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| Homem Aranha no Thicam Tattoo, estúdio de tatuagem em São José (SC) Divulgação |
Fenômeno que tomou
conta das redes sociais nas sessões do novo filme do super-herói expõe uma
necessidade pouco discutida do adulto contemporâneo: a permissão social para
brincar
Um movimento que já viralizou nas redes chega às
telas: adultos fantasiados de Homem-Aranha lotam cinemas pelo Brasil nas sessões
do novo filme do super-herói (Homem-Aranha: Um Novo Dia), recriam poses
clássicas do personagem e transformam filas de shopping em cenário de cosplay
coletivo. Para a psicóloga Amanda Schmitz, especialista em Gestalt-Terapia, a
cena vai muito além da bilheteria e revela um comportamento com raiz emocional
clara, como a busca por espaços onde o adulto pode brincar sem julgamento.
"Vestir uma fantasia em público não é
imaturidade, é uma válvula de escape. O adulto que hoje sustenta rotina,
cobrança e responsabilidade encontra ali uma permissão rara, a de brincar sem
julgamento. Isso tem efeito real no corpo, reduz cortisol e devolve
leveza", explica Amanda Schmitz.
Segundo a especialista, o fenômeno se conecta a um
conceito estudado pela psicologia há décadas, o da regressão lúdica saudável,
quando o adulto acessa temporariamente um estado mais leve e espontâneo,
próprio da infância, sem que isso represente qualquer prejuízo emocional. Pelo
contrário, para Amanda, esse tipo de experiência coletiva funciona como
regulador de estresse em uma sociedade marcada por excesso de cobrança e pouco
espaço para o lúdico.
"Quando um adulto se permite brincar em grupo,
ele reduz a sensação de isolamento e reforça vínculos de pertencimento. Não é
sobre o personagem em si, é sobre a licença emocional que aquele personagem
representa", completa a psicóloga.
Além da cultura geek
O movimento também escancara uma mudança cultural.
O que antes era tratado como comportamento de nicho hoje reúne públicos de
todas as idades e perfis, em um evento de massa multigeracional.
Um exemplo dessa transformação está em São José
(SC). O tatuador Thiago Oliveira, do estúdio Thicam Tattoo, levou a paixão pelo
personagem além das telas e imprimiu, em uma impressora 3D, uma réplica do
Homem-Aranha em tamanho real. A peça ficou pendurada em uma teia, no teto do
próprio estúdio.
"O Homem-Aranha é meu herói desde criança.
Quando decidi imprimir a réplica e colocar no teto do estúdio, não pensei em
decoração, mas em realizar um sonho de infância dentro do lugar onde trabalho
todos os dias. Muita gente que entra aqui se emociona, porque também cresceu
com ele", conta Thiago Oliveira.
Casos como esse mostram que a identificação com o
personagem atravessa profissões e ambientes diferentes. Até fora do universo
geek tradicional, a presença do herói já apareceu na casa de nomes conhecidos,
como o apresentador Marcos Mion, que mantém uma estátua do Homem-Aranha em
tamanho real na parede de sua residência.
Para Amanda Schmitz, esses exemplos confirmam que o
fenômeno não é passageiro nem restrito a um grupo específico. "Estamos
vendo pessoas comuns, de diferentes idades e profissões, reivindicarem o
direito de manter viva uma parte lúdica de si mesmas. Isso é saúde emocional,
não infantilização."

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