Campanha chama atenção para sinais persistentes, diagnóstico precoce e acompanhamento fonoaudiológico antes, durante e após o tratamento
Feridas na
boca que não cicatrizam, rouquidão persistente, dor ou dificuldade para
engolir, alterações na voz, caroços no pescoço e perda de peso sem causa
aparente são sinais que merecem atenção. Durante o Julho Verde, campanha
nacional de conscientização sobre o câncer de cabeça e pescoço, o alerta não se
restringe ao diagnóstico precoce. Também chama a atenção para um aspecto muitas
vezes pouco conhecido: a necessidade de preservar e reabilitar funções
essenciais, como comunicação, alimentação e respiração.
Segundo o
Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de cabeça e pescoço compreende
tumores que acometem a cavidade oral, língua, faringe, laringe, tireóide, seios
paranasais, tendo o tabagismo e o consumo de álcool como principais fatores de
risco. Nos últimos anos, a infecção pelo HPV também passou a ter papel
importante, especialmente nos tumores de orofaringe.
Em Santa
Catarina, o INCA estima para 2026 1.010 novos casos de câncer de cavidade oral
e 450 novos casos de câncer de laringe. Entre os subgrupos, são projetados 720
casos de câncer de lábios e cavidade oral, 50 de glândulas salivares e 240 de
orofaringe. Somadas as estimativas de cavidade oral e laringe, o estado chega a
1.460 novos casos em áreas que podem comprometer diretamente a comunicação, a
alimentação segura e a respiração.
Para a
fonoaudióloga Camila Ferreira Molento (CRFa 3-8304), especialista em
reabilitação oncológica, o tratamento não termina quando o tumor é controlado.
“O câncer de
cabeça e pescoço pode comprometer funções que fazem parte da vida diária e da
identidade da pessoa. Falar, comer, engolir e respirar com segurança são
capacidades que precisam ser preservadas sempre que possível e reabilitadas
quando afetadas. Esse cuidado começa antes mesmo do tratamento oncológico.”
A evidência
científica recomenda que o acompanhamento fonoaudiológico seja iniciado antes
do tratamento, permitindo identificar alterações pré-existentes, orientar
exercícios preventivos e estabelecer parâmetros funcionais para o acompanhamento.
Essa abordagem, conhecida como pré-habilitação, está associada à melhor
preservação da deglutição, menor dependência de alimentação por sonda e
melhores resultados funcionais ao longo do tratamento.
Durante e
após cirurgias, radioterapia ou quimioterapia, a Fonoaudiologia atua na
avaliação e reabilitação da deglutição, voz, fala, mastigação e comunicação,
reduzindo complicações, favorecendo o retorno à alimentação por via oral e
contribuindo para a recuperação funcional.
A orientação
permanece a mesma: sintomas persistentes por mais de duas semanas devem ser
investigados. Quanto mais precoce o diagnóstico, maiores são as possibilidades
de tratamentos menos agressivos e de preservação das funções que garantem
independência e participação social.
“Salvar
vidas é fundamental. Preservar a capacidade de falar, comer e se comunicar
também faz parte do tratamento. É nesse espaço que a Fonoaudiologia exerce um
papel essencial dentro da equipe multiprofissional”, finaliza a fonoaudióloga.
Conselho Regional de Fonoaudiologia - 3ª Região- CREFONO
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