Serviço vem ganhando espaço no Brasil e reforça a importância do cuidado individualizado, do afeto e do fortalecimento de vínculos durante o acolhimento temporário
Celebrado em 31 de maio, o Dia Mundial
do Acolhimento Familiar chama atenção para uma modalidade de
proteção que vem crescendo no Brasil e transformando a vida de crianças e
adolescentes afastados temporariamente do convívio familiar por força de
decisão judicial. O chamado acolhimento familiar, também conhecido como Família
Acolhedora, oferece um ambiente seguro, afetivo e estruturado para que meninas
e meninos possam seguir com seu desenvolvimento, com cuidado e proteção,
enquanto suas famílias de origem recebem acompanhamento de uma rede de apoio.
Os números mostram o avanço dessa modalidade no
país. Segundo os dados mais recentes do Sistema Nacional de Adoção e
Acolhimento (SNA), o Brasil contava, em 2024, com 153 programas de acolhimento
familiar. O número de famílias ativas cadastradas na modalidade também vem
crescendo nos últimos anos: eram 23 em 2013 e passaram para 3.649 em 2024.
A Aldeias
Infantis SOS, organização global que lidera o maior
movimento de cuidado do mundo, integra esse movimento por meio do Serviço de
Família Acolhedora desenvolvido em Mata de São João (BA), iniciativa implantada
em 2022 em parceria com a Prefeitura local e com apoio do Sistema de Justiça do
município.
A modalidade funciona a partir do cadastro, seleção
e capacitação de famílias voluntárias aptas a receber temporariamente crianças
e adolescentes em situação de risco social e pessoal. Todo o processo é
acompanhado por equipes técnicas especializadas, responsáveis pela preparação
das famílias acolhedoras, pelo acompanhamento contínuo e pelo suporte durante
todo o período do acolhimento.
Além de garantir proteção integral, o serviço busca
preservar a convivência familiar e comunitária e fortalecer vínculos afetivos
fundamentais para o desenvolvimento saudável de crianças e adolescentes. O
acolhimento ocorre de forma temporária e segue determinação judicial, podendo
resultar na reintegração à família de origem ou em encaminhamento para adoção,
conforme avaliação das autoridades competentes.
Para Olivia Valente, Gestora do Território na Bahia
da Aldeias Infantis SOS, o crescimento do acolhimento familiar no Brasil
demonstra o fortalecimento de políticas públicas voltadas à proteção humanizada
da infância. “O acolhimento familiar representa uma importante alternativa de
cuidado para crianças e adolescentes afastados judicialmente de suas famílias e
responsáveis legais. Trata-se de uma modalidade baseada no afeto, na proteção e
no acompanhamento técnico permanente, que contribui para o desenvolvimento
saudável e para a reconstrução de vínculos fundamentais durante um momento
delicado da vida”, afirma.
Segundo ela, ampliar o debate sobre o tema é essencial para fortalecer a rede de proteção à infância no país. “O Dia Mundial do Acolhimento Familiar também é uma oportunidade para conscientizar a sociedade sobre a importância do cuidado compartilhado e da corresponsabilidade na garantia de direitos de crianças e adolescentes. Precisamos ampliar o conhecimento sobre essa modalidade e incentivar mais municípios a investirem em políticas de acolhimento qualificadas e humanizadas”, conclui.
Aldeias Infantis SOS
www.aldeiasinfantis.org.br
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