Com o Brasil registrando recorde de inadimplência, economista orienta como recuperar o controle do orçamento, negociar débitos e evitar novos atrasos
O número de brasileiros com dificuldades para manter as
contas em dia continua crescendo e acende um alerta sobre a saúde financeira
das famílias. Em maio de 2026, o país chegou a 75,06 milhões de consumidores
com restrições no CPF, o equivalente a 44,8% da população adulta, segundo
levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC
Brasil.
O cenário se torna ainda mais preocupante quando analisado
em conjunto com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor
(Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
Em maio deste ano, 81,6% das famílias brasileiras declararam possuir algum tipo
de dívida, o maior índice desde o início da série histórica da pesquisa, em
2010. O cartão de crédito segue como a principal modalidade de endividamento e
foi apontado pela entidade como um dos fatores que mais pressionam o orçamento
das famílias, devido às elevadas taxas de juros.
De acordo com dados da Agência Senado, o aumento do custo de
vida, os juros elevados, a expansão do crédito rotativo e até o impacto das
apostas online sobre o orçamento doméstico têm contribuído para esse cenário.
Segundo Ricardo de Almeida, diretor financeiro do Cartão de TODOS, isso torna
cada vez mais importante adotar estratégias para recuperar o equilíbrio
financeiro. “Retomar o acesso ao crédito é uma conquista importante, mas
reconstruir a saúde financeira exige disciplina, planejamento e novos hábitos.
Isso permite conquistar tranquilidade, previsibilidade e qualidade de vida”,
afirma.
Endividamento
e inadimplência não são a mesma coisa
Embora os termos sejam frequentemente utilizados como
sinônimos, eles representam situações diferentes.
Uma pessoa endividada é aquela que possui
compromissos financeiros assumidos, como financiamento, empréstimo, parcelas do
cartão de crédito ou crediário. Isso não significa, necessariamente, que exista
um problema financeiro, desde que os pagamentos estejam sendo feitos dentro do
prazo.
Já a inadimplência ocorre quando essas contas deixam
de ser pagas na data de vencimento. Dependendo do tempo de atraso, o consumidor
pode ter o nome incluído em cadastros de proteção ao crédito, além de sofrer
com o acúmulo de juros e multas.
Segundo Ricardo, os sinais de desequilíbrio financeiro
costumam aparecer muito antes da negativação. "O primeiro deles é quando a
pessoa começa a parcelar no cartão de crédito despesas básicas, como
supermercado, combustível ou contas da casa”, alerta.
De acordo com o executivo, fechar o mês sem “conseguir
poupar nenhum valor, atrasar pequenas contas ou precisar escolher qual boleto
pagar primeiro” também é um sinal preocupante. Ele reforça que “quando o
orçamento deixa de fechar todos os meses, é hora de agir. Esperar a
inadimplência chegar torna a recuperação muito mais difícil, pois existe um
acúmulo e, muitas vezes, juros e multas", explica.
Como
sair da inadimplência? Veja 5 passos para reorganizar as finanças
É possível recuperar o controle das finanças com
planejamento e mudança de hábitos. Segundo Ricardo, o processo não ocorre de um
dia para o outro, mas começa com um diagnóstico realista da situação financeira
e decisões conscientes sobre o uso do dinheiro. Confira as principais
orientações do economista:
1)
Faça um diagnóstico completo das dívidas
O primeiro passo é entender exatamente qual é a situação
financeira. Reúna todas as informações sobre as dívidas em uma planilha,
aplicativo ou até mesmo em um caderno. Ter essa visão completa facilita a
definição de prioridades e evita que contas mais caras continuem crescendo sem
controle. É importante identificar:
- Quanto é devido;
- Para quem a dívida deve ser paga;
- Quais juros estão sendo cobrados;
- Quais débitos representam maior risco
financeiro.
2)
Organize o orçamento da família
Depois de mapear as dívidas, é hora de entender como o
dinheiro entra e sai todos os meses. A recomendação é listar toda a renda
familiar e organizar as despesas por ordem de prioridade, diferenciando gastos
essenciais, despesas fixas, despesas variáveis e gastos que podem ser reduzidos
ou eliminados temporariamente. Esse planejamento ajuda a adequar o padrão de
consumo à realidade financeira e cria espaço no orçamento para quitar os
débitos.
3)
Priorize as dívidas com juros mais altos
Nem todas as dívidas têm o mesmo impacto no orçamento. Cartão
de crédito, cheque especial e alguns financiamentos costumam apresentar as
maiores taxas de juros do mercado. Por isso, devem ser negociados primeiro para
impedir que o saldo devedor continue aumentando mês após mês.
4)
Aproveite oportunidades para renegociar
Quanto mais tempo uma dívida permanece em atraso, maior
tende a ser o valor final por causa dos juros e das multas. Por isso,
acompanhar campanhas de renegociação, programas especiais e feirões pode
representar uma oportunidade de reduzir significativamente o saldo devedor e
reorganizar as finanças.
5)
Comece uma reserva financeira, mesmo que pequena
Após renegociar as dívidas, o próximo desafio é evitar que
novos imprevistos levem novamente ao endividamento. Guardar uma pequena quantia
todos os meses ajuda a formar uma reserva de emergência, reduzindo a
necessidade de recorrer ao cartão de crédito ou ao cheque especial diante de
despesas inesperadas.
Como
negociar dívidas de forma mais eficiente
Negociar não significa apenas conseguir um desconto. O
objetivo deve ser encontrar um acordo que realmente caiba no orçamento e possa
ser cumprido até o fim. "É importante levantar o valor da dívida inicial e
o valor atual com juros, pois isso ajuda saber realmente o que está pagando e
aumenta o poder de negociação. Não adianta aceitar uma parcela que será
impossível pagar daqui dois meses", explica Ricardo.
O economista também aponta a importância de feirões e campanhas de renegociação, como a iniciativa “Desconto que desenrola”, do Cartão de TODOS, que acontece até 31 de julho e oferece até 50% de desconto e parcelamento em até 6x para clientes regularizarem suas dívidas. “Essas iniciativas ajudam muitos brasileiros a darem o primeiro passo para terem uma melhor qualidade de vida, com descontos e condições facilitadas”, destaca.
Além disso, o executivo também recomenda:
- Conhecer o valor original da dívida e o saldo atualizado;
- Definir quanto realmente cabe no orçamento
mensal;
- Priorizar o pagamento à vista quando houver
disponibilidade financeira, já que essa modalidade costuma garantir
descontos maiores.
Os
hábitos que evitam uma nova inadimplência
Segundo Ricardo, renegociar as contas representa apenas o primeiro passo.
A recuperação financeira depende, principalmente, da mudança de comportamento em relação ao dinheiro. Entre os hábitos que fazem diferença no dia a dia estão:
- Manter um orçamento mensal atualizado;
- Registrar todas as despesas;
- Acompanhar os gastos por categoria;
- Evitar compras por impulso;
- Criar uma reserva de emergência.
Outra estratégia é buscar formas de reduzir despesas de
maneira permanente, como aproveitar programas de benefícios, cashback e descontos
em produtos e serviços essenciais. No longo prazo, essa economia recorrente
pode aumentar a capacidade de poupança e diminuir o risco de novas dívidas.
Os
erros mais comuns após renegociar as dívidas
Mesmo depois de limpar o nome, alguns comportamentos podem comprometer novamente a saúde financeira. Os principais erros são:
- Acreditar que quitar a dívida resolve
definitivamente o problema;
- Retomar rapidamente um padrão de consumo
elevado;
- Voltar a utilizar todo o limite do cartão de crédito;
- Não controlar os pequenos gastos diários;
- Deixar de construir uma reserva para imprevistos.
"Muitas vezes não são os grandes gastos que
desorganizam o orçamento, mas as pequenas despesas diárias que passam
despercebidas e, no fim do mês, fazem uma grande diferença", alerta
Ricardo.

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