segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Fraudes financeiras: como o Open Gateway aumenta a segurança das operações?


O combate às fraudes financeiras sempre foi uma corrida desigual. Enquanto bancos, fintechs, varejistas e empresas de serviços investem continuamente em novas camadas de proteção, os criminosos evoluem na mesma velocidade, explorando vulnerabilidades tecnológicas e, principalmente, o comportamento humano. O resultado é um cenário em que autenticar um usuário se tornou tão importante quanto oferecer uma boa experiência. 

Os números ajudam a dimensionar esse desafio. Dados divulgados pelo Observatório Febraban, em 2025, mostram que 39% dos brasileiros afirmam já terem sido vítimas de algum golpe ou sofrido alguma tentativa nesse sentido, envolvendo suas contas bancárias, o maior percentual da série histórica. Entre as modalidades mais recorrentes, estão aqueles realizados pelo WhatsApp, falsas centrais de atendimento, clonagem de cartões e fraudes envolvendo Pix. 

Ao mesmo tempo, o relatório Data Breach Investigations Report 2025, da Verizon, que analisou mais de 22 mil incidentes de segurança, mostrou que ataques relacionados à exploração de vulnerabilidades aumentaram 34% em todo o mundo, quantidade que vem crescendo a cada ano. O cenário evidencia que a proteção digital deixou de ser apenas uma preocupação da área de tecnologia, e passou a ser um fator estratégico para qualquer organização. E, nesse contexto, o Open Gateway surge como uma mudança importante na forma de proteger as operações digitais. 

Ele propõe que, ao invés de as empresas dependerem, exclusivamente, dos dados informados pelo usuário ou de mecanismos tradicionais de autenticação, elas passem a consultar as informações diretamente na origem da fonte, na infraestrutura da rede móvel, o que permite validar, em tempo real, sinais que, antes, eram inacessíveis para aplicações de mercado. É justamente essa mudança que fortalece o combate às fraudes. 

Um dos exemplos mais relevantes nesse sentido é o SIM Swap, golpe em que criminosos conseguem transferir o número da vítima para outro chip e passam a receber códigos de autenticação enviados por SMS. Com a API de SIM Swap, uma instituição financeira consegue verificar se aquela linha sofreu uma troca recente de chip antes de aprovar uma transação ou permitir o acesso à conta. Desse modo, se houver um comportamento suspeito, a empresa pode exigir uma autenticação adicional ou até bloquear temporariamente a operação. 

Outro recurso importante é o Number Verification, que permite confirmar se o dispositivo conectado realmente está utilizando o número informado, sem depender do envio de códigos por SMS. Além de tornar a autenticação mais transparente para o usuário, esse modelo reduz vulnerabilidades associadas à interceptação de mensagens e elimina parte da fricção existente nas jornadas digitais. 

Por muito tempo, aumentar a proteção das operações corporativas significava adicionar novas etapas ao processo: mais senhas, códigos e confirmações. Contudo, seu efeito colateral era conhecido: quanto maior a segurança, maior o abandono da jornada. Agora, o Open Gateway propõe um caminho diferente: ao invés de pedir mais ações ao usuário, utiliza informações da própria rede para tornar a validação mais inteligente e praticamente invisível. 

Os benefícios vão além do setor financeiro. Empresas de varejo, marketplaces, seguradoras, telecomunicações e qualquer organização que dependa de identidade digital, podem utilizar essas capacidades para reduzir fraudes em cadastro, proteger processos de recuperação de conta e aumentar a confiabilidade de transações de alto valor. 

O Brasil, inclusive, ocupa uma posição de destaque nessa transformação. As três maiores operadoras do país foram pioneiras na implementação comercial das APIs do GSMA Open Gateway voltadas à prevenção de fraudes, como SIM Swap, Number Verification e Device Location. Ao mesmo tempo, certas instituições bancárias já utilizam essas capacidades para fortalecer processos de autenticação e reduzir riscos em operações financeiras. 

Naturalmente, nenhuma tecnologia elimina completamente as fraudes. Os ataques continuarão evoluindo, impulsionados por engenharia social, inteligência artificial e novas técnicas de invasão. A diferença é que o Open Gateway acrescenta uma camada de confiança baseada na própria rede de telecomunicações, oferecendo sinais adicionais para que empresas tomem decisões mais precisas antes de aprovar uma operação. 

Essa, talvez, seja sua maior contribuição: deixar de tratar a segurança como uma barreira imposta ao cliente, e transformá-la em um processo inteligente, contextual e praticamente imperceptível. 

Nos próximos anos, a competitividade das empresas não será medida apenas pela velocidade com que conseguem aprovar uma operação, mas pela capacidade de fazer isso com segurança e sem aumentar a complexidade para o usuário. Nesse cenário, o Open Gateway deixa de ser apenas uma inovação tecnológica, para se tornar um novo padrão de confiança para a economia digital. 

 

Werique Franca - Product & Business Manager na Pontaltech.

Pontaltech


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