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quarta-feira, 15 de julho de 2026

Dia do Consumidor: vender mais não garante lucro para bares e restaurantes

Com 23% dos estabelecimentos no prejuízo em janeiro, especialista aponta cinco mudanças de gestão para reverter o cenário 


O movimento nos bares e restaurantes continua elevado, mas a rentabilidade do setor segue pressionada. Levantamento da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) mostra que 23% dos estabelecimentos encerraram janeiro de 2026 operando no prejuízo, enquanto apenas 41% registraram lucro. O dado revela um desafio que vem ganhando espaço entre empresários do food service, vender mais deixou de ser suficiente para garantir resultados financeiros consistentes.

Essa mudança acontece justamente quando o setor se prepara para o período mais importante do calendário comercial. O segundo semestre concentra datas que tradicionalmente impulsionam o consumo, como Dia dos Pais, Black Friday e confraternizações de fim de ano. Para muitos negócios, será a oportunidade de recuperar margens, desde que a operação esteja preparada para transformar aumento de demanda em lucro.

Para Athos Vilarins, CEO da Assessoria Alpha, empresa especializada em crescimento, estruturação comercial e estratégias de gestão para restaurantes, que já atendeu mais de 1.500 operações de food service na América Latina, a rentabilidade passou a depender muito mais da qualidade da administração do que do volume de clientes. "Durante muito tempo o empresário avaliava o desempenho do restaurante olhando apenas para o faturamento ou para o movimento do salão. Hoje isso não basta. Um estabelecimento pode vender muito e, ainda assim, terminar o mês sem lucro. O que diferencia uma operação saudável é a capacidade de acompanhar indicadores, controlar custos e tomar decisões com rapidez."


A gestão deixou de acompanhar apenas as vendas

O aumento dos custos com alimentos, energia, embalagens e mão de obra obriga empresários a mudar a forma de administrar seus negócios. Em vez de acompanhar apenas o número de pedidos ou o faturamento diário, restaurantes mais estruturados passaram a monitorar indicadores capazes de revelar onde a margem está sendo perdida.

Segundo o empresário, boa parte dos problemas financeiros aparece muito antes de o empresário perceber queda no caixa. "Muitos restaurantes acreditam que precisam vender mais para melhorar o resultado. Na prática, o lucro costuma escapar por desperdícios, precificação inadequada, processos ineficientes e baixa produtividade da equipe. Quem identifica essas falhas rapidamente consegue preservar margem mesmo sem aumentar preços."

A profissionalização da gestão também acompanha uma mudança no comportamento do consumidor. Clientes passaram a valorizar regularidade no atendimento, qualidade dos produtos e agilidade na operação. Isso significa que a eficiência deixou de ser apenas uma questão interna e passou a influenciar diretamente a percepção de valor e a fidelização.


Cinco decisões que diferenciam restaurantes lucrativos

Na experiência da Assessoria Alpha, que acompanha diariamente operações de diferentes portes, empresários com resultados mais consistentes costumam compartilhar cinco práticas de gestão.

  • Acompanhar semanalmente indicadores como margem de lucro, custo da mercadoria vendida (CMV), fluxo de caixa, tíquete médio e retorno dos clientes.
  • Revisar constantemente a precificação para acompanhar oscilações dos custos dos insumos, evitando crescimento de faturamento com perda de rentabilidade.
  • Reduzir desperdícios por meio de fichas técnicas, controle de estoque, padronização da produção e planejamento de compras.
  • Investir na capacitação das equipes para aumentar produtividade, diminuir retrabalho e melhorar a experiência do consumidor.
  • Tomar decisões baseadas em indicadores financeiros e operacionais, substituindo a gestão baseada apenas na percepção do movimento do restaurante.

Segundo o gestor, essas medidas costumam produzir efeitos rápidos porque atacam pontos que impactam diretamente a margem do negócio. "Quando o empresário passa a acompanhar esses indicadores semanalmente, consegue corrigir desvios antes que eles comprometam o resultado do mês. A gestão deixa de ser reativa e passa a ser preventiva."


Eficiência operacional passou a definir a competitividade

A busca por eficiência deixou de ser uma estratégia restrita às grandes redes e passou a fazer parte da rotina de pequenos e médios restaurantes. Controlar desperdícios, organizar processos e acompanhar indicadores tornou-se uma necessidade para preservar competitividade em um período de custos elevados e consumidores mais exigentes.

O profissional afirma que esse movimento também produz reflexos positivos para quem está do outro lado do balcão. "Uma operação financeiramente organizada consegue investir mais em treinamento, manter padrão de qualidade, reduzir falhas no atendimento e enfrentar oscilações de custos sem repassar todos os aumentos ao consumidor. No fim, gestão eficiente melhora a experiência do cliente e fortalece a sustentabilidade do negócio."

À medida que o segundo semestre avança e o fluxo de consumidores aumenta, especialistas avaliam que os restaurantes mais preparados serão aqueles capazes de transformar crescimento de vendas em geração de caixa. No food service, o faturamento continua sendo importante, mas a rentabilidade passou a ser o indicador que determina quais empresas conseguem crescer de forma consistente. 



Athos Vilarins - empreendedor brasileiro com atuação nas áreas de marketing, posicionamento estratégico e crescimento comercial. É CEO da Assessoria Alpha, empresa voltada ao desenvolvimento de marcas, expansão de negócios e fortalecimento da presença de mercado de empresários e empresas em diferentes segmentos. Com foco em performance, vendas e construção de autoridade, Athos participa de projetos ligados à aquisição de clientes, estruturação comercial e estratégias de escala sustentável. Nas redes sociais, compartilha conteúdos sobre empreendedorismo, disciplina empresarial, rotina de alta performance e desenvolvimento de negócios.
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