Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul orienta mães, famílias e empresas sobre cuidados para conciliar rotina profissional e saúde do bebê
O retorno ao trabalho é uma das fases mais
desafiadoras para mães que desejam manter a amamentação. A mudança na rotina, a
separação física do bebê, a sobrecarga e a falta de estrutura adequada nos
ambientes profissionais podem levar muitas mulheres à interrupção precoce do
aleitamento. A Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul (SPRS) reforça a
importância do planejamento, do apoio familiar e de políticas que favoreçam a
continuidade da amamentação.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério
da Saúde recomendam o aleitamento materno exclusivo até os seis meses de vida
e, depois desse período, a continuidade da amamentação até os dois anos ou
mais, junto com a alimentação complementar saudável. Fonte: Organização
Pan-Americana da Saúde (OPAS) e Ministério da Saúde.
De acordo com o médico pediatra e titular da
Comissão de Sindicância da Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul, Leandro
Meirelles Nunes, a retomada da rotina profissional não precisa significar o fim
da amamentação, mas exige preparo e acolhimento.
“O retorno ao trabalho não deve ser encarado como
uma barreira intransponível para a amamentação. Com orientação adequada, rede
de apoio e condições mínimas no ambiente profissional, é possível proteger a
saúde do bebê e também preservar o bem-estar da mãe”, afirma.
Entre os principais desafios estão a falta de local
limpo, privado e tranquilo para a retirada do leite, a ausência de geladeira
para armazenamento, o constrangimento diante de colegas ou gestores, o cansaço
provocado pela dupla jornada e a ansiedade pela separação do bebê. Passar
muitas horas sem esvaziar as mamas também pode causar dor, vazamento de leite,
ingurgitamento mamário e complicações como mastite.
A SPRS orienta que a preparação comece de 15 a 20
dias antes do retorno ao trabalho. Esse período permite que a mãe organize uma
rotina de ordenha, crie um estoque de leite congelado e ajude o bebê a se
adaptar à nova forma de oferta, com apoio de familiares ou cuidadores. A
ordenha pode ser feita manualmente ou com bomba tira-leite, conforme a
adaptação da mulher.
Também é recomendado montar um kit com frascos
esterilizados, bolsa térmica e gelo em gel para o transporte seguro do leite.
Antes do fim da licença, a mãe pode conversar com o setor de recursos humanos e
com a chefia direta para alinhar horários de pausa, local adequado para a
retirada do leite e condições de armazenamento.
“A mãe precisa se sentir segura para falar sobre
amamentação no ambiente de trabalho. As pausas para ordenha são uma necessidade
biológica e também fazem parte da proteção à saúde da criança. Quando a empresa
compreende isso, o retorno se torna mais humano e possível”, destaca Leandro.
A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) prevê
dois descansos especiais de meia hora cada um durante a jornada para
amamentação até que o bebê complete seis meses. Empresas que aderem ao Programa
Empresa Cidadã também podem prorrogar a licença-maternidade por mais 60 dias,
medida que contribui para a manutenção do aleitamento exclusivo até o sexto
mês. F
No ambiente profissional, o alerta é que banheiros
não são locais adequados para a retirada do leite. O ideal é que as empresas
ofereçam uma sala limpa, reservada e acolhedora, com cadeira confortável,
tomada, pia para higienização e geladeira para armazenamento do leite materno.
A organização das reuniões e das demandas de trabalho também deve considerar a
necessidade de pausas, especialmente nos primeiros meses após o retorno.

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