O
esgotamento emocional deixou de ser apenas uma percepção individual para se
tornar uma preocupação crescente dentro das empresas. Cansaço constante,
irritabilidade, dificuldade de concentração, sensação de sobrecarga e exaustão
mental estão entre os sinais mais associados ao burnout, fenômeno reconhecido
pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como resultado do estresse crônico
relacionado ao trabalho.
No
Brasil, o tema ganhou ainda mais relevância após a atualização da Norma
Regulamentadora nº 1 (NR-1), que passou a valer em 26 de maio de 2026 e
reforçou a necessidade de atenção aos riscos psicossociais dentro do ambiente
corporativo. A norma amplia o olhar sobre fatores como pressão emocional,
excesso de demandas, desgaste mental e organização do trabalho nas estratégias
de prevenção em saúde ocupacional.
Segundo
a neurocientista e aromaterapeuta Daiana Petry, o avanço da discussão
representa uma mudança importante na forma como empresas e trabalhadores
enxergam saúde mental no ambiente profissional.
“O
cérebro humano não foi projetado para permanecer em estado contínuo de alerta,
cobrança e hiperestimulação durante longos períodos. Quando isso acontece de
maneira crônica, surgem alterações emocionais, cognitivas e físicas que
impactam produtividade, memória, concentração, sono e até relações
interpessoais”, explica.
Nesse
cenário, práticas complementares de bem-estar, como a aromaterapia, vêm
despertando interesse tanto do público quanto da ciência como possíveis
ferramentas auxiliares no manejo do estresse ocupacional.
Daiana
ressalta que os óleos essenciais não substituem acompanhamento médico ou
psicológico, especialmente em casos de burnout instalado, ansiedade severa ou
depressão. Ainda assim, ela afirma que alguns aromas vêm sendo investigados
pela ciência por sua possível influência no sistema nervoso e na percepção de
relaxamento.
“O
olfato possui conexão direta com áreas cerebrais relacionadas às emoções,
memória e resposta ao estresse. Alguns aromas podem atuar como estímulos
sensoriais que ajudam o cérebro a reduzir estados de tensão e hiperativação”,
afirma.
Uma
revisão sistemática publicada em 2021 na revista científica Research,
Society and Development analisou estudos sobre o uso da aromaterapia na
redução do estresse ocupacional e no cuidado da síndrome de burnout. Os
pesquisadores avaliaram trabalhos publicados entre 2007 e 2021, principalmente
com profissionais da saúde, e observaram que alguns óleos essenciais —
especialmente o óleo essencial de lavanda — foram associados à redução do estresse,
melhora do bem-estar e relaxamento emocional.
Os
autores destacam que a aromaterapia pode funcionar como ferramenta complementar
de cuidado em ambientes de alta sobrecarga emocional, embora reforcem a
necessidade de mais estudos clínicos e limitações metodológicas em parte das
pesquisas existentes.
Outro
aroma frequentemente investigado em estudos relacionados ao estresse é o óleo
essencial de bergamota. Em uma pesquisa realizada com 54 professores do Ensino
Fundamental, a difusão ambiental do óleo por dez minutos demonstrou reduzir
níveis de estresse e ansiedade moderada a grave. Os pesquisadores observaram
alterações em parâmetros ligados ao sistema nervoso autônomo, incluindo redução
da frequência cardíaca e da pressão arterial.
Já
outro estudo semelhante, realizado com 29 professores, comparou o uso do óleo
essencial verdadeiro de bergamota com um aroma sintético placebo. Apenas o
grupo que utilizou o óleo essencial autêntico apresentou redução significativa
do estresse ocupacional, embora os efeitos tenham sido menores em situações de
sobrecarga extrema de trabalho.
Na
prática clínica da aromaterapia, outros óleos também costumam ser associados a
estratégias voltadas ao manejo do esgotamento emocional. Entre eles estão
patchouli, vetiver e copaíba, frequentemente utilizados em propostas
relacionadas ao alívio do estresse, redução da ansiedade e promoção de sensação
de estabilidade emocional.
“Não existe aroma capaz de resolver sozinho um ambiente tóxico ou uma rotina adoecedora. Mas algumas estratégias sensoriais podem funcionar como apoio dentro de um cuidado mais amplo envolvendo sono, pausas reais, redução de hiperestimulação, terapia, atividade física e reorganização emocional”, destaca Daiana.
Com a nova NR-1 ampliando o debate sobre saúde mental corporativa, especialistas acreditam que o tema deve ganhar ainda mais espaço dentro das empresas, especialmente diante do aumento dos casos de exaustão emocional, afastamentos relacionados à saúde mental e discussões sobre qualidade de vida no trabalho.
Daiana Petry - Aromaterapeuta, perfumista botânica, naturóloga e especialista em neurociência. Professora dos cursos de formação em aromaterapia, perfumaria botânica e psicoaromaterapia. Autora dos livros: Psicoaromaterapia, Cosméticos sólidos e Maquiagem ecoessencial. Fundadora da Harmonie Aromaterapia.
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@daianagpetry
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