Especialista estima que viagem de 10 a 12 dias poderá custar
cerca de R$ 35 mil por pessoa; planejamento mensal deve começar agora.
O sonho do hexa foi adiado. Com a eliminação do Brasil na Copa do Mundo de 2026, o torcedor brasileiro já começa a olhar para 2030. Mas quem pretende acompanhar a Seleção presencialmente na próxima edição precisa iniciar também outro tipo de preparação: a financeira.
A Copa de 2030 terá Espanha, Portugal e Marrocos como sedes principais. Argentina, Paraguai e Uruguai também receberão partidas comemorativas pelo centenário do Mundial.
A realização do torneio em diferentes países pode tornar a
viagem mais cara, principalmente para quem pretende acompanhar jogos em mais de
uma cidade ou atravessar fronteiras durante a competição.
Quanto a
viagem pode custar?
Embora os preços oficiais dos ingressos ainda não tenham sido divulgados, uma estimativa baseada nos custos atuais indica que uma viagem de 10 a 12 dias poderá custar entre R$ 25 mil e R$ 50 mil por pessoa.
O valor inclui passagens aéreas, hospedagem, alimentação, ingressos, transporte, seguro-viagem e despesas extras.
Uma estimativa intermediária seria:
·
Passagens
internacionais: R$ 6 mil a R$ 8 mil;
·
Hospedagem: R$ 5 mil a
R$ 8 mil;
·
Alimentação: R$ 3,5
mil a R$ 5 mil;
·
Ingressos: R$ 2 mil a
R$ 5 mil;
·
Transporte e
deslocamentos: R$ 2,5 mil a R$ 4 mil;
· Seguro, passeios e imprevistos: R$ 5 mil a R$ 7 mil.
Para uma viagem sem grandes luxos, mas com
margem para aumentos de preços e variação cambial, a recomendação é estabelecer
uma meta de aproximadamente R$ 35 mil por pessoa.
Quanto
guardar por mês?
De acordo com o contador, professor e
especialista em finanças André Charone, autor do livro A Verdade
Sobre o Dinheiro, a viagem deve ser tratada como um projeto
financeiro de médio prazo.
“Quanto mais cedo o torcedor começar, menor
será o impacto mensal sobre o orçamento. O erro seria deixar para organizar
tudo na véspera e depender de empréstimos, parcelamentos ou do limite do cartão
de crédito”, afirma.
Para acumular R$ 35 mil em aproximadamente
quatro anos, seria necessário guardar entre R$ 750 e R$ 850 por mês,
dependendo da data escolhida para concluir a reserva.
Quem estabelecer uma meta mais econômica,
de R$ 25 mil, precisará reservar pouco mais de R$ 500 mensais. Já um orçamento
de R$ 50 mil exigiria aportes superiores a R$ 1 mil por mês.
Charone recomenda que o dinheiro seja
mantido separado da conta utilizada no dia a dia.
“Criar uma conta ou investimento específico
ajuda a evitar que o valor seja utilizado para outras finalidades. Também é interessante
programar transferências automáticas logo após o recebimento do salário”,
explica.
Onde guardar o dinheiro?
Como a viagem possui uma data definida, a
prioridade deve ser a segurança. Aplicações de renda fixa com baixo risco e
liquidez podem ser mais adequadas do que investimentos sujeitos a fortes
oscilações.
“O objetivo não é tentar multiplicar
rapidamente o dinheiro. É garantir que ele esteja disponível quando chegar o
momento de comprar as passagens, reservar os hotéis e adquirir os ingressos”,
diz Charone.
O especialista também alerta que a reserva
destinada à Copa não deve substituir a reserva de emergência.
Viagem
por dois continentes pode superar R$ 50 mil
Quem pretende assistir a uma partida
comemorativa na América do Sul e depois seguir para Europa ou Marrocos deverá
preparar um orçamento maior.
Nesse cenário, considerando novas
passagens, hospedagens e deslocamentos, o custo poderá ficar entre R$ 50 mil
e R$ 70 mil por pessoa.
Para Charone, o principal aliado do torcedor ainda é o tempo.
“Grandes objetivos financeiros são construídos por pequenas decisões repetidas durante vários meses. Quem começar agora poderá chegar a 2030 preocupado apenas com o desempenho da Seleção, e não com a fatura do cartão”, conclui.
André Charone - contador, professor universitário, Mestre em Negócios Internacionais pela Must University (Flórida-EUA), possui MBA em Gestão Financeira, Controladoria e Auditoria pela FGV (São Paulo – Brasil) e certificação internacional pela Universidade de Harvard (Massachusetts-EUA) e Disney Institute (Flórida-EUA). É sócio do escritório Belconta – Belém Contabilidade e do Portal Neo Ensino, autor de livros e centenas de artigos na área contábil, empresarial e educacional. Seu mais recente trabalho é o livro "Empresário Sem Fronteiras: Importação e Exportação para pequenas empresas na prática", em que apresenta um guia realista para transformar negócios locais em marcas globais. A obra traz passo a passo estratégias de importação, exportação, precificação para mercados externos, regimes tributários corretos, além de dicas práticas de negociação e prevenção contra armadilhas no comércio internacional.
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digital: https://play.google.com/store/books/details?id=nAB5EQAAQBAJ&pli=1
Instagram: @andrecharone
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