Nunca
tivemos acesso a tanta informação. Antes mesmo de sair da cama, muita gente já
conferiu mensagens, respondeu e-mails, assistiu a vídeos curtos, leu notícias e
percorreu as redes sociais. Ao longo do dia, notificações, reuniões, sons,
luzes e múltiplas telas disputam a atenção do cérebro. O problema é que, para
ele, essa enxurrada de estímulos quase nunca termina.
No
Dia Mundial do Cérebro, celebrado em 22 de julho, a neurocientista e
aromaterapeuta Daiana Petry faz um alerta: a
sensação constante de cansaço pode não estar relacionada apenas ao excesso de
trabalho, mas também à hiperestimulação a que estamos submetidos diariamente.
"O
cérebro foi feito para receber estímulos, mas também precisa de momentos de
pausa para organizar informações, consolidar memórias e regular emoções. Hoje,
muitas pessoas passam o dia inteiro consumindo conteúdo sem oferecer à mente
qualquer intervalo para respirar", explica.
Segundo
a especialista, o descanso cerebral não significa ficar sem fazer nada. O que
faz diferença é reduzir, ainda que por alguns minutos, a quantidade de
informações que chegam ao sistema nervoso.
"O
problema não é apenas trabalhar muito. Muitas pessoas terminam o expediente e
continuam alimentando o cérebro com vídeos, mensagens, notícias e notificações.
A mente muda de assunto, mas não muda de ritmo."
Os
sinais de um cérebro sobrecarregado costumam aparecer de forma silenciosa:
dificuldade de concentração, sensação de cansaço ao acordar, irritabilidade,
esquecimentos frequentes, ansiedade, dificuldade para relaxar e a impressão de
que o pensamento nunca desacelera.
O olfato pode ajudar o cérebro a desacelerar
Entre
os caminhos para criar momentos de pausa, a aromaterapia vem despertando
interesse da ciência por sua relação direta com o sistema límbico, região
cerebral envolvida no processamento das emoções, da memória e das respostas ao
estresse.
"O
olfato é o único sentido que possui uma conexão direta com áreas cerebrais
ligadas às emoções. Por isso, determinados aromas conseguem despertar sensações
de acolhimento, tranquilidade e conforto quase instantaneamente", afirma
Daiana.
Ela
ressalta que os óleos essenciais não substituem tratamentos médicos ou
psicológicos, mas podem integrar práticas de autocuidado voltadas ao bem-estar
e ao relaxamento.
Entre
os aromas mais utilizados para criar um ambiente de desaceleração estão:
- Lavanda:
tradicionalmente associada ao relaxamento e à redução da tensão.
- Bergamota:
conhecida por proporcionar sensação de leveza e equilíbrio emocional.
- Laranja-doce:
frequentemente relacionada ao conforto, acolhimento e bem-estar.
Cinco minutos podem fazer diferença
A
especialista explica que não é necessário fazer grandes mudanças na rotina para
oferecer uma pausa ao cérebro. Pequenos rituais ao longo do dia podem funcionar
como um sinal de transição entre momentos de alta demanda e descanso.
Ela
sugere reservar cinco minutos para diminuir a iluminação, afastar o celular,
respirar lentamente e utilizar um aroma agradável no ambiente. O objetivo não é
"esvaziar a mente", mas reduzir temporariamente a entrada de novos
estímulos.
"Vivemos
tentando aproveitar cada segundo com mais informações, quando talvez o cérebro
esteja justamente precisando do contrário: alguns minutos de silêncio, presença
e menos estímulos. Cuidar do cérebro também é aprender a desacelerar."
O
Dia Mundial do Cérebro é um convite para olhar além da produtividade. Assim
como o corpo precisa de descanso para recuperar suas funções, a mente também
depende de pausas para manter o equilíbrio, a criatividade e a saúde emocional.
Daiana Petry - Aromaterapeuta, perfumista botânica, naturóloga e especialista em neurociência. Professora dos cursos de formação em aromaterapia, perfumaria botânica e psicoaromaterapia. Autora dos livros: Psicoaromaterapia, Cosméticos sólidos e Maquiagem ecoessencial. Fundadora da Harmonie Aromaterapia.
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@daianagpetry
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