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sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Exposição inédita no Sesc Ribeirão Preto pergunta a crianças e adultos do que são feitos os sonhos

Imagem: divulgação

A experiência propõe uma imersão no universo onírico, convoca as famílias a construírem paisagens a partir do que imaginam
enquanto dormem; 

“Floresta Interior” é parte da programação gratuita do Sesc Ribeirão Preto e pode ser conferida pelo público de terça a sexta das 13h às 21h e aos sábados, domingos e feriados das 9h30 às 18h;

A visita pressupõe a presença de um adulto responsável durante todo o percurso;


O Sesc Ribeirão Preto abre hoje (06/08) a exposição “Floresta Interior”, do artista e educador Gui Teixeira com curadoria de Lucila de Jesus. O ponto de partida é uma pergunta em aberto: e se os sonhos fossem uma floresta dentro de nós? A instalação parte da ideia de que sonhar não é apenas uma função do cérebro, mas uma prática ancestral com dimensões coletivas e culturais profundas.

A pesquisa de Lucila de Jesus, psicanalista que investigou o universo onírico entre os Kamayura no Xingu durante o doutorado, atravessa a curadoria e dá lastro antropológico a essa leitura. Ela entende o sonho como comunicação silenciosa e as “Rodas de Sonho” como dispositivo de saúde pública e construção de sentido coletivo. A instalação se estrutura em três áreas nomeadas por verbos, conforme o partido projetual concebido por Gui Teixeira e desenvolvido pelo arquiteto e expógrafo, Affonso Malagutti.

Na zona Construir, o visitante é recebido por um conjunto de 22 mesas, baixas o suficiente para que crianças as utilizem com autonomia e organizem-nas livremente. Ao longo das paredes, estantes abastecidas com blocos de madeira, pedras, galhos, espumas e figuras de papel convidam o público a erguer arquiteturas imaginárias inspiradas nos próprios sonhos. A grande mesa central funciona como território de criação coletiva: os relatos que chegam do “Painel de Sonhos”, próximo à entrada, viram matéria para as construções. Na mesma área, um painel de madeira serve como mural coletivo de memórias oníricas. A mediação da equipe educativa do Sesc Ribeirão Preto é central no projeto: é ela que ativa a escuta, conecta os relatos e orienta o percurso.

Na área intermediária, chamada Compartilhar, painéis com chapas de acrílico translúcido dividem o espaço e funcionam como superfície para jogos de sombra. Fontes de luz variadas projetam nas paredes as silhuetas dos objetos dispostos sobre as mesas, cria uma encenação poética que muda a cada visita. A ideia é produzir bonecos de papel para teatro de sombras a partir dos personagens e seres descritos nos sonhos dos visitantes, acumulando ao longo dos meses um bestiário coletivo do imaginário.

No fundo da sala, a zona Sonhar muda completamente de registro. Uma divisória translúcida delimita o último terço do espaço, onde o piso de carpete preto cede lugar a um tatame de madeira recoberto pelo mesmo carpete e pontuado por peças modulares de espuma cinza, dispostas para descanso ou livre remontagem. A iluminação é mais baixa, a trilha sonora ligeiramente mais intensa e o ambiente convida ao repouso e à contemplação. É também o espaço de atividades programadas: rodas de partilha de sonhos, contações de histórias, pequenas palestras e apresentações musicais.

A experiência extrapola o espaço expositivo. O redário instalado no jardim interno do Sesc receberá caixas de som escondidas na vegetação, próximas às redes, que tocarão em volume muito baixo a paisagem sonora da exposição intercalada com relatos de sonhos enviados por WhatsApp pelos próprios visitantes. No corredor ao lado da sala expositiva, a “Parede Educativa” ocupa um espaço de alto fluxo com lousas em formas geométricas que evocam montanhas e ilhas, nas quais os visitantes são convidados a escrever e desenhar. A mesma ambientação sonora do redário pode ser ativada no local.

"Floresta Interior" é a primeira montagem dessa pesquisa de Gui Teixeira em formato expositivo. O projeto expográfico, assinado por Affonso Malagutti, e a iluminação cênica, concebida por Michel Mika Masson, foram desenvolvidos em diálogo direto com a proposta do artista.

Teixeira, que nasceu em 1977, formou-se em Artes Plásticas pela Fundação Armando Álvares Penteado em 1999 e concluiu o mestrado em Artes Visuais pela ECA-USP em 2010, pesquisa aproximações entre arte e pedagogia, entre o brincar e a ação política. Já participou do Programa Rumos Artes Visuais do Itaú Cultural, da exposição "Daquilo Que Me Habita" no CCBB de Brasília, da Mostra Sesc de Artes e da exposição "Deslize" no Museu de Arte do Rio.

Imersão em São Carlos

Para ampliar a experiência, a partir de 22 de agosto no Sesc São Carlos, o artista apresenta a instalação artística “Canteiro”, que transforma parte da área de convivência em um espaço voltado à construção coletiva.

A obra combina uma pintura com tinta de lousa, que convida o público a desenhar com giz, e prateleiras com peças de madeira reutilizada ou de reflorestamento, com a finalidade de permitir que visitantes montem e remontem estruturas em um processo contínuo de criação compartilhada. Inspirado nas ideias de Friedrich Fröbel e no movimento do Kindergarten, o projeto associa o canteiro de obras ao canteiro de plantas, propõe um espaço em que construção, cuidado, imaginação e participação se unem em uma obra em permanente transformação.


Serviço

Floresta Interior

Artista: Gui Teixeira

Curadoria: Lucila de Jesus

Projeto expográfico: Affonso Malagutti

Iluminação: Michel Mika Masson

Encerramento: 28 de fevereiro de 2027

Local: Sesc Ribeirão Preto – Rua Tibiriçá, 50, Centro

Horários: terça a sexta, das 13h às 21h; sábados, domingos e feriados, das 9h30 às 18h

Entrada: gratuita

Agendamento de grupos escolares e instituições para visitas mediadas: agendamento.ribeirao@sescsp.org.br


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