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terça-feira, 10 de março de 2026

Os erros alimentares comuns durante o uso das medicações para emagrecer que facilitam o "efeito rebote"

Nutricionista da Faculdade Santa Marcelina orienta como evitar o reganho de peso, após a suspensão do tratamento 

 

Com a popularização das chamadas “canetas emagrecedoras”, cresce também uma dúvida frequente entre os pacientes: por que é tão comum recuperar peso após interromper o uso desses medicamentos? Segundo Irani Souza, nutricionista e coordenadora do curso de Nutrição da Faculdade Santa Marcelina, o reganho de peso está diretamente ligado ao funcionamento dessas medicações e, associado à ausência de mudanças estruturais no estilo de vida durante o tratamento. 

“A maioria desses medicamentos é composta por agonistas de GLP-1 e GIP, hormônios que regulam o apetite, a saciedade e o metabolismo. Eles aumentam a sensação de plenitude após as refeições, retardam o esvaziamento gástrico e melhoram o controle da glicemia. Com isso, o paciente sente menos fome e reduz naturalmente a ingestão calórica”, explica a profissional. 

De acordo com Irani Souza, o problema surge quando o medicamento é suspenso sem que hábitos consistentes tenham sido consolidados. “Ao interromper o uso, o organismo volta gradualmente ao padrão anterior. A fome aumenta, o esvaziamento gástrico retorna ao ritmo habitual e a saciedade demora mais para aparecer. Sem reeducação alimentar e rotina de atividade física, o reganho de peso se torna muito provável”, afirma. 

Estudos revisados de ensaios clínicos e uma ampla revisão publicada no The British Medical Journal, mostram que muitos pacientes recuperam parte significativa, ou até a maior parte, do peso perdido após a suspensão de medicamentos como semaglutida e tirzepatida. Em análises que envolveram mais de 9.300 adultos, o retorno ao peso pré-tratamento foi observado, em média, entre 1,5 e 2 anos após a interrupção, especialmente quando não há acompanhamento multiprofissional. 

A nutricionista também chama atenção para erros alimentares comuns durante o uso das medicações. “Algumas pessoas acreditam que, como estão com menos fome, devem comer o mínimo possível para acelerar o emagrecimento. Isso compromete a ingestão de nutrientes essenciais e pode levar à perda de massa muscular”, alerta. “Quando o medicamento é retirado, o paciente não desenvolveu autonomia alimentar nem estrutura metabólica adequada, o que facilita o ganho de peso.” 

Apesar disso, a especialista destaca que é possível manter os resultados sem o uso contínuo da medicação. “O tratamento medicamentoso não é a cura da obesidade, mas uma ferramenta de controle. Para que o peso se mantenha estável, é fundamental preservar a massa magra, garantir ingestão adequada de proteínas, organizar horários de refeições e contar com acompanhamento nutricional”, orienta. 

Para evitar o chamado “efeito rebote”, Irani defende um plano alimentar individualizado e sustentável. “O melhor plano é aquele que promove consciência alimentar, sem culpa ou radicalismos. O objetivo não é controlar a comida de forma rígida, mas desenvolver autonomia e aprender a se autorregular diante das escolhas alimentares”, conclui. 

  

Faculdade Santa Marcelina

 

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