
Imagem: divulgação
A experiência propõe uma
imersão no universo onírico, convoca as famílias a construírem paisagens a
partir do que imaginam enquanto dormem;
“Floresta
Interior” é parte da programação gratuita do Sesc Ribeirão Preto e pode ser
conferida pelo público de terça a sexta das 13h às 21h e aos sábados, domingos
e feriados das 9h30 às 18h;
A visita
pressupõe a presença de um adulto responsável durante todo o percurso;
O Sesc Ribeirão Preto abre hoje (06/08) a
exposição “Floresta Interior”, do artista e educador Gui Teixeira com curadoria
de Lucila de Jesus. O ponto de partida é uma pergunta em aberto: e se os sonhos
fossem uma floresta dentro de nós? A instalação parte da ideia de que sonhar
não é apenas uma função do cérebro, mas uma prática ancestral com dimensões
coletivas e culturais profundas.
A pesquisa de Lucila de Jesus, psicanalista
que investigou o universo onírico entre os Kamayura no Xingu durante o
doutorado, atravessa a curadoria e dá lastro antropológico a essa leitura. Ela
entende o sonho como comunicação silenciosa e as “Rodas de Sonho” como
dispositivo de saúde pública e construção de sentido coletivo. A instalação se
estrutura em três áreas nomeadas por verbos, conforme o partido projetual
concebido por Gui Teixeira e desenvolvido pelo arquiteto e expógrafo, Affonso
Malagutti.
Na zona Construir, o visitante é recebido por um
conjunto de 22 mesas, baixas o suficiente para que crianças as utilizem com
autonomia e organizem-nas livremente. Ao longo das paredes, estantes
abastecidas com blocos de madeira, pedras, galhos, espumas e figuras de papel
convidam o público a erguer arquiteturas imaginárias inspiradas nos próprios
sonhos. A grande mesa central funciona como território de criação coletiva: os
relatos que chegam do “Painel de Sonhos”, próximo à entrada, viram matéria para
as construções. Na mesma área, um painel de madeira serve como mural coletivo
de memórias oníricas. A mediação da equipe educativa do Sesc Ribeirão Preto é
central no projeto: é ela que ativa a escuta, conecta os relatos e orienta o
percurso.
Na área intermediária, chamada Compartilhar, painéis
com chapas de acrílico translúcido dividem o espaço e funcionam como superfície
para jogos de sombra. Fontes de luz variadas projetam nas paredes as silhuetas
dos objetos dispostos sobre as mesas, cria uma encenação poética que muda a
cada visita. A ideia é produzir bonecos de papel para teatro de sombras a
partir dos personagens e seres descritos nos sonhos dos visitantes, acumulando
ao longo dos meses um bestiário coletivo do imaginário.
No fundo da sala, a zona Sonhar muda completamente
de registro. Uma divisória translúcida delimita o último terço do espaço, onde
o piso de carpete preto cede lugar a um tatame de madeira recoberto pelo mesmo
carpete e pontuado por peças modulares de espuma cinza, dispostas para descanso
ou livre remontagem. A iluminação é mais baixa, a trilha sonora ligeiramente
mais intensa e o ambiente convida ao repouso e à contemplação. É também o
espaço de atividades programadas: rodas de partilha de sonhos, contações de
histórias, pequenas palestras e apresentações musicais.
A experiência extrapola o espaço expositivo.
O redário instalado no jardim interno do Sesc receberá caixas de som escondidas
na vegetação, próximas às redes, que tocarão em volume muito baixo a paisagem
sonora da exposição intercalada com relatos de sonhos enviados por WhatsApp
pelos próprios visitantes. No corredor ao lado da sala expositiva, a “Parede
Educativa” ocupa um espaço de alto fluxo com lousas em formas geométricas que
evocam montanhas e ilhas, nas quais os visitantes são convidados a escrever e
desenhar. A mesma ambientação sonora do redário pode ser ativada no local.
"Floresta Interior" é a primeira
montagem dessa pesquisa de Gui Teixeira em formato expositivo. O projeto
expográfico, assinado por Affonso Malagutti, e a iluminação cênica, concebida
por Michel Mika Masson, foram desenvolvidos em diálogo direto com a proposta do
artista.
Teixeira, que nasceu em 1977, formou-se em
Artes Plásticas pela Fundação Armando Álvares Penteado em 1999 e concluiu o
mestrado em Artes Visuais pela ECA-USP em 2010, pesquisa aproximações entre
arte e pedagogia, entre o brincar e a ação política. Já participou do Programa
Rumos Artes Visuais do Itaú Cultural, da exposição "Daquilo Que Me
Habita" no CCBB de Brasília, da Mostra Sesc de Artes e da exposição
"Deslize" no Museu de Arte do Rio.
Imersão
em São Carlos
Para ampliar a experiência, a partir de 22 de
agosto no Sesc São Carlos, o artista apresenta a instalação artística
“Canteiro”, que transforma parte da área de convivência em um espaço voltado à
construção coletiva.
A obra combina uma pintura com tinta de
lousa, que convida o público a desenhar com giz, e prateleiras com peças de
madeira reutilizada ou de reflorestamento, com a finalidade de permitir que
visitantes montem e remontem estruturas em um processo contínuo de criação
compartilhada. Inspirado nas ideias de Friedrich Fröbel e no movimento do
Kindergarten, o projeto associa o canteiro de obras ao canteiro de plantas,
propõe um espaço em que construção, cuidado, imaginação e participação se unem
em uma obra em permanente transformação.
Serviço
Floresta
Interior
Artista: Gui Teixeira
Curadoria: Lucila de Jesus
Projeto expográfico: Affonso Malagutti
Iluminação: Michel Mika Masson
Encerramento: 28 de fevereiro de 2027
Local: Sesc Ribeirão Preto – Rua Tibiriçá,
50, Centro
Horários: terça a sexta, das 13h às 21h;
sábados, domingos e feriados, das 9h30 às 18h
Entrada: gratuita
Agendamento de grupos escolares e
instituições para visitas mediadas: agendamento.ribeirao@sescsp.org.br
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