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segunda-feira, 2 de março de 2026

No Brasil a obesidade só cresce e já atingiu o aumento de 118% entre 2006 e 2024, segundo o Ministério da Saúde. Segundo projeções globais, até 2035 cerca de metade da população mundial poderá viver com sobrepeso ou obesidade


A obesidade não deve ser vista apenas como uma questão estética, mas como uma doença crônica com impacto direto no aparelho digestivo e no metabolismo corporal — com reflexos sobre o fígado, pâncreas e risco cardiometabólico. Quem explica é o cirurgião do aparelho digestivo Dr. Rodrigo Barbosa.

Dados recentes revelam que a obesidade segue em rápido crescimento no Brasil e no mundo. No país, o aumento de casos entre adultos atingiu 118% entre 2006 e 2024, segundo o último levantamento do Vigitel 2025, do Ministério da Saúde — que monitora fatores de risco para doenças crônicas.

Esse cenário preocupa porque a gordura em excesso não é apenas um acúmulo de tecido adiposo: ela altera fisiologicamente o organismo, promovendo inflamação crônica e interferindo no funcionamento de órgãos essenciais.

“Obesidade é uma doença digestiva e metabólica, e não um problema de vontade ou estética. A gordura visceral altera a sinalização hormonal, prejudica o fígado e o pâncreas e aumenta o risco de diabetes tipo 2, hipertensão e doenças cardiovasculares”, destaca o cirurgião do aparelho digestivo que alerta ainda que a obesidade condiciona uma série de outras desordens metabólicas.
 

Impactos da obesidade no fígado, pâncreas e metabolismo

A obesidade está diretamente ligada a distúrbios digestivos e metabólicos:

  • Fígado gorduroso (esteatose/Metabolic Dysfunction-Associated Steatotic Liver Disease – MASLD): condição comum em pessoas com obesidade, podendo evoluir para inflamação e fibrose hepática se não tratada adequadamente.
  • Pâncreas e resistência à insulina: o excesso de gordura corporal contribui para a resistência insulínica, fator central no desenvolvimento do diabetes tipo 2.
  • Risco cardiometabólico aumentado: obesidade eleva significativamente as chances de doenças cardiovasculares, hipertensão e complicações metabólicas associadas.

A obesidade também é um dos principais fatores de risco para outras doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs), como alguns tipos de câncer e condições respiratórias, o que amplia ainda mais seu impacto sobre o sistema de saúde.
 

Obesidade é um problema de saúde pública, não de estética

Segundo projeções globais, até 2035 cerca de metade da população mundial poderá viver com sobrepeso ou obesidade, com implicações profundas para os sistemas de saúde, qualidade de vida e expectativa de vida.

No Brasil, estimativas apontam que uma parte substancial da população adulta já vive com obesidade hoje, e as tendências demográficas sugerem que esse número pode continuar crescendo nas próximas décadas, especialmente sem políticas públicas eficazes de prevenção e tratamento.

“A obesidade não pode ser vista como falha individual. É uma condição clínica complexa, influenciada por fatores genéticos, ambientais, estilo de vida e desigualdades sociais. O combate efetivo exige ações integradas de saúde pública, educação, alimentação adequada e acesso ao tratamento especializado”, ressalta o cirurgião.
 

Abordagem multidisciplinar e tratamento da obesidade

O tratamento eficaz da obesidade exige acompanhamento multidisciplinar — envolvendo médicos, nutricionistas, psicólogos e, quando indicado, intervenção cirúrgica. Entre as opções terapêuticas, a cirurgia bariátrica é reconhecida como tratamento eficaz para casos severos ou quando outras estratégias clínico-nutricionais não são suficientes, especialmente em pacientes com comorbidades associadas.

“A indicação cirúrgica não é estética, mas médica e funcional — com objetivos de reduzir risco de complicações metabólicas e melhorar sobrevida e qualidade de vida”, finaliza o médico especialista em obesidade.
 

Dr Rodrigo Barbosa - cirurgião digestivo sub-especializado em cirurgia bariátrica e coloproctologia do corpo clínico dos hospitais Sírio Libanês e Nove de Julho. CEO do Instituto Medicina em Foco 


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