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sexta-feira, 29 de maio de 2026

Esclerose Múltipla e o desafio do diagnóstico precoce

No Dia Mundial da Esclerose Múltipla, especialista alerta para sintomas que ainda são confundidos com estresse e atrasam o diagnóstico

 

Embora afete cerca de 40 mil brasileiros, a Esclerose Múltipla (EM) ainda é cercada por desconhecimento, especialmente quando o assunto são seus primeiros sinais. Isso acontece porque os sintomas iniciais como formigamentos persistentes, visão embaçada e fadiga intensa ainda são frequentemente confundidos com sinais de estresse, ansiedade, excesso de trabalho ou até problemas ortopédicos, o que pode atrasar por meses o início do tratamento adequado. 

Lembrado em 30 de maio, o Dia Mundial da Esclerose Múltipla reforça a importância da conscientização sobre a doença e da atenção aos sintomas neurológicos persistentes. Segundo a Federação Internacional de Esclerose Múltipla (MSIF), cerca de 2,8 milhões de pessoas vivem com a condição no mundo, em sua grande maioria afetando mulheres entre 20 e 40 anos. 

Um dos principais obstáculos para o diagnóstico precoce é justamente a diversidade de sintomas e a forma como eles se manifestam em cada paciente. Em muitos casos, os sinais aparecem de maneira intermitente, desaparecem espontaneamente e retornam depois de semanas ou meses, dificultando a identificação da doença. 

"O grande desafio da Esclerose Múltipla é que seus primeiros sinais costumam ser negligenciados pelo próprio paciente ou confundidos por médicos de outras especialidades. Uma visão turva pode levar a pessoa ao oftalmologista, enquanto uma dormência no braço parece um problema ortopédico. Na EM, o tempo é precioso: quanto mais cedo fechamos o diagnóstico e iniciamos as terapias modificadoras da doença, maior é a chance de evitarmos sequelas a longo prazo e garantirmos qualidade de vida ao paciente", alerta a médica e docente, Dra. Karla Ronconi, neurologista e professora da Faculdade São Leopoldo Mandic. 

O médico alerta que os sintomas mais comuns incluem: 

·         Fadiga incapacitante: Um cansaço profundo e desproporcional ao esforço realizado.

·         Turvação visual ou neurite óptica: Perda súbita ou diminuição da visão, geralmente em apenas um dos olhos, muitas vezes acompanhada de dor ao movimentá-lo.

·         Dormências e formigamentos: Parestesias que afetam os braços, pernas ou um lado do corpo.

·         Problemas de equilíbrio e coordenação: Dificuldade para caminhar ou fraqueza muscular. 

Apesar da importância do diagnóstico precoce, o especialista pondera que não há motivo para desespero. "A presença de um ou mais desses sintomas não significa, necessariamente, um diagnóstico de Esclerose Múltipla. O objetivo não é gerar alarmismo, até porque muitas dessas manifestações podem estar associadas a condições mais simples e passageiras", explica o docente da São Leopoldo Mandic. “Porém, o autocuidado e a atenção aos sinais do corpo não devem ser deixados de lado e se os sintomas forem persistentes, recorrentes ou sem uma causa aparente, a recomendação é clara: busque a avaliação de um médico neurologista.”

 

Investigar precocemente é a melhor maneira de afastar dúvidas e, se necessário, garantir um cuidado ágil e eficaz, sem espaço para o pânico.

 

Sobre a Esclerose Múltipla


A Esclerose Múltipla (EM) é uma doença neurológica, crônica e autoimune que afeta o sistema nervoso central composto pelo cérebro e pela medula espinhal. Na doença, o sistema imunológico passa a atacar a mielina, estrutura responsável por revestir e proteger as fibras nervosas, comprometendo a comunicação entre o cérebro e o restante do corpo.

 

Os sintomas podem variar de acordo com a região afetada e a evolução da doença, e costuma se manifestar principalmente em adultos jovens, especialmente mulheres entre 20 e 40 anos. O diagnóstico é essencialmente clínico, apoiado por exames de imagem como a ressonância magnética do crânio e da coluna (medula espinhal), além da análise do líquido cefalorraquidiano (líquor).

 

.Apesar de ainda não ter cura, os avanços no diagnóstico e no tratamento têm permitido maior controle da doença, reduzindo surtos, retardando a progressão da incapacidade e proporcionando mais qualidade de vida aos pacientes.

  

Faculdade São Leopoldo Mandic, de Campinas



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