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| Thay Ribeiro contraiu a esporotricose de seu gato |
Enquanto casos batem recorde, histórias de
cuidadores que enfrentaram o preconceito e a doença mostram a força do vínculo
com seus gatos
O amor por um gato pode
superar o medo. Mas quando a ameaça é a esporotricose, uma doença que cresce em
ritmo exponencial no estado de São Paulo, esse amor é posto à prova todos os
dias. Trata-se de uma doença causada por um fungo do gênero Sporothrix,
que vem se consolidando como um dos principais desafios sanitários urbanos do
país, sobretudo em áreas com grande quantidade de gatos sem acesso regular a
cuidados veterinários.
Além do sofrimento animal, a esporotricose felina preocupa porque é transmissível
para humanos e se espalha com rapidez. “É um grave problema de saúde pública. A
esporotricose é infecciosa e agressiva. Os gatos são as principais vítimas e os
potenciais transmissores. Ela causa lesões cutâneas que podem começar como
pequenos caroços (nódulos) e evoluir para úlceras abertas e com secreção. Essas
feridas não cicatrizam facilmente e costumam espalhar-se pelo corpo. O
tratamento com antifúngico é demorado e muitas vezes não traz os resultados
esperados”, explica o professor titular de medicina-veterinária da UNIP, Carlos
Brunner.
No começo deste ano, o Ministério da Saúde incluiu a esporotricose humana na
lista de doenças de notificação obrigatória. Os números assustam. Em 2025,
foram registradas mais de 12 mil notificações da doença em gatos e mais de 7
mil em humanos em todo o estado de São Paulo — o maior número já registrado.
Mas por trás dos números, há histórias reais de pessoas que enfrentaram o
preconceito, o medo e a dor de ver um animal querido definhar.
"Tratei a gatinha, fui mordida e contraí a doença. Ela não
resistiu"
Thay Ribeiro é pet sitter na capital paulista. No ano passado, ela foi chamada
para ajudar um casal que tinha resgatado uma gatinha de rua. Ela estava
infectada pela esporotricose. “A gatinha era um amor, chamava-se Amora. O casal
ficou com medo de tratá-la e me contratou para o serviço. Ministrei
antifúngicos durante um mês, enquanto procuravam algum lugar para acolher a
gatinha, já que o casal não queria mais ficar com ela. Nesse meio tempo, ela me
mordeu e eu contraí a doença”, conta.
Thay ficou meses tratando a doença tomando medicamentos e passando por exames,
até que conseguiu ficar curada. “Infelizmente a Amora não sobreviveu. Fiquei
com algumas sequelas, mas hoje não tenho mais sintomas”, conta.
Um amor que
enfrenta barreiras
Nelson Castanheira Júnior é um apaixonado pelos animais. Ele ficou sabendo da
existência da esporotricose felina depois de observar dezenas de gatos com
terríveis feridas no rosto e morrendo no condomínio onde mora na Granja Viana,
em São Paulo. “Falei com a veterinária que cuidava dos meus animais e ela me
explicou sobre a doença, disse que estava fora de controle”, conta.
Foi então que ele tomou uma difícil decisão: cuidar ele mesmo dos gatos doentes
que rondavam a sua casa. “Muita gente não compreende um ato de solidariedade
para com animais de rua. Passam a olhar para a gente como se nós fôssemos os
doentes, só porque sentimos misericórdia por um animal. Mas eu enfrentei o
preconceito e me sinto feliz por ter salvado muitos gatos”, desabafa.
O custo da esporotricose no Brasil é elevado. Segundo o IPB, Instituto Pet
Brasil, a população de gatos domésticos passa de 30 milhões em todo o país.
Muitos destes felinos têm acesso às ruas e é justamente no ambiente livre que a
doença se dissemina rapidamente. Nelson sabe bem disso. Nos últimos anos, ele
recolheu e tratou mais de 15 gatos, arcou com todos os custos de medicamentos e
em algumas vezes até mesmo a internação. “Só de medicamentos, cada animal
consome cerca de 300 reais por mês. O tratamento leva de quatro a seis meses.
Faça a conta e veja quanto isso pesa em um orçamento. Não é à toa que muitos
deixam os animais morrerem”, conta.
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| Nelson Castanheda tirou da rua alguns gatos com esporotricose para tratar em casa |
Esperança real: tecnologia nacional já reduz tratamento
Enquanto os casos avançam, uma resposta concreta está mudando o horizonte. O
SPORO PULSE, equipamento inédito desenvolvido pela startup brasileira Akko
Health Devices sob liderança do Prof. Carlos Brunner, utiliza a eletroporação —
pulsos elétricos que provocam a morte irreversível do fungo, preservando o
tecido saudável do animal.
O equipamento já vem sendo testado há mais de um ano em universidades e
clínicas veterinárias privadas em todo o Brasil, com resultados expressivos:
melhora significativa com apenas duas a três sessões, cicatrização acelerada e
redução drástica do tempo de tratamento.
Nelson Castanheira conseguiu salvar o Gatão com o SPORO PULSE. "Ele ficou
com muitas feridas, a doença estava comendo literalmente ele. Foram duas
sessões com o equipamento e o resultado foi incrível, o Gatão ficou
curado", conta. A tecnologia exige menor número de manipulações do gato,
menor custo e alta eficácia — inclusive em animais que não respondem mais aos
antifúngicos tradicionais.
"A estrutura celular dos fungos é diferente. Os poros se formam e não se
fecham mais, e o fungo morre. Trabalho com eletroporação há 18 anos e vi nesta
técnica a possibilidade de matar o fungo preservando o tecido normal do gato",
explica Brunner.
Professor Carlos Brunner - Graduado em Medicina Veterinária pela Universidade de São Paulo USP e mestre em Clínica Médica e doutor em Anatomia dos Animais Domésticos e Selvagens pela USP. Professor titular na Universidade Paulista UNIP; Membro da diretoria da ABROVET – Associação Brasileira de Oncologia Veterinária; Membro da ISEBTT - The Internacional Society for Electroporation Based Thecnologies and Treatments. Pioneiro no uso clínico de eletroquimioterapia no Brasil.
Akko Health Devices


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