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sábado, 15 de agosto de 2026

Pai também educa emoções — a presença paterna influencia a saúde mental dos filhos desde a infância


O papel do pai na criação dos filhos vai muito além do sustento financeiro ou da divisão das responsabilidades do dia a dia. Cada vez mais, estudos e a experiência clínica mostram que a presença paterna tem impacto direto no desenvolvimento emocional das crianças, influenciando a forma como elas aprendem a lidar com sentimentos, frustrações e relações ao longo da vida. 

No mês em que é celebrado o Dia dos Pais, o pediatra e psicanalista Dr. Fausto Carvalho destaca que a figura paterna exerce um papel fundamental na construção da segurança emocional dos filhos, independentemente da configuração familiar. 

"Quando falamos em presença paterna, não estamos nos referindo apenas ao fato de estar fisicamente presente, mas à qualidade dessa relação. É o pai que participa, escuta, brinca, acolhe e estabelece limites de forma afetiva que contribui para o desenvolvimento emocional da criança." 

Segundo o especialista, a infância é um período em que os vínculos afetivos ajudam a estruturar a maneira como a criança compreende o mundo e aprende a lidar com suas emoções. 

"As crianças aprendem muito mais pelo exemplo do que pelo discurso. Um pai que demonstra respeito, sabe pedir desculpas, acolhe os sentimentos dos filhos e conversa sobre emoções está ensinando habilidades que acompanharão essa criança durante toda a vida." 

Para o médico, um dos maiores desafios da paternidade contemporânea é romper com antigos modelos que associavam o pai apenas à autoridade ou ao papel de provedor. 

"Hoje entendemos que educar também significa construir vínculos. A criança precisa sentir que pode contar com aquele adulto nos momentos de alegria, mas também quando sente medo, tristeza ou frustração." 

Essa participação ativa também favorece o desenvolvimento da autoestima, da autonomia e da capacidade de estabelecer relações saudáveis.

"Quando a criança cresce sentindo que é vista, ouvida e valorizada, ela tende a desenvolver mais confiança em si mesma e nos outros. Esse sentimento de pertencimento funciona como um importante fator de proteção para a saúde mental." 

O especialista ressalta, porém, que muitos pais acreditam que precisam realizar grandes gestos para fortalecer a relação com os filhos, quando, na verdade, são as experiências cotidianas que fazem a diferença.

"Brincar alguns minutos sem distrações, ler uma história antes de dormir, conversar sobre como foi o dia ou simplesmente demonstrar interesse pelo universo da criança são atitudes simples, mas extremamente poderosas na construção do vínculo." 

O pediatra reforça que a paternidade não exige perfeição, mas disponibilidade para aprender e estar presente.

"Nenhum pai acerta o tempo todo. O que fortalece a relação não é a perfeição, e sim a disposição para reparar erros, ouvir o filho e construir uma relação baseada na confiança. É isso que deixa marcas positivas para toda a vida." 

Neste Dia dos Pais, a reflexão proposta pelo especialista vai além das homenagens.

"O maior presente que um pai pode oferecer ao filho é a sua presença afetiva. Crianças não precisam de pais perfeitos; precisam de adultos que estejam disponíveis para amar, orientar e caminhar ao lado delas."  



Fonte:
Dr. Fausto Carvalho - Pediatra
Instagram: @faustofcarvalho


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