa vivência tem potencial desestruturante no que o constitui. A ansiedade possui como pano de fundo o medo e insegurança. A situação vivida na atual conjuntura é lidar com o desconhecido, imprevisível e incerto”, afirma Alisson. 

 

O especialista ainda alerta sobre os cuidados com a saúde mental, inclusive para aqueles que tinham algum transtorno. “As alterações emocionais causadas pela pandemia pode tornar os indivíduos em adoecimento mais vulneráveis ao comportamento suicida. Diversas pessoas que já estavam em processo de recuperação de episódios depressivos, tiveram regressão no tratamento”, avalia o médico. 

 

 

Fique de olho! Mesmo que não tenha como controlar o surgimento dos transtornos mentais, Alisson indica alguns comportamentos para prevenção: 

 

Faça exercícios físicos - Separe pelo menos 1h do seu dia para se exercitar e liberar endorfina. Você vai ser mais produtivo e vai se sentir muito melhor em todos os aspectos.


 

Autocuidado - Reserve um tempo para você se cuidar e refletir. O autocuidado melhora, de forma significativa, a saúde mental. 

 

Mantenha uma rotina - Estabeleça seus horários, não trabalhe demais nem de menos.  


Não deixe de buscar contato com seu círculo social - Em momentos como esses, é uma excelente alternativa para estarmos conectados com as pessoas que amamos.  

  

Conheça as bebidas vilãs da saúde bucal

Compostos ácidos em excesso podem prejudicar os dentes

 

Se beber uma taça de vinho era um regalo reservado a ocasiões especiais, a pandemia ampliou esse conceito. O cenário inédito mexeu com o comportamento do brasileiro e, em especial, em sua relação com a bebida alcoólica. Segundo a Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas (Abead), houve um crescimento de 38% na venda desses produtos pelas distribuidoras.  

 

Em um momento em que as pessoas montaram os próprios “bares” dentro de casa, as garrafas já não são apenas peças de decoração. A necessidade de descompressão tornou a bebida uma válvula de escape, que requer atenção e cuidado, visto que o seu consumo prolongado pode causar efeitos maléficos para a saúde.   

 

Mas, ao mesmo tempo em que certos tipos de bebidas podem ser nocivos para a saúde bucal, manter atitudes simples de higienização ajuda a prevenir não apenas as cáries, mas também problemas em todo o corpo – inclusive, evitar bactérias que atingem o sistema cardíaco.  

 

De acordo com o sócio fundador e diretor clínico da OrthoDontic, Edmilson Pelarigo, a ingestão de bebidas muito ácidas pode desmineralizar o esmalte dentário. Uma vez que isso acontece, as estruturas internas ficam expostas, aumentando a sensibilidade dos dentes e, nos casos graves sem atendimento, podendo causar sérias infecções.  

 

Se você curte tirar selfies e sorrir sem preocupação, confira quais bebidas requerem mais cuidado ao serem consumidas!  


 


Álcool 


Além de dissolver a camada de cálcio pelo alto nível de acidez, o excesso de álcool reduz a quantidade de saliva produzida, deixando os dentes mais desprotegidos e até causando mau hálito. Os tecidos moles, como a gengiva, também podem ficar irritados – uma porta aberta para infecções.  

 

Por isso, quando ingerir drinks alcoólicos, alterne com copos da água. Também é interessante acompanhar na ocasião alguns aperitivos ricos em cálcio e fosfato, como queijos e amendoim.  


  

Energético 


Uma pesquisa publicada pela Academy of General Dentistry analisou mais de 10 marcas e os seus impactos na saúde bucal de adolescentes. Para fazer o teste, eles submergiram o esmalte dentário durante 15 minutos, quatro vezes diariamente, durante cinco dias consecutivos. O resultado foi semelhante a escovar os dentes com ácido, relatou um dos autores do estudo, Poonam Jain.  

 

Quem não conseguir deixar de lado as bebidas energéticas deve higienizar a boca após 30 minutos do consumo, com pastas menos abrasivas. Nesse período, a saliva consegue neutralizar o pH ácido da bebida.  


 

Refrigerante 


Cada vez mais presente na mesa dos brasileiros, a sua composição é uma fonte rica em açúcar e ácido, grande atrativo para as bactérias. A reação química, que enfraquece os dentes, começa logo quando o líquido gasoso entra em contato com a boca.  

 

Para evitar as cáries e erosão dentária, o ideal é tirar a bebida do cardápio diário. Se esta não for uma opção, o refrigerante não deve ser consumido sozinho, mas sim durante as refeições. Dessa maneira, o fluído não ficará na boca por um longo período. Ao finalizar, deve-se fazer um bochecho com enxaguante que contenha flúor em sua composição.  


 

Café  


Para os fãs do sorriso branco, a bebida é um grande obstáculo. Além de deixar um aspecto amarelado nos dentes, se consumido frequentemente o café também pode prejudicar o esmalte dentário, devido ao seu pH baixo. Para quem não consegue largar o hábito do cafezinho, é interessante fazer um enxágue com água e comer uma maçã depois da ingestão do café. 

 

E, em caso de dor ou desconforto, o ideal é buscar ajuda profissional! 

 

Alimentação infantil saudável é responsabilidade dos pais


 

 


 

Especialista em obesidade, Dr. Cid Pitombo alerta que os pais estão deixando os filhos comerem mal e as consequências futuras na saúde serão graves


As crianças querem comer o que a família ingere

 


"O maior presente que os pais podem dar a seus filhos é cuidar da saúde deles", afirma o médico especialista em obesidade e cirurgia bariátrica Cid Pitombo. "E esse cuidado significa oferecer a eles desde muito cedo apenas alimentos saudáveis. Eu visitei muitas creches e escolas e lá sempre vejo alimentação de qualidade, quem estraga o hábito das crianças é a família", complementa.

O mundo está com cerca de 43 milhões de crianças obesas e 92 milhões estão com sobrepeso. Não é raro, por exemplo, a mãe determinar que não se ofereça nada com açúcar para a criança pequena, mas uma avó, babá ou irmão mais velho dar escondido para fazer um pequeno agrado.

"Qual o problema de oferecer a primeira vez? A criança vai adorar aquele sabor e vai passar a rejeitar os legumes que vinha aceitando desde bebê. É comum crianças chorarem na hora do almoço ou jantar pedindo biscoitos ou sorvetes, que são cheios de gordura, sal ou açúcar. Eles fazem substituições porque não entendem que faz mal, e alguns pais acabam cedendo com muita facilidade para acabar com a choradeira", reforça o médico.

E a obesidade vai se instalando aos poucos, a criança engorda dois quilos a mais num ano, dois a mais no outro, e quando passam os anos, está com o excesso de peso e enfrentando muito mais dificuldade para perder tudo que acumulou em todo esse tempo.

E, além de enfrentar os problemas de saúde associados à obesidade, como hipertensão, diabetes, gordura no fígado, problemas renais e cardiovasculares, a criança e o adolescente enfrentam o preconceito entre amigos, o conhecido bulliyng. Desse problema, surgem os outros emocionais, como ansiedade e depressão.

"O que eu recomendo aos pais: sejam duros, imponham limites sem pena às crianças. O ideal é que não comprem alimentos cheios de gordura, farinha, açúcar, sal, conservante, como os industrializados. Porque se eles comem na frente das crianças, uma hora elas vão pedir. O exemplo tem que partir da família. Alimento é carne, preferencialmente branca, legumes, frutas, verduras, arroz e feijão. Batata doce, milho ou aipim cozido podem substituir pão. Banana com ovo e aveia faz uma excelente omelete. As crianças podem auxiliar na preparação das comidas saudáveis".

Cuidar da saúde dá um pouco mais de trabalho, mas também pode ser divertido. Os pais podem brincar de correr com os filhos, andar de bicicleta e ajudar os pequenos a deixarem de lado o entretenimento audiovisual em ampla oferta na tv e na internet, além dos vídeos games. "O que fazemos hoje vai se refletir lá na frente", finaliza.

Obesidade infantil: um problema sério, agravado pela pandemia

A doença atinge mais de 30% das crianças brasileiras e exige atenção dos pais. Médica destaca que nesta etapa de retorno às atividades é preciso observar o comportamento dos pequeninos e incluir uma rotina alimentar saudável e atividade física

 

3 em cada dez crianças, entre 5 a 9 anos de idade, estão acima do peso, e das crianças menores de 5 anos, 15,9% têm excesso de peso. É o que apontam os dados do Ministério da Saúde. A realidade não atinge somente o Brasil, em todo o mundo são mais de 158 milhões de crianças e adolescentes, entre 5 e 19 anos, convivendo com o excesso de peso, segundo estimativa da Organização Internacional World Obesity .

O problema, que ao longo dos anos se tornou alvo de grandes preocupações de autoridades de saúde e, principalmente dos pais, ganhou ainda mais dimensão à medida que os índices de casos aumentaram por causa da mudança na rotina dos pequeninos. "O distanciamento físico imposto pela pandemia provocou inúmeras transformações sociais e, como se sabe, por segurança, ficar em casa foi uma delas. São mais de sete meses de pandemia mudando rotinas e, sem sombra de dúvidas, os pequeninos foram os mais afetados neste processo de adaptação. Se não é fácil para adultos, imagina para as crianças?", questiona a médica Endocrinologista Pediátrica do Grupo Sabin, dra. Georgette Beatriz de Paula.

 

Um breve levantamento feito pela médica, mostra que cerca de 80% dos pacientes atendidos neste período apresentaram ganho de peso significativo. "Essa mudança aliada à falta de uma rotina alimentar mais saudável, com ingestão de produtos mais calóricos, ociosidade, diminuição de atividade física, levaram à esta realidade. Ficando mais em casa, as crianças precisaram internalizar seus hábitos, arranjar maneiras de gastar energia, os jogos eletrônicos, por exemplo, viraram válvulas de escape. Até mesmo as atividades escolares exigiram mais tempo em frente às telas", pontua a especialista.

Vilã da saúde dos pequeninos, a obesidade infantil é uma doença séria e requer atenção especial de pais e responsáveis. A médica destaca que o ganho de peso além de aumentar índices de colesterol, promove aumento da pressão arterial e ainda provoca transtornos alimentares que podem durar a vida inteira, se não forem observados e tratados a tempo. "Hoje em dia as crianças apresentam cada vez mais cedo problemas em relação à glicose. Nos consultórios médicos, diagnósticos apontam altas taxas de insulina, problemas de gordura no fígado. Então, o primeiro passo é retirar, de forma gradativa o excesso de doce, o acesso aos industrializados, evitar consumo de frituras, gorduras, e associar esta mudança à atividades físicas no dia a dia", afirma a médica.

Dormir bem e a volta ao ambiente escolar podem ser aliados nesta etapa de recuperação do peso anterior à pandemia, segundo a médica, que se apoia no estudo britânico divulgado na última semana que mostra que cada hora a menos de sono, pode aumentar em 23% o risco de obesidade infantil. "Investir em momentos de diversão e brincadeiras, como pular corda, que podem ser feitas em casa mesmo, ajudam reduzir o sedentarismo, gastar energia e dormir melhor", orienta.


11 de Outubro Dia Nacional de Prevenção da Obesidade

O tema é tão relevante que ganhou até data: 11 de outubro Dia Nacional de prevenção da obesidade e o Dia Mundial da Obesidade, acendendo o alerta à importância da prevenção e conscientização da doença. "É um grande passo para evitar o desenvolvimento da obesidade já na primeira fase da vida. Uma rotina de cuidados, acompanhamento médico e diagnósticos realizados por meio do Cálculo do Índice de Massa Corpórea (IMC), podem detectar casos de obesidade e ajudar no tratamento da doença, mas é fundamental fazer um acompanhamento correto. Contar com o apoio de uma equipe multidisciplinar, com médicos, nutricionistas, preparadores físico, e até psicólogos", explica a médica.

Para ajudar ainda mais a esclarecer sobre os riscos da obesidade infantil, o Ministério da Saúde lançou em agosto deste ano o Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de 2 anos e o Guia Alimentar para a População Brasileira , com sugestões e orientações que ajudam na rotina alimentar do dia a dia e melhorar a relação entre os alimentos e as crianças.


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