Em um cenário de escassez
de mão de obra qualificada, a experiência de profissionais com longa trajetória
no mercado de trabalho torna-se um diferencial, contribuindo para empresas mais
equilibradas e preparadas para os desafios futuros.
É comum algumas empresas
terem dificuldade para contratar pessoas qualificadas, não apenas por falta de
conhecimento, mas por questões relacionadas ao comportamento. Num outro viés,
nunca tivemos tantos profissionais experientes disponíveis e, ao mesmo tempo,
tantas empresas precisando de talento. Segundo a revista Você S/A, entre
os principais desafios para conseguir preencher uma vaga está o preconceito,
inclusive relacionado à idade.”
Nossa população está
envelhecendo, e diga-se de passagem, é um envelhecer cheio de vida e vigor,
pois estão vivendo mais e melhor. Com isso, muita gente chega aos 65 ou até 70,
80 anos com energia, experiência e vontade de continuar produzindo com
propósito. E por que subestimamos quem tem mais de 65 anos? Infelizmente ainda
existem rótulos e, consequentemente, barreiras que acabam excluindo esses
profissionais da oportunidade de contribuírem com a sociedade. Muitas pessoas
consideram que profissionais com idade mais avançada têm dificuldade com
tecnologia, rendem menos ou são resistentes às mudanças. Mas, no dia a dia, a
experiência pode ser bem diferente, uma vez que agregam com o conhecimento
sólido e a cautela necessária para decisões importantes.
Quando estão em ambientes
que estimulam o aprendizado e impera o respeito, tendem a ser mais valorizados
e a se mostrarem disponíveis e abertos ao novo. Além disso, podem ser
comprometidos, responsáveis e estáveis, qualidades que fazem a diferença!
Devido às experiências
profissionais e pessoais adquiridas ao longo da vida, desenvolveram o tão chamado
Soft skills (habilidades interpessoais) - controle
emocional, visão mais ampla das situações, capacidade de lidar com problemas e
tomar decisões com mais segurança -, algo requisitado no mercado de trabalho.
Em momentos conflituosos e difíceis, esses fatores comportamentais
influenciam diretamente na interação com a equipe e nos resultados alcançados.
Outro ponto importante é
que, com sabedoria, esses profissionais acabam sendo bons conselheiros. Num
grupo onde as faixas etárias se distinguem, eles tendem a contribuir com os
mais jovens, compartilhando conhecimento e fortalecendo a identidade cultural.
Empresas que têm no seu quadro de colaboradores pessoas de diferentes idades,
costumam ter um ambiente mais saudável, entregas mais consistentes e menos
rotatividade. Ainda assim, muitas empresas se mantêm inflexíveis diante dos
modelos de contratações tradicionais. Aqui entra o processo de evolução mental
dentro das organizações ao se disporem a ser mais inclusivas.
Tal postura abrange
programas de contratação de profissionais 60+, concessão de jornadas flexíveis,
como meio período ou de consultoria, e incentivo à atualização contínua. Também
é essencial construir uma cultura que valorize e respeite a diversidade. Mais
do que a participação numa ação humana e social, é um posicionamento
estratégico e visionário.
O Dia do Trabalhador se aproxima e fica o convite à reflexão sobre o verdadeiro sentido de valorizar o trabalhador e o resultado de suas mãos. Lembrando que isso também significa reconhecer que bons profissionais não têm idade, e talentos não saem de cena!
Kelli Aparecida da Silva Pontes - psicóloga e pós-graduada em saúde mental. Atua como psicóloga clínica e organizacional na Fundação João Paulo II.
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