A
obesidade não deve ser vista apenas como uma questão estética, mas como uma
doença crônica com impacto direto no aparelho digestivo e no metabolismo
corporal — com reflexos sobre o fígado, pâncreas e risco cardiometabólico. Quem
explica é o cirurgião do aparelho digestivo Dr.
Rodrigo Barbosa.
Dados
recentes revelam que a obesidade segue em rápido crescimento no Brasil e no
mundo. No país, o aumento de casos entre adultos atingiu 118% entre 2006 e
2024, segundo o último levantamento do Vigitel 2025, do Ministério da Saúde —
que monitora fatores de risco para doenças crônicas.
Esse
cenário preocupa porque a gordura em excesso não é apenas um acúmulo de tecido
adiposo: ela altera fisiologicamente o organismo, promovendo inflamação crônica
e interferindo no funcionamento de órgãos essenciais.
“Obesidade
é uma doença digestiva e metabólica, e não um problema de vontade ou estética.
A gordura visceral altera a sinalização hormonal, prejudica o fígado e o
pâncreas e aumenta o risco de diabetes tipo 2, hipertensão e doenças
cardiovasculares”, destaca o cirurgião do aparelho digestivo que alerta ainda
que a obesidade condiciona uma série de outras desordens metabólicas.
Impactos da obesidade no fígado, pâncreas e metabolismo
A
obesidade está diretamente ligada a distúrbios digestivos e metabólicos:
- Fígado gorduroso (esteatose/Metabolic Dysfunction-Associated
Steatotic Liver Disease – MASLD): condição comum em pessoas
com obesidade, podendo evoluir para inflamação e fibrose hepática se não
tratada adequadamente.
- Pâncreas e resistência à insulina: o
excesso de gordura corporal contribui para a resistência insulínica, fator
central no desenvolvimento do diabetes tipo 2.
- Risco cardiometabólico aumentado:
obesidade eleva significativamente as chances de doenças cardiovasculares,
hipertensão e complicações metabólicas associadas.
A
obesidade também é um dos principais fatores de risco para outras doenças
crônicas não transmissíveis (DCNTs), como alguns tipos de câncer e condições
respiratórias, o que amplia ainda mais seu impacto sobre o sistema de saúde.
Obesidade é um problema de saúde pública, não de estética
Segundo
projeções globais, até 2035 cerca de metade da população mundial poderá viver
com sobrepeso ou obesidade, com implicações profundas para os sistemas de
saúde, qualidade de vida e expectativa de vida.
No
Brasil, estimativas apontam que uma parte substancial da população adulta já
vive com obesidade hoje, e as tendências demográficas sugerem que esse número
pode continuar crescendo nas próximas décadas, especialmente sem políticas
públicas eficazes de prevenção e tratamento.
“A
obesidade não pode ser vista como falha individual. É uma condição clínica
complexa, influenciada por fatores genéticos, ambientais, estilo de vida e desigualdades
sociais. O combate efetivo exige ações integradas de saúde pública, educação,
alimentação adequada e acesso ao tratamento especializado”, ressalta o
cirurgião.
Abordagem multidisciplinar e tratamento da obesidade
O
tratamento eficaz da obesidade exige acompanhamento multidisciplinar —
envolvendo médicos, nutricionistas, psicólogos e, quando indicado, intervenção
cirúrgica. Entre as opções terapêuticas, a cirurgia bariátrica é reconhecida
como tratamento eficaz para casos severos ou quando outras estratégias
clínico-nutricionais não são suficientes, especialmente em pacientes com
comorbidades associadas.
“A
indicação cirúrgica não é estética, mas médica e funcional — com objetivos de
reduzir risco de complicações metabólicas e melhorar sobrevida e qualidade de
vida”, finaliza o médico especialista em obesidade.
Dr Rodrigo Barbosa - cirurgião digestivo sub-especializado em
cirurgia bariátrica e coloproctologia do corpo clínico dos hospitais Sírio
Libanês e Nove de Julho. CEO do Instituto Medicina em Foco
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