Coordenador do curso de Farmácia da Faculdade
Anhanguera explica como terapias e mudanças de hábitos podem ajudar no combate
ao vício 
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O Brasil voltou a registrar aumento no número de fumantes após anos de queda
nos índices de tabagismo. Dados preliminares da pesquisa Vigitel, sistema de
Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito
Telefônico, apontam que 11,6% da população adulta brasileira se declara fumante
de cigarro convencional em 2024, contra 9,3% em 2023, mostrando um crescimento
de aproximadamente 25%.
O
cenário acende um alerta especialmente diante da popularização dos cigarros
eletrônicos, muitas vezes vistos de forma equivocada como alternativas menos
nocivas. No Dia Mundial sem Tabaco, celebrado em 31 de maio, Alan Ricardo de
Souza, coordenador do curso de Farmácia da Faculdade Anhanguera, destaca que o
tratamento do tabagismo precisa ser encarado como um processo de cuidado
contínuo, envolvendo estratégias farmacológicas, mudanças comportamentais e
suporte emocional.
“O
tabagismo é uma dependência química reconhecida pela Organização Mundial da
Saúde. Muitas pessoas acreditam que parar de fumar depende apenas de força de
vontade, mas, na prática, o organismo cria dependência física e psicológica da
nicotina. Por isso, existem estratégias terapêuticas seguras e reconhecidas que
ajudam a reduzir os sintomas de abstinência e aumentam significativamente as
chances de sucesso”, explica.
Confira orientações e alternativas seguras para quem deseja parar de
fumar:
1.
Procurar ajuda profissional aumenta as chances de sucesso
O
primeiro passo é entender que o fumante não precisa enfrentar o processo
sozinho. O acompanhamento de profissionais da saúde, como farmacêuticos,
médicos e psicólogos, auxilia na definição da melhor estratégia para cada
perfil de paciente.
“O
suporte profissional ajuda justamente a controlar sintomas como ansiedade e
irritabilidade, comuns nesse processo, além de evitar recaídas. O tratamento é
individualizado e depende do grau de dependência de cada paciente”, destaca.
2.
Terapias de reposição de nicotina podem ajudar
Entre
as alternativas seguras mais utilizadas estão as terapias de reposição de
nicotina, disponíveis em adesivos, gomas de mascar e pastilhas. Esses produtos
fornecem doses controladas de nicotina ao organismo sem a exposição às milhares
de substâncias tóxicas presentes no cigarro convencional.
“O
tratamento deve ser acompanhado por profissionais de saúde habilitados, porque
o uso inadequado pode comprometer os resultados. O objetivo é reduzir
gradativamente a dependência química, minimizando os sintomas da abstinência”,
explica o coordenador.
3.
Cigarro eletrônico não é tratamento para parar de fumar
Apesar
de muitos usuários recorrerem aos dispositivos eletrônicos como tentativa de
abandono do cigarro tradicional, especialistas reforçam que os chamados “vapes”
não são considerados métodos seguros para cessação do tabagismo. Além de manter
a dependência da nicotina, os cigarros eletrônicos também podem conter
substâncias tóxicas e causar danos pulmonares e cardiovasculares. Os cigarros
eletrônicos permanecem com comercialização proibida pela Agência Nacional de
Vigilância Sanitária no Brasil.
4.
Identifique os possíveis gatilhos
A
interrupção do tabagismo também envolve aspectos comportamentais. Alterações na
rotina podem ajudar o fumante a lidar com os gatilhos associados ao hábito de
fumar. Souza destaca que o cigarro muitas vezes está associado a hábitos
automáticos, como tomar café, dirigir ou enfrentar situações de estresse.
Identificar esses gatilhos é essencial para o tratamento.
5.
Recaídas podem acontecer e fazem parte do processo
O
coordenador reforça que recaídas não devem ser encaradas como fracasso, isso
porque o abandono do tabagismo pode exigir múltiplas tentativas até que o
paciente consiga interromper completamente o consumo.
“O
mais importante é persistir e buscar novamente o acompanhamento profissional.
Cada tentativa gera aprendizado e aproxima o paciente do sucesso definitivo”,
explica.
Anhanguera
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