Especialista destaca que pré-treinos, chás emagrecedores e anabolizantes podem causar danos renais silenciosos e, em alguns casos, irreversíveis
A busca por melhor desempenho físico, ganho de massa muscular e
emagrecimento rápido tem impulsionado o consumo de suplementos alimentares no
Brasil. No entanto, o uso excessivo e sem acompanhamento profissional desses
produtos tem preocupado especialistas, especialmente pelos riscos que podem
representar para a saúde dos rins.
Segundo o nefrologista e vice-presidente médico da DaVita Tratamento
Renal, Bruno Zawadzki, cresce o número de
pacientes que chegam aos consultórios com alterações renais associadas ao uso
inadequado de suplementos, compostos estimulantes e produtos vendidos como
naturais.
"Temos observado cada vez mais pessoas utilizando diversos
produtos simultaneamente, muitas vezes sem qualquer orientação profissional. Os
rins funcionam como um filtro do organismo. Quando recebem uma carga excessiva
de substâncias concentradas, acabam trabalhando de forma sobrecarregada, o que
pode comprometer sua função", explica.
Embora a creatina seja frequentemente alvo de dúvidas, o médico
ressalta que, quando utilizada corretamente e em doses adequadas, ela costuma
ser segura para indivíduos saudáveis. O maior risco está no consumo indiscriminado
de outros produtos.
"Os pré-treinos com excesso de estimulantes merecem atenção
especial. Algumas fórmulas contêm doses muito elevadas de cafeína e outras
substâncias que podem aumentar a pressão arterial, favorecer a desidratação e
reduzir o fluxo sanguíneo para os rins", afirma Bruno Zawadzki.
Outro grupo de produtos que merece atenção é composto pelos
chamados suplementos naturais para emagrecimento. "Existe uma falsa ideia
de que, por serem naturais, esses produtos não oferecem riscos. Isso não é
verdade. Algumas ervas e extratos concentrados podem ser tóxicos para as
células renais e provocar lesões importantes", alerta o nefrologista.
Além disso, o médico destaca os danos causados pelos
anabolizantes, associados não apenas a problemas cardiovasculares e hepáticos,
mas também a lesões renais potencialmente irreversíveis.
Danos silenciosos
A ampla disponibilidade desses produtos contribui para uma
percepção equivocada de segurança. "Muitas pessoas acreditam que, por
estarem à venda livremente, os suplementos são totalmente inofensivos. No
entanto, a diferença entre um produto benéfico e um prejudicial está na dose,
na indicação correta e nas características de cada indivíduo. O fato de não
precisar exigir receita não significa que o organismo conseguirá lidar bem com
aquela carga diária", pontua o vice-presidente médico da DaVita Tratamento
Renal.
Um dos principais desafios é que os rins costumam apresentar
poucos sintomas nas fases iniciais de lesão. O grande problema, de acordo com o
especialista, é que os rins são órgãos silenciosos. Na maioria dos casos, os
primeiros sinais de dano não são percebidos pelo paciente e só aparecem em
exames laboratoriais, como a dosagem da creatinina e a análise de urina.
Por isso, antes de iniciar qualquer rotina de suplementação, a
recomendação é realizar uma avaliação médica e o monitoramento periódico da
função renal. "Saber se está tudo sob controle com a função renal antes de
começar a suplementação e acompanhar esses parâmetros ao longo do uso é uma medida
simples que pode evitar muitos problemas graves no futuro", conclui Bruno
Zawadzki.
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