Para o advogado especialista em Direito Empresarial Filipe Denki, o aumento das recuperações judiciais revela uma mudança no cenário financeiro do campo e reforça a importância de mecanismos jurídicos para preservar empresas economicamente viáveis.
O agronegócio brasileiro segue
registrando níveis elevados de recuperação judicial em 2026, chegando a marca
de 194 pedidos já no primeiro trimestre. O dado reflete a continuidade da
pressão financeira sobre produtores rurais e empresas da cadeia agroindustrial.
Depois de encerrar 2025 com 1.990 solicitações, o maior volume da série
histórica da Serasa Experian e um crescimento de 56,4% em relação ao ano
anterior, os indicadores deste ano mostram que o movimento permanece
intenso.
Para o advogado especialista em Direito
Empresarial Filipe Denki, o dado evidencia que, embora o setor continue
registrando safras recordes e mantendo o bom desempenho das exportações,
produtores rurais e empresas da cadeia agroindustrial enfrentam uma crise de
liquidez impulsionada pelo aumento do custo do crédito, alta dos insumos e
redução das margens de rentabilidade. Segundo ele, a tendência é que o mercado
de reestruturação empresarial continue aquecido nos próximos meses,
impulsionado pela necessidade de reorganização financeira de empresas que
permanecem economicamente viáveis.
Crise financeira avança mesmo com bons resultados no campo
A boa performance da produção agrícola
não tem sido suficiente para proteger o caixa das empresas do setor.
Levantamento da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) aponta que
cerca de R$ 256 bilhões da carteira de crédito agropecuário já são
considerados problemáticos, dentro de um estoque de aproximadamente R$ 1,2
trilhão em operações de crédito rural.
"O aumento de
56,4% nos pedidos de recuperação judicial em apenas um ano demonstra que a
crise enfrentada pelo agronegócio deixou de ser pontual e passou a ter caráter
estrutural. O produtor continua produzindo, exportando e movimentando a
economia brasileira, mas enfrenta um ambiente financeiro muito mais adverso do
que aquele em que grande parte dessas dívidas foi contratada. O problema hoje
não é falta de produção, mas a dificuldade de transformar essa produção em
capacidade de pagamento.", avalia o especialista.
Crédito mais caro e menor proteção aumentaram a pressão
financeira
Além do encarecimento do crédito, outro
fator que contribuiu para agravar o cenário foi a redução da cobertura do Programa
de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).
"O produtor
administra riscos climáticos, financeiros e de mercado simultaneamente. Quando
o seguro rural cobre apenas uma pequena parcela da produção e o crédito fica
mais caro, qualquer perda de produtividade ou oscilação de preços compromete
diretamente a capacidade de pagamento. É justamente nesse cenário que
mecanismos de reestruturação financeira passam a ser fundamentais para garantir
a continuidade das atividades.", afirma Denki.
Recuperação judicial passa a ser estratégia de reorganização
O aumento das recuperações judiciais
também revela uma mudança de comportamento no meio empresarial. Segundo o
especialista em Direito Empresarial Filipe Denki, a recuperação judicial deixou
de ser encarada como um mecanismo destinado apenas a empresas sem perspectiva
de continuidade.
"O crescimento dos pedidos de
recuperação judicial não significa, necessariamente, que o agronegócio esteja
quebrando. Na verdade, demonstra uma mudança importante de mentalidade. Cada
vez mais empresários compreendem que a recuperação judicial é uma ferramenta de
reorganização financeira capaz de preservar empresas viáveis, manter empregos,
renegociar dívidas e garantir a continuidade da produção.", explica.
Buscar ajuda cedo faz diferença
Na avaliação do advogado, um dos erros
mais comuns cometidos por produtores e empresários é adiar decisões importantes
na tentativa de resolver problemas estruturais apenas com novos financiamentos.
"Muitos empresários insistem em contratar novas operações de crédito para cobrir dívidas antigas ou postergam negociações esperando uma melhora do mercado. Quando procuram orientação especializada, a empresa já perdeu capacidade de negociação e parte das alternativas disponíveis. A atuação preventiva amplia significativamente as possibilidades de reorganização. Desta forma, uma empresa financeiramente reorganizada tem muito mais condições de honrar seus compromissos do que uma atividade inviabilizada. A reestruturação empresarial busca justamente preservar valor para todas as partes envolvidas, mantendo empresas em funcionamento e evitando perdas ainda maiores." conclui Filipe Denki.
Filipe Denki - advogado especialista em Direito Empresarial, com atuação em reestruturação de empresas, recuperação judicial, recuperação extrajudicial, negociação de passivos e resolução de conflitos empresariais. Atua assessorando empresas de diferentes segmentos na superação de crises financeiras, na preservação de negócios e na construção de soluções jurídicas estratégicas para garantir a continuidade das atividades e a segurança nas relações empresariais.
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