No Dia Mundial sem Tabaco, celebrado em 31 de maio, médico Luís César Zaccaro chama atenção para os impactos do fumo na saúde urológica e alerta para o avanço do uso entre jovens
Os danos provocados pelo cigarro já são amplamente
conhecidos e incluem doenças cardiovasculares, respiratórias e mais de 15 tipos
de câncer. Mas o que muita gente ainda desconhece é o impacto direto do
tabagismo sobre a saúde urológica, especialmente masculina. No Dia Mundial sem
Tabaco, celebrado em 31 de maio, fica o alerta para os riscos do cigarro
relacionados ao câncer de bexiga, câncer de rim, disfunção erétil e doença
renal crônica.
Segundo o urologista, uro-oncologista e cirurgião
robótico Luís César Zaccaro, o cigarro é hoje o maior vilão da saúde urológica,
superando fatores como álcool, sedentarismo e má alimentação. “As substâncias
tóxicas inaladas são filtradas pelos rins e eliminadas na urina. Esse contato
constante agride o revestimento da bexiga e aumenta muito o risco de câncer”,
explica.
Dados da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU)
apontam que o cigarro é o principal fator de risco para o câncer de bexiga, um
dos tumores urológicos mais associados ao tabagismo. Fumantes têm risco até
quatro vezes maior de desenvolver a doença em comparação com não fumantes.
Estima-se que cerca de metade dos casos em homens estejam ligados diretamente ao
cigarro.
Além da bexiga, o cigarro também está associado ao
câncer de rim. De acordo com a SBU, entre 20% e 30% dos casos da doença têm
relação direta com o histórico de tabagismo. Já no câncer de próstata, embora o
cigarro não seja considerado causa direta do tumor, pacientes fumantes
apresentam formas mais agressivas da doença e risco de mortalidade até 61%
maior.
Riscos para a saúde sexual
O especialista destaca que os efeitos do cigarro
também atingem diretamente a saúde sexual masculina. “O tabagismo favorece o
entupimento dos vasos sanguíneos, reduzindo o fluxo necessário para a ereção.
Fumantes têm risco significativamente maior de desenvolver disfunção erétil,
principalmente após os 40 anos”, afirma Zaccaro.
O alerta ganha ainda mais relevância diante do
crescimento do uso de nicotina entre jovens. O último Levantamento Nacional de
Álcool e Drogas (Lenad), divulgado em setembro de 2025, mostrou que 15,5% da
população brasileira utiliza algum produto com nicotina. Entre adolescentes
fumantes, mais de um terço começou antes dos 14 anos.
“Não existe um consumo considerado seguro do
cigarro. O ideal é buscar ajuda especializada para abandonar completamente o
tabaco”, orienta o médico.
O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece tratamento
gratuito para quem deseja parar de fumar, incluindo acompanhamento médico,
adesivos de nicotina, gomas, pastilhas e medicamentos específicos.
“Parar de fumar traz benefícios em qualquer idade. Quanto mais cedo essa decisão acontece, maiores são as chances de evitar doenças graves e recuperar qualidade de vida”, conclui o médico Luís César Zaccaro.
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